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15 de Abril de 2010

 

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Muitos estão mexendo no câmbio. Mais uma razão para mexer aqui

20 de setembro de 2010 | 16h06

José Paulo Kupfer

A conversa do pensamento mais ortodoxo de que a tendência à abertura de déficits nas contas externas não era problema, de uns tempos para cá, mudou de tom. Aqueles déficits que seriam facilmente cobertos pelo ingresso de investimentos diretos, agora preocupam. Mas, é uma estranha preocupação, que não vê saídas para mudar o rumo do que preocupa.

Não há, para os que pensam assim, o que fazer para impedir a valorização do real – a questão no centro do problema. Por quê? Vou tomar a resposta do economista Gustavo Franco, ex-BC, ao colega Silvio Crespo, aqui no vizinho blog “Radar econômico”, para sintetizar: câmbio valorizado é característica de país que se desenvolve. Isso sem falar numa série de grandes projetos consumidores de pesados investimentos – pré-sal, infra-estrutura, Copa do Mundo, Olimpíadas etc. etc. – que atraem capital externo. “Devemos pensar em como conviver com essa realidade, e não achar que tem uma engrenagem em que se possa mexer para reverter esse problema, porque não tem”, afirmou Gustavo Franco.

Essa é outra estranheza nesse estranho modo de encarar o problema cambial. A explicação para o fatalismo da valorização da moeda é o reconhecimento de um sucesso econômico que os defensores do argumento são os primeiros a não reconhecer.

Perguntar não ofende: por que acham tão natural, a ponto de não enxergarem o que fazer para evitar, que investidores externos disputem a tapa a possibilidade de aplicar recursos aqui, se o crescimento, por conta de uma taxa de investimento insuficiente, não é sustentável, os déficits públicos, diante de uma irrefreável gastança, explodem e o ambiente para fazer negócios, poluído por burocracias kafkianas e tributos em excesso, seja uma desgraceira?

A única resposta que faz sentido tem duas variáveis. A primeira é que, mesmo com todos os problemas e possíveis riscos, a economia brasileira e seus megaprojetos de infraestrutura valem a pena. A outra é que, embora não carimbado, o dinheiro que entra, em grande medida, está de olho no ganho de arbitragem.

Neste segundo lance, para simplificar, digamos que os investidores façam o inverso do que o Banco Central brasileiro faz com a reservas internacionais. O BC toma os dólares à taxa Selic, hoje em 10,75% ao ano, e os aplica, no mercado internacional, a 2% ao ano. Os investidores externos tomam dinheiro a 2% para aplicar a, no mínimo, a taxa Selic mais a variação cambial (maior o ganho quanto maior a valorização do real).

O argumento de que não é a arbitragem de taxas que está atraindo recursos, visto que, ao longo do tempo, os juros têm recuado, mas a valorização do real continua, é típico do esquecimento parcial de certos argumentos. Sim, a taxa Selic vem caindo ao longo do tempo, mas os juros internacionais vêm caindo muito mais, mantendo, se não ampliando, a margem de arbitragem.

A taxa de câmbio, na verdade, tem se mantido relativamente estável, dentro de uma faixa valorizada. Quando o governo impôs um IOF de 2% no ingresso de capitais externos, em outubro do ano passado, o câmbio havia batido na mínima de R$ 1,69 por dólar. Com as turbulências na Europa, com epicentro na Grécia, no início de 2010, a taxa alçou a seu pico, registrando R$ 1,89 por dólar. Depois, ficou rondando esses R$ 1,70 por dólar.

Mas essa relativa estabilidade se deu às custas de um crescente acúmulo de reservas pelo BC. O enxugamento dos excessos de dólares, via operações compromissadas de compra de reservas, no entanto, tem custos fiscais crescentes e não desprezíveis e, se não afeta a dívida pública líquida, engorda direto a dívida bruta.

Não foi só a percepção de que a ampliação do volume de reservas tem limites que alimentou o traço de preocupação com o andar da taxa de câmbio e seu impacto negativo nas contas externas. Também pesou o reconhecimento de que a única saída geralmente aceita pela cartilha – a do enxugamento, via inchaço de reservas, do excesso de dólares na economia – é daqueles remédios que podem virar veneno. Quanto mais crescem as reservas, é verdade, mais os investidores externos se sentem seguros para trazer recursos.

Argumenta-se que, se o País necessita de enormes volumes de recursos externos para sustentar seus megaprojetos, não faria sentido impor restrições administrativas e fiscais ao ingresso de dinheiro externo. Mas, os mesmos que se valem desse argumento são os primeiros a levantar dúvidas sobre a política de acumular sem limites reservas internacionais. De fato, se a economia agüentou o tranco do período aguda da crise com um volume de reservas de US$ 200 bilhões, qual a validade de acumular US$ 300 bilhões ou US$ 400 bilhões, já que este almoço não é nada gratuito em termos fiscais?

