Estado.com.br
Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Cidade
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

A última sessão do Cine Gemini

Categoria: Geral

Sala de cinema fica dentro de uma galeria na região da Avenida Paulista (Foto: Paulo Liebert/AE)

Sala de cinema fica dentro de uma galeria na região da Avenida Paulista (Foto: Paulo Liebert/AE)

 

Viviane Biondo

A aposentada Elisa Maria Rosati, de 70 anos, já programou com as amigas: vai assistir ao filme A Jovem Rainha Vitória neste fim de semana. “É uma pena que seja nossa última sessão aqui”, lamentou, ao saber que o Cine Gemini, que fica na Avenida Paulista, fecha neste domingo.

“Infelizmente, sempre que passo aqui está vazio”, tentou justificar a aposentada, que mora a poucos quarteirões da galeria onde as duas salas do Gemini funcionam desde maio de 1975.

Funcionários do cinema disseram que não foram comunicados sobre o fim das exibições. Em comunicado, a assessoria de imprensa, que não retornou as ligações da reportagem, se limitou a informar a programação do fim de semana, cuja última exibição será às 21h40 de domingo.

“Aproveitamos para informar que o Cinema Gemini não irá funcionar a partir de 27/09/2010, devido ao encerramento de suas atividades.”

Para o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, as salas tinham “morte anunciada”. “Depois da revolução das grandes redes, como Cinemark, não tem espaço para projeção ruim. Com filmes em Blu-Ray, para que sair de casa e ter imagem e som ruins?”

Segundo ele, o fato de os cinemas de shoppings terem conquistado boa parcela do público não justifica a decadência do Gemini. “A galeria é quase um shopping, tem bons restaurantes e muitas empresas por perto.” Para ele, é uma situação diferente do Belas Artes, que passa por dificuldades financeiras após perder o patrocínio do HSBC. “Eles não pararam no tempo.”

A cineasta Marina Person diz que o espaço merecia uma revitalização. “É tradicional, triste ver salas quase de rua, com localização tão boa, fecharem.”

Os tapetes e a escadaria de madeira têm o aspecto de um hotel antigo e, para o advogado Bruno Nambu, de 28 anos, remetem à infância. “Lembro de sessões com os colegas. É uma perda para a cultura, porque aqui tem filmes alternativos e blockbusters.”

O administrador de empresas Thiago Anderson de Oliveira, de 33 anos, concorda. “A tecnologia de som e imagem ficou inferior à dos outros cinemas. Mas é legal ter essa cara de cinema antigo.”

4 Comentários Comente também

Deixe um comentário: