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15 de Abril de 2010

 

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José Paulo Kupfer
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Inflação do chuchu como referência

9 de fevereiro de 2011 | 17h14

José Paulo Kupfer

Sensacional a sacada dos colegas da editoria de Economia do Estadão, na edição desta quarta-feira, com a reprodução de reportagem de época sobre a “inflação do chuchu”, evento ocorrido em 1977. É uma delícia, sobretudo à luz dos debates de hoje, acompanhar os argumentos do então ministro Mario Henrique Simonsen, incontestavelmente um dos melhores economistas brasileiros de todos os tempos, reproduzidos no texto, para explicar por que a alta dos preços não deveria preocupar.

Publicada em 6 de abril, a reportagem informa que a alta dos preços em março de 1977 chegara a 4%, superando os 3,7% de janeiro e os 3,2% de fevereiro. Destaca o texto que, com um acumulado de 11% no trimestre, ficava ameaçada a “meta”, revelada naquele momento por Simonsen, de fechar o ano com uma inflação na casa de 35%.

A reportagem relata que Simonsen mostrava-se tranqüilo, assegurando que a inflação estaria “isolada e localizada“. Segundo o ministro, dos 4% de inflação, 3,2% foram produzidos pelo setor agrícola e “somente” 0,8% pelo segmento industrial. O texto reproduz declaração de Simonsen: “E o diabo é que não se trata de inflação de demanda ou de custo. É inflação de chuchu mesmo”.

 Simonsen encontrava-se em Nova York, mas prometia, quando retornasse no dia seguinte, “dar um jeito nos hortifrutigranjeiros”. Ainda de acordo com a reportagem, isso se daria com um ataque em duas frentes: de um lado, levando a Cobal a “entrar firme” na comercialização, sobretudo em frutas e legumes, e, de outro, “alterando a fórmula de cálculo da participação de hortifrutigranjeiros na composição do custo de vida no Rio de Janeiro”.

A primeira parte da estratégia de Simonsen era colocar a então Companhia Brasileira de Alimentos para intervir e regular, de modo mais ativo, a oferta de alimentos. Além de lembrar que a Cobal foi sucedida pela atual Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é preciso não esquecer que, naquele tempo, a inflação “oficial” era o conhecido IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), já calculado pela FGV-RJ, com uma diferença importante, qual seja, o Índice de Custo de Vida (ICV), que, como hoje, vale 30% do índice, era calculado apenas para a cidade do Rio de Janeiro.

Já a segunda parte do “ataque” à inflação era bem mais sofisticada. Consistia em mudar a participação ponderada de hortifrutis na composição do índice. Em vez de considerar quantidades fixas, de acordo com pesquisas estáticas de orçamento familiar, a proposta do ministro à FGV era adotar uma elasticidade-preço unitária para frutas e legumes. Com isso, a partir das variações de preços, a participação dos produtos na composição do índice reduziria ou aumentaria, na mesma proporção.

É curioso ler, na reportagem do JT reproduzida no Estadão, que o esquema da elasticidade unitária foi montado pelo próprio Simonsen, “uma noite dessas lá em casa”, utilizando um “sofisticado” microcomputador (é de se imaginar a “sofisticação” de um micro trinta e tantos anos atrás…). Mas, como a FGV não se sentiu capacitada a estruturar tal programa, Simonsen insistiu na criação de uma fórmula simplificada, capaz de captar de alguma maneira a verdadeira realidade do consumo. O ministro não se conformava com o fato de que o índice de preços não fosse capaz de captar a óbvia redução na quantidade consumida de chuchu – um bem altamente elástico em relação a preço – com a quadruplicação de seu preço. Valeu por uns tempos e caiu em desuso.

Também é muito interessante e curioso, ainda mais no cotejo com os dias atuais, relembrar o debate de então sobre as causas da inflação, resumido na reportagem. Simonsen, monetarista convicto, obsessivamente preocupado, segundo suas próprias palavras, com a “sensibilidade da base monetária”, refuta os colegas economistas: “Simonsen diz que uma das maiores ilusões dos analistas da inflação brasileira é pensar que as elevadas taxas do início do ano devem-se à expansão monetária do final do ano passado”, descreve a reportagem.

