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Novos movimentos no câmbio

6 de fevereiro de 2012 | 18h32

José Paulo Kupfer

Sem intervir desde o fim do terceiro trimestre do ano passado, o Banco Central fez, nos últimos dois dias úteis, duas intervenções no mercado cambial. Na sexta-feira, atuou no mercado a termo. Hoje, no mercado à vista.

Os operadores estão convencidos de que o governo estabeleceu um piso informal de R$ 1.70 por dólar. As autoridades sempre negarão de pés juntos. Mas o fato é que as duas intervenções impediram que a taxa de câmbio rompesse o tal piso.

Desde o início do ano, o real já se valorizou 6,5%, em relação ao dólar e está na liderança das moedas mais valorizadas no início de 2012. Vários motivos explicam o movimento, inclusive a onda de captações em moeda estrangeira e o repatriamento de recursos por multinacionais brasileiras.

Mas há também uma continuada injeção de liquidez no mercado financeiro internacional, combinada com esforços de diversos países, inclusive os Estados Unidos, no sentido de desvalorizar suas moedas e ganhar espaços no acirradamente disputado comércio exterior. Esse movimento também pressiona o dólar para baixo, frente o real, no mercado doméstico de divisas.

Essas intervenções do BC, por enquanto, visam mais transmitir aos aplicadores a mensagem de que a porteira do ingresso de dólares pode receber (novas) travas. Ninguém acha ser eficaz – e não haveria mesmo como – segurar cotações com intervenções pontuais.

A moral dessa história é que os espaços para novas reduções dos juros básicos estão se ampliando. Num primeiro momento, isso até pode antecipar entradas, mas os riscos também aumentam.

 

 

 

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16 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Mario Pw

    É Kupfer, estamos andando na corda bamba. Não há muito que se possa fazer a não ser medidas reativas do tipo band-aid, pois qualquer medida tem o seu preço que nas circunstancias atuais são sempre negativas.

    • Enviado por: Nick

      Eu não tenho muito a comentar sobre câmbio. Ainda mais quando é influenciado por Bancos Centrais. Prfff…

      • Enviado por: Mario Pw

        É Nick, mas algum tipo de Banco Central ou compensação sempre vai ter. Mas suas funções não serão mais as mesmas,e os “czars” e “lords” das finanças tem outro tipo de perfil.

        • Enviado por: Alexandre

          Pois é Nick, lembro ainda qdo comentávamos que para resolver a crise os países iriam fazer um aperto fiscal e defender desesperadamente o valor de suas moedas.

          Foram justamente no sentido contrário.

          Lembro de ir no vácuo do Juliano metendo o pau no PK, que o cara estava maluco….

  2. Enviado por: Davi

    Só quero ver a onde a selic vai parar porque os países ricos não para de jogar dinheiro pelo ralo e quero ver o que vai acontecer com a grecia e eu fose o primeiro ministro grego eu almentaria o juro de poupança para 2% depois faria um compulsório para o dinheiro ir para BC grego e usaria essa grana para financiar a divida grega obstaria de ver o que os franceses e os alemais vão dizer quando virem o dinheiro dos banco alemães e franceses migrando para grecia

  3. Enviado por: speridião

    O governo atual sabia de antemão o abacaxi que teria de descascar depois de 8 anos de política econômica non sense ao menos do ponto de vista público pois os que pertencem ao clube dos beneficiários aplaudiam de pé o terrorismo psicoeconômico do ex BC.

    Não entendo no entanto a causa do apelido “band aid” para medidas pontuais.

    Ora, a cada dia as notícias vão dando a cor na massa e apesar do odor nada bom ainda existem economistas que acreitam ter o domínio e controle de todas as variáveis para propor um plano geral, multifuncional, polivalente, ou seja lá a utopia reinante?

    Negócios são assim mesmo, vale a experiência. Veja o caso do BC/Copom (que não gosto) , eles acertaram nas previsões baixando a taxa Selic, devagarinho mas estão fazendo.

    Então especificamente um maior aumento no IOF para empréstimos externos em prazo menor que….parece ser algo que não conflita com a OMC que não julga questões bancárias e afugenta os especulativos.

    Por outro lado o mundo tem fome e o Brasil tem comida, mesmo aumentando o preço do dólar as exportações do agribusiness continuará.

    Devagar devagar decisões sobre taxa de juros Selic estarão postas à mesa do Presidente da República para sansão.

