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José Paulo Kupfer

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A notícia do ano: desnutrição infantil no NE perto do fim

18 de dezembro de 2009 | 15h59

José Paulo Kupfer

A revista “Pesquisa”, edição de dezembro, publicada pela Fapesp, a fundação paulista de incentivo à pesquisa acadêmica e aplicada, traz uma notícia extraordinária, sem qualquer dúvida uma das mais importantes do ano. Levantamento  coordenado por pesquisadores da USP concluiu que, mantida a velocidade de queda atual, a desnutrição infantil no Nordeste pode ser eliminada em menos de 10 anos.

O estudo, segundo relato do repórter Fabrício Marques, mostra que a desnutrição infantil na região brasileira mais afetada pelo problema foi reduzida em um terço, entre 1986 e 1996, caindo de 33,9% para 22,2% das crianças nordestinas, e em quase três quartos, de 1996 a 2006, despencando para 5,9%. Carlos Alberto Monteiro, um dos coordenadores da pesquisa, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, afirma não existir caso documentado no mundo de redução tão veloz na desnutrição infantil (lei aqui).

Melhorias na escolaridade materna, saneamento básico e programas de transferência de renda são as principais explicações dos pesquisadores para o auspicioso fenômeno em curso no Nordeste. “Para controlar o problema em 10 anos será preciso manter o aumento do poder aquisitivo dos mais pobres e assegurar investimentos públicos para completar a universalização do acesso a serviços essenciais de educação, saúde e saneamento”, resumiu a também coordenadora da pesquisa, Ana Lucia Lovadino, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens).

Constata-se, mais uma vez, que a solução de problemas sociais complexos não deriva da iluminação de um único governante predestinado, nem se obtém instantaneamente, na base de alguma medida genial, adotada com ares de panacéia. Depende de decisão governamental firme, persistência no objetivo e continuidade na ação. Depende também – e o caso do programa Bolsa Família é disso emblemático – da capacidade de enfrentar a ferrenha resistência de uma parte da sociedade a distribuir a riqueza produzida com os menos aquinhoados.

Se os fracassos na aplicação de políticas sociais e econômicas são órfãos, os êxitos, infelizmente menos freqüentes, costumam incentivar ferozes disputas pela paternidade. No caso da desnutrição infantil no Nordeste, lamento informar aos militantes do Fla-Flu que contrapõe os governos FHC aos governos Lula, que o belíssimo jogo deu empate.

O êxito no combate à desnutrição infantil no Nordeste é uma combinação de melhorias na educação, investimento em saneamento básico e aplicação bem focada de políticas de renda. Uma lição aos que, aflitos para não colocar azeitona na empada do governo pelo qual não simpatizam, desqualificam as ações do “outro lado”.

A universalização da educação básica, implementada no governo FHC, que resultou em mães mais instruídas e, portanto, mais aptas a assegurar um desenvolvimento mais saudável a seus filhos, mesmo em condições de pobreza, não seria suficiente para produzir o avanço registrado na superação da desnutrição. Idem para a ampliação da rede de saneamento, ainda muito restrita, mas, bem ou mal, tocada nos dois governos. É fator fundamental, mas insuficiente, se aplicado isoladamente.

Também os aumentos reais do salário mínimo e, mais diretamente, os impactos de programas de transferência condicionada de renda, dos quais o Bolsa Família é um ícone, crédito dos governos Lula, seriam, sozinhos, insuficientes para reduzir a desnutrição na velocidade alcançada. É sabido – e pesquisas variadas confirmam – que o aumento da escolaridade materna é elemento crítico em questões dessa natureza. Filhos de mães menos pobres, mas, ao mesmo tempo, menos instruídas, tendem a apresentar mais problemas no seu desenvolvimento.

