Um novo mundo sem ‘AAA’
2 de agosto de 2011 | 7h00
José Paulo Kupfer
‘Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar e o tal do mundo não se acabou’. Dava para ouvir a voz
de Carmem Miranda e até ver seus olhos revirando na interpretação típica do clássico samba-choro de Assis Valente,
enquanto os mercados avaliavam o acordo nos Estados Unidos para um aumento do limite da dívida pública.
O mundo não se acabou, neste início de agosto de 2011, como não acabaria com o calote americano e não acabou com a
passagem do cometa Halley, em 1910, mote da obra-prima da música brasileira. Mas, como descrevem os menos
lembrados últimos versos de “E o mundo não se acabou”, gravado em 1938 pela “Pequena Notável”, “vai ter barulho e vai
ter confusão porque o mundo não se acabou”.
Com a notícia de que republicanos e democratas chegaram a um acordo-quadro que levaria a um aumento do limite da
dívida, permitindo ao governo americano honrar seus compromissos, na abertura dos pregões, hoje, bolsas e dólar
subiram. Reação inicial de alívio diante do que parecia a véspera do caos – hipótese improvável, mas mercados
alavancados, típicos da atual quadra, são tudo menos moderados. Logo se viu, porém, que essa reação não seria
duradoura.
Só a possibilidade, antes inimaginável, do calote, já foi suficiente para indicar que os mercados nunca mais seriam os mesmos. Não há mais ativo habilitado a receber, sem alguma ressalva, o carimbo de “AAA”. Essa é a novidade que
prevalecerá depois do fim da novela do limite da dívida pública americana. Os portos cem por cento seguros entre os
ativos existentes no mundo caíram em exercício findo.
Os títulos de 10 anos do Tesouro americano ocupavam o topo dos papéis tidos como praticamente livres de riscos. Do
volume de ativos “AAA”, os chamados “treasuries” respondiam por um terço do total. Existem, portanto, outros títulos
“AAA”, mas, hoje, na prática, quando se sabe que até o governo americano pode dar um calote em seus credores – ou em
seus aposentados, desempregados e segurados – nenhum papel, mesmo que ostente o rating mais elevado, está livre de
desconfiança.
Isso não significa o exagero de uma reviravolta radical nas escolhas dos ativos mais seguros para investir ou utilizar como instrumento de hedging. No fim das contas, a classificação dos créditos é sempre relativa a algum padrão – benchmark, no jargão do mercado – estabelecido. Na falta de outros ativos com igual liquidez, mesmo baleado, os “treasuries” devem permanecer no topo dos ratings. Títulos “AA”, resumindo, podem ser os novos “AAA”.
As sequelas, de todo modo, não serão desprezíveis. As incertezas, no mercado, que vinham aumentando desde os
primeiros sinais da crise, na segunda metade da década passada, alcançaram agora um momento exponencial. Maiores
graus de incerteza se traduzem por custos mais altos para delimitá-las, além de, naturalmente, redução de espaços para
alavancar recursos.
Os modelos de previsão, os algoritmos de alta frequência e toda uma parafernália de instrumentos e métodos
desenvolvidos, ao longo dos últimos 30 anos, com o objetivo de eliminar incertezas no comportamento dos mercados,
escancararam suas fragilidades. Enquanto se apresentavam como a última conquista do gênio humano, permitiram, ao lado de uma liquidez fora do comum, alavancagem financeira sem precedentes – o volume total de ativos chegou a ultrapassar, em dólares, o equivalente a quatro vezes a produção global de bens e serviços, a cada ano. Agora é a hora da volta, de desinflar o que se distanciou demais de um ponto qualquer de sustentação e ficou solto no ar.
A economia americana sai desse episódio da crise da dívida pública muito mais combalida do que entrou. É uma incógnita se os programas previstos de redução do déficit público contribuirão para reequilibrar a atividade econômica ou aprofundar a crise.
A tendência de desvalorização do dólar, diante de tal quadro de incertezas, obedece a movimentos naturais de uma economia estrangulada por déficits monumentais. E também atende aos interesses de recuperação da atividade econômica, pela via clássica do incremento das exportações.
Má notícia para boa parte do mundo, inclusive países como o Brasil, que, sem poupanças para combater, com menores
custos, a valorização de suas moedas, podem ser chamados a pagar um pedaço da conta dos excessos que hoje
convulsionam o mundo econômico.
