LUÍS FELIPE FIGUEIREDO
Salta (Argentina) – Causou polêmica o anúncio, no início de maio, da aposentadoria de Marcos de Oliveira, então presidente da Ford do Brasil, após 28 anos na companhia. O executivo foi sucedido pelo economista Steven Armstrong, que assumiu o posto no início do mês passado. O inglês iniciou sua carreira no grupo em 1987 e passou por diversas empresas, como a Jaguar e a Volvo, vendidas em 2010. Antes de vir ao Brasil, ele era diretor de operações da Getrag, divisão de transmissões da Ford, na Alemanha. A entrevista a seguir foi concedida no primeiro evento de Armstrong em seu novo cargo – o lançamento da nova geração da Ranger.
O senhor acaba de assumir a presidência da Ford no Brasil. Já se ambientou? Quais foram suas primeiras impressões sobre o mercado brasileiro?
É algo bem diferente daquilo com que eu estava acostumado. O mercado brasileiro é muito dinâmico e complexo. Ainda estou me ambientando. É um novo desafio, e isso é bom. Me impressionou a capacidade de adaptação da equipe da Ford às adversidades.
A Ford ocupa a quarta posição no ranking de vendas no País, com a concorrência acirrando a disputa. Isso o preocupa?
Nesse aspecto a competição é semelhante à da Fórmula 1. Se ficarmos olhando o tempo todo para o espelho retrovisor, preocupados com quem vem atrás, não olhamos para a frente e deixamos de andar rápido. A concorrência faz o papel dela. Mais importante do que nos preocupar é fazer bem o nosso trabalho.
O senhor gosta de Fórmula 1, acompanha o campeonato?
Sim. Ainda mais agora, com dois britânicos, Lewis Hamilton e Paul Di Resta, fazendo bonito (risos). Também gosto muito do mundial de motovelocidade.
Seu perfil como executivo é mais de entusiasta, portanto…
Sou apaixonado por carros. Não conseguiria ver meu trabalho da mesma forma se trabalhasse numa fábrica de geladeiras ou máquinas de lavar. Comprei há algum tempo um Aston Martin DB9 usado e adoro o som do motor dele. É meu café da manhã…
Sendo um entusiasta, qual é a sua opinião sobre o “fim” das fabricantes inglesas (Mini, Land Rover e Jaguar foram vendidas a grupos estrangeiros e a Aston Martin, dirigida pelo britânico David Richards com financiamento externo)?
Do ponto de vista administrativo, o que importa é que elas continuem operando. Isso é melhor do que se tivessem fechado, como ocorreu com outras empresas. E os novos donos respeitam a identidade das marcas, sem fazer bobagens. Mas, como inglês, confesso que gostaria que elas continuassem “nossas”.
O que o senhor pensa sobre os carros elétricos?
Acho que é uma das soluções viáveis para o futuro, especialmente para centros urbanos. Mas, como se diz por aí, não se pode colocar todos os ovos numa só cesta. Há outras possibilidades também, mais adequadas a determinados mercados. Aqui, por exemplo, há o etanol – que também é encontrado na Suécia, onde estive, mas de outra forma e a outro custo. Os motores a combustão interna, em especial os de ciclo Otto, ainda podem evoluir bastante. Um bom exemplo disso é a linha Ecoboost, da Ford.
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