Parece intuitivo, diante dessa conjuntura favorável de atração de recursos externos, que há um leque de ações possíveis para aliviar a pressão pela valorização do real, além da acumulação de reservas. Simplesmente falar mais grosso já seria um bom começo.

Há muito mais a fazer. Por exemplo: o BC já anunciou a possibilidade e seria o caso de passar a intervir no mercado com leilões de compra de moeda sem data e taxa previsíveis. Com isso, introduziria um pouco de risco num mercado café com leite, propício para a marcação de posições especulativas.

Neste momento, os bancos acumulam cerca de US$ 14 bilhões em posições vendidas em dólar. Estão, provavelmente, na expectativa de que fique por aí o volume líquido de recursos a entrar com a operação-monstro de subscrição de ações da Petrobras. Já sabem que o governo enxugará todo o excesso e, portanto, só esperam a hora de zerar as posições, estourar as champanhes e abocanhar os bônus da operação.

Algum tipo soft de controle de capitais também poderia ser experimentado – por que não? Há, nesse sentido, um leque de possibilidades, todas visando ampliar o risco inerente às operações. Uma política de fixação de prazos mínimos de permanência dos recursos ingressados – como, aliás, é feito em todo o mundo –, se cuidadosa e bem estudada, certamente promoveria uma seleção de investimentos, tornando a vida um pouco mais dura para os capitais especulativos.

Muitos, em situação pior do que a Brasil, estão mexendo no câmbio. Só nós não devemos? Aliás, se todos estão mexendo no câmbio, esta é mais uma razão para não ficarmos parado.

38 Comentários Comente também
  1. Enviado por: paulo vasconcelos

    Esperemos que esses economistas não assumam mais nenhum cargo público, uma vez que eles acham que não há o que fazer, é melhor que fiquem longe. Vamos dar vez a quem acha que há o que fazer.

  2. Enviado por: guilherme

    tudo bem….há crescimento….

    mas se o governo gastasse menos do que arrecada, poderiamos construir uma poupança interna e parar de rentabilizar as externas….

    em epoca de demanda por infra , teriamos um menor ataque especulativo….

    o governo come toda poupança com o pagamento de juros , e isso vira um circulo vicioso….

    ainda mais um governo notadamente populista , que tem a necessidade de “obras”…..

    o mundo todo está num esforço extra para exportar , ou seja criar receita , e nós estamos destruindo a chance de trazer dinheiro de fora com um dolar a preço real….exportando

    podemos ter uma balança isso ou aquilo , mas a verdade é que diversos setores ficam sacrificados , por umas eventualidades mundiais como a demanda por açucar e aço….
    a balança fica mais ou menos estável mas alguns setores vão pro brejo….

    sem duvida o dolar baixo vai minando nossa capacidade produtiva…..

    e lembrem-se , a diferença de capacidade de enfrentar crises , entre brasil e argentina , sempre foi a nossa planta bem extruturada….

    • Enviado por: guilherme

      de certa forma o resumo é o seguinte , o governo toma pra si a responsabilidade pelo crescimento…..
      mas ele não tem dinheiro , então toma emprestado….

      mas somos nós que pagamos a fatura….

      exportando , produzindo o dinheiro vem pra iniciativa privada que poderia investir em infra através das ppp’s

      vide EIKE BATISTA com o projeto de um novo porto e de linhas de trem….

      acontece que o populismo de3 esquerda acha que sabe o que é melhor pra todos e então faz um monte de burradas e deixa a conta pro povão pagar…..

  3. Enviado por: valter

    Caro,

    Nao entendi direito alguns pontos, pode me ajudar a entender, explicando-lhos a miúde:

    = quais países estào mexendo no cambio?

    = entes paises estão desvalorizando suas moedas ou valorizando?

    = quanto % custa para o país a manutenção de reservas?

    = se entendi certo, ter reservas não é um bom negócio, porque tem um custo?

    Grato

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Prezado Valter,

      Vamos lá:

      1) Vários países estão mexendo no câmbio. O Japão, que costumava operar pela cartilha, é o último. Até a Suíça está mexendo. Sem falar da China, que sempre mexe. veja este link aqui do nosso portal E&N (http://economia.estadao.com.br/noticias/ae-mercados,valorizacao-do-cambio-preocupa-bcs-de-varias-partes-do-mundo,35935,0.htm)

      2) Em geral, estão procurando desvalorizar. Diante da fraqueza do mercado interno, querem exportar mais.