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“sem poupanças para combater, com menores
custos, a valorização de suas moedas, podem ser chamados a pagar um pedaço da conta dos excessos que hoje
convulsionam o mundo econômico”
Acho que o pagamento de parte da conta que o Brasil faz e continuara fazendo estah mais relacionado a estrutura de dependencia (inclusive ideologica) e submissao as diretrizes economicas do que a falta de poupanca em si.
Falta de poupanca eh importante, mas nao resolve tanto o problema, veja o caso da hina que tem poupanca de sobra (com a maior parte dela em “treasuries”) e exatamente por isso nao tem pagado a conta em termos de valorizacao da moeda mas pode pagar muito mais caro se houver um rebaixamento dos treasuries.
Caros Kupfer e Leme,
Isso é algo que não entendo. Pelo que consigo entender a idéia de aumentar a poupança seria reduzir o montante de dinheiro que circula e consequentemente controlar a inflação, ou seja, a poupança funciona como um amortecedor. Mas o que ajudaria a maior poupança se a moeda é lastreada em dolar e o país é grande exportador de commodities?
abrs
Caro Paulo Xavier,respondendo seu comentário anterior sobre a Petrobras ser ou não subsidiada por nós,ainda acho que ela é,uma vez que após tantas décadas esta empresa ainda precisa de constantes aportes de capitais via BNDES.
Se esta,assim como todas estatais brasileiras fossem mais eficientes,este dinheiro poderia ser melhor aproveitado pelas micro e pequenas empresas inclusive,aí sim,com juros subsidiados.
Caro Alexandre,
Eu penso que isso não é subsídio, mas apenas um empréstimo como feito a tantas empresas brasileiras. Aliás, muitas empresas nacionais foram vendidas para empresas estrangeiras com empréstimos do BNDES.
O plano de negócios da Petrobrás é realmente vultoso cerca de US$ 230 bilhões (2010-2014). É muito zero. Imagine quantas instituições financeiras são necessárias para financiar todo esse montante, especialmente em um cenário de escassez de crédito. O BNDES com toda a certeza é apenas uma das instituições que estão financiando o investimento da Petrobrás.
A questão das micro e pequenas empresas é certamente importantíssima, porém não pode ser colocada na mesma cesta. É outro tipo de negócio com ordem de grandeza, totalmente diferente.
Agora se você fizer o questionamento: É função do BNDES fazer este tipo de financiamento?
Isso é outra discussão, mas o fato é : historicamente tem feito, embora talvez não nessa ordem de grandeza.
abrs
Se tudo é volátil e virtual no mundo das moedas, então é por isto que o Ouro vem subindo igual foguete nos últimos meses.
Os Bancos Centrais Mundiais estão implorando por alguma alternativa víável tendo em vista que o padrão ouro já não tem condições de se reestabelecer depois de tantas décadas de abuso financeiro, inflando a bolha monetária mundial. Estamos sem “chão” monetário.
“ao longo dos últimos 30 anos, …, escancararam suas fragilidades. Enquanto se apresentavam como a última conquista do gênio humano, permitiram, ao lado de uma liquidez fora do comum, alavancagem financeira sem precedentes … Agora é a hora da volta, de desinflar o que se distanciou demais de um ponto qualquer de sustentação e ficou solto no ar.”
SIMPLESMENTE PERFEITO E AO MESMO TEMPO TENEBROSO!
Alguém quer ir comigo pra Passárgada??
O Brasil entra de gaiato nesse teatro. Metidos a ricos nossas autoridades monetárias continuaram fazendo o câmbio irrestrito e comprando a moeda decadente mesmo com a vaca indo para o brejo. Ah…..mas a ideologia neoliberal do governo Lulla não poderia deixar por menos afinal o automóvel novo na garagem do classemédia é antes de ser um instrumento de transporte é também uma forma de esnobar.
Foi ao FMI e quitou a dívida mas para tanto fez contínuos papagaios com o mercado financeiro cambiando moeda para depois tomá-la emprestada pagando horrorosas taxas Selic.
