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Sábado, 19 de Abril de 2014
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Cirurgia bariátrica ‘by-pass’ é mais letal

Categoria: Geral, Saúde

KARINA TOLEDO

Passar por uma cirurgia bariátrica do tipo by-pass, técnica que responde por cerca de 85% das intervenções para redução de estômago no Brasil, é o fator que mais aumenta o risco de o paciente morrer antes de receber alta. A conclusão é de um estudo apresentado nesta semana no congresso da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em Orlando (EUA).

Após analisar dados de mais de 105 mil pessoas submetidas a cirurgia para perda de peso, os pesquisadores americanos montaram uma lista com os seis fatores que mais elevam o risco de mortalidade antes que os pacientes deixem o hospital. Indivíduos submetidos à técnica do by-pass gástrico apresentaram 5,8 vezes mais risco de morte em relação à técnica da banda gástrica ajustável.

Escolha da maioria absoluta dos médicos no Brasil, segundo o cirurgião Marcos Leão Vilas Boas, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, o by-pass nos EUA é usado em 55% das cirurgias.

Também houve um aumento de 4,8 vezes no risco de morte quando os pesquisadores compararam a cirurgia aberta (com um grande corte na barriga) com a laparoscopia, menos invasiva. Entre os pacientes do sexo masculino e os que não tinham plano de saúde particular, o risco foi cerca de três vezes maior. Aqueles com 60 anos ou mais apresentaram o dobro de risco dos mais jovens.

“A cirurgia bariátrica é segura, mas podemos fazer mais para melhorar as chances de sobrevivência dos pacientes de alto risco”, diz o autor principal do estudo, Ninh Nguyen, da Universidade da Califórnia em Irvine. Para ele, os médicos podem usar os fatores de risco para planejar o pré-operatório.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Ricardo Cohen, explica que esses fatores de risco são conhecidos. Mas os pesquisadores fizeram uma análise estatística para saber o quanto cada um deles pode influenciar no quadro do paciente.

Cohen ressalta que, embora a banda gástrica ajustável ofereça menos risco, por não haver cortes no estômago, sua eficácia também é menor – pelo menos 30% dos pacientes voltam a engordar depois dela. Por isso, ela é menos realizada: no País, nem 5% dos procedimentos bariátricos são feitos dessa forma.

A cirurgia aberta, a única disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), é bem mais comum no País que a laparoscopia – que, segundo Cohen, é feita em cerca de 35% dos casos. No caso dos homens, dois fatores explicam a maior mortalidade, diz o cirurgião Marcos Leão Vilas Boas. “Tendem a acumular mais gordura visceral, a mais perigosa, e apresentam mais comorbidade, como a hipertensão”, diz.

Segundo Vilas Boas, mesmo com fatores de risco, o índice de mortalidade da cirurgia bariátrica é baixo. Outro estudo recente mostrou que 1 em cada mil pacientes submetidos à colocação de banda gástrica ajustável por laparoscopia morre. O número sobe para 2 em cada mil no caso dos que fizeram by-pass gástrico por laparoscopia. “Entre aqueles que fizeram o by-pass por meio de cirurgia aberta, morreram 2 em cada 100, ou seja, dez vezes mais.”

O risco de conviver com as doenças associadas à obesidade, de acordo com os médicos, superam os riscos associados às cirurgias. Após a operação, os pacientes podem aumentar sua expectativa de vida em até 89%. 

Com Los Angeles Times

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