A velha-guarda das bandas da cidade
- 12 de fevereiro de 2012 |
- 22h50 |
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Categoria: Carnaval
ARTUR RODRIGUES
Eles não seguem regras nem têm vencedores. Para os “dinossauros” da folia paulistana, que comandam os blocos carnavalescos de rua da cidade, não é preciso mais que alguns instrumentos e animação para se fazer um carnaval. “O bloco sai em nome da alegria, você não tem de tirar nota 10”, define Carlos Costa, de 76 anos, mais conhecido como Carlão, o “general” da Banda Redonda, que sai às ruas do centro de São Paulo nesta segunda-feira, 13, à noite.
Já são 38 anos de resistência à frente do bloco, criado nos anos da ditadura, ao lado do escritor Plínio Marcos. No começo, por pouco o bloco não acabou, como tantos outros criados àquela época, que sumiram.
“Por cinco anos, bancamos tudo do próprio bolso. Depois, a Prefeitura passou a ajudar”, lembra ele. Agora, a banda está firme. No ano passado, arrastou 12 mil foliões no centro de São Paulo.
Historiador do samba, Carlão conta que os blocos começaram no fim do século 19, com os integrantes das bandas militares. “Eles levavam o instrumento para casa no carnaval e saíam nas ruas alegrando o bairro. Primeiro, chamavam de banda militar. Depois, passou a ser só banda.”
Hoje, apesar do amadorismo, os blocos e bandas de São Paulo já têm até uma liga. É a associação das bandas carnavalescas de São Paulo (Abasp).
O presidente é Candido José de Souza Neto, o Candinho, de 62 anos, mais da metade deles na folia com um bloco que leva seu nome. Já nos anos 1980 ele tentava resgatar algo que parecia perdido. “A ideia que peguei como cronista carnavalesco foi recriar o carnaval do passado nas ruas de São Paulo, tocando sucessos antigos”, conta. De acordo com ele, muitas coisas mudaram desde então. Hoje, até para ser folião amador é preciso encarar um montão de “senões”.
“Tem a Lei Cidade Limpa, não pode comida na rua, não pode bebida, não pode aquilo outro”, diz Candinho, que desfilará pelas ruas do Bexiga nesta quarta-feira.
Democracia
Para os foliões da velha-guarda, um dos principais atributos do carnaval de rua é a democracia. “Nós defendemos o carnaval gratuito. O pessoal chega e só vem se divertir. Na nossa banda, tudo o que a gente consegue arrecadar nós devolvemos para a população”, conta o metroviário Roberto Campos, de 58 anos, o “maquinista” da Banda Trem Elétrico. Na próxima sexta-feira, o bloco descerá a Augusta distribuindo chope aos foliões.
A tradição de sair à rua para brincar e seguir os blocos em vez de assistir a desfiles na TV vem da época em que as crianças não precisavam ficar trancadas em apartamentos.
Desde os 12 anos, o advogado Rubens Machioni Silva, de 62 anos, tem um compromisso inadiável: brincar o carnaval no Bloco dos Esfarrapados. “Era natural para as crianças brincarem aqui no Bexiga quando os Esfarrapados passavam.” Hoje, ele é presidente da banda carnavalesca mais antiga de São Paulo, fundada em 1947.
O segredo da longevidade, segundo ele, é a persistência dos integrantes do bloco e o jeitão familiar da brincadeira.
“O nosso carnaval é feito em cima só da tradição, para ajudar a conservar as marchinhas do passado”, diz Silva.
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