Se este país tiver dirigentes com bons olhos para o mercado e os pés no chão, com os recursos hídricos e outros que possui pode realmente melhorar muito a qualidade de vida da população trabalhadora mas terá que abrir mão da mania de querer ser um yuppie das finanças.
Acabou o “milagre”. Para receber terá que produzir.
Ufa! Que surra! E precisava tudo isso para ver o óbvio?
É possível que o Brasil seja um dos países mais prejudicados com a crise nos EUA e na Europa, devido à já extremamente alta valorização do real, ao seu alto diferencial de juros e a dependência na exportação de commodities para sustentar o crescimento.
Nos EUA, os mais pobres irão pagar a maior parte da conta do ajuste da dívida pública, já que os representantes republicanos e do TEA Party no congresso não deixaram os mais ricos contribuir com aumento de impostos, pelo menos por enquanto.
Mas é possível que a vitória dos republicasnos seja uma vitória de Pirro. Os cortes dos gastos públicos irão retardar a recuperação da economia,impedir a redução do desemprego,reduzir a receita do governo e piorar, ao invés de melhorar, o déficit público.
É bom lembrar que os superávits do governo Clinton não foram obtidos através de cortes nas despesas, e sim através do crescimento da economia, que permitiu uma maior receita para o governo.
Caro Ferruccio,
Lembro-me que uns três anos atrás saiu na Folha um gráfico com valores negociados na bolsa de Nova York. Observei o seguinte: após a 2 grande guerra iniciou um aumento lento, que se acentuou um pouco na década de 80. No entanto, após a queda do muro de Berlim o crescimento aumentou drasticamente. Talvez a época do Clinton tenha sido apenas o início da festa.
abrs
Feruccio, quando os democratas definirem por escrito o que significa “os mais ricos”, é bem possível que consigam o que querem. Usar valores absolutos (250 mil por ano por exemplo) não vai funcionar, ainda mais depois que o dólar perdeu tanto valor de compra.
Caro Paulo,
É bem provável que as circunstâncias tenham favorecido o Clinton e que ele não mereça todo o crédito pelo superávit. Como também é provável que o Bush não seja totalmente culpado pelo déficit.
Mas o Bush insistiu em reduzir os impostos dos mais ricos, desprezando todas as críticas contrárias no sentido de que essa medida iria contribuir para o aumento do déficit público. A desculpa era que menos impostos para os mais ricos iria resultar em mais investimento e conseqüentemente mais receitas de impostos. Parece que não foi isso que aconteceu.
Abrs
Nick,
Se a definição de “rico” tivesse sido o dobro, a reação dos democratas teria sido diferente? Acredito que não, pois parece que a questão do aumento da dívida foi um pretexto para chantagear o Obama, tendo em vista as próximas eleições. A chantagem foi tão longe que muita gente chegou a acreditou na possibilidade de um default.
O espetáculo oferecido pelo congresso americano ao resto do mundo certamente não foi muito edificante.
Abrs.
Não, não… o que eu quis dizer é que é preciso definir o que é rico ué… eu não sou contra pagar impostos, mas é preciso definir claramente quem paga o que. Senão invariavelmente – mais cedo ou mais tarde – os menos favorecidos vão pagar a conta, e não é isso mesmo que os Democratas opõem em seus discursos?
“…, ao seu alto diferencial de juros e a dependência na exportação de commodities para sustentar o crescimento.”
???????
Bla’..Bla’..,estou nos USA a passeio,fato concreto,na minha ultima viagem comprei um barbeador alemao por U$ 160
isso ha 3anos,bem,agora comprei de novo o mesmo barbeador
Valor?U$ 140,ou seja nao da pra entender,no Brasil o real
sobe e os precos tbm,aqui o dolar desce o os precos tbm.
Alguem podia me explicar?.
Competição. Alternativas. Volume. Rico ou pobre, Americanos querem qualidade e preço.
Aumento da carga tributária interna e sobre os produtos importados.
Observou aí se há desempregados?
“O volume total de ativos chegou a ultrapassar, em dólares, o equivalente a quatro vezes a produção global de bens e serviços, a cada ano.”
Esse parágrafo resume qual foi o problema. Utilizaram reserva fracionada não apenas em moedas mas em produtos também. Deu no que deu. Só que claro, os que cometeram os excessos foram resgatados por Bernanke. Incompetência foi remunerada como nunca, e os mesmos que causaram os problemas ainda estão lá, atrás de suas mesas, fazendo exatamente a mesma coisa de sempre.
