BELISA FRANGIONE
O primeiro Salão Internacional de Veículos Antigos (SIVA), em 2011, recebeu cerca de 21 mil visitantes. Para a edição deste ano, que ocorrerá entre os dias 22 e 25 de novembro, no Anhembi, zona norte, são esperadas mais de 30 mil pessoas, algumas atraídas à cidade pelo Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no mesmo fim de semana. O objetivo do evento, segundo o presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), Henrique Thielmann, é preservar a memória do setor e fazer com que mais montadoras voltem as atenções também para os modelos clássicos.
JORNAL DO CARRO – Quais são perspectivas para o salão deste ano?
Primeiramente, poder contar com a presença de todos os clubes federados e mesmo de alguns que não fazem parte da federação. Nosso propósito é mostrar que no Brasil há belíssimos carros preservados, que precisam ser mostrados em eventos de grande visibilidade, como esse. Como no mesmo período ocorre o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, pretendemos atrair mais pessoas, que poderão conhecer esses veículos e as histórias que estão por trás de cada um deles.
JC – Haverá novidades no leilão?
Por ora, o que sabemos é que o evento será no Shopping Iguatemi. Os detalhes serão divulgados em breve.
JC – Como o senhor vê a ‘mania’ de alguns colecionadores de comparar os encontros de Araxá (MG) e Lindoia (SP)?
São eventos e conceitos diferentes. Os dois têm grande importância. Essa comparação absurda precisa parar e isso só vai acontecer quando as pessoas se propuserem a conhecer as características de cada encontro.
JC – Como está o mercado de automóveis antigos?
Na minha visão, está bom. A importação de clássicos vem ocorrendo de forma constante. Mas, claro, nem há comparação com o número de carros novos que têm chegado ao Brasil.
JC – O senhor tem afirmado que algumas montadoras parecem se esquecer do passado…
É verdade. Elas só se lembram quando um modelo de destaque faz “aniversário”. Algumas montadoras precisam dar mais valor aos seus antigos e entender que atrás de um colecionador há o proprietário de um carro novo que pode escolher seu próximo automóvel de uma marca que valorize e invista na preservação da memória de seus clássicos.
THIAGO LASCO
O designer norte-americano Chip Foose é uma espécie de lenda viva no mundo da personalização automotiva. Ele ganhou fama com o programa de TV Overhaulin’, em que surrupia carros antigos em mau estado, sem que os donos saibam, e os devolve totalmente reformados.
Foose esteve em São Paulo para participar de uma feira de tintas e falou sobre o desenho dos carros brasileiros, cores, tuning e a volta do programa depois de quatro anos. No Brasil, a reestreia será no dia 25 de outubro, pelo Discovery Channel.
O que você acha do desenho dos carros brasileiros? O que mudaria neles, se pudesse?
Gosto de todos os carros. Escolho a minha mulher, mas boto a mão em todos os carros que puder (risos). Há muita gente talentosa no Brasil, que sabe o que faz. Não sei o que mudaria, mas sempre tento entender a intenção original de quando o carro foi desenhado. Se a ideia foi criar algo funcional, vou tentar deixar o desenho mais limpo.
No Brasil, o filme Velozes e Furiosos (2001) provocou uma onda de transformações em carros. A moda durou alguns anos e o assunto se reduziu a nichos específicos. O que fazer para recuperar o interesse pelo tema?
Não sei, talvez um outro filme? (risos) Foi a mesma coisa com o filme 60 Segundos e o Mustang. O interesse pelo carro disparou, o filme influenciou a procura por um design estiloso e atemporal. Mas agora não precisamos esperar os filmes de Hollywood. Temos o Overhaulin‘ para inspirar as pessoas.
A recessão afetou seu trabalho?
Sim. Foi por isso que tivemos de interromper as filmagens do Overhaulin’. Quando a recessão chegou aos EUA, as indústrias que mais sentiram o baque foram a automobilística e a bancária, nossas duas maiores anunciantes.
Você tem uma cor favorita? Que fatores leva em conta antes de fazer cada transformação?
Aquele não é o meu sonho, mas o do dono do carro. No Overhaulin’, eu me reúno com pessoas que conheçam bem o dono e pergunto um monte de coisas, algumas estranhas, como a cor da roupa de cama ou da bicicleta dele. Se ele tem muitas camisas azuis, deve gostar de azul. Tento descobrir sua cor preferida, sem falar com ele. Se eu fizer algo e ele não curtir, não vai funcionar.
