O pianista Evgeni Kissin, que precisou cancelar seus recitais no Brasil em junho por conta da morte de seu pai, não virá mais ao País no segundo semestre. Por problemas de data, sua turnê latino-americana foi cancelada. Em seu lugar, a pianista Maria João Pires fará concerto de câmara ao lado de músicos da Osesp. Abaixo, o comunicado oficial da Sociedade de Cultura Artística.
COMUNICADO À IMPRENSA
TEMPORADA 2012
A Cultura Artística informa o cancelamento definitivo da turnê sul-americana do pianista Evgeny Kissin. Seus dois concertos pela Temporada 2012 estavam inicialmente programados para junho, mas não ocorreram devido ao falecimento de seu pai, dias antes. Diante da impossibilidade em reagendar as apresentações de Kissin para o segundo semestre de 2012, a Cultura Artística negocia datas para uma das próximas temporadas. Os recitais de Kissin serão substituídos por dois concertos da pianista Maria João Pires, que acontecerão na Sala São Paulo nos dias 14 e 16 de outubro, às 21h. Acompanhada pelos solistas Emmanuele Baldini (violino), Horacio Schaefer (viola), Johannes Gramsch (violoncelo) e Ana Valeria Poles (contrabaixo), ela executará o quinteto “A Truta” e improvisações de Schubert. IMPORTANTE: Os ingressos para os concertos de Evgeny Kissin não serão válidos para os novos espetáculos e deverão ser TROCADOS por novos ingressos. Assinantes da Cultura Artística devem entrar em contato pelo telefone (11) 3258-3344, enquanto o público em geral deve contatar a Ingresso Rápido, pelo telefone 4003-1212.
Maria e Antonio. A magia do encontro talvez esteja na sua eterna improbabilidade. Tempo e espaço se articulam ao sabor do acaso e, de repente, estão os dois sobre o palco, com Beethoven e Bach. O que cada um trouxe ao mundo, a gente encontra na partitura; o que cada um trouxe a esta música, a experiência nos relembra e ensina. Mas que tudo isso faça sentido no espaço de um recital é um mistério que convém não desvendar. O que importa afinal é a reinvenção do sabor do mundo, num jogo de gestos, sons, olhares. Em um mundo de cinismo, que a arte interrompa as palavras é um alento.
Despedida. Roberto Minczuk despediu-se ontem do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Em forma de homenagem, recebeu os agradecimentos daqueles que agora comandam o festival, encerrando simbolicamente sua gestão à frente do evento. Há um senso de justiça, ainda que o ocaso traga sempre um sabor amargo. Mas se novos caminhos estão sendo trilhados, não se pode esquecer que portas foram abertas nos últimos anos, dando vida a um festival que já não encontrava personalidade. E, da mesma forma, que a programação, após uma semana, já esboça desafios e conquistas.
Novo. Recitais e concertos, propondo diálogos entre épocas, estilos e gêneros, têm sido estimulantes. Mais do que certezas sobre o que há de novo na construção de sentidos musicais, o que se tem até agora são esboços de uma busca da contemporaneidade. O diálogo com o passado não é apenas negação ou reinvenção – e, em uma conversa, vale muito aquilo que não é dito. Acerta quem aceita que não cabem maniqueísmos na construção da arte, quem aposta nas entrelinhas da criação, na ânsia pelo novo – e nas contradições que ela encerra.
Espera. Daqui a pouco, Nelson Freire volta ao palco do Auditório Claudio Santoro. Brahms, Concerto nº 2. A expectativa devolve as melodias à cabeça. E a gente já sonha com mais mistérios e surpresas, ainda à luz do dia.
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