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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014
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Chip de hormônios vira febre entre mulheres

Categoria: Comportamento, Saúde

Dieta e rotina diária de exercícios já não bastam. Em busca de um corpo definido e com pouca gordura, muitas mulheres passaram a recorrer a implantes subcutâneos de hormônios. É nas academias de ginástica que a mania se espalha. Vendo no aparelho ao lado uma mulher com força de fazer inveja, inevitável perguntar a receita e ir atrás do milagre. Mas, se a tática para algumas têm o efeito esperado, para outras traz consequências desastrosas.

Inicialmente indicada para mulheres que tentavam fugir da tensão pré-menstrual (TPM), a técnica consiste em colocar embaixo da pele pequenas cânulas que secretam uma dosagem de hormônios para provocar a interrupção do ciclo. Como algumas mulheres ganhavam mais facilmente músculos e ficavam bem dispostas, a técnica passou a ser usada para estética.

“Virou uma febre: todas querem ter o corpo das ‘chipadas’ (com implantes)”, conta uma publicitária de 22 anos que não quis ter seu nome revelado. Há um ano e meio, ela aderiu à técnica. Nos primeiros meses, ganhou músculos e perdeu gordura. Passado um ano, estava com um grave problema de pele, queda de cabelo, vários quilos a mais e o rosto irreconhecível de tão inchado. Por causa disso, conta que foi duas vezes ao médico responsável pelo implante. “Ele pedia para eu ter paciência, mudou a dosagem, mas desisti de esperar. Tudo que ganhei nesses meses foram três cicatrizes e muita dor de cabeça.”

Especialista em nutrição esportiva e metabolismo, Clayton Neves Camargos diz ter visto aumentar o número de reclamações em seu consultório sobre os efeitos do hormônio. “O equilíbrio hormonal se rompe, problemas até então nunca imaginados aparecem. Não sabemos qual o efeito do uso dessas drogas a longo prazo”, fala.
Entre os hormônios do implante está a testosterona, que é masculino, mas encontrado em menor volume nas mulheres. “Seu uso é importante em mulheres com baixa produção, sobretudo na pós-menopausa”, diz o ginecologista Jefferson Drezett. “Para estética, não indico. Os efeitos colaterais são muitos.”

Hoje, em alguns consultórios, é possível sair ‘chipada’ já na primeira conversa com o médico. Muitas vezes, pedidos de exames preliminares são entregues pela própria secretária, logo após o telefonema para marcar a primeira consulta. Os exames incluem taxas de hormônios, níveis de colesterol e triglicérides, ultrassom e exame preventivo de câncer de colo de útero. Um implante sai, em média, por R$ 4 mil.

Mas a prática de solicitar exames sem ver o paciente ao menos uma vez é condenada pelo Conselho Federal de Medicina. “Não dá para o médico avaliar a segurança de um método apenas pela análise de um conjunto padrão de exames”, diz o conselheiro Antonio Pinheiro. “A medicina é mais que a simples checagem de exames.”

Lígia Formenti