A lei brasileira é muito restritiva em relação a alterações nos carros. Por falta de conhecimento técnico, ela proíbe até mesmo a instalação de faróis de xenônio. Como contornar o problema?
Nos EUA temos uma associação, a SEMA, que atua junto ao governo e descobre com antecedência as mudanças na lei que estão sendo planejadas. Quando surge algo que pode prejudicar nossa indústria, a SEMA vai a Washington fazer pressão e educar o governo, explicando por quê essas mudanças serão ruins e afetarão o emprego de milhares de pessoas. Não sei se vocês têm algo parecido aqui. (No Brasil, a Associação Brasileira de Acessórios Automotivos, que tem a mesma finalidade, começou suas atividades em julho deste ano).
O que faz o tuning sobreviver? Em que países ele ainda está bombando?
Quando a economia está forte, o tuning deslancha. Quando não vai bem, a coisa cai um pouco. Cada país tem suas particularidades. Na Suécia, o interesse por hot rods e carros antigos restaurados é ainda maior que nos EUA, a ponto de uma feira anual atrair público correspondente a 1% da população do país inteiro. Eu jamais conseguiria imaginar 1% da população dos EUA prestigiando um evento.
Você pode adiantar quais carros já filmou para a nova temporada de Overhaulin‘?
Um Impala 1965, uma picape Chevy 1954 e um Camaro 1967. Mas talvez não sejam exibidos nessa ordem. Agora estamos trabalhando em um Fusca 1965 e há um Lotus Europa 1972 na fila.
DIEGO ORTIZ
O mercado brasileiro não está fácil para os importadores. Mas há um segmento que acabou sendo menos afetado, o de carros de luxo, cujo aumento de 10% no preço não chega a fazer o consumidor desistir da compra. Presidente da Audi do Brasil, Leandro Radomile, falou ao JC sobre o futuro da empresa no País.
(Confira a fan page do Jornal do Carro no Facebook: http://www.facebook.com/JornaldoCarro)
Como está sendo substituir o Paulo Kakinoff (que foi para a Gol Linhas Aéreas) na presidência da Audi do Brasil?
Não é fácil. O Kaki (apelido do executivo que deixou o cargo) é uma figura carismática, além de um profundo conhecedor da indústria automobilística. Mas tive a oportunidade de trabalhar com ele durante três anos. Tenho sete anos de Audi, então a minha tarefa está sendo até mais fácil do que a dele (risos).
E aumento do IPI para importados, afetou muito o segmento de veículos de luxo?
O mercado está bem difícil. Tem o IPI, o dólar acima de R$ 2,00… Tudo isso pressiona muito o importador. É um mercado adverso, já que ao mesmo tempo em que os segmentos de grande volume foram incentivados com a redução do IPI, o de luxo foi estrangulado. Tanto que a queda de vendas em relação ao ano passado é de 40%.
Qual é a saída para isso?
Continuar trabalhando com paciência. Apesar do panorama desfavorável, a Audi está crescendo e vemos fechar o ano acima de 6 mil unidades e com crescimento entre 10% e 12%. Ou seja, vamos crescer mais que o mercado, o que é um bom sinal. Adotamos uma estratégia correta de preencher nichos inexistentes para nós. Com isso, esperamos conquistar a liderança do segmento de luxo até 2015. Hoje estamos cabeça a cabeça com a Mercedes (a BMW lidera).
Então a Audi tem boas perspectivas para 2013?
É complicado planejar 2013. Mas vamos trazer um volume de carros ainda maior que neste ano e teremos algumas vantagens competitivas. O (jipe compacto) Q3, que é um modelo de muito sucesso no Brasil, terá um ano inteiro de comercialização. O mesmo ocorrerá com o A1 Sport e o A1 Sportback, que chega em setembro. Esse crescimento na oferta de portfólio dará resultado mesmo no ano que vem. Por isso o nosso otimismo.
O que podemos esperar da Audi para o Salão do Automóvel?
Teremos um dos estandes mais bonitos e vamos focar em esportividade. Caprichamos bastante e conseguimos crescer um pouco a área de exposição em relação aos anos anteriores. Devemos expor entre 16 e 17 carros no Salão. E vai ter carro novo. Não posso adiantar qual, mas os visitantes vão gostar.
Nota da redação: entre as possibilidades que a marca trará ao Salão estão a RS4 Avant e o S8.