      3) Considerando o custo direto (tomada à taxa Selic e aplicação ao que é pago no mercado internacional mais conservador) é de algo como US$ 20 bilhões ao ano. Considerando o impacto sobre a dívida bruta e os demais impactos fiscais, chega a cerca de US$ 100 bilhões.

      4) Ter reservas é bom, mas acumulá-las irrestritamente pode não ser.

      Abrs

  4. Enviado por: Riccardo(California,USA)

    Se o Brasil tivesse um superavit nas contas publicas internas.O Real acharia seu equilibrio num patamar mais realistico(nao tao alto)e isso iria benefeciar muito a economia.

    abs

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Riccardo,

      Você não acha meio estranho uma economia tão endividada, a ponto de não poder baixar mais os juros por conta desse endividamento, ter uma moeda “valorizada”, tão fortemente demandada por todo mundo? Será esse um bom argumento mesmo para manter os juros altos?

      Abrs

    • Enviado por: Riccardo(California,USA)

      JPK,

      Hoje infelizmente o mundo todo esta endividado. Em comparacao o Brasil ainda esta bem, e os juros sao muitos atraentes.

      abs

  5. Enviado por: guilherme

    para esclarecer o que pensa a candidata …..

    o assunto é ajuste fiscal…não é off topic

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100920/not_imp612392,0.php

  6. Enviado por: Cláudio Melo

    JPK,

    Talvez esse trecho merecida uma correção:

    “…só esperam a hora de zerar as posições, estourar as champanhes e abocanhar os bônus da operação e estourar champanhes”.

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Prezado Claudio Melo,

      No faz e refaz do texto, as champanhes realmente estouraram duas vezes. Já corrigi. Obrigado pelo toque.

      Abrs

  7. Enviado por: Cláudio Melo

    Erei também merecida=mereça

  8. Enviado por: Marcelo

    Desde 2004 o governo emite títulos em Real, antes o fazia atrelados ao dólar. AS forças mudaram de direção valorizando o Real. Mudar o câmbio com maxidesvalorização pode cheirar a calote nos investidores. A capitalização da Petrobrás pode marcar o afundamento das exportações de bens com valor agregado ou marcar a mudança na curva de desvalorização do dólar.
    Acho que vou apostar na segunda hipótese.
    Depois vou estourar o Champagne, quem sabe?

  9. Enviado por: Riccardo(California,USA)

    JPK,

    O que esta acontecendo e o que voce diz,quanto mais a reserva Brasileira aumenta mais investimentos o Brasil atrai, isto vira um ciclo vicioso. Quando um investimento nao consegue absorver o capital que entra (neste caso o Real) o preco infla,e esta e a definicao da BOLHA.

    Gostaria de ver o BC tomar um risco e reduzir o juro em um por cento na proxima reuniao deles, e ver o que acontece (mesmo que risque um pouco de inflacao).

    abs

    • Enviado por: Jr.

      Riccardo,
      Assino embaixo da sua proposta.
      Abs.

  10. Enviado por: Juliano Camargo

    A fazenda está querendo comprar dólares e o BC diz que não há nada a fazer e é o preço do sucesso. Parece que não estão se entendendo direito nesta estória.

    A desvalorização competitiva tem uma dinâmica bastante perigosa. No curto prazo funciona, se ninguém mais fizer.

    Então cada país vai querer se garantir desvalorizando mais do que o outro, puxando o ajuste da crise para o outro lado.

    Mas com isso podemos entrar em uma espiral inflacionária mundial. E se sair de controle a inflação vai causar estagnação econômica, cancelando os efeitos positivos a curto-prazo da desvalorização.

    Muito interessante que o Real não tenha entrado nessa de cabeça. Será que a o Brasil vai aceitar o dúbio convite que os países desenvolvidos deram aos emergentes de ‘crescerem e aparecerem’, monetariamente falando? E será que se o Real se tornar uma ‘major’ vamos ver os juros caírem?

    A credibilidade do país ainda é frágil. O país está bem longe de ter a força econômica do Japão e da China, nem acesso às suas vastas economias. Mas o BC é o mais conservador do planeta, o nosso sistema bancário um dos mais conservadores, com baixíssimo risco sistêmico, altas taxas de compulsórios. Nossa moeda – pasmem – é muito melhor do que a dos outros.

    Além disso o Real é uma moeda proxy para commodities, e isto é algo interessante para o investidor estrangeiro.

    Se o Brasil colocar o Real como alternativa ao cenário de valorização competitiva e parar de bancar prejuízo comprando os dólares que entram … seria um desastre para exportadores, mas, quem sabe, poderia realmente financiar todos estes projetos e muito mais.

