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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014
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Copa: Itaquera já sente mudanças

Categoria: Urbanismo

Eduardo Pinheiro é filho de José Pinheiro Borges, que dá nome a uma das principais ruas do bairro. Atua no comércio e faz parte do Fórum de Desenvolvimento da zona leste. Foto: WERTHER SANTANA/AE

 

TIAGO DANTAS

Nem começou a ser construído, e o estádio do Corinthians em Itaquera já provoca mudanças no bairro da zona leste da capital. O preço dos imóveis subiu em média 20%, enquanto incorporadoras, redes de fast-food e empresas de diversos segmentos procuram terrenos para se instalar na região nos próximos anos.

A abertura da Copa do Mundo de 2014 no bairro, embora não esteja garantida, é aguardada com otimismo pelos itaquerenses. É a chance de atrair investimentos públicos que não foram feitos no passado. São esperadas, por exemplo, melhorias no sistema viário e no transporte coletivo, construção de uma universidade federal e geração de empregos.

“Itaquera é a bola da vez”, afirma Solange Yamakawa, de 44 anos, diretora da Yamakawa Imóveis, instalada no bairro. Em outubro do ano passado, a empresa tinha 30 corretores. Hoje, são 60, e a meta é chegar a 100 no fim do ano. “Esse é o momento de fazer prospecção porque há uma visibilidade mundial para a região”, diz.

Segundo o corretor José Carlos Cabeceiro, de 45 anos, a valorização dos imóveis chega a 20%. Um apartamento de 50 m², avaliado em R$ 120 mil em novembro, foi vendido a R$ 145 mil em maio. O Sindicato da Habitação (Secovi) registrou uma alta de 4% no preço dos imóveis novos entre 2009 e março de 2011. O metro quadrado de um apartamento de dois dormitórios subiu de R$ 2.202,80 para R$ 2.293,79, em média.

Números como esses chamaram a atenção da administradora de empresas Elaine Carneiro, de 28 anos, que colocou à venda um sobrado de dois dormitórios que era de seu pai. “A gente pretendia alugar a casa para aumentar a renda, mas um vizinho disse que conseguiu vender por um bom preço a casa dele. Vai valer a pena.” Perto dali, a dona de casa Valdirene Ramos, de 56 anos, também pensa em vender a casa, mas não por causa do dinheiro.

“O que gosto aqui é da tranquilidade. Imagina como é que vai ficar quando começarem as obras?” O aquecimento do ramo imobiliário tem um efeito negativo, na opinião de Solange: tem gente pedindo valores acima do que o mercado está disposto a pagar. “Temos um grande desafio que é fazer Itaquera não crescer só em quantidade, mas em qualidade, e deixar de ser somente um bairro dormitório”, opina.

Solange diz que sua imobiliária tem sido procurada por grandes construtoras, redes hoteleiras e empresas dos ramos de alimentação e serviços. Principal centro de compras do bairro, o Shopping Metrô Itaquera avalia a possibilidade de fazer uma ampliação. Por enquanto, “assiste o movimento”, conforme informou por nota.

O comerciante Eduardo Pinheiro, de 57 anos, vice-presidente do Fórum de Desenvolvimento da Zona Leste, acredita que a capacitação dos profissionais de Itaquera é imprescindível para que esses investimentos fiquem no bairro.
“Isso vai voltar na forma dos impostos que serão pagos pelas empresas que se instalarem aqui e pelo ganho no trânsito se não precisarmos deslocar todos os dias praticamente um país inteiro para o centro em busca de trabalho.”

Obras previstas 

> > Governo do Estado e Prefeitura assinaram, em abril, um convênio de R$ 478,2 milhões para um pacote de obras de infraestrutura para a zona leste
 
> > A principal intervenção será a construção de alças de ligação entre as Avenidas Jacu-Pêssego e José Pinheiro Borges (Radial)
 
> > Duas vias estão previstas: a primeira vai ligar as Avenidas Itaquera e José Pinheiro Borges, com viadutos sobre a linha do trem; a segunda vai ligar a primeira à Avenida Miguel Inácio Curi
 
> > Não há investimentos previstos para Metrô. A construção do monotrilho da Linha 2-Verde do Metrô até Cidade Tiradentes é apontada como forma de reduzir passageiros da Linha 3-Vermelha