Dilma afina os controles
23 de janeiro de 2012 | 20h06
José Paulo Kupfer
Mudanças na presidência de uma empresa como a Petrobras nunca são triviais. Mesmo quando o fato e os protagonistas são os esperados. Por isso, a troca de guarda no comando da maior empresa brasileira – e terceira do mundo no setor de energia –, com mais de 80 mil empregados e responsável por cerca de 10% de todos os investimentos na economia brasileira, chama tanto a atenção e suscita tantas especulações.
A substituição de José Sérgio Gabrielli por Maria das Graças Silva Foster, de 58 anos e mais de 30 em diversos departamentos e negócios da empresa, era uma pedra cantada. Só não estava cantado que já seria na primeira quinzena de fevereiro. Mas, se houve alguma surpresa no “timing” da mudança, não deixa de ser algo que se poderia prever – afinal, a presidência da Petrobras, na prática, equivale à chefia de um ministério e uma reforma do Ministério está na ordem do dia.
Jornais do mundo inteiro destacaram o perfil técnico e estilo gerencial duro da futura presidente da Petrobras – semelhante ao perfil grudado no da presidente Dilma Rousseff. Também não deixaram de mencionar a proximidade de Graça Foster com Dilma, de quem, nos tempos de Dilma no Ministério das Minas e Energia, a futura presidente da Petrobras foi secretária de petróleo e gás. Além de ser a primeira mulher a presidir a estatal em quase 60 anos de existência, Graça Foster é um raro caso de presidente saído do quadro de carreira da empresa
Graça Foster já havia sido cotada para um cargo no primeiro escalação do governo quando a presidente Dilma Rousseff estava montando seu Ministério, em fins de 2010. Na época, veio à luz uma série de negócios de seu marido, Colin Foster, com a Petrobras. De 2007 a 2010, a empresa C. Foster, de propriedade do marido, assinou com a Petrobras 42 contratos de fornecimento de componentes eletrônicos, dos quais a metade sem licitação.
As características de Graça Foster – o perfil técnico e proximidade com Dilma – foram saudadas como pontos positivos para a administração de uma companhia gigante, controlada pela União, que registra receitas anuais acima de R$ 200 bilhões, só inferiores, no País, ao total arrecadado pelo governo federal. As ações da Petrobrás subiram 3,5% no pregão desta segunda-feira na Bovespa, alcançado o maior valor desde abril do ano passado.
Espera-se, no mercado, que Graça Foster promova uma reestruturação na diretoria da Petrobras, com o objetivo de obter maior integração entre elas e concentrar esforços nos aspectos operacionais e de produção. A conferir, contudo, a autonomia que terá para designar os diretores e redesenhar as estruturas superiores da estatal. E também a habilidade política que, obrigatoriamente, terá de revelar, na condução da estatal.
Gabrielli sai oficialmente para ocupar um secretária no governo da Bahia, suposto passo para uma candidatura ao governo baiano, em 2014. A distância no tempo entre a saída e a execução de seu projeto político permite supor que esta foi o caminho mais suave possível encontrado por Dilma para dispensar Gabrielli e assumir mais diretamente, pelas mãos da especialista de total confiança, os controles da Petrobras.
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Pelo currículo da Graça Foster, ela parece ser trabalhadora e determinada. Mas os negócios do marido dela vão dar trabalho. A imprensa, a partir de amanhã, vai escarafunchar a vida dele. Não sei se ele (e a Graça) vão resistir.
Kupfer
Realmente a Dilma está em fase de afinar. Primeiramente afinou com a faxina e em vez de varrer para a rua a sujeira nos seus ministérios preferiu varrer, o que for possível, para baixo do tapete. Com relação à Petrobrás ela não está afinando os controles, por que ela nunca os teve, nem quando foi ministra de Minas e Energia. Sempre foi público e notória para quem circula em Brasília, que a Presidente sempre esteve em choque com o Gabrielli e, apenas em respeito ao Lula, o manteve por um ano. O próprio motivo alegado para a troca, concorrer às eleições em 2014, não tem nenhum sentido, como qualquer político pode lhe dizer. Em fim, não se trata de afinar, mas sim assumir um controle que não tinha.
Abraços
Ronaldo,
Nenhum político precisa me dizer sobre a saída do Gabrielli. Eu mesmo disse no texto que você está comentando.
Depois, discordo de você: qualquer presidente da República controla a Petrobras. A troca é para controlar sem eventuais salamaleques, a partir de alguém da sua inteira confiança e não um outro que, tendo juízo, obedece, mas pode dar algum trabalho.
Abrs
Interessante JPK, temos então mais ou menos o mesmo raciocínio, pois utilizando palavras diferentes, isso foi mais ou menos o que eu escrevi em resposta a um post do Riccardo sobre esse assunto, na sua coluna anterior.
Da mesma forma que muitos outros aqui, incluindo o Riccardo, eu também sou contra a “Crony Capitalism” que é aquele capitalismo falso que beneficia alguns setores e/ou empresas. Mas em se tratando de riquezas naturais dessa magnitude, e considerando que são poucas as empresas no mundo que detém essa tecnologia… ficaria desapontado em ver o país perder o controle (direto) sobre essas riquezas.
Resta saber se Dilma terá a coragem de lutar contra o controle indireto que certos grupos exercem, não apenas sobre a Petrobras, mas sobre a economia como um todo.