    É a mesma diferença entre ser louco ou excêntrico. Tendo crédito, qualquer projeto inviável vira ‘projeto ambicioso’, e nossos graves problemas viram ‘obstáculos’…

    • Enviado por: Juliano Camargo

      “cenário de valorização competitiva”
      cenário de DESvalorização competitiva

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Prezado Juliano,

      Vamos inverter seu argumento. Seu argumento é o seguinte: “a desvalorização competitiva tem uma dinâmica bastante perigosa. No curto prazo funciona, se ninguém mais fizer.”

      E, se ao contrário de ninguém fazer, todos a fazem, como fica o quadro?

      Além disso, submeta sua receita aos impactos dela no emprego. Depois me conta.

      Abrs

    • Enviado por: Juliano Camargo

      Aí caro Kupfer no curto prazo ia ser como naquela propaganda da copa do mundo: nós contra todos eles. Não ia ser mole. O país que entrasse por este caminho ia arcar com ajustes da crise em troca de se tornar um referencial monetário para o futuro.

      Não discordo da sua análise, e isto parece ser tarefa mais para a China do que para o Brasil

    • Enviado por: Soulman

      Juliano, parabéns pela excelente colocação. Venho defendendo essa tese já há alguns meses, a internacionalização do real, discutindo com o Jr. cujo “feed back” ajudou a aprimorar a sugestão.

      O Fernando Dantas respondeu-me certa vez refutando a idéia baseando-se no caso da Austrália que acumulou pesados déficits externos para manter a moeda conversível. Como seu exemplo não era o melhor, discordei pois a Austrália não se compara ao Brasil em diversidade industrial, commodities, agricultura, território, enfim o BR é muito maior que o “down under”.

      Você afirmou que o Real como “Reserve Currency” (proxy) poderia causar um desastre no setor exportador brasileiro. Você poderia se extender um pouco mais nesse aspecto. Grato.

    • Enviado por: Juliano Camargo

      Soulman, eu não tenho mais nada a acresentar sobre a nossa indústria. Ela é menos voltada à exportação e mais orientada ao mercado interno, recebendo proteção e subsídios. A indústria brasileira é bastante defasada, mas emprega, e tem bastante poder político. Se o real se valorizar eles vão deixar de exportar, mas principalmente vão competir no mercado interno com produtos importados que mesmo depois de passar por altas tarifas ainda serão competitivos.

      Só que isso também diminuiria a inflação e daria um caminho para a queda dos juros. Não dá pra ter tudo ao mesmo tempo. Acredito que este caminho seria o melhor, com o país se especializando no que nossos parceiros comerciais precisam, se integrando mais no mercado mundial e talvez compensando a desindustrialização com mais investimento em inovação tecnológica, e resolvendo os muitos entraves, que certamente existem.

      Eu acreditaria na internacionalização do Real, se o BC conseguisse seguir este caminho. A hora é essa, e uma oportunidade destas ocorre poucas vezes em um século. O dólar está deixando de ser porto seguro e o mercado procura outras alternativas. Mas pelo jeito não vamos seguir este caminho, e vamos desvalorizar o real junto com as outras moedas.

      A libra e o franco suíço foram os primeiros. Agora o iene japonês. Veja este artigo de 2009 que cita também que foi exatamente isso que aconteceu nos anos 30. E no final vão todos para o buraco juntos.

      http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/mar/17/g20-globalrecession

      Outro artigo interessante do FT dá mais detalhes sobre o custo enorme da brincadeira ‘sem custos’ que a Fazenda pretende operar daqui pra frente, que o Kupfer descreve.

      http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/mar/17/g20-globalrecession

    • Enviado por: Soulman

      Deve ter havido algum problema, pois está o post parece desconexo.

    • Enviado por: Juliano Camargo

      Soulman, eu não tenho mais nada a acresentar sobre a nossa indústria. Ela é menos voltada à exportação e mais orientada ao mercado interno, recebendo proteção e subsídios. A indústria brasileira é bastante defasada, mas emprega, e tem bastante poder político. Se o real se valorizar eles vão deixar de exportar, mas principalmente vão competir no mercado interno com produtos importados que mesmo depois de passar por altas tarifas ainda serão competitivos.

      Só que isso também diminuiria a inflação e daria um caminho para a queda dos juros. Não dá pra ter tudo ao mesmo tempo. Acredito que este caminho seria o melhor, com o país se especializando no que nossos parceiros comerciais precisam, se integrando mais no mercado mundial e talvez compensando a desindustrialização com mais investimento em inovação tecnológica, e resolvendo os muitos entraves, que certamente existem.

      Eu acreditaria na internacionalização do Real, se o BC conseguisse seguir este caminho. A hora é essa, e uma oportunidade destas ocorre poucas vezes em um século. O dólar está deixando de ser porto seguro e o mercado procura outras alternativas. Mas pelo jeito não vamos seguir este caminho, e vamos desvalorizar o real junto com as outras moedas.