Os esforços para eliminar uma das mais terríveis chagas sociais brasileiras remontam a 1986 e, portanto, na verdade antecedem ao Fla-Flu. Naquele ano, foi realizada a primeira Pesquisa de Demografia e Saúde, um inquérito domiciliar que faz parte de um programa internacional, repetido a cada dez anos. Aplicada no Nordeste, a pesquisa, que permite acompanhar e comparar, de modo seguro e consistente, a evolução das políticas aplicadas para a superação do problema, foi regularmente repetida em 1996 e 2006.

Há ainda outras lições a extrair neste caso da acelerada redução da desnutrição infantil no Nordeste. Comprova-se, por exemplo, que, embora o crescimento econômico seja uma base necessária de sustentação, não é suficiente para a redução das desigualdades e a melhoria geral das condições de vida das populações mais pobres. E, sobretudo, quando o objetivo é acelerar a solução do problema.

É já antiga a convicção de especialistas em políticas de rendas, caso do renomado Ricardo Paes de Barros, do Ipea, de que programas de transferência de renda bem focalizados produzem efeitos aceleradores na redução das desigualdades e, principalmente, na redução da pobreza. No campo, ao pesquisar os motivos da redução acelerada da desnutrição infantil no Nordeste, Carlos Augusto Monteiro confirmou a tese.

“Parece pouco, mas com R$ 100 por família vitimada pela miséria extrema o panorama da desnutrição muda radicalmente”, disse Monteiro a Fabrício Marques, da revista da Fapesp. A redução da desnutrição, segundo ele, desatrelou-se da evolução do PIB. “O PIB do país sugeriria uma prevalência de desnutrição maior que a observada. O México, por exemplo, com um PIB próximo do nosso, tem taxa de desnutrição de 13 a 14%”, afirma.

Os pesquisadores da USP constataram ainda que a melhoria na escolaridade materna, produziu seus frutos mais relevantes anos depois do início da aplicação da política de universalização do ensino fundamental. As mães mais instruídas encontradas em 2006 começaram esse percurso ainda nos anos 90.

Idêntico raciocínio deve valer para os efeitos de programas como o Bolsa Família. Exigir “portas de saída” desde o primeiro dia de implantação do programa não faz sentido. Ao condicionar o benefício à caderneta escolar e à de saúde dos filhos, o programa não está, prioritariamente, focado nos pais, mas nas crianças.

Aos pais, vítimas da completa exclusão social, pouco se pode oferecer a não ser algumas oportunidades subalternas na economia eventualmente reativada pela circulação dos recursos oriundos da transferência de renda. Considerá-los vagabundos, sem levar em conta as condições adversas em que cresceram e vivem, é uma crueldade.

Ainda não houve tempo de as crianças alcançadas pelo Bolsa-Família se apresentarem nas “portas de saída” por muitos exigidas, no afã de desqualificar o programa. Mas, enquanto isso, o programa vai contribuindo, decisivamente, ao acelerar a eliminação da desnutrição infantil no Brasil, não só para apagar uma chaga social brasileira, mas também formar uma nova base de cidadãos, simultaneamente mais produtivos e menos onerosos para a sociedade.

22 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Joka

    FHC fez isso? hra..ra..ra…me poupe

    A universalização da educação básica, implementada no governo FHC, que resultou em mães mais instruídas e, portanto, mais apta a assegurar um desenvolvimento mais saudável a seus filhos, mesmo em condições de pobreza

  2. Enviado por: Jorge

    Viva o Brasil!
    Imagine como estaríamos sem essa dinheirama todo para o bolsa juros exorbitantes e com um educação de qualidade.
    Peço que o blog levante a questão da progressão continuada no ensino paulista, que esta radicalizada. 50% de presença e o aluno é aprovado segundo me informaram professores da rede. Em alguns anos haverá todo uma geração de analfabetos diplomados, sem futuro algum.
    Mesmo assim, avançamos.

    • Enviado por: Swamoro Songhay

      Você poderia informar se há outros Estados onde a progressão é também utilizada? Se não, qual é a metodologia utilizada?