Segue-se uma detalhada explicação de Simonsen para os movimentos da base monetária, por ele considerado benignos no caso, a partir da constatação de que, sazonalmente, no primeiro trimestre, sempre ocorre contração dos meios de pagamento. E a conclusão da alta inflacionária: “O principal motivo é a entressafra das hortaliças, legumes e frutas, que vai geralmente de janeiro a abril. A partir de maio, eles despencam e sua influência na taxa inflacionária também se reduz à menor expressão”.

É claro que os computadores, os regimes de produção agrícola, os impactos das políticas monetária e fiscal são outros e realmente muito mais sofisticados. Até mesmo o alimento que mais distorce os índices nas chuvaradas do verão não é mais o chuchu, e sim o tomate. Mas…

* * *

Escrevi este post envolto em saudades. De volta ao Rio, depois de cinco anos em São Paulo (em seis meses retornei a Sampa para nunca mais voltar à minha cidade), era subeditor de Economia, sob a chefia de Paulo Henrique Amorim, no velho e respeitado “Jornal do Brasil”, na época da inflação do chuchu – uma cucurbitácea, como tivemos de aprender a usar, como sinônimo do dito cujo, recorrendo ao dicionário, tal a presença do chuchu no noticiário.

Simonsen, um brilhante tipo inesquecível, deixava os repórteres enlouquecidos com a obsessão pelo controle da base monetária, enquanto a inflação, já embalada pela indexação, na época conhecida como correção monetária. Meus colegas, em Brasília, volta e meia, telefonavam e nem davam “boa tarde”, indo direto ao que os agitava:

– Estourou!!! – gritavam no meu ouvido.

– Estourou o quê? – eu perguntava, meio assustado.

– A base monetária!!! – respondiam, sem fôlego.

Hoje, o que estoura, sempre, no discurso dos analistas e, em conseqüência, na cobertura econômica, são as contas públicas. Só mudou a obsessão.

51 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Pillon

    Já fui (pasmem) síndico do meu prédio lá no Itaim-Bibi.
    Reclamavam sempre da falta de vagas na garagem e pedimos ao zelador para fazer um levantamento.
    - Seu Pillon, tem 22 vagas com obsessão daquelas que o síndico anterior criou.
    (Ninguém riu)
    Quando fui mexer no assunto, gritaria geral.

    Parece Lampeduzza, continuou a exceção para manter a obsessão.

  2. Enviado por: Jr.

    Kupfer,

    Pelo menos no tempo do Simonsen, ele tinha o bom senso e a honestidade de combater o componente da inflação das hortaliças mexendo na real causa do problema, ou seja, fazendo a CONAB (ex-COBAL) intervir no mercado para tentar regular a oferta de alimentos.

    Hoje, não se houve ninguém no governo tomando iniciativa similar.

    • Enviado por: Pillon

      Ah, Jr. discordo.
      A real componente da inflação das hortaliças não era o hotifrutigrangeiro!
      Era a fórmula imposta pelos ministros anteriores de que exportar era o que importava, continuado pelo Simonsen, com desvalorização constante da moeda.
      O Brasil é uma fartura!

    • Enviado por: Jr.

      Pillon,

      Pra lhe ser sincero, nos idos de 77 eu ainda estava entrando na adolescência. Então não tinha idéia, de fato, dessas questões. Você deve estar certo.

      Na verdade, o objetivo do meu comentário acima foi indicar que o Ministro da Fazenda, na época o responsável real pelos resultados da inflação, preocupava-se com o reflexo da oferta de alimentos no resultado da inflação. Mesmo sendo um monetarista.

      Hoje, ninguém nem toca mais nesse assunto e ninguém nem se preocupa mais com isso.

      Abs.