      A libra e o franco suíço foram os primeiros. Agora o iene japonês. Veja este artigo de 2009 que cita também que foi exatamente isso que aconteceu nos anos 30. E no final vão todos para o buraco juntos.

      http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/mar/17/g20-globalrecession

      Outro artigo interessante do FT dá mais detalhes sobre o custo enorme da brincadeira ‘sem custos’ que a Fazenda pretende operar daqui pra frente, que o Kupfer descreve.

    • Enviado por: Soulman

      A hora é essa, e uma oportunidade destas ocorre poucas vezes em um século.

      Juliano, essa é a declaração crucial!

      O momento é este!

      No entanto, sobre minha pergunta, gostaria de acrescentar que não haveria distúrbio algum nas exportações, pelo contrário, mas desde que eu, você, Jr., ou qualquer outro interessado na vitória do real, estivessemos na condução da política monetária/cambial do BC.

      Uma grande abraço.

    • Enviado por: Riccardo(California,USA)

      Juliano e Soulman,

      Otimos links o mundo esta na beira do “competitive devaluation” o BC diz que vai interferir no Real com o fundo soberano,porem o que ninguem diz e que este fundo soberano na realidade pertence aos estrangeiros que estao investindo nos juros Brasileiros.

      abs

    • Enviado por: Juliano Camargo

      Realmente, isto no longo prazo poderia ser muito positivo para o país. Já pensou se a China começasse a comprar títulos brasileiros com a mesma voracidade com que compram os títulos americanos? Os juros cairiam rapidamente, e melhor, de forma sustentada, e não por mágicas monetárias que depois custam mais caro. Não é só perda de empregos e fechamento de fábricas que este cenário traz.

      Vemos setores industriais hoje completamente sem expressão mundial se expandindo, com dificuldades de contratar. Quando vejo isso eu penso, não seria melhor que estes setores tivessem suas proteções removidas gradativamente, para reduzir o pessoal nestas áreas antes que realmente este problema exploda? Porque são áreas sem futuro. Ninguém quer comprar carro nem eletrodoméstico nem roupa feito no Brasil, só pra dar alguns exemplos, que, obviamente, podem ter exceções quando há qualidade e inovação.

      A gente fica um pouco ansioso em vislumbrar estas oportunidades no meio das dificuldades. Entretanto, esta visão de um total realinhamento da economia brasileira ao mercado externo deve ser o grande terror do industrial brasileiro. E dos políticos de São Paulo, e em geral do Sul e Sudeste.

      A China está doida para diversificar seus investimentos, porque com alguns trilhões de dólares debaixo da asa estão pedindo para levar um calote americano. Tentaram comprar Yen e levaram um chega-pra-lá do Japão, que disse que era inaceitável (!) que os chineses comprassem os títulos que eles mesmos colocam no mercado. Espero que o Brasil não faça o mesmo, colocando barreiras de capital.

      Porque se você não tem poupança e tem juros altos por causa de todo mundo competindo com o governo para tomar este crédito, com escassez de capital, e quando o capital internacional está interessado em entrar você fecha a porta, aí não tem jeito. Aí é porque este país é muito burro mesmo, destinado a ter sempre as coisas no mesmo arranjo econômico, com FIESP, sindicatos e associações em cima e nós embaixo. E que não venham chorar depois que os juros são altos.

  11. Enviado por: dinossauro

    Parte maior do gasto do Governo está vinculado a:

    Transferências sociais, pagamento dejuros, salários, aposentadorias.

    Caso o governo reduzisse estes itens aumentaria sua poupança, mas reduziria a poupança dos setores que recebem estes recursos, a não ser que estes reduzam seu consumo( escolha final é dos autrsos agentes).

    Matar aposentados, via corte de aposentadorias, aumentaria a poupança pública.

    Mas acredito que reduziria arrecadação e a atratividade de nosso mercado interno também. além de inviável políticamente.

    Políticas regressivas seriam positivas para poupança pública , pois transfeririam dinheiro de quem consome 100% de sua renda para outros que pouparam uma parte. Eliminar os pobres favoreceria o investimento.

    1) Quais os países do mundo em que o Governo gera poupança? Pouquíssimos

    2)Qual a posição do resulatado nominal do setor público brasileiro em comparação com os outrso países?
    O Brasil não está mal neste comparativo.