  3. Enviado por: Herbert José de Souza

    Que saudade de pessoas como a Da. Ruth Cardoso e a visão de fazer uma COMUNIDADE SOLIDÁRIA! Que falta que faz gente com liderança, inteligência e desprendimento para enxergar a integração do primeiro, segundo e terceiro setores. É uma extravagância ideológica muito perigosa concentrar todas as esperanças em um estado paternalista e de viés comunista, além de ser sempre muito frustrante. Ela sabia que um programa dessa magnitude é grande demais para ficar nas mãos do governo. Ela também sabia que o estado não gera riqueza. Apenas faz a distribuição ou redistribuição a altíssimo custo!

    Há que surgirem novas lideranças com a visão do processo social, que foi provado possível, de provocar o segundo setor (empresarial detentor do conhecimento gerencial) com o terceiro setor (voluntariado e profissionalismo de responsabilidade social). Ao governo, como primeiro setor, cabe ser o facilitador desse processo com as obrigatórias compensações fiscais para os projetos fiscalizados pelos próprios cidadãos beneficiados. Já disse há muito tempo o Rei do Baião, o inesquecível Luiz Gonzaga do Nascimento, em uma de suas composições, para ficar nas origens do sertão pernambucano do atual presidente da república (em minúsculas): “A esmola envergonha o homem e vicia o cidadão”. E, do alto da sua sabedoria poética, “teje” dito!

    Ao contrário do que é propalado, o conceito do projeto da COMUNIDADE SOLIDÁRIA não foi mantido. Ao contrário, foi destruído o espírito de colaboração articulado dos vários setores sociais. Assim, ficou mais valiosa ainda a formulação original dessa abordagem para o problema da desnutrição infantil e todas as chagas ainda abertas em nosso Brasil.
    É uma lástima que o “onguismo” tenha se degenerado em uma forma de desviar os recursos públicos sem a fiscalização dos órgãos de controle como o TCU, ao ponto do atual governo ter que “comprar” o enterro da CPI das ONG no congresso (em minúsculas) em meio ao maior escândalo desse setor. Também é uma lástima que o programa Bolsa-família tenha se transformado em uma gigantesca máquina oficial de compra de votos, degenerando totalmente a ideia de desvinculação política.

    Enfim, é uma vergonha que ainda hoje existam pessoas desejando a solução total e estatal. Isso seria a “manipuladura populista” em toda a sua maldade? Um uma forma dissimulada de escravizar o povão por um projeto de poder totalitarista e escravocrata ? Ufa!  !

    • Enviado por: José Paulo Kupfer

      Meu caro,

      Ao tomar emprestado (para se esconder?) o nome do Betinho, você comete o segundo erro. O primeiro é ficar com essa ideia tola de que programas de transferência de renda são esmolas.

      Nem as cestas básicas do Betinho e da Dona Ruth eram. Imagina um programa estruturado, com condicionalidades.

      Há um fato auspicioso, derivado de várias políticas públicas razoavelmente bem sucedidas, e você fica de olhos fechados, só preocupado em desqualificar, sem argumentos razoáveis, as ações do atual governo.

      Eu, sinceramente, acho que você está no seu direito, mas lamento.

      Abrs

    • Enviado por: Herbert José de Souza

      A minha identidade é aberta para você, pelo meu IP, que tem que manter o sigilo da fonte necessariamente. Não cometi nenhum erro. Desculpe-me discordar inteiramente da sua visão “estadocentrada” de mundo e agradeço que respeite o contraditório. E isso é muito bom para a audiência ou readership do seu blog. Tenho muitas razões para pensar diferente e você sabe disso. O governo é péssimo gerente em todo o mundo, mas é pior em países subdesenvolvidos. Ainda mais terrível quando o presidente Lulla passa, segundo Joelmir Beting, 984 dias de um total de 1201 dias na gerência do desgoverno que aí está fora do “serviço”, em viagens que custaram R$ 584 milhões, ainda segundo Beting.