Olá Nick. Você tem razão quanto aos beneficiados pelas “ajudas estatais”, estão lá mantiveram seus empregos e rolaram suas dívidas ou tiveram a parte podre das organizações encampadas pelo governo (Lembra-se do Proer daqui?)
Não tenho lá muita simpatia pelos republicanos porque costumam apoiar as guerras ofensivas mas também não merece crédito este aparente bom mocismo de parte dos democratas (inclusive Obama) pois foram eles que promoveram o socorro às instituições em iminente quebra há 2 anos.
Como não houve concenso nem na Câmara nem no Senado entre os democratas ainda dá para acreditar que existam alguns deles consistentes com suas propostas.
A bomba vai mesmo estourar nas classes menos favorecidas cujo raciocínio e poder de análise não saberá no fervor da causa entender o jogo politiqueiro e debitará tudo nas contas do Obama que a meu ver já é carta fora do baralho.
Tivesse um default, vergonhoso e prejudicial a eles num primeiro momento, seria a oportunidade de não colocar panos quentes e atacar os fundamentos do déficit. Agora…parece que contrataram consultorias brasileiras pois apenas quebraram o galho sem vislumbrar solução profunda às causas do problema.
É isso aí! Lembra da base da pirâmide? Eles é que vão pagar, sendo esmagados.
No assunto de relações exteriores, as guerras sob a tutela de Obama estão a todo vapor, sob a máscara do humanitarismo. É sempre a mesma estória, “o povo Sírio”, “o povo Egípcio”, “o povo Libanês”, etc etc – o Obama usa a hipocrisia da ajuda humanitária para invadir países enquanto que o Bush usou a cara dura mesmo com desculpas esfarrapadas para o mesmo fim. Nem Obama nem Bush são bons em geografia, nem sabem onde estão no mapa os países que invadem. Quem decide a política externa dos EUA é Zbigniew Brzezinski.
Eu sou o Homem de Ferro!(Obama) Iron Man
Ele enlouqueceu?
Ele pode ver ou ele é cego?
Ele pode andar direito,
Ou se ele se mover ele cairá?
Ele está vivo ou morto?
Tem pensamentos em sua cabeça?
Apenas larguem ele ali,
Por que deveriamos nos importar?
Ele foi transformado em aço
No poderoso campo magnético
Quando ele viajou no tempo
Pelo futuro da humanidade
Ninguém o queria
Ele só comtemplava o mundo
Planejando sua vingança
Que em breve se realizaria
Agora é a hora
Para o Homem de Ferro espalhar o medo
Vingança vinda do túmulo
Matando as pessoas que um dia salvou
Ninguém o queria
Eles só viravam as cabeças
Ninguém o ajudava
Agora ele tem sua vingança
Botas pesadas de chumbo
Enche suas vítimas de terror
Correndo o mais rápido que elas podem
O Homem de Ferro vive novamente!
Nick,
“Incompetência foi remunerada como nunca, e os mesmos que causaram os problemas ainda estão lá, atrás de suas mesas, fazendo exatamente a mesma coisa de sempre”.
Incompetência de quem, Nick? Se você se refere aos banqueiros, devemos reconhecer que, pelo contrário, eles foram muito competentes e agiram estritamente dentro da lógica do livre mercado, cada um procurando seus interesses, e a mão invisível (porque inexistente?) promovendo o interesse geral. Não é isso que dizem os crentes na autorregulação dos mercados?.
Os banqueiros foram tão competentes que previram que o governo não iria dexá-los falir.
Dizer que a culpa é do Bernanke, porque os resgatou, não acho realista. Qualquer outro teria feito diferente?
E de quem é a culpa dos “incompetentes” ainda estarem lá, fazendo exatamente as mesmas coisas de sempre? Na minha opinião, é falta de regulamentação e fiscalização do estado, devido ao congresso ter sido cooptado pelos interesses privados de grandes grupos de poder.
Ou teria outra explicação?
Abrs
“eles foram muito competentes e agiram estritamente dentro da lógica do livre mercado”
Se essa mesma lógica do livre mercado tivesse sido deixada intacta, todos esses “muito competentes” que adquiriram risco demais teriam quebrado e o mercado os teria mandado esgoto abaixo, a dor teria durado dois anos e as lições teriam sido aprendidas.
