São cerca de quarenta gravações, trinta milhões de CDs e DVDs vendidos e turnês que já o levaram, com sua orquestra, a cerca de 30 países. Os números em torno do violinista holandês André Rieu são hiperbólicos. Ele faz hoje o primeiro dos 24 shows programados para o Ginásio do Ibirapuera. Chega ao País com sua mistura de sucesso: valsas vienenses, trilhas de filmes e trechos de obras famosas, entoadas por sua orquestra e por um time de cantores, todos comandados por ele e seu Stradivarius de 1764. No domingo, para divulgar a turnê, foi ao programa do Faustão. E tocou “Ai Se Eu Te Pego”, hit de Michel Teló. Pelos números e pela descontração com que lida com o repertório, é vendido como o “popstar da música clássica”. E, na lógica de seus fãs mais ardorosos, isso faz dele um símbolo do processo de popularização do gênero.
Tal raciocínio tem sido repetido à exaustão desde que foi anunciada a vinda de Rieu ao Brasil. Mas alguém poderia me explicar para que serve um “popstar da música clássica”? Ele forma público? Tenho minhas dúvidas. Primeiro, porque os ingressos para ver André Rieu são mais caros do que qualquer concerto ou ópera realizado na cidade – podem chegar a R$ 600. Depois, a experiência mostra que esse tipo de espetáculo cria público apenas para si próprio. É um excelente negócio: agrada porque assume a suposta e preconceituosa aura de sofisticação acoplada ao universo clássico e, ao mesmo tempo, capitaliza a “vanguarda” de apresentá-lo em uma roupagem “espontânea, menos engessada”, fazendo jus à criação dos grandes compositores.
É indiscutível que o universo clássico carece de uma maior percepção da importância de saber se vender em um mercado cultural competitivo. Orquestras e teatros de ópera precisam se abrir para as inovações tecnológicas, para novos mecanismos de contato com o público. O desafio é quebrar a barreira invisível que se colocou entre eles e as plateias e mostrar que na obra dos grandes compositores há elementos que possibilitam um diálogo estimulante com as questões do nosso tempo. Não é uma conquista fácil, e envolve diversas questões; mas daí a acreditar que os arranjos primários e a execução musical sofrível da trupe de Rieu são a solução há uma distância que apenas um jogo eficiente de marketing consegue encurtar.
E, convenhamos, deixando de lado, por um instante que seja, os negócios, o que o tal “mundo clássico” ganha com uma versão orquestral de “Ai Se Eu Te Pego”? E, a propósito, o que ela agrega ao sucesso de Teló? Absolutamente nada. É entretenimento, puro e simples. Não há nada de mal com isso – mas nos poupem da demagogia de pessoas que jamais se deram ao trabalho de ouvir uma só sinfonia de Beethoven e se apressam em afirmar que Rieu é a salvação para o mundo clássico.
Não há como negar que o espetáculo visual produzido por André Rieu é altamente sedutor. Acho que comecei dizendo “visual” e é isso mesmo. Podemos considerar como mecanismo de popularização as famosas gravações de “Os Três Tenores” e o tão executado dueto da Diva Montserrat Caballé com Freddy Mercury. Porém essa popularização se dá a partir do momento em que quem ouvir essas versões se propõe a pesquisar, conhecer sobre estes cantores e suas obras como intérpretes de ópera. Lembro-me que com 10 anos pedi ao meu pai o álbum Barcelona, com os duetos de Montserrat e Mercury, acabei ganhando um duplo com as árias mais consagradas na voz da genial soprano espanhola. Resultado: Paixão fulminante! E assim vieram outras obras e o interesse pela ópera de fato. Mas não sei se posso me considerar como exemplo, haja visto o empobrecimento intelectual da maior parte da juventude nos dias de hoje.
UM SHOW IMPERDÍVEL, JÁ ASSISITI ALGUNS DVDS!!!
“Orquestras e teatros de ópera precisam se abrir para as inovações tecnológicas,”
Se fosse seguir esse raciocinio não seria mais clássico, no meu ponto de vista.