    • Enviado por: Pillon

      Bem, em 77 eu já era um precoce controlador de comércio exterior numa empresa brasileira de café. Eu trabalhava na trading que exportava principalmente café verde e auto-peças VW, que importou uma vez scotch e porcelana inglesa (que diversificação essa, não?).
      Lembro-me do Bresser explicando a inércia inflacionária para explicar sei lá o quê! Quanta imaginação!

    • Enviado por: jose carlos

      para sua informação o governo esta intervindo no mercado do milho(princiapl componente na fabricção de ração, junto com a soja), em leilões quase que semanais, sem efeito algum). Os preços das comodities são estabelecidos no mercado externo. Se tentarem (como na Argentina) impor controles a consequencia será a escassez que é muito pior que preços altos! leia um pouco sobre o passado economico desse país e veras o que ocorreu no Brasil nos tempos de COBAL! Já ouviu falar em INFERNO?

      • Enviado por: José Paulo Kupfer

        josé carlos,

        Por esse comentário, acho que você não entendeu o meu ponto. Primeiro, relembrar uma história marcante e interessante. Depois, mostrar com a economia é complicada pra chuchu…

        Não quis, nem de longe, dizer que as “soluções” Simonsen deveriam ser aplicadas agora. Me lembro, antes mesmo desse período, do Delfim caçando feijão preto mundo afora, para tentar segurar o custo de vida no Rio, onde se come (ainda bem, aliás) feijão preto no dia-a-dia e não só na feijoada, porque o custo de vida no Rio valia para o País todo (esse era o cálculo da inflação, veja só).

        Abrs

        Abrs

    • Enviado por: speridião

      Governo que estimula por meio de incentivos fiscais ou creditícios a exportação de bens ou produtos em falta no país causando inflação deveria ser processado !

    • Enviado por: luiz

      Boa Speridião, vc se refere aos empréstimos de pai pra filho que o bndes deu aos produtores de carne.

      Nuncanatesnahistoria dessepaiz maracutaia e negociata pareceu tão normal e corriqueiro quanto dizer bom dia.

  3. Enviado por: Riccardo(California,USA)

    Ah verdade e o seguinte:

    A inflacao e sempre minimalizada em todos os paises incluindo EUA e Brasil.

    abs

    E outra o orcamento de 2011 do gov e de 1,94 trilhoes um aumento de 200bi perante 2010.

    Que nem eu digo nem precisem cortar,eh so congelar o orcamento no que esta e as contas se balanceiam,tranquilamente.

    Dados dados pelo Ferruccio.

    abs

    • Enviado por: Pillon

      Riccardo, nos EUA o levantamento é feito de forma diferente do do Brasil. Se a inflação no Brasil é minimizada, depende de que ângulo você a observa.

    • Enviado por: Pillon

      Eu tenho a opinião de que inflação não é mal. Um mal muitas vezes necessário.
      Da mesma forma que deflação pode parecer um bem, mas necessariamente não é.

  4. Enviado por: guilherme

    uma vez assistindo a uma exposição agropecuaria , vi um juiz discorrer sobre as qualidades de um cavalo , justificando o premio que acabara de conceder ao belo animal….

    embora todos à volta que entendiam um pouco de cavalos viam perfeitamente como o animal classificado em segundo lugar era bem melhor que o campeão…

    como o juiz era uma sumidade , ninguem ousou contestá-lo , diretamente , pois seus argumentos eram tão bem embasados que seria uma derrota clara ao contestador….

    mas aos olhos , saltavam as qualidades do animal de segundo lugar….

    não demorou para que todos começassem então a se perguntar pela motivação do juiz….????

    dinheiro ????
    talvez nunca saberemos , mas aprendi a buscar as motivações antes de acreditar nas argumentações….

    com dr simonsen tbm haviam motivações , para desviar a atenção dos defeitos do garanhão campeão….

    era ditadura e ele estava a serviço dela…

    • Enviado por: Ferruccio

      Guilherme,

      “…aprendi a buscar as motivações antes de acreditar nas argumentações….”

      Eu procuro fazer o mesmo.