Porém, a decisão de Brenanke foi salvar seus amiguinhos em Wall Street usando argumentos terroristas de que o mundo iria acabar se os “muito competentes” como você citou não fossem salvos.
Os riscos foram tomados por comparsas de Bernanke que sabiam que dólares seriam impressos aos montes com TARP, QE1 e QE2. É uma piada de mau gosto, onde as leis de mercado não valem para todos.
Nick,já até defendi aqui a não injeção de trilhões de dolares para salvar bancos e financiadoras.Obviamente eu não gostaria de ser e nem sou correntista destes bancos.
Mas pensando em mercado norte americano sabemos que a maioria não aplica na renda fixa e sim em fundos de investimento.
Pode ser que o FED agiu como refém sob ameaça de grandes bancos fecharem suas portas e assim evaporar o dinheiro de milhões de clientes.
Por outro lado,acho que a maneira do estímulo,feito as pressas,é que saiu errado ou foi mal negociado com os bancos,pois agora estes mesmos clientes terão que pagar esta dívida através de impostos.
Em se tratando de livre mercado,quem mandou também a classe média,que não é do ramo,ficar especulando com imóveis?
Complementando,quis dizer também que a possibilidade de grandes bancos fecharem o dinheiro dos fundos desapareceriam com a queda das ações.
“Em se tratando de livre mercado,quem mandou também a classe média,que não é do ramo,ficar especulando com imóveis?”
Foram criadas condições para que isso acontecesse. Essas condições foram criadas por Alan Greenspan durante os 10 anos que precederam a crise. Foi ele quem manteve as taxas de juros absurdamente baixas de forma artificial, quando ao mesmo tempo ele sabia perfeitamente que produtos dúbios estavam sendo criados em Wall Street, para serem utilizados como investimentos.
A classe média, vendo o presidente Bush na TV dizendo que “há muitos Americanos que precisam realizar o sonho da casa própria”, caíram como patos, vendo que valores de imóveis subiam sem parar a cada ano que passava. Não viram as paredes da bolha por que estavam dentro dela.
Hoje, essa mesma classe média está sendo tapeada novamente, dessa vez não com imóveis, mas com a credulidade de que governo gera emprego. Mal sabem que há uma explosão de inflação prestes a acontecer assim que os números de desemprego comecem a melhorar um pouco. Mesmo com alto desemprego, uma visita ao super mercado comprova que alimentos estão em média 40% mais caros do que no mesmo mês do ano passado. A classe média já começou a pagar a conta.
E eu insisto – se os hedge funds e bancos de investimento tivessem sido corretamente fechados por causa de falência, o mercado já teria se recuperado. Claro que teria sido doloroso para muita gente, mas em vez de sentir um pouco de dor na extirpação do câncer, estão matando o corpo e mantendo o câncer vivo artificialmente.
Olha Nick,não discordo de voce mas o medo de uma reação em cadeia era latente e além disto estavamos falando de CitiBank,Bank of America,Morgan e muitos bancos europeus.
Concordo que houve terrorismo também.Mas até onde?
Tudo bem,o Greenspan manteve a taxa de juros baixa,mas a mando de quem?Pelo que eu li foi dos democratas a idéia de fazer populismo com o mercado imobiliario,uma das únicas maneiras de fazer a economia crescer,uma vez que o parque industrial americano,este sim,está sendo desmontado com os importados da China e do restante do mundo.
O Brasil segue nesta mesma linha.Apesar de eu defender um real forte,cambio flutuante,este deve vir acompanhado da redução dos gastos governamenteis e redução da carga tributária.
Vou insistir também na questão da corrupção,tanto lá como aqui também.
Novamente seguindo seu raciocinio,o livre mercado não pressupõe salvamento com dinheiro público de gigantes corporativos quando estes fazem besteira.
Ainda falando de corrupção,esta somente existe quando o governo de um lado e a iniciativa privada do outro se juntam em um ato ilegal,ou até legal,já que algumas leis são claramente aprovadas para defender o interesse de poucos.
Sendo assim,existem alguns fatores na democracia e no capitalismo que deveriam ser extintos.
