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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Butantã é campeão da dengue em SP

Categoria: Saúde

Neste ano, só até o dia 10 deste mês, a capital já havia registrado 5.676 casos de dengue, mais que o dobro do total contabilizado em 2007, ano que teve 2.526 ocorrências e era considerado o momento mais crítico da doença na cidade. Os números são do levantamento da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), da Prefeitura. Trata-se do maior índice dos últimos oito anos.

A região do Butantã, na zona oeste, é a que tem maior incidência da doença, com 397,6 casos por 100 mil habitantes. A Vila Sonia, na mesma área, vem em segundo lugar no ranking, com 264,7 casos por 100 mil habitantes. O coeficiente médio na Capital é de 51,3 por 100 mil moradores. A secretaria Municipal de Saúde informou que o número da doença vem caindo desde maio e que não houve morte.

De acordo com o médico virologista Celso Francisco Granato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a incidência da dengue depende diretamente da concentração do mosquito aedes aegypti de cada região.

Para Granato, os fatores determinantes para a proliferação do mosquito são: cobertura vegetal, índice pluviométrico(quantidade de chuva), tipo de habitação e densidade demográfica. “Áreas mais arborizadas, como o Butantã, têm uma tendência maior a ter mosquitos. Isso porque a água acaba se acumulando nas plantas e em pequenos lagos criando um ambiente propício para o inseto”.

O Butantã também tem grande cobertura de área verde – principalmente no que se refere ao bairro do Morumbi, a Cidade Universitária e ao Instituto Butantan, que abriga um bosque. Outra característica dessa região é a predominância de moradias térreas.

“Bairros que têm mais casas costumam ter mais áreas expostas, mais quintais com plantas e, consequentemente, mais água parada para os mosquitos”, diz Granato.

A densidade demográfica também contribui para a maior incidência da doença. Segundo Granato, o mosquito voa num raio de 300 metros ao redor do local onde procria. Isso significa que quanto maior o número de pessoas que ele encontrar nesse percurso, maior o número de transmissões.

Em termos de casos absolutos por distrito, Campo Limpo registra 321 casos seguido pelo Jabaquara, com 214, e Capão Redondo, com 193. Todos ficam na zona sul. Dos 96 distritos da Capital, 94 apresentam casos da doença.

Em nota, a secretaria informou que de julho até agora foram 57 novos casos sendo que estão caindo: 38 en julho, 9 em agosto, oito em setembro, dois em outubro e nenhum esse mês.

A pasta ressaltou ainda que o programa de combate a dengue contempla as seguintes ações: campanhas educativas, visitas a domicílios e pontos estratégicos e eliminação dos criadouros.

Na semana passada, quando o Ministério da Saúde divulgou os números da moléstia no País, a Secretaria atribuiu o aumento dos casos à quantidade grande de chuva no último verão.

A pasta ressaltou que existem ações a longo prazo que estão previstas, como a criação de um mapa de risco de incidência da dengue. Com isso, será possível priorizar equipes de prevenção. São 2,4 mil agentes trabalhando no combate.

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