TEXTO: TIÃO OLIVEIRA
FOTO: DIVULGAÇÃO
À frente da filial brasileira da Citroën desde novembro do ano passado, Francesco Abbruzzesi diz que dirigir uma empresa no País é um tremendo desafio. Ele tem razão. Antes de ocupar esse cargo, o engenheiro italiano passou pela Fiat, em Betim (MG), de 1999 a 2000, e pela Fiat Auto, na Europa. O lançamento do DS3, o primeiro da marca francesa durante sua gestão, ocorreu em 21 de maio, dia em que o governo mudou as regras do IPI de veículos para estimular o consumo.
As mudanças de regras no Brasil, como as do IPI, assustam?
Não exatamente. São um tremendo desafio. Em menos de seis meses há mais mudanças no Brasil do que na Europa em um ano inteiro. Isso é muito excitante.
O sr. foi pego de surpresa?
Antes da divulgação do novo imposto, o DS3 teria de ser vendido por cerca de R$ 90 mil. Foi possível baixar o valor para R$ 79.900. Para nós a notícia é ótima.
Quantos DS3 a Citroën pretende vender por mês?
A expectativa é emplacar cerca de 250 carros mensalmente.
Não é um tanto otimista?
Estamos falando de um carro de nicho. Mas, apenas como comparação, o (Hyundai) Veloster emplacou cerca de 400 unidades mensais no lançamento.
Mas a Hyundai fez uma forte campanha publicitária instigando o consumidor antes de o Veloster chegar…
É verdade. De qualquer modo, temos uma rede de concessionárias bem estruturada, que sabe vender esse tipo de carro. Nossa meta não é inatingível.
O restante da linha (DS4 e DS5) virá neste ano?
Estamos trabalhando para isso. Pretendo trazer os carros para o Salão do Automóvel (em outubro). E não quero mostrar produtos que não poderei vender.
Quando a C4 Picasso (que vem da Espanha) passará a ser feita na Argentina?
Não há planos nesse sentido. C4 Picasso e Grand C4 Picasso continuarão vindo da Europa.
Já a nova geração do C3 fluminense está no forno…
Está pronto. Não posso dar detalhes, mas se trata de um carro muito importante para nós.
LUÍS FELIPE FIGUEIREDO
Campos do Jordão (SP) – O franco-suíço Frédéric Drouin assumiu em janeiro o cargo de diretor geral da Peugeot do Brasil e América Latina. Antes, o economista de 46 anos já havia dirigido a área de marketing da empresa no País, entre 1997 e 2000, e exercido posições no banco da companhia e na direção comercial para a América Latina.
(Confira a fan page do Jornal do Carro no Facebook: http://www.facebook.com/JornaldoCarro)
Em seu novo cargo, lançou o hatch 308, no início do ano, e agora o 508. Na entrevista abaixo, concedida durante a apresentação do último, Drouin fala sobre o novo sedã, o hatch 208 e os híbridos da Peugeot.
A Peugeot é uma marca de veículos “de entrada” ou de luxo?
É generalista. Temos uma história de 200 anos atuando em diversos segmentos. Nosso objetivo é atender aos anseios do cliente.
Vale a pena trazer ao País um veículo como o 508, para o qual a expectativa de vendas é tão modesta (são esperadas de 30 a 40 unidades por mês)?
O volume não é tão importante, mas sim dar orgulho a quem comprar um 207 ou um 308. Esses clientes saberão o que a marca é capaz de fazer.
A intenção é competir com modelos como o Hyundai Azera e o Kia Cadenza, que têm motores V6 com mais de 200 cv. O 508 tem 165 cv. Como vocês pretendem convencer esses clientes de que ele é melhor?
Esse consumidor é o mesmo que compra carros como o Mercedes-Benz Classe C ou o BMW Série 3, que também têm motores quatro-cilindros. Nosso apelo é para tecnologia, modernidade, baixo consumo e muitos equipamentos.
A Peugeot mostrará no Salão do Automóvel, em outubro, o novo 208, que começa a vender no ano que vem. Algumas publicações divulgaram que o preço deverá ficar em torno de R$ 50 mil. Está correto?
Esse segmento é de muita movimentação, por isso não podemos adiantar nada agora. Há também a questão do IPI, que pode ser ampliada. Mas garanto que haverá surpresas.
Os híbridos (que têm motores a combustão e elétrico) da Peugeot são movidos a diesel, que tem restrições no País para carros de passeio. Isso atrapalha planos para trazer esses produtos ao Brasil?
Acredito que essa restrição vá passar. Com o pré-sal a produção deve ser ampliada, o que eliminará essas limitações. Aí nossos híbridos serão viáveis também aqui.
Viagem a convite da Peugeot