    Política economica é mais complicado do que parece…

  12. Enviado por: Ismar Dias Ferreira

    Grande parte dos economistas, empresários, políticos e acadêmicos ainda insiste em tratar a questão do câmbio no Brasil como um problema conjuntural, o que é um equívoco. A atual valorização do real frente ao dólar e outras moedas resulta de uma nova realidade estrutural, ainda em fase de consolidação, que tende a tornar essa valorização ainda mais forte nos próximos anos. Por isso, exige resposta também estrutural. Exige um salto de produtividade por parte do parque produtivo nacional, que permita um reequlíbrio da competitividade de nossos produtos frente aos de nossos parceiros comerciais. Assim, medidas como baixa da taxa de juros, tributação da entrada de recursos estrangeiros, quarentena/pedágio sobre os investimentos especulativos, bem como o aumento sem limites das reservas cambiais do País, tudo isso poderá até surtir algum efeito de curtísssimo prazo, mas são medidas insustentáveis no médio e longo prazo e certamente não resolverão o problema. A (única) saída me parece óbvia, embora não tão fácil de implementar, que é atacar com firmeza e com sentido de urgência a questão do Custo Brasil, com investimentos maciços em infraestrutura, logísitca, educação e tecnologia por um lado e, por outro, com a revisão URGENTE dos nossos modelos/arcabouços tributário, trabalhista e previdenciário. Se isto não for atacado com prioridade máxima e com bastante foco, tudo o mais não passará de ações paliativas, no estilo “enxugar gelo”. Mas isso, certamente, é TAREFA PARA O PRÓXIMO GOVERNO, pois que o atual bem pouco avançou nessa agenda!

  13. Enviado por: Uatu

    Kupfer,
    Eu defendia a CPMF, por ser uma forma de arrecadação que traz transparência para a Receita.
    Hoje li que a ONU solicita a criação de um tributo global para as transferências financeiras, pela voz da Sra. Pia Ahrenkilde.
    Estaria eu conseguindo acessar as idéias do consciência coletiva, ou confundindo berimbau com gaita?

  14. Enviado por: Warrior for Freedom

    Caro Kupfer,

    Se alguns motoristas fazem loucuras no trânsito, isso é motivo para que você também faça? Porque algumas pessoas bebem demais ou se drogam, devemos todos acompanhá-los?

    Desconfio que o nobre amigo aderiu ao velho TFCV: “Teorema Fundamental do Câmbio Valorizado”, criado pela turma da FIESP. Segundo esse teorema, seja qual for a taxa de câmbio, ela estará sempre uns 30% abaixo do ideal. :)

    Abrs

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Caríssimo Warrior,

      Conhece a versão do TFCV, criado pela turma das finanças? Seja qual for a taxa de câmbio, ela estará sempre uns 30% acima do ideal. Sabe o corolário dessa lei? Uma inflação de um dígito está sempre 3 a 5 pontos acima do ideal.

      Quantos aos motoristas loucos, os alcóolatras e os viciados, eles não têm nada a ver com políticas econômicas. A presunção de que intervenções cambiais são loucura, alcoolismo ou dependência de drogas é sua. Não é algo, diferentemente de seus exemplos, constatável e tangível. Nem isso é aceito por todos.

      Abrs

    • Enviado por: Jr.

      Kupfer,
      E um outro corolário dessa lei que você citou é que a taxa de juros no Brasil nunca pode ficar muito tempo abaixo de dois dígitos.

      Na verdade, no passado eu achava que a FIESP tinha algum poder. Agora, eu acho que a turma das finanças é quem manda mesmo e a FIESP não tem tido força (ou vontade, não sei ao certo), para se contrapor.

      O conflito de interesses entre o setor produtivo e o setor financeiro, hoje, está mais do que evidente.

      Abrs.

  15. Enviado por: jose carlos

    NiNGUEM ACHA CURIOSO OU TENEBROSO O FATO DE , SEMPRE QUE SE FALA EM INVESTIMENTOS EXTERNOS NO bRASIL, É CITADO : PRÉ-SAL, cOPA, oLIMPIADAS? pre sal é comodity, Jogos são eventos efemeros. Podem trazer investimentos por algum tempo, mas são datados. E depois? O pre sal tera uma fase de investimentos, mas depois havera a maturação. Enquanto isso , como fica o resto da economia: a industria de base, a engenharia, a mecanica, a QUIMICA? parece que eles foram completamente esquecidos…estranho, não? ou proposital! Precisamos trocar as lentes dos nossos oculos.

  16. Enviado por: Jr.

    Soulman,
    Sua idéia é brilhante e, acredito de fato, poderia contribuir para resolver uma série de problemas, principalmente o custo da esterilização e, talvez, a defasagem cambial. Sei que você é bem intencionado e antenado, mas o canto de algumas sereias oportunistas às vezes parece irresistível. Tal como o das bruxas de MacBeth.