Um é a profissão de lobista.Onde já se viu este tipo de elemento desvirtuador de qualquer princípio democrático.
O outro é este negócio de deputados e senadores poderem permanecer o resto da vida no congresso.Os mandatos destes deveriam acompanhar o do presidente que também uma vez reeleito,ou seja 8 anos,nunca mais poderia voltar.
Veja a situação que viveremos em 2014.Se a Dilma for bem,se reelege.Se for mal o Lula volta,premiando desta maneira a herança maldita deixada pelo proprio Lula!Ou melhor,a corrupção deixada por ele.
Não há livre mercado ou teoria economica que suporte este tipo de democracia.
No caso brasileiro acrescentar mais 4 fatores:
.Eleitor somente de carteira assinada ou aposentado.O resto não tem a mínima condição de exercer este direito.
.Individuos publicos,tipo atores,jogadores,locutores e etc.são inelegíveis.
.Voto distrital,urgente
.Financiamento público,NEM PENSAR!
Se o cara quiser se candidatar ele que faça por amor a bandeira.
Corrigindo,carteira assinada E aposentado.
Xi esqueci também,partidos no máximo 3.Direita,esquerda e centro….se é que existe isto hoje.
Caro Ferruccio,
Acho que o sistema de autoregulação funciona bem em uma escala menor, onde os negócios afetados não formam as principais colunas da economia.
Historicamente passamos de feudos para Estados Absolutistas, Estados Nacionais e hoje temos um mundo “global”. As empresas não são de país nenhum, mas “globais”. Empresas para serem “globais” tornam-se cada vez maiores (Haja vista a epidemia de fusões). Hoje, os interesses privados são “globais”. E o interesse público também é global?
Gostaria de adicionar um elemento que considero extremamente importante e não vi em nehuma discussão até o momento:
As empresas possuem seus acionistas, que cada vez mais atuam apenas no balcão de negócios a fazer investimentos, carteiras, portfólios, e etc… Mas quem comanda as empresas, e de fato realizam o negócio: executivos contratados, por óbvio. A grande questão é:
Os interesses privados dos executivos, o interesse da empresa como instituição (incluindo seus trabalhores), e o interesse dos acionistas coincidem???
Esta além de uma questão prática, é também uma questão ética e moral.
abrs
Alexandre, a sua pergunta acima é a mais importante de todas, que diz: “Tudo bem,o Greenspan manteve a taxa de juros baixa, mas a mando de quem?”
A resposta aqui é simples, a mando de justamente aqueles que adquiriram o risco logo após o ambiente ter sido propiciado para tal. Entenda que aqui nos EUA – e aí no Brasil também – os presidentes dos bancos centrais são “indicados” pelo presidente, que na verdade está apenas dizendo o nome do “indicado” pelos enormes bancos comerciais.
Os bancos são muito mais inteligentes do que nós pensamos. Eles pensam anos à frente. Em 2009 não era possível fechar nenhum contrato mais longo do que 3 anos. Isso por que os bancos sabem o que vai acontecer em 2012 pois foram eles quem arquitetaram o fluxo de capitais via banco central. “Ah mas isso é muito maquiavélico, é impossível isso ser verdade” – a história não mente.
Certos indivíduos adquiriram risco demais no setor, sabendo que com amigos implantados no governo, o socorro viria fácil. De uma forma ou de outra a população perdeu, mas eu teria preferido que a perda tenha sido através da falência dos incompetentes. Felizmente parte da população está começando a acordar para o fato de que privatização de lucros e socialização de prejuízos não é uma boa receita.
Caro Paulo,
Você abordou dois pontos interessantes.
Acredito que o eterno conflito entre poder privado e poder público tem se intensificado nos últimos tempos devido ao seguinte.
O problema é a concentração de poder, em tempos recentes, em relativamente poucas empresas e grupos de interesses privados “globais”, principalmente do setor financeiro. Eles têm poder para cooptar parlamentos, desestabilizar países e assim fazer prevalecer seus interesses privados, em prejuizo do interesse público. Enfraquecem o poder de fiscalização do Estado e promovem a concentração de renda, como pode ser comprovado em vários países a partir dos anos 70 do século passado.
Poder público global não existe, na prática. A ONU, FMI, Banco Mundial, etc. não conseguem representar o bem comum “global”. Não conseguem nem estabelecer regras para controlar o sistema financeiro internacional, e evitar a repetição da crise de 2008.