      Abs

  5. Enviado por: jose carlos

    O Sr JPK poderia nos brindar concluindo suas lembranças( lembro desse tempo tambem!) informando qual foi o resultado das brilhantes ideias do Sr. Simonsen! Dá pra contar…honestamente?

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      josé carlos,

      Precisa? Não funcionaram e dois anos depois, se não me engano, Simonsen foi substituído, na Fazenda, por Delfim Netto.

      Abrs

  6. Enviado por: jose carlos

    pois é!

    • Enviado por: Elie R. Levy

      Jose Carlos,

      Citando o JPK em relação ao Simonsen :

      O ministro não se conformava com o fato de que o índice de preços não fosse capaz de captar a óbvia redução na quantidade consumida de chuchu – um bem altamente elástico em relação a preço – com a quadruplicação de seu preço. Valeu por uns tempos e caiu em desuso.

      O problema foi que a abordagem foi do lado da demanda ( reação a uma elevação dos preços- elasticidade) e não do lado da oferta, i.e. ´o preço quadruplicou porque faltou produto no mercado´, e não ´a demanda foi reduzida porque o preço quadruplicou´.

      Em vez daquelas famosas equações que somente o Simonsen sabia bolar ( e entender), o IBGE deveria ter substituido o xuxu por abobrinhas na ponderação do ICV

  7. Enviado por: jose carlos

    Aliás o USDA divulgou hoje relatório informando diminuição dos estoques de milho nos USA menor que o esperado e prevendo U$14,00/bushel da soja e U$7,00/bushel no moilho para os proximos meses. Portanto, segurem as calças!

  8. Enviado por: speridião

    E assim caminhavam e caminham as teorias econômicas: quando a macro economia vai bem, ainda que aparentemente, os responsáveis são os grandes estrategistas do governo mas quando as coisas começam a “zicarem” buscam-se nos hábitos dos inatingíveis anônimos consumidores ou na microeconomia a culpa pelo fracasso. Teve também a época que o referido ministro culpou o feijão preto pela inflação que afetava a economia do país todo e como sabemos o feijão preto é consumido em massa, ao que sei, apenas no Rio de Janeiro e assim ele indexou todos as outras unidades da federação, sem dúvida era um antigênio low tech.

  9. Enviado por: Riccardo(California,USA)

    JPK e turma,

    Hoje por favor me desculpem,se eu fizer mais erros ortograficos (do que o meu normal),para parar de chorar tive que abrir uma garrafa de Sagatiba e estou dando uns beijinhos numa caipirinha gostosa.

    O Ferruccio mandou um link do orcamento federal de 2011 e nisso apreendi algumas coisas que preferiria nem saber.

    E agora faco a pergunta a voces:

    Voces sabiam que?

    O orcamento federal e igual a 55% do PIB (nos EUA mesmo com o Obama e o tamanho gigantesco do Exercito e incluindo a aposentadoria) e 25% durante o Bush era 20%.

    O gov aumentou o orcamento mais do que 10% desde 2010 ou
    mais de 200bi.Bem mais do que o Pais cresceu no ano.

    Num budget de 1,940trilhoes o Brasil gastara neste ano na infraestrutura que todos falamos um pifio 40 bilhoes.

    E voces acham que nao daria de facilmente cortar os 90 bilhoes que debatemos nos ultimos dias.

    O corte seria crescer o tamanho do orcamento em 5% em ves de 10%.

    O tamanho do governo no Brasil mais do que dobrou nos ultimos 6 anos.

    E nisso nem estamos incluindo as Estatais,e os Governos Estaduais e Municipais.

