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Domingo, 20 de Abril de 2014
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Até médicos indicam uso de ‘bomba’

Categoria: Saúde

Mariana Lenharo

Não existem doses comprovadamente seguras para o consumo de esteroides anabolizantes, conhecidos como ‘bomba’, mas eles continuam em alta entre os que querem ganhar massa muscular rapidamente. E não se trata de algo restrito ao mercado negro: os próprios médicos dizem que colegas de profissão acabam cedendo aos apelos dos pacientes por um corpo sarado no verão, sobretudo às vésperas do carnaval, e receitando substâncias que colocam a saúde em risco.

O nutricionista Murilo Dáttilo, do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Cepe-Unifesp), afirma que é fato conhecido no meio esportivo a existência de médicos que costumam prescrever anabolizantes para quem quer ganhar novos contornos em poucos meses. “Geralmente, eles fazem um acompanhamento prévio com exames, mas não existe dose segura de esteroides. Consultar esses médicos é pior que consumir o anabolizante por conta própria, mas mesmo assim ainda é muito arriscado”, afirma.

Um atleta paulistano de 35 anos, que preferiu não se identificar, diz que frequenta uma academia de ginástica cinco vezes por semana, onde o uso de anabolizantes para potencializar a malhação é comum. “Vejo muito a molecada que quer ficar bombada tomando esteroides porque os amigos falam que é legal. Já vi garotos aplicando anabolizantes no vestiário da academia”, relata. O acesso a essas substâncias é fácil: podem ser compradas pela internet e até mesmo dentro de algumas academias.

Os anabolizantes agem de forma similar aos hormônios masculinos. E não devem ser usados para fins estéticos, mas sim terapêuticos. “São drogas indicadas para pacientes desnutridos, anoréxicos, com raquitismo, para idosos que perdem a massa magra e têm dificuldade de sustentar o corpo e quando há a necessidade de repor testosterona”, explica o endocrinologista Mohamed Barakat, especialista em fisiologia do exercício e nutrologia.

Quem faz uso de ‘bomba’ em busca de um corpo perfeito está sujeito a efeitos colaterais graves: impotência sexual, esterilidade e desregulamento do fluxo hormonal, além de dificuldade para urinar, calvície, alterações no colesterol, problemas cardiovasculares e aumento da agressividade. Em pré-adolescentes, o esteroide trava o crescimento, fazendo com que permaneçam com estatura baixa para sempre.

Barakat recomenda desconfiar dos ‘milagres de verão’. Segundo ele, em um ano de treino, o ganho médio de massa muscular sem anabolizantes será de, no máximo, 3 kg. Outra opção buscada pelos malhadores são os suplementos alimentares – menos perigosos, mas nem por isso inofensivos para a saúde (leia mais ao lado). Foi o que fez a cantora Taty Gomes, de 29 anos. “Eu fazia de tudo porque queria ficar grandona”, lembra. Hoje, dez anos depois dos abusos, recebe orientação médica.

Presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Mauro Aranha critica a postura dos médicos. “Se indicam uma substância química hormonal, com potencial de efeitos nocivos importantes, para que o indivíduo tenha uma melhora estética e não para a correção de doenças, estarão sujeitos a responder por isso diante do Conselho”. Segundo ele, o Cremesp tem feito jornadas de educação médica continuada justamente para debater a questão ética desse tipo de medicação.”

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