Quanto ao conflito entre executivos, acionistas e da empresa como instituição, eu diria o seguinte.
Quando o principal execitivo de uma empresa é contratado por salário e benefícios na casa dos milhões de dólares por ano, me pergunto quais as qualidades são exigidas e quais os serviços que esse executivo deverá prestar. Ele pode ser admitido por sua formação numa faculdade de primeira linha, pode ser pelo seu desempenho em outras companhias, pode ser pelo seu relacionamento com pessoas influentes, mas pode ser também pela sua disposição de tomar decisões nem sempre de acordo com os princípios éticos e morais. Estou pensando nas falcatruas feitas por executivos de firmas tipo Enron.
Acredito que o sistema de incentivos, baseado na participação do lucro e outros beneficios, tenha incentivado esses executivos a favorecer a obtenção de lucros imediatos, mesmo que isso comprometa o futuro da firma.
Abrs
O mundo não acabou mas a dívida aumentou, ou seja, o fim do mundo foi adiado. Teorias ….
É nessas mágicas mirabolantes que tambem o nosso governo atual e principalmente o anterior se mostram ao povo. Nosso “ministro” da fazenda coitado já não sabe mais o que dizer que dirá fazer pra resolver a situação cambial. Enquanto isso o “setor” de marketing despeja na imprensa noticias e mais noticias sobre faxina nos ministerios, tudo para distrair nossa mente e deglutir as “medidas” tomadas por exemplo mais um aumento de impostos….Tanto invejamos os americanos que um dia seremos iguaizinhos a eles..
O mundo novo sem “AAA” requer novos portos para os capitais aportarem. Que se abram todos os portos mas os que dispõe de atratividade devem cobrar pesados pedágios pois dinheiro e crédito demais também faz mal, como visto.
O Brasil está num ponto de dúvida: será que se baixassem a taxa Selic ainda ficaria atrativo?
Se a resposta for sim novas taxações devem ser impostas e medidas imediatas para que as Unidades da Federação não concedam mais incentivos fiscais pois o dinheiro virá da mesma forma e há chance de aumentar a arrecadação.
Precisamos de dirigentes públicos com os olhos de águia da iniciativa privada e óbvio que não sejam corruptos.´
`
É a boa hora dos bons negócios para o Brasil.
Leiam, Ouçam e Comentem:
http://www.cnbc.com/id/43659234
‘Perfect Storm’ Coming for Global Economy in 2013 Roubini – CNBC
Segurem suas perucas!
Estas agencias medidoras de riscos perderam muito de sua credibilidade por não preverem a crise em 2008.
Alguém sabe dizer se no auge da crise alguma agencia rebaixou a nota dos EUA ou quando o FED injetou trilhões?
Caso negativo,aí está a desmoralização destas agencias.
Fica aqui também uma questão.E se todos os países dessem calote em suas dívidas,juntos.Zera-se o deficit mundial.
O que ocorreria caro Kupfer?
Também o mercado sempre esta a frente das agencias de risco ou as agencias privilegiam o mercado antes do conhecimento público.
Quem paga a conta são os tontos dos pequenos investidores.
Já que os EUA espalharam o risco entre todos não seria uma boa idéia todos os países, ou ao menos, os mais comprometidos procederem à desvalorização simultânea de sua moedas frente ao dólar?
Dessa forma o mercado entre os unidos não ficaria afetado pois relativamente os poderes de compras das respectivas moedas ficaria inalterado.
Não seria um complô e sim um ato de legítima defesa e união dos ameaçados. Não sei porque ainda não fizeram isso na América Latina.
Gostaria de ver onde iriam enfiar tanto dinheiro e títulos desvalorizados.
Na contra mão disso o nosso Banco Central continua comprando dólares sem qualquer efeito na cotação. Até parece que quer ajudar(!) o grande irmão.
acabar com os privilégios do judiciário, legislativo, executivos(nos 3 níveis),estatais e apadrinhados de politicos,juízes e outros mal-feitores, vigiar os gastos com esta maldita copa do mundo e a infame olimpíada(veja a Grecia), fechar o BNDES um gigantesco ralo por onde escoa bilhões de Reais enchendo o ku de dinheiro de banqueiros, usineiros, empreiteiros, multinacionais e outros desonestos,
extinguir a tal da bolsa familia uma dívida eternizada que só serve para comprar pinga e cigarro ou quem vai quebrar logo é o BRASIL.