    Deixem eu voltar a tomar a minha Sagatiba vai,acho que hoje termino a garrafa.

    abs

    • Enviado por: Riccardo(California,USA)

      …ja-ja a unica coisa que poderemos comprar vai ser chuchu mesmo…

    • Enviado por: joao flavio

      Quando acabar a Sagatiba , me avise .
      Mando uma garrafa de Genuina , uma cachacinha da boa que eu fabrico lá em Minas .
      Mas talves, do jeito que a coisa vai , seja melhor mandar logo uma caixa .
      rsrsrssrsrsrsrsrsrsr

    • Enviado por: luiz

      Como faz pra te mandar a jabuticaba?
      não eskeci a minha promessa

  10. Enviado por: Warrior For Freedom

    Caríssimo Kupfer

    Obrigado por me lembrar que acabei esquecendo de citar, no meu comentário do outro artigo, mais esta estratégia não conservadora para lidar com a inflação: os expurgos nos índices de preços. Agora já são quatro, viu Rypl: congelamento de preços, taxação de exportações, intervenção no IBGE e expurgos no índice. Nada mal…

    Abrs

  11. Enviado por: Antonio Silva

    Os cortes prometidos pelo governo represntam 1,2% enquanto os gastos com pagamento de juros para financiar a dívida interna representam 6% do PIB. Acho que o mais sensato seria reduzir o custo da dívida.Não vi nenhum comentarista comentar esse paradoxo.

    • Enviado por: Elie R. Levy

      Antonio Silva,

      Vc. não entendeu o ´espirito da coisa´.

      O corte de R$ 50 bi é exatamente para garantir o pagamento da elevação dos juros dos já altos 10.75% para os exagerados 12,75% pelo mercado. Quem disse ´altos´foi ninguem menos que o Secr. do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner

      É preciso economizar mais para pagar mais juros !! Depois, o mercado avalia se o devedor merece uma redução dos juros

      Simples assim

  12. Enviado por: joao flavio

    Ola J.P.

    Toda a simpatia , excelencia , eloquencia e verborragia do Simonsen em 1977 tiveram como resultado final o descalabro dos anos 80
    Prá quem voltou do “abroad” dizendo que ia fazer e acontecer com o xuxu , ficou devendo e muito .
    O problema do xuxu so foi resolvido com a invenção do xuxureca ( um hibrido de xuxu com perereca , que vinha pulando dos campos de cultivo , eliminando assim os custos de colheita , barateando o produto na venda da esquina e liquidando com a inflação)
    Quá Quá Quá Quá Quá

    Ao que parece , vamos na mesma rota , agora com o ilustrissimo ,ilustrado eilustroso Dr Manteiga .
    Discursos ,pronunciamentos , bla bla bla .
    Mas alquem ai acredita que o governo vai cortar 81% das emendas parlamentares e ficar por isso mesmo ?
    Ainda mais com o PMDB integrando o cerne do substrato da base governista !
    Ah ! Ah ! Ah !

    Fala sério . Isso é o Brazil pô !

    • Enviado por: Jr.

      A sua piada da xuxureca é muita engraçada.

      Qua qua qua qua qua

  13. Enviado por: Marcelo

    Kupfer,

    Estamos chegando ao chamado pico do petróleo (ponto onde a produção de petróleo atinge o seu máximo) pelo que noticia o Wikileaks. Se isso for verdade o preço da commoditie vai disparar e teremos inflação global.
    Será que a solução vai ser trabalhar com a SELIC em 200% reais?

  14. Enviado por: Ferruccio

    Caro José Paulo

    Este post, que fala de lembranças do passado, soa como uma fuga da realidade atual.

    Também, depois de um mês de férias, longe das discussões econômicas, passiando pelo exterior, assistindo óperas na França, voltar ao Brasil e ler 500 comentários, falando de assuntos que você já deve estar careca de ouvir, deve ser dose para leão.

    Abs.

  15. Enviado por: Jr.

    Kupfer,
    Seu blog tá com algum problema ? Desde ontem, tento postar um comentário, o qual não vem entrando sistematicamente.

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Jr,

      Não sei o que possa ser. Nenhum comentário ficou preso nos filtros automáticos do portal. Será que você não colocou mais de um link?

      Abrs

  16. Enviado por: Ferruccio

    Riccardo,

    Por favor, fique sóbrio, que a discussão promete.

