CRISTIANE BOMFIM
Quando eram adolescentes, os cantores de música sertaneja Munhoz e Mariano iam para as baladas de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, de carroça. Não tinham carro nem dinheiro e precisavam de muita lábia para conquistar as mulheres. Tudo mudou em maio deste ano, quando eles gravaram Camaro Amarelo, canção que virou hit e já tem mais de 12 milhões de acessos no YouTube. Agora, adivinhe como eles vão para as baladas? De Camaro amarelo, claro, o esportivo mais caro da Chevrolet no Brasil, que parte de R$ 201 mil.
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Sobre o sucesso, Mariano diz que é questão de momento. “A música fez esse sucesso todo porque o sertanejo está mais urbano e a letra juntou a gíria de ficar doce com o carro”, diz ele, que tem na garagem de casa uma picape Mitsubishi L200, já encomendou seu Camaro e sonha em comprar outra picapona, uma Ford F-250.
O parceiro Munhoz pulou de um Fiat Palio direto para um Audi A3. E já tem um Camaro. “Quero um Camaro ‘modelo americano’. É lindo”, conta.
Não é de hoje que músicas que têm veículos como tema viram sucesso, mas a nova onda ganhou força no fim do ano passado, quando o tambémsertanejo Israel Novaes compôs e gravou Vem ni mim Dodge Ram, mesmo sem nunca ter entrado na picape da marca norte-americana.
“Tive a ideia da letra no intervalo de uma aula da faculdade. Um cara veio dizer que era bonito e não pegava ninguém e que o amigo dele era feio e estava pegando todo mundo porque tinha carro”, conta Israel.
A escolha da Dodge foi por achar que é um modelo imponente. “Esse papo de maria-gasolina sempre vai ter. Todo mundo quer conforto, né?”. Ele diz que começou a dirigir aos 11 anos escondido do pai. O cantor prefere não revelar qual carro tem.
O sucesso da música não está diretamente ligado ao preço do veículo. Em 1964, Roberto Carlos incendiou as pistas de dança com O Calhambeque. Almir Rogério eternizou o besouro da Volkswagen com Fuscão Preto, que foi regravada por uma série de artistas.
A Brasília amarela dos Mamonas Assassinas, em Pelados em Santos, de 1995, virou ícone de irreverência. E a piauiense Stefhany Absoluta saiu do anonimato graças ao CrossFox que ela cita em Eu sou Stefhany, de 2009. “Me apaixonei pelo carro assim que foi lançado. Minha mãe escreveu a letra”, conta a cantora.
O clipe da música fez tanto sucesso na internet que a moça acabou ganhando um CrossFox de presente da Volkswagen durante o programa de televisão Caldeirão do Huck, da Rede Globo.
Seguindo essa moda, Gabriel Gava, que é do Espírito Santo, gravou no início deste ano Fiorino. “A história da música é muito boa. Foi baseada no que acontecia com um amigo meu. Ele tinha uma namorada que não queria entrar na (picape Fiat) Fiorino dele de jeito nenhum”, explica o cantor. Colaborou Thiago Lasco