    Mas veja o que está por trás do canto dessas sereias: desemprego e fechamento de setores industriais completos. Fechamento das indústrias de carros, roupas e eletrodomésticos, por exemplo. Indústrias que empregam milhões de pessoas, direta ou indiretamente. Leia com cuidado.

    O País que estas sereias querem não é o mesmo que nós queremos. O que nós queremos é um País que se desenvolva e, ao mesmo tempo, as pessoas tenham oportunidades de trabalhar e viver com dignidade.

    As sereias querem que nós nos tornemos uma economia especialista e subordinada à divisão mundial do trabalho. Tal como a chilena, que se especializou somente em exportar cobre e vinhos. Só isso. E importando uma parcela significativa do restante dos produtos acabados. Com uma indústria pouco expressiva, no geral.

    Uma das diferenças é que o Chile não possui mais que 20 milhões de habitantes. Nossa população é 10 vezes maior e nosso mercado interno também. O nosso peso potencial no mundo idem.

    As sereias tem um canto muito bonito, fingem que querem o melhor para o País, mas o canto delas se parece muito com o do Collor. Elas não se importam com desemprego. Elas não valorizam a indústria nacional. O time delas é outro.

  17. Enviado por: Mario

    Recebi por email a Fabula da Cigarra e Formiga Contemporanea

    No final tem um pouco a ver com dividas/especializacao do trabalho/cambio

    Todo mundo no Ocidente conhece a fábula da cigarra e da formiga. A cigarra é preguiçosa e canta todo o verão, enquanto a formiga acumula reservas para o inverno. Quando chega o frio, a cigarra implora à formiga por comida. A formiga se recusa e a cigarra passa fome. A moral da história? Ociosidade gera carência.

    Mas a vida é mais complexa do que na fábula de Esopo. Hoje, as formigas são os alemães, chineses e japoneses, enquanto as cigarras são os americanos, britânicos, gregos, irlandeses e espanhóis. As formigas produzem bens atraentes que as cigarras querem comprar. Estas perguntam se as primeiras querem algo em troca. “Não”, respondem as formigas. “Vocês não têm nada que queremos, exceto, talvez, um endereço à beira-mar. Nós emprestaremos dinheiro a vocês. Assim, vocês desfrutam nossos bens e nós acumulamos nossas reservas.”

    As formigas e as cigarras estão felizes. Sendo frugais e cautelosas, as formigas depositam seus lucros adicionais em bancos supostamente seguros, que reemprestam às cigarras. Estas, por sua vez, não precisam mais produzir bens, já que as formigas os fornecem tão barato. Mas as formigas não lhes vendem casas, shopping centers e escritórios. Então as cigarras passam a produzi-los. Elas até mesmo pedem às formigas para virem e fazerem o trabalho. As cigarras acham que com todo o dinheiro que está entrando, o preço das terras aumentará. Então tomam mais empréstimos, constroem mais e gastam mais.

    As formigas olham para a prosperidade das colônias de cigarras e dizem aos seus banqueiros: “Emprestem mais para as cigarras, já que as formigas não querem empréstimos”. As formigas são muito melhores em fazer produtos reais do que avaliando produtos financeiros. Então as cigarras descobrem formas espertas de transformar seus empréstimos das cigarras em ativos atraentes para os bancos das formigas.

    Agora, o ninho de formiga alemão está muito próximo de algumas colônias pequenas de cigarras. As formigas alemãs dizem: “Nós queremos ser amigos. Então, por que não usamos todos o mesmo dinheiro? Mas, primeiro, vocês devem prometer se comportar como formigas para sempre”. Então as cigarras precisam passar por um teste: se comportar como formigas por alguns anos. As cigarras fazem isso e então são autorizadas a adotar o dinheiro europeu.

    Todo mundo vive feliz por algum tempo. As formigas alemãs olham para seus empréstimos para as cigarras e se sentem ricas. Enquanto isso, nas colônias de cigarras, seus governos olham para suas contas saudáveis e dizem: “Olhem, nós somos melhores em seguir as regras fiscais do que as formigas”. As formigas consideram isso embaraçoso. Então elas não dizem nada a respeito dos salários e preços estarem subindo mais rápido nas colônias de cigarras, tornando seus bens mais caros, ao mesmo tempo em que reduzem o fardo real dos juros, encorajando assim mais tomada de empréstimos e construção.

    As sábias formigas alemãs insistem, de forma pessimista, que “as árvores não crescem até o céu”. Os preços das terras finalmente atingem o pico nas colônias de cigarras. Os bancos das formigas ficam nervosos no momento devido e pedem seu dinheiro de volta. As cigarras devedoras são forçadas a vender. Isso cria uma cadeia de falência. Isso também para a construção nas colônias de cigarras e o consumo pelas cigarras de bens das formigas. Empregos desaparecem tanto nas colônias de cigarras quanto nas de formigas e os déficits fiscais disparam, especialmente nas colônias de cigarras.

