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Capacete evita 85% das lesões na bicicleta

Categoria: Geral, Saúde

Felipe Oda

 

Cair da bicicleta é normal na infância, quando o equilíbrio ainda não está plenamente desenvolvido. Errado, dizem os especialistas, é ignorar as medidas de proteção que podem evitar que o tombo tenha consequências mais sérias que um simples galo ou esfolado. As quedas representam a principal causa de fratura facial em crianças e jovens menores de 18 anos, de acordo com uma pesquisa que acaba de ser concluída pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O estudo, promovido pela Faculdade de Odontologia da Unicamp (câmpus Piracicaba) durou dez anos. Os especialistas acompanharam 757 pacientes e notaram que, nos casos de fratura facial, 98% das crianças não usavam acessórios de segurança, como o capacete. Meninos representam 70% dos casos. O tombo de Raphael de Souza Abreu Lima, 12 anos, combina com essa estatística. Como lembrança do dia da queda, ocorrida dentro do condomínio onde mora, guarda uma cicatriz na testa.

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“Ele estava correndo, sem capacete, caiu e bateu a testa na quina da parede. Tive que levá-lo ao hospital porque foi bem feio”, conta a mãe do garoto, a promotora Ana Carolina de Souza, 35. Mesmo depois do acidente, mãe e filho admitem que os itens de segurança não são utilizados. “Como ele anda bem (de bicicleta), não me preocupei. Já é mais crescido, não usa por vergonha”, justifica Ana. “Não gosto de usar. Eles me atrapalham”, completa Raphael.

Do estudo, os pesquisadores destacam ainda a posição do Brasil como o país com a maior incidência de traumas maxilofaciais. “A literatura médica prevê algo entre 1% e 14% na faixa etária estudada. Mas, no País, a pesquisa indicou a incidência de 30% de fraturas na mandíbula das nossas crianças”, afirma o autor do estudo da Unicamp, o cirurgião dentista José Luis Muñante–Cárdenas. Segundo ele, o osso facial mais afetado pelas ocorrências ciclísticas é a mandíbula. “Provavelmente pela exposição do osso”, diz.

A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françóia, estima que 85% dos traumatismos faciais poderiam ser evitados com o capacete. Para ela, o uso dos equipamentos de segurança deveria ser obrigatório em todos os passeios, até no quintal de casa. “O objetivo é proteger a criança. Então, o uso é fundamental. Os pais devem falar dos benefícios e não associar os equipamentos ao perigo”, diz.

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A queda de Beatriz Duarte de Oliveira, 8 anos, não convenceu a dona de casa Lailce Garcia Duarte Oliveira, de 49, a adotar o capacete como obrigatório. “Quando ela caiu, até pensei em colocar o capacete, mas desisti. Ela só brinca na quadra do condomínio e comigo olhando”, justifica Lailce.

Mais que cortes superficiais e susto, as quedas podem provocar danos permanentes. No caso das lesões faciais, o cirurgião plástico Dov Charles Goldenberg, especialista em cirurgias do crânio e da face do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital das Clínicas, destaca as seguintes sequelas: alteração do crescimento, perda de sensibilidade, mobilidade comprometida e complicações estéticas.

“Tudo dependerá do grau de complexidade da lesão”, diz. Para o dentista Waldyr Antônio Jorge, especializado em cirurgia bucomaxilofacial pela Universidade de São Paulo (USP), um trauma na face de crianças e adolescentes costuma ser mais severo que em adultos. “Embora tenham uma reparação mais rápida, a criança e o jovem estão em desenvolvimento ósseo e são mais frágeis que adultos”, garante.

O capacete é obrigatório para Karla (à esquerda), 7, nos passeios de bicicleta “em lugares muito movimentados”, conta o pai dela, Roberto Carlos Figueiredo, 33. A menina nunca sofreu um machucado grave. “O capacete contribuiu para isso”, diz ele. Em ambientes domésticos, porém, ela está dispensada pelo pai de usar o acessório – ao contrário do que recomendam os especialistas (Werther Santana/AE)

O capacete é obrigatório para Karla, 7 anos, nos passeios de bicicleta “em lugares muito movimentados”, conta o pai dela, Roberto Carlos Figueiredo, 33. A menina nunca sofreu um machucado grave. “O capacete contribuiu para isso”, diz ele. Em ambientes domésticos, porém, ela está dispensada pelo pai de usar o acessório – ao contrário do que recomendam os especialistas (Werther Santana/AE)

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13 Comentários Comente também
  • 23/07/2010 - 09:19
    Enviado por: Gustavo

    Só não entendi como um capacete de bicicleta vai proteger o maxilar..
    Protetor tipo boxeador?
    Tenho uma sugestão melhor:
    Enrola a criança num plástico bolha!