Não precisa ser CLÁSSICO, pois o clássico não existe mais desde Beethoven. Precisa apenas ser bom, ou muito bom.
responder este comentário denunciar abusoMurilo, eu acredito que o termo classico nao se refere a algo que era feito no passado e sim a um estilo musical. (E deixando claro para o Felipe que, apesar dele estar correto quando diz sobre o classico nao existir desde Beethoven, o termo “musica classica” cunhado ultimamente é mais um passo para tentar desmistificar o termo “musica erudita” que por si so implica em algos pertencente à poucos, e neste artigo nada tem relacionado ao periodo musical em questao mas sim a ideia geral deste tipo de composicao) Voltando ao comentario sobre inovacoes tecnologicas nao sendo mais classico, eu acredito que orquestras e principalmente teatros do opera deveriam sempre investigar uma maneira de incorporar a tecnologia em suas producoes. Com a TV e Internet tudo ficou muito rapido e a ideia de uma opera aonde um cenario nao muda por mais de uma hora e um outro fator que contribui para a falta de interesse de um publico geral.
responder este comentário denunciar abusoPara mim é muito simples.
Pagar 600 reais – com certeza existem ingressos mais baratos, mas pouco importa – para ver e ouvir a música erudita ser descaracterizada e de quebra ganhar um bis como: Ai se eu te pego!
Não, obrigado!
Tem aqueles “3 tenores” tambem, o mundo é dos imbecis.
A inveja é uma merda… Músicos clássicos e engessados, que passam fome, não conseguem admitir que colegas inteligentes consigam ser populares e resolvem escrever artigos defamando os mesmos. Além da falta de ética com colegas músicos (independente do estilo) é ainda muito bairrismo pro meu gosto.
Por mim esses músicos clássicos xiitas podem continuar em seus mundinhos clássicos puritanos e não me farão falta.
Sei que esses mesmos xiitas dirão que sou zé povinho. Que assim seja!
Habitante do Planeta dos Macacos,
Criar um paralelo entre inteligencia e dinheiro e populismo e por si so uma coisa bem errada.
De fato, a musica que ele se propoem a apresentar e bem pouco inteligente ja que nenhuma pesquisa foi feita em busca de uma melhor interpretacao ou ao menos entender o estilo do periodo musical em questao, o que fazem com exaustao os “engessados e que passam fome”.
De uma maneira interessante ele adapta melodias de obras classicas conhecidas para uma maneira mais popula e de facil absorcao, dando assim a opcao de se conhecer uma melodia de Strauss à uma pessoa que talvez nunca ouviria a real composicao. Mas como o artigo diz, essas pessoas nao irao demonstrar interesse em ir a sala de concerto.
ai, se eu te pego, ai se eu te pego
[...] de tudo”, do Estadão, também deu sua opinião a respeito das atividades de Rieu, no artigo “Rieu: ai se ele te pega…”. O blog Euterpe não deixou por menos e discorreu sobre o tema (inclusive fazendo referências a [...]
eu gostaria de sair cantando u8ma valsa vienense, uma música erudita , uma casta diva, Babino caro e não “ai se eu te pego”; fiquei decepcionada.
Comentário típíco de um desinformado pseudo-intelectual. Rieu jamais se arvorou asalvador da música clássica, apenas a populariza em seus concertos, que lotam plateias no mundo todo e o tornam um dos mais vendidos produtores de música do mundo, hoje em dia. Sua fórmula é simples, mescla canções folclóricas, clássicas e populares, de acordo com cada audiência. E o faz com perfeição, ao ponto de raramente alguém sair infeliz com seus shows. No Brasil, no entanto, alguns metidos a sofisticados preferem desfazer de Rieu, como se isso lhes valesse alguma glória. Na verdade, críticos não ganham estátuas, diz Rieu, com propriedade. Críticos, geralmente, são frustrados que mal sabem solfejar.
João José Ertzbitzki (JJ), Curitiba
Pelo visto, quem critica negativamente se baseia apenas nos DVDs e no espetáculo do Ibirapuera em São Paulo. Eu tive o privilégio de assistir um excelente espetáculo de André Rieu no Stade de France (Estádio de Futebol da França), que ficou lotado. O serviço sonoro estava perfeito! Por exemplo, na obra “Nessun Dorma”, as pancadas da caixa baixa “bombo”, quando executadas, eram bem vibrantes ao ponto de estremecer o piso! A iluminação obedecia aos movimentos da musica! Isso se chama a evolução da arte clássica! Anna NETREBKO, a melhor soprano do mundo, já começa a cantar mediante uma maior comunicação com o público, basta ver esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=bFDFU7rxs88
De forma que os criticos precisam evoluir na arte cênico-musical que andam juntas e não podem se separar!
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