    Será muito interessante acompanhar todo esse processo de orçamento, que foi apresentado ao congresso no fim de agosto de 2010, as emendas (propostas de maiores gastos) apresentadas pelos deputados e senadores, e o que finalmente será executado.

    Há muito teatro nessa questão de cortes. Corte de vendo, como disse o Kupfer.

    Alguns dados interessantes:

    O orçamento fala em R$ 1940,6 bilhões de receitas/despesas para 2011, para um PIB estimado de R$ 3890 bilhões.

    Retirando as despesas financeiras, sobre as quais o governo não tem muitas opções, sobram as chamadas despesas primárias, que somam R$ 917,9 bilhões.

    Desse R$ 917,9 bilhões, somente R$ 201,8 bilhões são despesas discricionárias, o que representa 5,18% do PIB. R$ 716,1 bilhões são despesas obrigatórias, estabelecidas em lei.

    Quando se fala em cortar despesas, é bom se lembrar disso.
    Abs.

    • Enviado por: guilherme

      dessas despesas obrigatorias tbm podemos cortar…..

      muitas das destinações são muito vagas , como usar dinheiro da educação pra construir ginásios , podia ir pra obras ou saude , enfim o aumento da eficiencia nessas areas , libera recursos em outras….

      não me lembro bem mas li um estudo que dizia que somente 0,50 de cada real da educação chegavam realmente ao seu destino….

      e ainda se houver economia em todos os ministérios , no fim do ano as sobras voltam para o cofre do tesouro….

      o comum hj são departamentos de compra chegarem em novembro com alguma sobra e saem desesperados comprando qualquer coisa que dê tempo , pro dinheiro não retornar….papel, grampo , cadeira , o que for , precisando ou não….

      inclusive com praticas ilegais de assinar o recebimento da mercadoria sem que ela tenha realmente sido entregue , para que haja o pagamento ainda no ano vingente….

      não se engane o desperdicio na maquina publica é muito maior que podemos imaginar

    • Enviado por: luiz

      As despesas obrigatórias, 95%, são controladas pelo funcionalismo em aliança com o executivo, do qual a maioria é o PMDB

      Dilma não tem tanto o poder de cortar o orçamento, o pmdb tem, estamos todos nas mãos deles.

    • Enviado por: luiz

      opsss, executivo não, legislativo.
      É o calor

    • Enviado por: Ferruccio

      Luiz,

      Varias despesas são estabelecidas na Constituição. Por exemplo, o pagamento de um salário mínimo para a população sem previdência.

      Carlo Eduardo de Freitas, antigo diretor do Banco Central, em recente entrevista declarou que cerca de 9% da arrecadação com impostos não são para despesas e sim para transferências (tira de uma parte da população para dar para outra). Sendo a carga tributária em volta de 36% do PIB, reduzindo as transferências, esse valor cairia para cerca de 27%.

  17. Enviado por: luiz

    JPK, genial.

    O + incrível é a dificuldade que alguns tem de entender a ironia. Tem que se deixar claro cpomo água para os cegados pela ideologia.

    Aquele momento eram os últimos suspiros do milagre brasileiro, seguiu-se a explosão da inflação, com agravamento em 79. Foram as bases da hiperinflação e da década perdidada (anos 80).

    O artigo mostra a imensa semelhança entre aquela época e essa. Os mesmos fatos, as mesmas deculpas, os mesmos resultados?

    • Enviado por: luiz

      Com a diferença que naquela época o ministro sabia usar um computador pra calcular elasticidade. Pioramos.

      Sem falar que sua eminênica parda o Delfim hj está, de novo, por trás de tudo isso aí. Serviu a ditadura de direita, serve a ditadilma de esquerda.

    • Enviado por: Riccardo(California,USA)

      Boa observacao

  18. Enviado por: luiz fonte boa sanches

    Cortar despesas com este Gov. Sou igual s. Tomé. Spo acredito vendo. Vamos Aguardar! O BC q. se prepare para mais criticas ao subir os juros.

