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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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‘Noias’ ameaçam alunos no caminho na escola

Categoria: Comportamento, Educação, Geral

Marici Capiteli

Crianças e adolescentes precisam passar por um batalhão de drogados para chegar à Escola Estadual João Kopke, na cracolândia, região da Luz, centro da capital. Pais dizem que os alunos são ameaçados e alguns já tiveram celulares roubados. As mães afirmam que a direção chegou a orientá-las sobre uma “rota segura” que evita passar por entre os viciados. A Secretaria Estadual da Educação nega que exista a orientação.

Outros pais dizem que há casos de alunos sendo aliciados para usarem droga dentro da própria escola por filhos de traficantes. A secretaria não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a denúncia.

Pais dizem que a presença dos “noias” (como são chamados os drogados) se intensificou perto da escola desde outubro, após a demolição da antiga rodoviária na Praça Júlio Prestes. Sem o antigo ponto, eles se aglomeraram na Rua Helvétia com a Alameda Cleveland, por onde os alunos passam.

Segundo os pais, a “rota segura” sugerida é seguir pela Avenida Rio Branco, entrar na Rua Ribeiro da Silva (com vários seguranças particulares) e depois na Alameda Cleveland, saindo em frente à escola. Pela rota, o estudante evita Avenida Duque de Caxias, Rua Helvétia e Alameda Nothmann.

“A rota é muito longa. Nós já caminhamos desde o Bom Retiro e vamos gastar meia hora a mais”, disse Júlia de Souza Claro, mãe de uma aluna de 14 anos. Como ela, outros pais fazem questão de acompanhar os filhos por medo dos noias. A dona de casa Rita de Cássia Gracioso Cavalcante, de 44 anos, não concorda com a “rota segura”. “Além de ficar mais longe de casa, temos o direito de ir e vir pelas ruas do bairro”, afirmou.

Na última sexta-feira, um menino de 14 anos foi assaltado quando seguia para a escola. Ele estava na Avenida Rio Branco. Segundo o garoto, vieram cinco homens com facas e revólveres. Fizeram o adolescente entregar tênis, celular e documentos.  Uma estudante de 14 anos conta que já faltou à aula por medo dos viciados. “Um dia pediram dinheiro, não demos e começaram a jogar pedra. No outro dia, faltei ”, disse a jovem. Outra estudante, de 15 anos, contou que ao se negar a dar dinheiro, os drogados cuspiram nela e nas amigas.

Neide Santos, de 50 anos, voluntária no colégio, afirma que já passou por dois grandes sustos. Em um deles, caminhava na calçada quando um grupo veio em sua direção fugindo da ronda da Polícia Militar. “Fiquei tão assustada que entrei em um estacionamento para me esconder. Quando percebi, dois cães de guarda me farejavam. Brinco que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.”

Violência

O que tem chamado a atenção de moradores e comerciantes da cracolândia é a violência com que os drogados têm feito os assaltos. A principal arma é a faca, seguida por pedaços de lâmpadas fluorescentes e garrafas de vidro quebradas. Na semana passada, o Conselho Comunitário de Segurança do Centro (Conseg) informou ao Gabinete de Gestão Integrada (órgão que reúne várias esferas de governo para discutir segurança pública e urbana) o comportamento agressivo dos drogados.

“Eles estão atuando com uma violência que não tinham antes, inclusive com brigas entre os próprios traficantes”, afirmou Antonio de Souza Neto, presidente do Conseg Centro. Para manter os drogados afastados, muitos edifícios em ruas da cracolândia contrataram seguranças particulares.

Segurança

O comandante Luiz Basela, do 13º Batalhão da Polícia Militar, afirmou que a partir de hoje a ronda escolar será intensificada na EE João Kopke. Segundo ele, nem a direção nem os pais dos alunos fizeram solicitações para que a ronda fosse reforçada.  O comandante disse que a PM faz operações na região dia e noite.

A direção da escola, por meio da Secretaria Estadual da Educação, informou que a ronda escolar passava na escola quatro vezes ao dia.  O comandante explicou que são duas viaturas que fazem a ronda se revezando entre as escolas mais problemáticas, não necessariamente todos os dias.  A Secretaria da Educação não respondeu se tem conhecimento sobre o aliciamento de alunos por drogados dentro da escola.

A Secretaria da Segurança informou que, no 3º DP (Santa Ifigênia), não foi constatado aumento de roubo de celulares, e que na segunda-feira foram feitas duas grandes apreensões de crack na região.

7 Comentários Comente também
  • 15/02/2011 - 23:59
    Enviado por: Tweets that mention Jornal da Tarde -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by jornal da tarde (JT), Cidade JT. Cidade JT said: : ‘Noias’ ameaçam alunos no caminho na escola http://bit.ly/fkkeyI [...]

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  • 16/02/2011 - 09:47
    Enviado por: rita cavalcanti

    Sempre morei no bairro, a cracolândia começou em meados de 1985 na rua General Couto Magalhães e até hoje em 2011 ninguem fez absolutamente nada.Infelizmente quem manda no nosso país são os fora da lei.Vivemos em uma “DEMOCRADURA” e no nosso país quem tem dinheiro manda e quem não tem obedece.

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  • 17/02/2011 - 20:10
    Enviado por: Drica

    Sou ex:aluna do João Kopke,é me pergunto como isso pode chega a esse ponto,na minha sala eu ficava vendo todos aqueles drogados, pensando meu Deus quando isso vai acabar.
    que nem diz a reportangem antes os drogados ñ reagiam com tanta violencia é agora estão muito agresivo. A ronda da escola ñ faz nada só espulsa os alunos da frente da escola na hora da saida.

    Gostei muito de ter acabado os meus estudo no João Kopke,mais fico triste em saber da CRACOLANDIA dominanda a região!

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  • 17/02/2011 - 20:45
    Enviado por: Emilio

    Todos sabem onde estão os traficantes e viciados – eles agem à luz do dia e das lâmpadas à noite.

    Na região não há barreiras impenetráveis, como nos morros cariocas.

    E por que não acaba o tráfico?

    CORRUPÇÃO POLICIAL.

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  • 27/03/2011 - 01:31
    Enviado por: Isabel Camargo

    “NÃO SE ILUDAM COM “O FIM DA CRACOLÂNDIA”, SE POR ACASO, HOUVER MAIS MORADORES NO LANÇAMENTO COMERCIAL “NOVA LUZ”, SERÃO PRÉDIOS FECHADOS EM SI MESMOS “COM TUDO DENTRO” DE TAL MANEIRA “QUE AS PESSOAS NÃO PRECISEM SAIR ÀS RUAS”, E A CRACOLÂNDIA QUE “NÃO É PROBLEMA” DE NINGUÉM, MAS “TEM” DONOS, SEGUIRÁ EXISTINDO, QUEM SABE TAMBÉM NOS CONDOMÍNIOS “COM TUDO DENTRO”????

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  • 09/05/2011 - 17:33
    Enviado por: Eduardo

    É muito triste a situação da escola. Já estudei lá faz um bom tempo conheço bem a região e já tinhamos esses problemas mas não nesta intensidade, é uma pena já que não só os alunos mas também professores se sintam inseguros e desistam de irem dar aula na escola, e quem acaba prejudicado sempre: os alunos que querem aprender de verdade. E o poder público para variar não age.

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  • 30/07/2011 - 20:25
    Enviado por: Toribio rolon

    Fui aluno do Grupo Escolar João Kopke formado na turma de 1976. Fico triste em saber que depois de demolirem um edifIício centenário e estranhamente tombárem os portões agora o seu entorno
    Esta se deteriorando.

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