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João Luiz Sampaio

24.março.2009 11:30:41

Mundo (musical) cão

Outro dia falei aqui do Municipal do Rio fechado e da Sala Cecília Meirelles caindo aos pedaços. Agora, leio no site VivaMúsica! que a prefeitura do Rio acaba de anunciar que só vai voltar a mexer na Cidade da Música em 2010. Por “mexer”, entenda-se terminar as obras – não, nem sinal de uma proposta artística para o espaço. A questão é econômica. Mas, nunca é demais perguntar: quanto vai custar cada dia de obra parada para os cofres públicos? Imagino que uma obra inacabada deva sofrer desgastes pela ação do tempo, não? Isso para não falar do aspecto simbólico: uma enorme estrutura, alardeada como o grande complexo musical do país, abandonada no meio da Barra da Tijuca, vazia e inacabada… Que tal?

E John Neschling resolveu romper seu silêncio quanto à demissão da Osesp. E o fez pela justiça. Segundo a Delegacia Regional do Trabalho, entrou com pedido para que seja averiguado se seu sucessor, Yan Pascal Tortelier, tem permissão de trabalhar no Brasil. Mais: vai entrar com processo para receber o dinheiro relativo à rescisão de seu contrato. A Fundação Osesp, em resposta, garante que o contrato de Tortelier é legal; sobre o processo, não foram notificados. Tentei falar com Neschling no fim de semana, mas o maestro se recusou a dar entrevistas sobre o assunto.

Já o Teatro Municipal de São Paulo se vê agora às voltas com denúncias de superfaturamento na compra de instrumentos musicais, no fim de 2007. O caderno Metrópole publicou a matéria no fim de semana. Segundo o Departamento de Procedimentos Disciplinares da Prefeitura, que investiga o caso, uma harpa comprada por R$ 93.600 custaria R$ 18.870; um contrabaixo comprado por R$ 50.800 custaria R$ 15.300; um glockenspiel comprado por R$ 22.000 custaria R$ 11.667,35. Mais: a empresa que vendeu os instrumentos seria de um funcionário do teatro.

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O ‘Caderno 2′ de hoje publica matéria em que o repórter Jotabê Medeiros adianta alguns elementos do projeto de reforma da Lei Rouanet, prometido desde o início da gestão do presidente Lula e que será disponibilizado na internet na segunda-feira. A lei hoje monopoliza o investimento em cultura no País, transferindo, em última análise, do poder público para a iniciativa privada a decisão sobre os investimentos. Ainda é muito cedo para fazer análises mas, ao que tudo indica, a criação de cinco novos fundos de investimento diretos por parte do governo acenam na direção da recuperação do papel do Estado no incentivo às artes. O texto, que você lê aqui, traz mais informações. Hora de começar o debate sobre o tema.

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15.março.2009 12:10:58

Até quando?

Estive no Rio na sexta-feira para ver a abertura da tempora da OSB na Sala Cecília Meireles. O Municipal carioca está fechado para obras; reabriria no dia 14 de julho mas, em entrevista ao “Globo” de hoje, a diretora Carla Camurati confirma oficialmente o que já se sabia nos bastidores – as reformas vão durar até pelo menos novembro. Com a Cidade da Música fechada – e sem a menor previsão de abertura, até porque isso depende da finalização das obras, processo embargado pela prefeitura – a Sala Cecília Meireles ficou responsável sozinha por segurar a temporada carioca. O compositor João Guilherme Ripper tem feito um excelente trabalho com a programação do teatro. Mas fiquei impressionado com a situação das instalações – placas do teto desabaram antes do concerto de sexta; goteiras fizeram parte da platéia ter que mudar de lugar; o banheiro feminino inundou com a chuva que caiu na cidade. Por que deve sempre ser assim? Talento e boa programação aliados ao descaso das autoridades com a manutenção dos espaços artísticos. Até quando?

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- Os músicos correm, tentam se proteger do aguaceiro do começo de noite carioca; dão de cara com a rua lateral da Sala Cecília Meireles alagada, entram pela porta da frente. O maestro chega entre eles? Onde está a pianista? “Chegou antes da chuva”.

