A Renault investirá cerca de US$ 93 milhões em sua fábrica na Argentina para a produção de um novo modelo. Embora a fabricante não tenha revelado detalhes, trata-se do sucessor da segunda geração do Clio.
“Decidimos fazer um novo veículo que irá competir no segmento de entrada, que terá alto volume de produção”, disse o diretor-geral da empresa na Argentina, Dominique Maciet. De acordo com ele, a atualização da fábrica de Córdoba ocorrerá entre julho deste ano e setembro de 2012.
Quando o processo estiver concluído, a planta poderá produzir 148 mil unidades por ano. Além do Clio 2, atualmente são feitos na Argentina os sedãs Symbol (compacto) e Fluence (médio) e o furgovan Kangoo.
MILENE RIOS
Peugeot e Renault mexeram quase simultaneamente em seus hatches 207 e Sandero. A receita utilizada na linha 2012 dos carros-chefes das marcas foi a mesma: um “tapa” no visual, melhorias no acabamento, mais equipamentos e preços reduzidos.
Pontos altos do Sandero “antigo”, o espaço e a boa relação custo-benefício tiveram papel decisivo neste duelo de versões com motor 1.6. A Privilège, topo de linha do Renault, sai a R$ 40.400, ante os R$ 45.500 cobrados pela configuração XS do Peugeot.
Parte dessa diferença de tabelas se explica pelos air bags frontais e freios ABS, que são de série no 207. No Sandero, esses itens estão em conjunto opcional que custa R$ 2.500.
O aprimoramento na cabine, que era simples demais, também somou pontos ao Renault. Foram incorporados acabamento cromado no painel de instrumentos, novos tecidos nos assentos e portas e um sistema de som de melhor qualidade. Esse item também é novo no 207.
Mas é ao volante que os hatches compactos mais se distanciam. O acerto da suspensão do Renault fabricado no Paraná é macio e privilegia o conforto na cidade, enquanto o conjunto do Peugeot é mais sensível às irregularidades do piso. Jogam a favor do 207 os engates do câmbio, mais precisos que os do rival.
Na hora de acelerar, o motor do Sandero, que tem até 18 cv a menos, mas utiliza cabeçote de 8 válvulas, mostra a mesma disposição do 1.6 da Peugeot, que é 16V e rende até 113 cv.
O Ford Ka passou pela terceira reestilização no País. Lançado aqui em 1997, o hatch teve o visual totalmente atualizado no início de 2008. O “novo” compacto chega às autorizadas em agosto como parte da linha 2012 e traz mudanças sutis – as principais foram feitas na dianteira.
A frente ficou parecida com a do Fiesta brasileiro. A dianteira está mais imponente, com uma grande entrada de ar integrada ao para-choque. Atrás, a principal mudança foi feita nas lanternas, que têm novas molduras internas e cobertura das lentes na cor cinza.
Na cabine, a novidade é que a iluminação do painel, que era verde, agora é branca. Os instrumentos também têm novo grafismo.
Os motores não mudaram. São duas opções, ambas flexíveis: 1.0, que gera até 73 cv de potência, e 1.6 de até 107 cv (com etanol).
A versão com motor de 1,6 litro passa a se chamar Sport. Com visual “apimentado”, ela traz pneus 195/55 calçados em rodas de 15 polegadas, além de faixas decorativas na carroceria. Por dentro há volante e bancos com padrão de revestimento mais esportivo.
Ainda não há informações sobre preços, mas a tabela da versão 1.0, a partir de R$ 25.240, deve ser mantida. A 1.6, que atualmente parte de R$ 34.100, ficará mais cara (entre R$ 35 mil e R$ 36 mil). Já a carroceria de quatro portas, esperada desde 2008, ainda não tem data para chegar.
Mercado
Com 26.981 emplacamentos de janeiro a maio deste ano, o Ka é o quinto colocado em vendas entre os hatches de entrada. O líder VW Gol somou 117.825 unidades vendidas no mesmo período. Os dados são da Fenabrave.
SILVANA MAUTONE
Os custos da cadeia automotiva no Brasil chegam a ser 60% superiores aos de outros países. A informação é do presidente da Anfavea, a associação das montadoras, Cledorvino Belini. O executivo apresentou ontem um estudo de competitividade e política industrial para o setor, que foi feito a pedido da entidade e entregue ao governo há duas semanas.
Se na China o custo na indústria é de US$ 100, no Brasil é de US$ 160, no México, de US$ 120 e na Índia, de US$ 105. Segundo Belini, os valores incluem mão de obra, que aqui é de 5,3 euros por hora. No México, esse custo é de 2,6 euros e na Índia, de 1,2 euro.
“Além disso, somos afetados por fatores externos, como o câmbio”, disse Belini. “Enquanto o dólar se desvalorizou frente ao real, na comparação com as moedas mexicana e coreana, a americana se valorizou, o que beneficia a exportação desses países.”
O presidente da Anfavea disse que o estudo foi bem aceito pelos representantes do governo. “É um diagnóstico do setor. Não pedimos nada desta vez.”
O executivo afirmou que, com a nova política industrial do governo, que deve ser apresentada no mês que vem, o setor automotivo brasileiro pode reverter seu déficit comercial até 2016.
“Mas sem inovações, isso não será possível “, acrescentou. De acordo com Belini, se não houver investimentos nessa área, o Brasil continuará importando – e cada vez mais.
RAFAELA BORGES
À primeira vista, ele pode parecer quase o mesmo. Mas basta colocar a nova geração do X3, recém-lançada no Brasil, ao lado de seu antecessor para que o modelo anterior pareça coisa do século passado. E olha que o jipe chegou ao País em 2004.
A R$ 273.050, o X3 cresceu e traz visual mais imponente e contemporâneo. Nesta segunda geração, a versão à venda no País, 35i (leia mais na página 4), traz motor 3.0 de seis cilindros em linha e 306 cv. São 75 cv a mais que no “antigo”, que tinha o mesmo número de cilindros e cilindrada.
O câmbio evoluiu mais. O automático de seis marchas foi substituído por um de oito velocidades, batizado de Steptronic. Esse trem de força deu ao utilitário alemão um caráter bem esportivo, apesar de sua altura elevada.
O modelo cumpre com empolgante rapidez a tarefa de retomar velocidade, principalmente quando o motorista aciona o botão Sport no console central. As trocas de marcha são feitas em alta rotação e o motor grita enquanto os outros veículos vão ficando para trás.
O X3 vai de 0 a 100 km/h em 5,7 segundos, conforme dados da BMW. É pouco para um modelo de quase 1.900 kg. Como comparação, ele é só cinco milésimos de segundo mais lento que o pequeno cupê esportivo Z4, que traz o mesmo motor.
Mas não é só na hora de acelerar que o jipe revela que tem pegada. No modo Sport, as respostas da direção e do sistema de amortecimento mudam, dando mais firmeza ao utilitário.
Se o motorista quiser ainda mais pimenta, pode acionar o Sport+. Neste caso, o controle eletrônico de estabilidade é desligado, mas o X3 não fica totalmente na mão do condutor. O sistema de tração permanente xDrive, que divide o torque entre os eixos conforme a demanda, continua ajudando a dar aderência às rodas.
Como o dia a dia não é uma competição, o X3 tem a opção de condução Normal – também acionada no console central. Nessa configuração, o câmbio não estica tanto as marchas, o que reduz a “violência” do carro, mas contribui para o silêncio e o consumo de combustível. Os amortecedores imprimem mais conforto ao rodar e o X3 parece deslizar sobre trilhos ao trafegar em pisos com pouca ondulação.