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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
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Câncer de pulmão aumenta entre mulheres

Categoria: Saúde

A incidência de câncer de pulmão aumentou entre as mulheres, segundo os dados da última edição dos Registros de Base Populacional. O levantamento, coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio, avaliou a ocorrência de tumores em 16 capitais brasileiras de 2000 a 2005.

Em Porto Alegre, por exemplo, a incidência saltou de 16,11 casos para 100 mil mulheres, em 2003, para 23,32 por 100 mil mulheres no relatório atual.

Em Goiânia, a mesma taxa de incidência aumentou de 9,5 para 13,26. João Pessoa, na Paraíba, cidade brasileira que apresenta o menor número de tumores registrados, também observou um aumento na taxa: de 2,3 para 5,37 por 100 mil mulheres.

São Paulo teve uma discreta redução. Caiu de 12,6 para 11,5. Mas, em 1991, na primeira edição do relatório, a capital paulista apresentava uma taxa inferior a 8 casos por 100 mil mulheres. Recife apresentou comportamento semelhante: a taxa de incidência passou de 9,1 para 8,38. Em 1991, não chegava a 6 casos por 100 mil mulheres.

Os dados confirmam a preocupação dos órgãos de saúde pública com o tabagismo feminino. Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu o tema Gênero e Tabaco com Ênfase no Marketing para Mulheres para as atividades comemorativas do Dia Mundial sem Tabaco.

“As mulheres começaram a fumar mais tarde”, aponta Luiz Antonio Santini, diretor-geral do Inca. “Por isso, agora, (quando) começam a estabilizar, e até a cair, os números de câncer de pulmão entre os homens, a incidência aumenta entre as mulheres.”

Na capital gaúcha, o levantamento aponta 66 casos de câncer de pulmão para cada grupo de 100 mil homens. Em 2003, foram 54,76 casos em cada 100 mil. No relatório de 1991, contudo, a incidência chegava a quase 76.

Paulo Hoff, diretor-clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), chama o aumento da incidência do câncer de pulmão de “lado obscuro da emancipação feminina”, pois, com os benefícios conquistados, também se tornou mais comum o tabagismo feminino. “O que vemos agora é reflexo das décadas de 1970 e 80”.

Em países ricos, a incidência do câncer de pulmão nas mulheres já é praticamente igual à incidência da doença entre homens. Contudo, cada vez mais jovens estão aderindo a esse hábito. “A indústria do tabaco soube, de forma inteligente, criar mecanismos para aproximar o vício dos jovens em festas e raves”, opina Santini, direitor-geral do Inca.

Dados divulgados em agosto pelo Inca e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 17,5% dos brasileiros fumam. Entre os homens, o porcentual é de 22%. O tabagismo feminino atinge 13,3% das mulheres. 

Diagnóstico vem tarde demais

 Em quase todas as capitais brasileiras, a maioria dos casos de câncer de colo de útero tem diagnosticado em fase avançada, quando o tratamento é mais difícil. Esta é a conclusão do levantamento Câncer no Brasil – Dados dos Registros de Base Populacional, divulgado nesta sexta-feira, 26.

Em São Paulo, há 16,47 casos em estágio avançado e 12,49 casos na fase inicial para cada grupo de 100 mil mulheres. Oncologista do Hospital Albert Einstein, Rafael Kaliks acredita que um índice maior de casos de estágio avançado observados em São Paulo mostra que a lesão inicial ou não foi tratada ou não foi feita nem sequer a prevenção.

Exames preventivos, proteção durante a relação sexual e até mesmo a vacina contra o papiloma humano, o HPV, podem evitar o aparecimento do câncer. “As mulheres ainda não estão conscientes. Essa alta incidência do câncer mostra isso. Ainda falta aderência”afirma Kaliks.

Se diagnosticado em fase inicial, o câncer de colo de útero pode ser tratado de forma menos invasiva. “A lesão inicial demora cerca de 10 anos para se tornar um câncer e, no início, a retirada do tecido no tratamento é muito pequena”, explica o diretor de ginecologia do Hospital A. C. Camargo, Glauco Baiocchi Neto.

Meninas a partir dos 10 anos já podem tomar a vacina contra o HPV. A vacina, entretanto, não dispensa a paciente de realizar exames de Papanicolau pelo menos uma vez ao ano.

O estudo, coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio, foi apresentado em conjunto com o Plano de Ação para Redução da Incidência e Mortalidade por Câncer do Colo do Útero, iniciativa do Ministério da Saúde para melhorar o diagnóstico da doença, especialmente na região Norte e Nordeste do País. 

SEXO FRÁGIL

> >  A mulher fumante tem risco dez vezes maior de enfarte do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite – isso para jovens que usam anticoncepcionais orais

> >  As mulheres que fumam dois ou mais maços por dia têm 20 vezes mais chances de morrer de câncer de pulmão 
 
> >  Adenocarcinomas (um tipo de câncer) ocorrem mais em mulheres fumantes que em homens e estão associados ao modo diferenciado de fumar (inalação profunda)
 
> > O tabagismo responde por cerca de 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos

Alexandre Gonçalves e Lais Cattassini

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