      Melhor privatizar tudo, pois salva-se quem pode pagar um plano de saúde privado, uma escola privada para os filhos e contratar segurança privada. As funções básicas do governo não são executadas. Esfola-se quem está nas mãos da administração pública nezthepaiz. Basta de comunistas e de escândalos de toda ordem.

      Falta a essa administração o entendimento mínimo do que seja o Estado de Direito Democrático, as bases de funcionamento institucional que permite o desenvolvimento amplo da sociedade pela liberdade de iniciativa e planejamento de atividade produtivas. A ideologia reinante no PT é a que levará o Brasil a se transformar em uma enorme Cuba ou Venezuela. Nesses países, você iria trabalhar no Granma ou semelhante. . .

      Como já disse um graduado funcionário da Sra. Dilma Rousseff, a estratégia do governo para elegê-la presidente é a do “vale-tudo”. O que você quer discutir, depois disso, em defesa desse governo? Pois vale-tudo quer dizer, inclusive, destruir os fundamentos das instituições democráticas. Você gostaria que o Brasil se tornasse uma Cuba? Note que muitos brasileiros não querem.

      A concepção do COMUNIDADE SOLIDÁRIA é especialmente interessante por seu espírito desvinculado dos interesses político-partidários. A proposta é, ainda, de um movimento envolvente, que agregasse forças de toda a sociedade. Sempre foi muito ousado nessa ambição de dar continuidade com sinergia e solidariedade espontâneas. As comunidades seriam “donas” dos seus problemas e o Estado atuaria secundariamente. O fato de ter se desvirtuado não quer dizer que não possa ser retomado. Ainda restam esperanças para o futuro. Abraço Kupfer. Estarei de férias. Bom fim-de-ano!

    • Enviado por: Oda Nobunaga

      É isso aí…boas férias e não volte mais….

  4. Enviado por: Edu Argentino

    O outro dia escutei um ex-governador da Misiones (Estado Argentino)limítrofe com o Brasil. Ele contava que quando ele era criança (40 anos atrás), ele ia para o Brasil (sua casa estava a 20 km do Brasil) e ele voltava chorando com a sua mai quando via outros mininos fomentos no Brasil. Hoje a historia mudou. Nos temos issa ferida que lacera.
    PARABÉNS BRASIL, NOS TEMOS MUITO QUE APRENDER DE VCS!

  5. Enviado por: Bruno Ferreira

    Sem dúvida, a notícia do ano! Oxalá dentro de 10 anos a próxima pesquisa já não tenha casos de desnutrição para estimá-la. Melhor ainda é pensar que as crianças quando não são desnutridas aprendem mais e melhor, assim que mais boas notícias poderão aparecer vindas do Nordeste brasileiro.

  6. Enviado por: P Pereira

    J P Kupfer, arquivei e imprimi o seu artigo, inclusive a resposta (às 18:46).

    Você, ainda bem, tem muita paciência. Outro blogueiro teria respondido com o clássico gesto do Baixim.

  7. Enviado por: Hu Tuc

    Que noticia mais feliz para um ano tao dificil!Transferencia de renda,eh o que faz o governo aqui da Holanda,e tambem o fazem os governos dos paises nordicos,da alemanha e da austria.Essa eh a razao pela qual aqui nao ha pobreza absoluta e nem analfabetismo.Todos tem “um pouco” e ninguem fica sem.

  8. Enviado por: Monika

    É, resta saber o que acontecerá com estes indicadores à medida que a situação ambiental for se deteriorando, tanto a nível local quanto global. Desertos não costumam ser capazes de sustentar muita gente, e segundo os especialistas o nordeste está em franco processo de desertificação.

  9. Enviado por: uma curiosa

    Genial a análise e estupendo o texto. Parabéns, Kupfer!
    Lendo os comentários, foi inevitável a lembrança de Galileu quando, através do telescópio, comprovava que a terra não era o centro do universo. Na ocasião, os incrédulos viam o que não queriam ou não podiam ver. E a culpa era do aparelho que insistia em mostrar a realidade… fazer o que?
    Ainda bem que não temos fogueiras.
    Abs.

