Aperto na Linha-2: sistema para reduzir lotação atrasa
- 12 de janeiro de 2012 |
- 23h24 |
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Categoria: Metrô
CAIO DO VALLE
O Metrô de São Paulo transportou 92 milhões de passageiros a mais no ano passado do que em 2010, um aumento de quase 9%, mostram dados da estatal obtidos pelo Jornal da Tarde. Excetuada a Linha 4-Amarela – que só começou a funcionar em horário comercial em setembro –, o crescimento de usuários foi maior na Linha 2-Verde, onde, na média diária, houve um acréscimo de 82 mil pessoas.
Mesmo com o já esperado aumento da demanda, e a consequente ampliação do aperto, a principal promessa da companhia para desafogar estações e trens da linha não saiu do papel no prazo. É o chamado CBTC, um sistema de controle das composições que permite operá-las com intervalos 20% menores. Com ele, as plataformas poderiam ficar menos superlotadas.
A solução seria bem-vinda especialmente na Estação Consolação, cujo movimento subiu de modo vertiginoso desde que a operação Linha 4-Amarela – à qual se conecta por um corredor – foi estendida. Em 2011, 33 milhões de passageiros usaram a Consolação, 14 milhões a mais que no ano anterior. “As esteiras que ligam as duas estações ficaram bem mais cheias”, afirma o analista de sistemas Bruno Rufino, de 24 anos.
O corretor Paulo Arantes, de 55 anos, também reclama da linha. “No rush da manhã, espero até três trens para poder embarcar.”
No ano passado, o Metrô divulgou que previa a implantação do CBTC na Linha 2 em 2011, o que não se concretizou. A estatal alega que, por ser de “alta complexidade”, o sistema “exige uma quantidade muito grande de testes” antes de entrar em operação. De Sacomã a Vila Prudente, o sistema já opera de modo interconectado ao convencional. Isso, entretanto, causa lentidão em certos pontos.
O novo prazo para o CBTC operando na Linha 2 é até o fim deste semestre. Nas demais (1-Azul e 3-Vermelha), dezembro.
Na visão de Marcos Bicalho, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o problema do desconforto está ligado à organização da cidade. Ele explica que isso ocorre em linhas do Metrô como a 2-Verde e a 3-Vermelha, que atendem áreas com menos oferta de trabalho. Os ramais são muito usados em um sentido único em cada pico do dia. Porém, no sentido oposto, ficam subutilizados.
“Isso gera desconforto ou ociosidade demais. A médio e longo prazo, isso se resolve gerando empregos fora da área central e moradias no centro”, diz Bicalho.
Quem sente na pele a superlotação da Linha 3-Vermelha, que carregou 427 milhões de passageiros no ano passado – a segunda mais lotada, após a 1-Azul, com 434 milhões – é a relações públicas Marcia Colella, de 55 anos, que embarca de manhã no Tatuapé. “Já fiquei 20 minutos na plataforma.”
Ao todo, circularam nas cinco linhas 1,138 bilhão de passageiros no ano passado. Em 2010, foram 1,046 bilhão. Esse crescimento está associado à expansão da Linha 2 até a Vila Prudente e à abertura integral da primeira fase da Linha 4. Na Linha 2, circularam 163 milhões de passageiros em 2011. Já na Linha 5-Lilás, 63 milhões.
A Linha 4-Amarela é um caso à parte. Transportou 1,8 milhão de usuários em 2010, ano em que abriu de forma parcial, com duas estações. No ano passado, quando passou a funcionar plenamente com seis estações, levou um total de 51 milhões de passageiros.
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