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  • 23/07/2010 - 09:57
    Enviado por: Marco

    A bicicleta é a evolução do andar. Para se proteger bem, precisamos de ciclovias decentes e conscientização da população para que o espaço seja aproveitado sem risco para praticantes do ciclismo ou transeuntes. Para proteção individual, o mínimo seria o capacete e um par de luvas. Para prática noturna é indispensável o uso de sinalizações laterais, traseira e frontal.
    Mas pelo amor de Deus vereadores e prefeitos: CONSTRUAM CICLOVIAS!!!!

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  • 23/07/2010 - 10:12
    Enviado por: Ademar J. Domingues

    A bicicleta veio antes da motocicleta. Dependendo da velocidade e
    do local, uma queda pode ser fatal. Porque não usar o capacete?
    É melhor se prevenir, do que remediar.

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  • 23/07/2010 - 10:20
    Enviado por: Moizés

    Entaum, acho que falar de equipamentos de segurança é um assunto muito sério, mas do isso, precisamos incentivar o uso da bicicleta como um meio da prática da atividade física aliada ao prazer haja vista que todo sonho de criança é ter uma bicicleta, ou não? Diante disto o incentivo da prática estará promovendo saúde e concequentemente “o mundo ficará meis leve” e os hospitais com menos gentes pra serem atendidas com diabetis, hipertenção…e outras doençcas causadas pelo sedentárismo.

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  • 23/07/2010 - 10:26
    Enviado por: Claudio

    melhor que o capacete é fazer campanhas para os motoristas que nao respetam os ciclistas e motociclistas, presionando desde seus veiculos a andar mais rapido ou se afastar .. que motorista sabe que é necessario guardar 5m de distancia entre um ciclista e seu carro ?? quantos respeitam ??

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    • 23/07/2010 - 11:14
      Enviado por: Tiago Nepomuceno

      Cláudio, suas observações estão corretas exceto por um detalhe: o Código Brasileiro de Trânsito exige (Art. 201) que ao ultrapassar um ciclista o veículo motorizado guarde uma distância de 1,5 m. e reduza a velocidade. Infelizmente, como todos os que pedalam nas ruas de São Paulo sabem, os carros e ônibus quase sempre não chegam a guardar sequer meio metro de distância.

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  • 23/07/2010 - 11:10
    Enviado por: Gustavo

    Cláudio,
    Vc se equivocou na verdade a distância que um motorista tem que resguardar do ciclista são 15 metro.

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  • 23/07/2010 - 12:15
    Enviado por: Maria Tereza Murray

    Os problemas de rosto e maxilar, os mais constantes em queda de bicicleta não são protegidos pelo capacete.
    Se no USA onde tudo é muito mais pensado e feito para segurança capacetes só são obrigatórios para crianças e em competições.

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  • 23/07/2010 - 12:30
    Enviado por: Pierre

    Parabéns ao Roberto Carlos Figueiredo! A prática do uso do capacete se deve mais ao bom senso dos pais do que da vontade dos filhos em não usá-lo.

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  • 23/07/2010 - 13:05
    Enviado por: Marcelo

    Com todos os equipamentos de segurança e proteção da imagem 02, já é possível uma criança praticar tranquilamente a luta sanshou [boxe chinês] derivada do kung fu, ou de repente até entrar numa espécie de Mixed Martial Arts [MMA] mirim…

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  • 23/07/2010 - 16:05
    Enviado por: xico

    esse capacete ae é uma merda ! nao protege bosta nenhuma ! como muitos aqui ja relataram , capacete pra criança tem que ser com proteçao total pra cabeça ! se adultos com capacete que na maioria dos acidentes nao fatais , ficam paraplegicos imagine uma criança em desenvolvimento !

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  • 24/07/2010 - 09:15
    Enviado por: eric

    Interessante a noticia de que se machuca o maxilar. Agora, observem que os capacetes cobrem somente a parte superior da cabeça, então, por consequencia, não protegeriam a região maxiliar. OU a pesquisa tem um erro de amostragem das lesões ou a reportagem tem um erro (CApacete evita 85% das lesões), pois contradiz todas as pesquisas publicas fora do país.

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  • 01/09/2011 - 14:52
    Enviado por: jose orlando sousa alves

    Oi sovri um acident com traumatismo craniano na testa, afundamento com perda ócea gosto de esporte e não pretendo parar, quero encontra especie de proteção tipo capacete ou atraca com 4cm de largura para diminuir o risco de trauma. obrigado

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