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DIEGO ORTIZ
FOTO: DIVULGAÇÃO
A qualidade baixa do acabamento e as cores diferentes das que os brasileiros estão acostumados no interior dos carros são um dos pontos fracos dos modelos chineses. O trabalho da engenheira da JAC do Brasil Marina Queiroz é adequar a cabine desses veículos ao gosto nacional. Ela conta como é essa tarefa.
Qual o principal desafio na hora de mudar um carro chinês que será vendido no Brasil?
É bem complicado mudar um projeto que já está pronto e os modelos da JAC foram feitos visando o público chinês. Para os modelos que serão produzidos aqui a partir de 2014 a missão será mais fácil, pois estamos trabalhando desde o nascimento deles.
O que faz parte do gosto chinês para cabines que não é aceitável para o consumidor brasileiro?
O brasileiro exige mais. A maioria dos interiores na China usa cores claras, enquanto aqui o consumidor prefere as escuras. A iluminação do painel e o desenho do quadro de instrumentos são quesitos importantes para nós. Na China usa-se laranja, amarelo e a iluminação é intensa, o que para o brasileiro seria, provavelmente, cansativo. O tecido dos bancos é outro aspecto, uma vez que os chineses são menos criteriosos quanto ao conforto e à aparência.
Como anda o processo de mudança para os carros que virão para em breve, como o J2?
O J2 está 80% pronto. Tivemos que fazer adaptações nas cores, no quadro de instrumentos, na iluminação, nos tecidos de bancos, costuras, texturas e acabamento.
Qual o estado de evolução do interior do carros chineses? Eles aprovam as mudanças?
Os chineses aprovam as mudanças tanto que eles já estão usando o interior escuro em alguns modelos. Há várias versões do J3, j6 e J5, por exemplo, que já saem com o “nosso estilo”.
DIEGO ORTIZ
HEFEI, CHINA
FOTOS: JAC/DIVULGAÇÃO
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O novo regime tributário automotivo, que privilegia quem investirá na produção nacional, parece ter animado a Jac Motors, que erguerá uma fábrica na Bahia. A marca mostrou em Hefei, China, sua sede mundial, os novos produtos que levará para o Brasil, que de tão variados parecem até apostas ousadas demais. Um dos veículos é a van de luxo Refine, vendida na China como M2.
O modelo começa a ser vendido no fim de 2013 de olho no transporte de executivos e, principalmente, nas delegações de eventos esportivos que invadirão o País nos próximos anos. O modelo tem motor 2.0 Turbo de 178 cv e lugar para até 8 pessoas.
Antes disso, em setembro, será a vez do Vuc (veículo urbano de carga) T140, baseado na linha HFC. O caminhão, que vai disputar compradores com Kia Bongo e Hyundai H1, tem motor 2.8 turbodiesel de 140 cv. E já chega com o pé na porta, querendo 10% do mercado de 35 mil veículos por ano.
Terceiro produto, a Sunray terá versão para carga e passageiros. O modelo é um clone do Mercedes-Benz Sprinter e chega no segundo semestre do ano que vem por não ter o motor enquadrado ainda na legislação de emissão de poluentes baseada na Euro 5.
A marca mostra na semana que vem, no Salão de Pequim, o J3 reestilizado. O modelo chega ao Brasil em março de 2013, mesmo período em que deve estrear a minivan J6 renovada. Meses depois, em outubro, deve ganhar a versão Sport, cuja principal novidade será o motor 1.5 flexível de cerca de 125 cv. Em seguida o sedã JC, que acaba de ser lançado no Brasil, receberá o mesmo propulsor.
Viagem feita a convite da JAC
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Lançado no Brasil no ano passado, o JAC J3 surgirá reestilizado no Salão de Pequim, na China, que abre as portas ao público no dia 27 de abril. O modelo ganhou mudanças na dianteira e no interior e também em suas dimensões.
Trazido ao País por meio de importação, o carro chinês está 3,5 centímetros mais longo, totalizando 4,2 metros de comprimento. Já o entre-eixos cresceu 10 milímetros e agora é de 2,41 metros.
Conhecido na China como Tongyue, o J3 é vendido atualmente no Brasil nas versões hatch e sedã, com motor 1.4 de 108 cv e câmbio manual de seis marchas. Os preços são de R$ 37.900 e R$ 39.900, respectivamente.
Nícolas Borges
As concessionárias da JAC estão recebendo a minivan J6, que parte de R$ 58.900 e é equipada com motor de 2 litros a gasolina e câmbio manual de cinco marchas. Já o sedã médio, previsto para outubro, teve o lançamento adiado para março do ano que vem.
O três-volumes está passando por mais testes de adaptação. Segundo fonte ligada à montadora, o modelo vendido na China tem a suspensão molenga demais, algo comum em carros chineses.
Em relação ao monovolume, o preço inicial é para a versão de cinco lugares. Com os dois bancos extras no porta-malas, o valor sobe para R$ 59.800.
LUÍS FELIPE FIGUEIREDO
Na semana em que a Chery iniciou as obras de sua fábrica no País – será a primeira chinesa a produzir automóveis no Brasil –, fomos conferir como estão no mercado os veículos feitos no país asiático. Os mais vendidos são os JAC J3 e sua variante sedã, J3 Turin. Juntos eles somam 8.557 unidades, conforme a Fenabrave, federação que reúne as associações de revendas.
Esse número os coloca à frente de modelos como o Nissan Tiida e o Kia Picanto. Mas ainda estão longe de representar uma ameaça a outras marcas. “Essas 8 mil unidades poderiam estar pulverizadas entre as outras fabricantes. Mas não chega a surpreender”, afirma o consultor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa.
O resultado também complica as chances de a JAC atingir a anunciada meta de 30 mil vendas até o fim do ano. Mesmo com o reforço da J6, que estará à venda no início de agosto, serão quase 3.600 unidades a registrar por mês no segundo semestre.
Da Chery, o pequenino QQ, antes detentor do título de “carro mais barato do País”, agora parte de R$ 23.990 (R$ 1 mil de acréscimo, o mesmo valor do frete, que deve ser somado). Ficou mais caro que o Fiat Mille Economy (R$ 23.490) e o também chinês Effa M100, que assumiu o posto de mais em conta: parte de R$ 23.480.
E por falar em preços, apesar de os das marcas chinesas serem baixos, elas não oferecem descontos nas concessionárias – prática comum entre as montadoras que produzem aqui.
São poucos os chineses que têm espera. O QQ pode demorar até 60 dias para chegar e o Lifan 320, 20 dias. “É normal após o lançamento e vai se normalizar”, diz Garbossa.
Fatores como a o fim da liberação automática para modelos importados também podem causar essas filas.