    As formigas alemãs percebem que suas reservas de riqueza não valem muito já que as cigarras não podem fornecer nada que querem, exceto casas baratas ao sol. Os bancos de formigas ou dão baixa nos empréstimos ruins ou precisam persuadir os governos de formigas a dar ainda mais dinheiro de formiga para as colônias de cigarras. Os governos de formigas temem reconhecer que permitiram que seus bancos perdessem o dinheiro das formigas. Então preferem o segundo caminho, chamado “resgate”. Enquanto isso, eles ordenam aos governos de cigarras para aumentarem impostos e cortarem os gastos. Agora, eles dizem, vocês realmente precisam se comportar como formigas. Então as colônias de cigarras entram em profunda recessão. Mas as cigarras ainda não conseguem fazer nada que as formigas queiram comprar, porque não sabem o que fazer. Como as cigarras não podem mais tomar empréstimo, para comprar bens das formigas, elas passam fome. As formigas alemãs finalmente dão baixa nos seus empréstimos para as cigarras. Mas, tendo aprendido pouco com essa experiência, elas vendem seus bens, em troca de mais dívida, para outros lugares.

    Na realidade, no mundo mais amplo, há outros formigueiros. A Ásia, em particular, está cheia deles. Há um formigueiro rico fora a Alemanha, chamado Japão. Também há um imenso, porém mais pobre, chamado China. Eles também querem ficar ricos vendendo bens para cigarras a preços baixos acumulando créditos junto às colônias de cigarras. O formigueiro chinês até mesmo fixa o valor cambial de sua moeda em um nível que garante que seus bens permaneçam extremamente baratos. Felizmente, para os asiáticos, ou ao menos é o que parece, parece existir uma colônia esforçada de cigarras, chamada Estados Unidos. De fato, a única forma de saber que se trata de uma colônia de cigarras é seu lema: “No consumo nós confiamos”. Os formigueiros asiáticos desenvolvem um relacionamento com os Estados Unidos semelhante ao da Alemanha com seus vizinhos. As formigas asiáticas acumulam pilhas de dívidas das cigarras e sentem-se ricas.

    Mas há uma diferença. Quando a quebra chega aos Estados Unidos e os lares param de tomar empréstimo e consumir, e o déficit fiscal explode, o governo não diz para si mesmo: “Isto é perigoso; nós temos que cortar gastos”. Em vez disso, ele diz: “Nós precisamos gastar ainda mais, para manter a economia funcionando”. Então o déficit fiscal se torna enorme.

    Isso deixa os asiáticos nervosos. Então o líder do formigueiro chinês diz aos Estados Unidos: “Nós, seus credores, insistimos que vocês parem de tomar empréstimos, assim como as cigarras europeias estão fazendo”. O líder da colônia americana ri: “Nós não pedimos para vocês nos emprestarem esse dinheiro. Na verdade, nós dissemos que era tolice. Nós vamos cuidar para que as cigarras americanas tenham empregos. Então produziremos o que costumávamos comprar e vocês não precisarão mais nos emprestar dinheiro”. Então os Estados Unidos ensinam aos seus credores a lição do velho sábio: “Se você deve ao seu banco $100, você tem um problema; se você deve $100 milhões, ele é que tem”.

    O líder chinês não quer admitir que a imensa pilha de dívida americana de seu formigueiro não valerá o que custou. O povo chinês também deseja prosseguir produzindo bens baratos para os estrangeiros. Então a China decide comprar ainda mais dívida americana. Mas, décadas depois, os chineses finalmente dizem aos americanos: “Agora nós gostaríamos que vocês nos fornecessem bens em troca de sua dívida conosco. Em seguida, as cigarras americanas riem e prontamente reduzem o valor da dívida. As formigas perdem o valor de suas economias e algumas delas morrem de fome.

    Qual é a moral dessa fábula? Se você quiser acumular uma riqueza duradoura, não empreste para cigarras.
    Tradução: George El Khouri Andolfato

    • Enviado por: DI

      Salvo engano, este texto foi escrito por Martin Wolf colunista do FT. Ele tem um blog dentro do FT, e hoje é considerado um dos jornalistas mais influentes do mundo, escutado e lido por muitos chefes de Estado, menos o nosso gabiru, claro.

  18. Enviado por: jose carlos

    O nosso gabiru não sabe ler direito, soletra, ai cansa e passa a ver só as figuras. Elew do tempo de Manchete, O Cruzeiro, Fatos&Fotos…

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