    • Enviado por: guilherme

      eu tbm….. são tomé…..

      o cheiro é de troco….dos 50 bi anunciados 18 são emendas parlamentares….

      salario minino , segundo escalão…..

      imagina a fila que vai se formar em frente ao palacio do planalto….
      vai ser um beija mão histórico….

      mas na pratica , o governo dilma herdou tudo do governo lulinha , inclusive o gosto , por poder e por dinheiro…
      não vai começar a ser responsavel , sem maiores motivações….

      enquanto der pra empurrar com a barriga….

      agora se realmente isso ocorrer , é porque tá muito pior do que imaginavamos….

  19. Enviado por: Riccardo(California,USA)

    JPK e amigos,

    Voces notaram neste orcamento de 2011, a conta na area dos gastos nao balancou.

    Entao o que o Mantega fez ele aumentou a estimativa do crescimento de 5% para 5,5%.

    Claro que sabemos que com inflacao e o exodo de capital externo (ja claro nas acoes da bovespa),o crescimento se tivermos sorte nao passa de 4%.

    Joao Flavio manda esta caixa de pinga rapido vai,acho que este ano eu vou precisar.

    abs

  20. Enviado por: Renato

    1 – O dólar varia + ou – 2% num tempo longo
    2 – A bolsa varia quase sem volatilidade
    3 – A inflação varia 2 ou 3% em intervalo de 1 ano

    4 – As grandes variações da especulação estão nas bolsas de Nova Iorque, Chicago e na maladeta Renda Fixa.

    Tá tudo estável, com excessão do ítem 4.

    Se vai cortar 50 bi ou não, não vai refrescar nada, se é que isso significa alguma coisa. Se tem especulação volátil a ser cortada, só pode ser na taxa de juros.

    O que estamos caçando?

  21. Enviado por: Riccardo(California,USA)

    Um bom jeito de dar uma cortada legal,seria a exigencia de todas as Estatais ficarem auto-suficientes isto economizaria uns 700 milhoes do gov.

    Tranquilo.

  22. Enviado por: Renato

    Esse dragão da inflação está com cara de lagartixa.

    Ou o diabo não é tão feio quanto pintam.

    Algum paleontólogo da engenharia genética sabe se a lagartixa descende do dragão?

  23. Enviado por: Ferruccio

    Conforme estudo da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) temos 63.224 pessoas com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações.

    A maioria dos grandes investidores têm recursos aplicados no exterior, entrando no país como capital estrangeiro.

    O aumento dos juros de 10,75% para, estimados 13% até o fim de 2011, irá acrescentar algo em volta de R$ 45 bilhões ao bolso desses senhores (pena que eu não estou entre eles).

    Número parecido com os R$ 50 bilhões de corte no orçamento.

    O meu amigo Riccardo diz que deveríamos até cortar mais porque, assim fazendo, no futuro, os juros irão cair.

    Se os juros irão cair no futuro, é incerto.

    Pessoalmente, não acredito, ou, se caírem, é duvidoso se irão compensar os sacrifícios impostos à população (não aos 63.224 milionários) pelos cortes do orçamento.

    Mas uma coisa é certa, uma coisa que não deixa margem para dúvidas: os 63.224 milionários irão receber imediatamente sua bolsa rentista.

    (Riccardo, é uma pequena provocação, mas tem fundo de verdade)
    Abs

    • Enviado por: Pillon

      Muitos desses “estrangeiros” desviaram lucros para o exterior para escapar do IR. Veja o caso do Banestado que só para os EUA mandaram US$ 19 bilhões. Sabe quantas pessoas poderiam ter US$ 5 milhões em suas contas? 3.800!!!
      Depois o dinheiro retorna em IED.
      Como dizia Kate Lira, brasileiro é tão bonzinho!

  24. Enviado por: Renato

    Eu acho que a Dilma ou o CMN, alguém que possa fiscalizar se há falcatruas deveria fazer uma limpeza no pessoal do Banco Central, mandar um monte de lesa-pátria para a rua!

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