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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Coquetel “do dia seguinte” ganha site

Categoria: Saúde

Por Isis Brum

A Secretaria de Estado da Saúde lançou neste mês um site para divulgar o ‘coquetel do dia seguinte’, uma fórmula de antirretrovirais destinada a pessoas que se expuseram de alguma forma ao vírus da aids, caso de quem praticou sexo desprotegido, por exemplo, ou de indivíduos que passaram pelo rompimento do preservativo. A página traz 300 endereços nos quais é possível se submeter ao tratamento após passar pela análise de profissionais, que avaliarão sua necessidade.

O procedimento de emergência contra uma possível exposição ao vírus também tem como foco usuários de drogas ou indivíduos que tiveram acidentes profissionais. A profilaxia consiste em tomar uma combinação de antirretrovirais durante 28 dias, fórmula que foi apelidada de ‘coquetel do dia seguinte’ em alusão à pílula anticoncepcional usada para prevenir a gravidez após o sexo desprotegido, com uma margem de segurança de 48 horas.

No caso dos antirretrovirais, o ideal é que a profilaxia seja iniciada em até 72 horas após a exposição. “Quanto mais cedo tomar, melhor o resultado”, afirma Denize Lotufo, coordenadora da rede de quimioprofilaxia do Estado de São Paulo. “Quando a pessoa chegar ao serviço, fará o exame, receberá as orientações e pode ser encaminhada para tomar o medicamento”, explica. Ela acredita que o medicamento não irá incentivar a população a abandonar os preservativos.

Juvêncio Furtado, professor de Medicina do ABC e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que o tratamento reduz a chance de contágio a quase zero, mas enfatiza que há um preço disso para a saúde. “É um medicamento pesado, não é qualquer pessoa que o tolera”, lembra. Segundo ele, o problema seria se o serviço oferecesse “uma profilaxia pré exposição”. Ou seja, se a indicação fosse para pessoas que não passaram por situações de risco.

O remédio é de uso controlado e é preciso receita médica. As reações adversas, em geral, são indisposição, diarreia, tontura e vômito. Há o risco até mesmo de hepatite medicamentosa. O infectologista Vicente Amato Neto, especializado em doenças infecciosas e parasitárias, questiona a utilidade do site. “A maioria das pessoas não liga se o relacionamento é ou não de risco, nem sabe se pertence a um grupo de risco”, acredita.

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