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João Luiz Sampaio

Enquanto esperamos advogados, músicos e diretores chegarem a um desejado acordo final no caso OSB, posto aqui o que está em jogo nesse momento, ou seja, a proposta da Fundação Sinfônica Brasileira e a contraproposta dos músicos demitidos. Em tempo: Lorin Maazel já está no Rio.

Proposta da fundação OSB
1 – Todos os 33 músicos serão reintegrados imediatamente à FOSB, através de um novo corpo artístico que será criado pela Fundação, sem a regência do maestro Roberto Minczuk, sem a necessidade de avaliações de desempenho e mantendo o mesmo regimento interno e piso salarial originais. A Instituição também cuidará de realizar o pagamento dos salários retroativos referentes a todo o período de negociações, descontando apenas um mês de suspensão. Os músicos deste grupo não necessitam ter dedicação exclusiva à OSB, podendo participar de outras atividades e orquestras, desde que cumpram o número de funções estabelecidas pelo Regimento Interno.
2 – Todas as demissões por justa causa serão revertidas em demissões sem justa causa, com o recebimento das indenizações cabíveis, para os músicos que optarem por não retornar à Fundação OSB.
3 – Reintegração de 12 músicos pré-selecionados pela direção artística em conjunto com a Comissão de Músicos da OSB, levando em consideração as necessidades atuais da orquestra. Este retorno ao corpo orquestral se dará mediante a adesão ao novo regimento interno e a realização de avaliações de desempenho em formato de música de câmara. Todos os demais poderão escolher entre as duas primeiras opções.

Contraproposta dos músicos
1 – Reintegração imediata dos 33 músicos demitidos, com reversão da justa causa, sem a regência do maestro Roberto Minczuk, sem avaliação de desempenho e mantendo o mesmo regimento original;
2 – Os sete músicos veteranos, atualmente afastados das atividades artísticas, poderão optar por qual dos conjuntos orquestrais irão atuar;
3 – A musicista Larissa Coutrim, já oficialmente reintegrada, igualmente teria a possibilidade de optar por uma das orquestras da FOSB;
4 – Manutenção das mesmas condições contratuais anteriores: gratificações por função (spalla, concertino, etc), anuênios, plano de saúde e turno de trabalho;
5 – Garantia das condições de trabalho indispensáveis à manutenção e funcionamento do novo corpo orquestral, bem como o aporte de recursos humanos e financeiros para a captação e desenvolvimento de projetos, de maneira isonômica as duas orquestras;
6 – Diretor artístico específico, eleito pelos músicos do novo corpo orquestral;
7 – Estabilidade no emprego até o ano de 2016;
8 – Incorporar ao salário o valor de R$ 2.166,00 (dois mil cento e sessenta e seis reais), que tem sido pago a título de cessão de direitos desde 2009;
9 – Participação de ao menos um membro do novo corpo orquestral no Conselho Fiscal da FOSB, eleito pelos músicos do referido conjunto;
10 – O pagamento dos valores retroativos será integralizado, no máximo até dezembro de 2011, levando em conta a anulação de todas as penalidades;
11 – No caso do músico optar por não retornar aos quadros da OSB, deverá ter a justa causa revertida, com o consequente pagamento da indenização cabível e ainda com a manutenção por mais 01(um) ano de plano de saúde.

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Maria e Antonio. A magia do encontro talvez esteja na sua eterna improbabilidade. Tempo e espaço se articulam ao sabor do acaso e, de repente, estão os dois sobre o palco, com Beethoven e Bach. O que cada um trouxe ao mundo, a gente encontra na partitura; o que cada um trouxe a esta música, a experiência nos relembra e ensina. Mas que tudo isso faça sentido no espaço de um recital é um mistério que convém não desvendar. O que importa afinal é a reinvenção do sabor do mundo, num jogo de gestos, sons, olhares. Em um mundo de cinismo, que a arte interrompa as palavras é um alento.

Despedida. Roberto Minczuk despediu-se ontem do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Em forma de homenagem, recebeu os agradecimentos daqueles que agora comandam o festival, encerrando simbolicamente sua gestão à frente do evento. Há um senso de justiça, ainda que o ocaso traga sempre um sabor amargo. Mas se novos caminhos estão sendo trilhados, não se pode esquecer que portas foram abertas nos últimos anos, dando vida a um festival que já não encontrava personalidade. E, da mesma forma, que a programação, após uma semana, já esboça desafios e conquistas.

Novo. Recitais e concertos, propondo diálogos entre épocas, estilos e gêneros, têm sido estimulantes. Mais do que certezas sobre o que há de novo na construção de sentidos musicais, o que se tem até agora são esboços de uma busca da contemporaneidade. O diálogo com o passado não é apenas negação ou reinvenção – e, em uma conversa, vale muito aquilo que não é dito. Acerta quem aceita que não cabem maniqueísmos na construção da arte, quem aposta nas entrelinhas da criação, na ânsia pelo novo – e nas contradições que ela encerra.

Espera. Daqui a pouco, Nelson Freire volta ao palco do Auditório Claudio Santoro. Brahms, Concerto nº 2. A expectativa devolve as melodias à cabeça. E a gente já sonha com mais mistérios e surpresas, ainda à luz do dia.

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