Não disseram para a Grécia vendas algumas de suas ilhas para quitar suas dívidas? Então, aconselhem os EUA vederem, por exemplo, o Alaska, não é mesmo Kupfer?!
Diziam eles que existiam reservas de petróleo no Alaska. Não apareceram e o frete para transportar gelo ficaria muito caro! Mas se ofertassem Manhattan com certeza haveriam compradores.
Na década de 80 os japoneses compraram grandes corporações e edificações americanas. Acho que agora vai ser a vez da China andar por esta seara. Quem sabe agora o primeiro mundo esquece da Amazônia um pouco e passam a cuidar do próprio umbigo. Daqui em diante veremos se a preocupação ambiental do primeiro mundo será verdadeira ou apenas um modismo em tempos áureos de crescimento pujante. Meio-ambiente é algo que se deveria preocupar independente do momento econômico. Agora é que vamos ver…
Alguém duvida que estamos descendo no double-dip?
Pensava eu que o mundo acabava…
Afinal o mundo tem vontade própria??! Ele se acaba ??!
Carmen Miranda -Belíssima em tempos idos!
Nick,
“…os presidentes dos bancos centrais são “indicados” pelo presidente, que na verdade está apenas dizendo o nome do “indicado” pelos enormes bancos comerciais”.
Não discordo do diagnóstico sobre a influência dos bancos comerciais sobre os bancos centrais. Mas gostaria de avançar um pouco mais na análise e discutir sobre o que poderia ser feito a respeito disso.
Os bancos centrais representam (ou deveriam representar) o interesse público (mesmo que você considere o FED uma instituição privada). Estamos então frente a um conflito entre os interesses de um setor privado e o interesse público, sendo que um setor privado (os bancos comerciais) está prejudicando o resto da sociedade americana. O que a sociedade americana pode fazer para se proteger? Numa democracia, só pode ser através do voto, congresso e leis. Em outras palavras, fortalecimento do Estado. Entretanto, o povo foi condicionado a pensar que o Estado não é a solução, é o problema.
Com a onda de fusões e incorporações, criando conglomerados cada vez maiores, como bancos que não podem falir, como uma sociedade, que acredita que o Estado é o problema, pode se proteger?
Abrs
Bem levantado este ponto.
No caso dos EUA, na minha opinião o problema só pode ser resolvido com a obediência a constituição, e com a transferência do controle da política monetária para os representantes do povo. O FED não representa o povo.
Os fundadores do país EUA foram muito inteligentes, diria até mesmo gênios, ao criar a constituição. Os artigos desta são muito claros em relação a qual é o papel do governo. Foi criada e revisada em alguns anos pelos fundadores, e eles foram muito cuidadosos ao criá-la, para evitar os problemas que existiam na Inglaterra na época.
Hoje em dia há pânico na mente daqueles que querem manter o governo inflado tentando controlar tudo. É uma máquina ineficiente, desperdiçadora, e que sempre precisa de empréstimos para poder funcionar. Não sou contra governo, mas este deve ser contido e policiado por aqueles que os colocaram lá – que é exatamente o povo. E as regras que esses empregados do povo precisar obedecer são bem claras na constituição.
Quando há um banco central com o maior poder de todos, que é a criação de capital, um banco central que não pode ser auditado, que é uma empresa privada, não há como o sistema governamental tentar satisfazer as necessidades da população. Os bancos sabem muito bem que quem controla as dívidas, controla tudo.
O que temos visto acontecer aqui nos EUA com esse negócio do teto da dívida é na verdade uma grande guerra entre esses dois princípios, e os ataques deliberados da mídia de esquerda, contra aqueles que nada mais querem do que retornar o poder à população, via um congresso imune a corrupção, demonstra claramente como o poder/controle escapando das mãos dos banqueiros causa pane nestes.
É um processo doloroso sim, haverá ameaças dizendo que o mundo irá acabar, etc etc… mas quando o controle de criação de capital sair das mãos dos que o possuem hoje, o mundo será um lugar muito melhor para se viver.