Beethoven, Concerto para Piano nº 3, Maria João Pires, OSB, Minczuk

- Primeiro Movimento… Um tema, depois o outro; da orquestra ao piano, da certeza à contradição, a magia ganha corpo. A pianista entra na cadência, sombria, recupera a delicadeza, volta ao tema; desagua em intensidade, recomeço o diálogo com a orquestra. Em instantes, o crescendo final, Beethoven nos diz algo; acredita.

- Segundo Movimento…Ela olha de lado para o flautista, é como se estivessem apenas os dois no palco. Curva-se em direção ao teclado, recomeça, aos poucos levanta a cabeça, os olhos fechados, joga o corpo para trás, abraçado pelo som dos violinos.

- Terceiro Movimento…Ao maestro, sorri discretamente. Violoncelo, violas, então os violinos. Ela os acompanha com o olhar, o tom sombrio, em suspenso; ao mãos aos poucos se levantam, tocam o piano, que mais uma vez parece indicar um caminho possível.

Saint-Säens, Sinfonia nº 3, OSB, Minczuk

- O Poco Adagio começa, aos poucos, imperceptível. Ganha intensidade nas cordas, a melodia corta dentro da gente. O órgão soa como a intervenção etérea, fantasia que tira o foco e ao mesmo tempo faz com que doa ainda mais a melodia terrena.

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12.março.2009 21:48:16

Dez anos sem Bidu Sayão

Há dez anos, no dia 13 de março, a soprano brasileira Bidu Sayão morria aos 96 anos, em Rockport, no Maine (EUA). Abaixo, a matéria que o ‘Caderno 2′ publica nesta sexta sobre Bidu. Deixo aqui também o link de um especial gravado para o portal, em que falo um pouco da carreira da soprano e comento algumas de suas principais gravações.

Bidu Sayão

É bem possível que a referência tenha passado batida na maior parte do público brasileiro mas, em Milk – A Voz da Igualdade, o personagem de Sean Penn comenta a certa altura a experiência única de, na noite anterior, ter assistido em São Francisco a uma récita de Tosca ao lado de uma grande soprano. Seu nome? Balduína de Oliveira Sayão, ou simplesmente Bidu Sayão, grande estrela do canto lírico brasileiro, durante mais de uma década soprano principal do estelar Metropolitan Opera House de Nova York, que morreu há dez anos, em uma clínica do Maine, onde se recuperava de uma pneumonia. Para os fãs de ópera, claro, a citação soou como homenagem, exaltada em blogs e sites especializados. Um equívoco de tradução, no entanto, dá margem à interpretação de que Bidu havia sido a estrela daquela Tosca dos anos 70. Não foi – primeiro porque abandonou os palcos no fim dos anos 50 e, segundo, porque jamais cantou o papel, que exige voz pesada, dramática, oposto daquilo que fez dela ídolo em sua época e na imaginação de fãs de gerações seguintes. E lhe deu o apelido de “rouxinol do Brasil”. Bidu tinha um timbre leve, doce, encantador. Seus detratores, em especial no Brasil, diziam que sua voz era “pequena demais”. A reposta viria pela pena do crítico americano George Movshon. “Ninguém nunca teve problema para ouvi-la. Ela sabe projetar muito bem seu instrumento puro e de excepcional clareza.” Seus grandes papéis foram as jovens inocentes e apaixonadas, Gilda, Violetta, Manon, “camareirinhas infelizes, sofredoras, meninotas e frágeis”, como ela descreveria em uma entrevista dos anos 70. Mas a personalidade forte, fora dos palcos, não combinava, uma vez em cena, com o tipo de voz de Bidu. A dramática Tosca era um de seus sonhos. Mas sabia que não o realizaria. Ouça, no entanto, a malícia com que ela interpreta Susanna, nas Bodas de Fígaro, e vai ficar claro que de algum modo ela conseguiu redefinir os papéis que resolvia encarar. Sua relação com o Brasil foi conturbada. Após estrear em Nova York, esteve no Rio para um Pelleas e Melisande, de Debussy. Foi vaiada – e hoje se sabe que a desaprovação foi arquitetada pelos fãs da meio-soprano Gabriela Besanzoni Lage, estrela do Municipal da época. A ópera lembra às vezes as apaixonadas torcidas futebolísticas. Mas, enfim, essa é outra história. Fato é que, mesmo sem cantar muito por aqui, jamais deixou de se considerar uma “cantora brasileira”. Em 1938, recebeu a oferta do presidente Roosevelt, em plena Casa Branca, da cidadania americana. Recusou. Seus últimos anos foram marcados pela morte do segundo marido e por um incêndio, que destruiu sua casa (após reconstruída, foi assaltada). Homenageada pela Beija-Flor no carnaval de 1995, voltou pela última vez ao Brasil para o desfile.