    • Enviado por: speridião

      Quis dizer “sanção”, Dalila há de me perdoar.

      • Enviado por: Alexandre

        Bom, a Dilma não deixa de ser uma Dalila, já que tirou os poderes do lula sansão…

  4. Enviado por: Alexandre

    JPK, não tem muito com cambio ou até teria.

    Dá para dizer que houve privatização no caso de Guarulhos, sendo um consórcio formado pelos fundos de pensão da CEF, BB, Petrobrás mais uma estatal Sul Africana e ainda levam junto 49% de participação da Infraero?

    Não falaram nada de BNDES…ainda.

    Dá para dizer que saímos ganhando?

    Dá para ser feliz ouvindo do Presidente da Anac que as tarifas podem diminuir pela concorrencia entre os aeroportos?

    Será que durante o voo poderei escolher o aeroporto mais barato ou ele referia-se às empresas usuárias?

    Aproveitando, grato por acalmar os animos no final do blog passado.

    • Enviado por: speridião

      Bom dia Alexandre. Também me fiz a mesma pergunta a partir da afirmação do Ministro sobre concorrência nos valores das tarifas entre aeroportos:

      Pensando bem, se Viracopos tiver tarifa mais baixa, passando o avião sobre ele você pula de para quedas ou então o piloto desvia o vôo você desce lá e vem de ônibus para Sampa……custos já incluidos na passagem é claro senão a conta não fecha…..!

      Blague à parte, essa ainda merece explicação do Sr. Ministro e outra a do financiamento das obras, se der BNDES novamente ou banco estatal o povo terá sido traído….again!, terá sido apenas transferência de patrimônio público para as mãos particulares ou entidades de classe (já abastadas).

    • Enviado por: Microempresário

      Alexandre, não esquecendo que além dos fundos de pensão está a OAS, que está no meio de uma investigação de superfaturamento em obras… da Infraero.

      Quanto à concorrência, talvez não faça muita diferença para os paulistanos, mas quem mora em outros estados e tem que ir à São Paulo para pegar um vôo para a Europa ou EUA, tanto faz ir para Cumbica ou Viracopos. Ou Galeão.

  5. Enviado por: silvio corrêa

    Nessa questão do câmbio, particularmente penso que a banda desejada pelo governo desde setembro é de 1,69 a 1,89.

    Porem, penso que fatores externos são quem andam determinando de fato a nossa cotação , como no fim de out/11 com intervenção japonesa (que logo pode ocorrer novamente) + ambiente ruim na europa. O fato que também ajudaria a manutenção da banda é que a bovespa pode estar em ponto de realização de lucros.

    Mas dessa vez, penso que como já há percepção menos negativa sobre a europa , o dólar pode romper o piso com facilidade.

  6. Enviado por: Durvalino

    sempre defendi uma forma – clara ou subliminar, de administrar o cambio com um valor que compatibilize os interesses de “entradas e saidas” da moeda.
    se 1,70 é bom nao sei. apostaria um pouco mais para cima, uns 1,80.
    quanto à baixa dos juros selic, que pouco impactam no PIB, é bom lembrar que a taxa no mundo está perto de zero e portanto, quanto mais nos aproximarmos desse piso menos dinheiro rentista receberemos do exterior.

  7. Enviado por: speridião

    Embora sendo contra regimes totalitários vejo como natural e conveniente administrar o câmbio.

    Essa estória de câmbio feito pelo mercado administrado indiretamente com tributação etc. é o reflexo da submissão do poder público aos caprichos e interesses do mercado financeiro.

    Assim correta está a China administrando o câmbio o que a possibilitou implementar estratégias de ampliação de participação no comércio internacional.

    Ninguém pode impedir um país a vender o fruto de seu trabalho pelo preço que bem entender. Essa entrada com representação na OMC não vai prosseguir pois vale aí o princípio “da auto determinação dos povos”.

    Os chineses se sacrificaram, lamentavelmente por meios não democráticos, mas estão obtendo o retorno e nós do lado de cá ficamos com a “elegância” do neo liberalismo e desindustrialização e novamente como exportadores de produtos primários que para serem extraídos dependem da inteligência das fórmulas desenvolvidas também no exterior (por exemplo soja transgênica, agrotóxicos, etc.).

    A cotação de câmbio não pode ficar ao sabor dos ventos. Câmbio é estratégia macro que pode e deve ser bem usado e deveria ser fixado por competentes e experientes profissionais do MF com o aval necessário do Presidente da República.

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