A Deutsche Grammophon anunciou hoje a contratação do maestro canadense Yannick Nézet-Séguin, atual diretor da Filarmônica de Roterdã e da Orquestra de Filadélfia (leia aqui o press release, via Slipped Disc). Mais espantoso do que, em um mercado fraturado, selos e maestros continuarem a apostar em contratos como esses, são os planos para os próximos anos: gravações em disco das “sete óperas maduras” de Mozart. Eles vão começar com “Don Giovanni”, gravado ao vivo com a Mahler Chamber Orchestra e um elenco de estrelas (Ildebrando D’Arcangelo como o don, Joyce Di Donato como Elvira, Diana Damrau como Donna Anna e Rolando Villazón no papel Don Ottavio). Na sequência, serão lançados “Cosi Fan Tutte”, “Idomeneo”, “Die Entführung aus dem Serail”, “Le Nozze di Figaro”, “La Clemenza di Tito” e “Die Zauberflöte”. Ao que parece, serão todas gravações ao vivo. O material de imprensa vai longe – e compara o projeto às gravações de Karl Böhm nos anos 60 e 70. Entrevistei Nézet-Séguin em 2010, durante o Festival de Salzburgo. Quando lhe perguntei sobre a situação da ópera mundo afora, ele respondeu, talvez não por acaso: “Não sou tão pessimista como muitos de meus colegas. Especialmente no que diz respeito à ópera, ela nunca esteve tão bem, com público e mídia reagindo sempre. Claro, há a questão do dinheiro, da estrutura de trabalho. Não é um problema pequeno, mas é só a ponta do iceberg. Na ópera, há sempre novas montagens, novos cantores, e isso renova o interesse. Mas, e em uma orquestra? Uma sinfônica toca o mesmo repertório, para a mesma plateia, no mesmo palco, com a mesma cara. Com o tempo, tudo se congelou. Uma orquestra é tratada como uma estação de trem, um ponto de ônibus, é algo que simplesmente está lá. Não está mais viva. Esse é o problema principal e apenas agora estamos começando a lidar com ele. Estamos sempre falando em atrair novos públicos, mas a questão não é para quem e, sim, para que. É um desafio enorme e não tenho respostas prontas. Mas é bom que a gente comece a se perguntar ao menos.”
Na “New Yorker”, perfil saboroso da soprano Marina Poplavskaya, por Gay Talese… Norman Lebrecht, com seu humor peculiar, abre o ano comentando uma entrevista do maestro alemão Christian Tielemann na qual ele diz ter vontade de trabalhar com Madonna – e, mais do que isso, conhecê-la melhor também fora dos palcos… No “New York Times”, John Rockwell fala das caixas de DVD e CD que estão sendo lançadas para comemorar os 40 anos de James Levine no Metropolitan Opera House de Nova York…Na revista “Concerto”, Leonardo Martinelli comenta o lançamento de “A Nona Sinfonia e Seu Duplo”, em que Daniel Bento faz análise comparativa da Nona Sinfonia e da Sonata Hammerklavier, e de disco dos Solistas de Paulínia com versão para piano e cordas da Sinfonia Eroica… Irineu Franco Perpétuo relembra o compositor Almeida Prado, morto no início de dezembro… e Camila Frésca faz balanço esclarecido do ano que se encerra, com saldo positivo para os clássicos… Da França, a notícia da morte do barítono francês Ernest Blanc.
Detalhe de “At The Opera”, de Mary Cassatt, via OutraMúsica.
2013
2012
2011
2010
2009