EStou totalmente de acôrdo com seu comentário Ronaldo Ferreira. Cada vez mais está se instalando uma clase especial de mandatários,partidários, que com interesses particulares gerenciam suas vidas e não a dos brasileiros. Como saber se o marido da Foster não é laranja de sua esposa, e vice versa? Eu tenho certeza que entre um casal, como aliás há outros casais no ministério, interesses particulares falam mais alto do que o do trabalho público.
Nick, em respeito ào JPK, postei algo no blog passado.
JPK, que suas esperanças tornem-se realidade.
Falando em reegenharia, esperamos que reduzam seus custos de produção, para o bem do consumidor brasileiro, na bomba e nos impostos.
reengenharia, corrigindo,nem sei se existe em portugues esta palavra…
e os resultados, como andam os resultados da CIA, e o valor da mesma, vai bem ?
Será que a exploração da pré-sal esta em dia ? e a nacionalização de fornecedores, também ? ..e o que dizer da produção prometida que, em verdade, decresceu ?
e a politização havida, com direito a visita intima em horário de expediente do agora “ex” ao cafofo do J.Dirceu, aqui tb tudo bem ?
Como anda o resultado da CIA, o seu retorno ? e quem avalia os investimentos em energia alternativa (pinhão manso, biocombustíveis, biogás, GNV etc) esta satisfeito, em publicidade dispendida ? ..sei que na época de THC – o vendilhão – era o genro, e hoje, talvez o Tarso ?
Me diz, é natural admitirmos que sobre a EXPLOSÃO de importação de derivados e a falta de álcool no mercado, é razoável imaginarmos que a administração de Gabriele não tem nada a ver com isso ?
..e sobre a falta de projetos e cacife pra darmos aos gringos o álcool anidro, o que o Sergio tinha a nos dizer sobre isso, justo agora que conseguimos a autorização pra supri-los ?
sei não, ao menos no currículo parece que a moça entende mais do negócio, né não ?
No Brasil destes últimos 5 a 6 anos, os poderes paralelos é que inflaram demais. Petrobrás é uma maquina mal posicionada frente às realidades do mercado daqui para frente. Torço pela Dilma e pela M.Graças.
Collin Foster, fornecedor da Petrobrás, com mais de 20 contratos sem nenhuma licitação. Lembremos disso, sim?
Aparentemente, o perfil da Graça é mais adequado que a do Gabrielli, que transformou a Petrobrás no maior cabo eleitoral do Lula na última eleição presidencial. Esse é um exemplo entre outros, de como uma empresa estatal pode ser usada para fins políticos.
Mas os negócios entre o marido e a Petrobrás poderão dominar as páginas dos jornais assim que assumir. Então eu perguntaria : o que levaria uma durona como a Dilma, cheio de exigências, super-gerente segundo alguns, a promover uma pessoa que já chega carregada de suspeitas? A impressão que dá é que não existe no Brasil quadros que ao mesmo tempo reúnam competências gerenciais, comportamentais e retidão ao mesmo tempo.
Já que neste caso se trata de um perfil técnico, por que não levar do mercado pessoas altamente competentes e livres de suspeita?
Não vamos esquecer que Dilma foi sucessora do Lula, se sabia de tudo , então sabe navegar por esta turbulencia. Penso que M.Graças vai ter a sua chance.
Com permissão do Kupfer gostaria de anexar um link de uma reportagem feita dias atrás no valor economico e coloca a luz no papel dos estatais desde 2008.
Muitas apostas foram feitas em 2008, e foram apostas infelizes frente as realidades presentes que se impõem.
Muitas perdas tem que ser contabilizadas e devidamente comunicadas aos cidadãos pagantes de impostos, o que vai gerar muito barulho ainda.
http://www.valor.com.br/brasil/2489416/quando-emprestimo-vira-receita-primaria
No meu entender a Dilma sem alarde ou frases de efeito já colocou rédeas no governo.
Coroada recentemente pelo Datafolha, a bola está com ela.
Hoje surpreende ou cala até aqueles que um dia disseram “não ter imaginação suficiente para adivinhar o que a Dilma quer dizer quando começa algum raciocínio e não o conclui” (FHC).
Estão ficando escassos os argumentos razoáveis daqueles que questionam sua capacidade e competência de comando.
Quanto à Petrobrás. O comando deve sim estar em perfeita sintonia com os objetivos de seu principal acionista, e a troca do comando foi sem alarde algum.
O pré-sal está em melhor situação, que qualquer novo campo, incluso golfo do méxico (aguas profundas), betume canadense, alasca, falklands, mar da angola, e cazaquistão.
Falta acelerar as novas refinarias . Do etanol, é uma questão mais tributária e menos mercadológica.
20 ‘contratos’ sem licitação, a Graça parece poder dormir tranquila com esse assunto (link abaixo)
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1038476-dilma-rousseff-e-graca-foster-sao-como-criador-e-criatura.shtml
graça foster eh emblema do brasil desenvolvido.
nascida em familia pauperima em favela carioca, graça foster na presdidencia da petrobras simboliza a mobilidade social brasileira.
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dizem q o cidadao nao foi consultado sobre a retirada das sacolas plasticas dos supermercados.
correto.
com a ressalva, q tmb nao foi consultado quando as sacolas foram introduzidas.