(“Caderno 2″, 13/3/2009)

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O que anda acontecendo com o Teatro São Pedro?
O fato é que não se sabe ao certo.

No ano passado, foi lançado o edital para a seleção de produções que ocupariam o teatro em 2009. O resultado está no site do teatro:
The Turn of the Screw, de Benjamin Britten
Pagliacci, de Leoncavallo
Cavalleria Rusticana, de Mascagni
O Barbeiro de Sevilha, de Rossini (possível montagem juntamente com o Palácio das Artes de Belo Horizonte)
Além disso, diz o comunicado, a Apaa poderia remontar Porgy and Bess, de Gershwin, e O Homem Que Confundiu sua Mulher com o Chapéu, de Nyman.

Pois bem, estamos em março e até agora nada de temporada para o São Pedro. Nos bastidores do mundo musical as informações são de que o governo não vai patrocinar nenhuma das montagens selecionadas no edital; sobram repercussões de comentários do início da gestão Serra, quando o secretário João Sayad questionou a decisão de seu antecessor, João Batista de Andrade, de fazer do São Pedro espaço dedicado exclusivamente à ópera. Talvez não por acaso, nos últimos dois anos as temporadas do teatro aconteceram aos trancos e barrancos, com títulos sendo anunciados e cancelados, falta de patrocínios.

O quadro vai mudar?

Em meio à bagunça, coloco algumas questões:
– Houve investimento concreto na temporada do São Pedro?
– Houve discussão real e pública sobre como o teatro poderia usar a ópera para encontrar seu espaço na vida cultural da cidade, de como a sua vocação poderia ser orientada nesse sentido?
– Ópera não dá resultados, ouvimos. E que forma de arte dá quando não há investimento responsável?
– Se a ópera vai deixar o São Pedro, quais as justificativas?

Mas, vamos deixar essas questões todas de lado por um instante, e nos focar na temporada 2009 e no futuro próximo. Há cerca de um mês, procurei a secretaria de Estado da Cultura por meio de sua assessoria de imprensa com algumas perguntas simples e objetivas.

– Quem será o responsável pelo São Pedro depois do falecimento de Vicente Amato Filho?
– Quem está montando a temporada?
– Os títulos selecionados no edital estão confirmados?
– Quem vai pagar por eles, o Estado ou os produtores?

Até agora não recebi resposta oficial da secretaria. O motivo da demora? Segundo a assessoria, as informações ainda estão sendo reunidas.

Não se trata de defender a reserva de mercado para a ópera, nada impede que ela possa conviver harmoniosamente com outras manifestações artísticas. O que se pede é uma política cultural, de investimento e ocupação que dê sentido ao teatro e que o tire de uma vez por todas da ventania inconstante das vontades políticas. E isso só acontece com discussões concretas sobre o assunto.

O que, até agora, não houve.

O São Pedro continua a ser o palco do descaso.

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Diz o ditado que um otimista não passa na verdade de um pessimista mal informado. Em resposta, diria o maestro Benjamin Zander: “Um cínico é simplesmente uma pessoa apaixonada com medo de se desapontar novamente”.
Aos 70 anos, Zander é um dos principais “comunicadores” do mundo da música clássica. Está nos EUA esta semana para uma série de concertos com a Filarmônica de Boston, que completa 30 anos. E deu uma entrevista ao Boston Globe sobre seu trabalho com o grupo e suas visões sobre o cenário artístico.