  10. Enviado por: suerly gonçalves veloso

    Por que a USP não faz uma pesquisa em Mogi das Cruzes, e tem de ir até o Nordeste? Pesquisa por exemplo das familias pobres, por exemplo da Vila Natal, Vila União, cujas meninas de 14,15 anos vivem pegando carona, para oferecer sexo? Isso que é falta de perspectiva, de lares tapeados pelos governos, municipais inclusive. Por que não as autoridades não pagam uma bolsa de verdade para tais adolescentes, permanecerem nas Escolas, e não cria escolas de nivel superior, na sequência do término do ensino médio, até que elas possam se entender por gente?

  11. Enviado por: Fernandão

    Esta é mesmo uma ótima notícia, afinal um pouco do pensamento humanista do qual a esquerda se apropriou foi colocado em prática, e deu certo!!!
    Pode-se afirmar ser este resultado uma obra de esquerda, dos últimos 15 anos de governos de esquerda, muito bom mesmo!!!

  12. Enviado por: Adilson

    Será que tem alguém com coragem de dizer que o programa Bolsa Família é demogógico?

    • Enviado por: Oda Nobunaga

      Demagógico é o BC manter os juros da selic nesse patamar. São bilhões de reais que se vão para pagar juros aos rentistas (pessoas que não trabalham, não produzem nada, parasitas da pior espécie).

  13. Enviado por: Alberto

    JPK, não sei se esta é uma boa notícia. Em pleno século XXI, um país com mais de 8,5 MM de km², comemorando isto e ainda com prazo de 10 anos para seu fim, acho no mínimo vergonhoso. Deveríamos engolir a seco esta informação e trabalharmos muito mais, para reduzir este prazo para 4 anos.

    Ja Adilson, com relação ao seu comentário, EU tenho coragem de dizer que o Bolsa Família tem um lado demagógico.

    Tem um lado extremamente importante na distribuição de renda e inclusão social, isto é inegável.

    Como também é inegável o lado que gera uma acomodação do governo e sociedade (ja demos o bolsa família, ja fiz minha parte), bem como sua falta de estratégia de longo prazo, além de porque não, seu caráter de compra de votos.

    • Enviado por: José Paulo KUpfer

      Alberto,

      A estratégia de longo prazo é o aumento na escolaridade e a melhoria na saúde das crianças envolvidas.

      Se quer cobrar, cobre a fiscalização das condicionalidades e a melhoria da qualidade do ensino e do atendimento de saúde.

      Já pensou nisso?

      Abrs

  14. Enviado por: Lucio

    Gostei da parte em que a redução da desnutrição desatrelou-se do PIB. O desenvolvimento econômico é possível mesmo sem o crescimento, desde que as políticas públicas sejam firmed neste sentido – o Estado ainda tem papel fundamental na economia, mesmo que isso cause pruridos em alguns….

  15. Enviado por: Ricardo J.F.Alemida

    Diante desta noticias podemos ter uma melhor compreensão das ações que estão derrubando mitos de um passado recente.
    O nordeste sempre foi palco de realidades a produzir imagens absurdas da miséria humana, e estas mesmas imagens serviam a como pano de fundo para envio de recursos para os que ocupavam os cargos do poder daqueles estados. No entanto passavam anos e anos e lá estavam, elas, mantidas sem nenhuma alteração, tanto dos locais quanto dos personagens. Era como uma maneira de justificar toda uma incapacidade intransponível em resolve-la.
    Bastou redirecionar os recursos para as mãos dos que realmente precisavam e constatamos que as mudanças ocorrem com uma velocidade nunca antes ocorrida no mundo moderno.
    E é gratificante ver exaltado os resultados positivos quando estes acontecem. Obrigado caro jornalista.

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