O maestro Benjamin Zander

Zander é uma figura interessantíssima. Desde 2002, é palestrante convidado do Fórum Mundial de Davos, onde costuma tecer relações entre música, juventude e relações internacionais. Além disso, seus concertos costumam aparecer em programações de rádio e TV. E mesmo suas gravações, em especial a série dedicada a Mahler, costumam trazer um CD extra em que ele conversa com o ouvinte sobre o repertório executado, as muitas possibilidades de interpretação, as escolhas feitas. Em 2005, ele esteve no Brasil e conversamos sobre a tão falada morte dos clássicos:

“Nunca duvidei que a música clássica é um direito de nascença de todas as pessoas – assim como a natureza, os esportes, a comida, o sexo. Isso não quer dizer que todos amem os esportes ou amem estar em meio à natureza, mas é difícil resistir a esse prazer se você consegue encontrar um guia entusiasmado que explique as regras e envolva você em seus mistérios.”

“Veja, o regente não faz som nenhum. Seu poder está em dar poder a outras pessoas. Minha atenção está nos músicos e no quão eficiente eu sou na hora de torná-los os mais expressivos e alegres possível. A maioria das situações da vida nos levam em direção à competição – temos a sensação de que não há suficiente para todo mundo. Mas em uma sinfônica, cada voz precisa ser ouvida para se criar um todo harmonioso. O modo como você consegue fazer com que cada voz seja ouvida em suas máximas possibilidades é a essência da ideia sinfônica.”

Para o “Boston Globe”, ele diz:

“Sou como um vigário. Preciso garantir que meu público tenha uma boa semana e esteja de volta no próximo domingo. E acho isso totalmente natural. Não foi algo que decidi fazer intelectualmente. Quer dizer, o que mais posso fazer? Ficar esperando no camarim? Conheço a peça, nós a ensaiamos e estamos prontos para compartilhar todo esse processo com a plateia” (sobre a prática de fazer palestras antes dos concertos)

O que Zander sugere, enfim, é que o essencial para a sobrevivência dos clássicos é o cuidado em manter aberta a porta entre eles e a plateia. A fórmula parece simples perante o universo de problemas – diminuição de público, investimento, repercussão, etc – que rondam a vida das orquestras. Mas, às vezes, é disso mesmo que precisamos: de alguém que nos leve de volta ao princípio/sentido de tudo.

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08.março.2009 14:03:28

Sentidos da música

No Congo, mais precisamente em uma Kinshasa destruída pela miséria, moradores se articulam em torno da criação de uma orquestra sinfônica.

Bom domingo a todos.


Le seul Orchestre Symphonique de RDC à Kinshasa
Enviado por pollux91

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07.março.2009 14:20:19

Manhã de sábado

O “Caderno 2″ publicou hoje uma entrevista com o diretor geral do Metropolitan Opera House de Nova York, Peter Gelb, com quem conversei sobre o projeto de transmissões de óperas do teatro nos cinemas. Você lê a entrevista aqui. Em resumo, o que ele diz é que a iniciativa deu resultados até agora, com 1,25 milhão de pessoas já tendo comparecido às sessões. Para ele, o importante é a ópera “colocar um pé na cultura contemporânea”. Não se trata, garante, de produzir montagens de olho no cinema e na televisão mas, antes, de usar a tecnologia para retratar e levar a um maior número de pessoas o que o teatro tem de melhor a oferecer. “Não podemos nos iludir achando que a ópera será ‘pop’, é um espetáculo que requer inteligência e sensibilidade. Mas também precisamos ter em mente a necessidade de torná-la acessível às pessoas, de quebrar barreiras entre teatros e platéias. Em tempo: amanhã, estréia por aqui a nova montagem do projeto, “Lucia di Lammermoor”, de Donizetti, espetáculo muito bonito cenica e musicalmente, com Anna Netrebko, Peter Beczala e Marius Kwicien (a regência é de Marco Armiliato). No Cine Bombril, Unibanco Arteplex e Unibanco Pompéia, às 17h.

***

Também no ‘Caderno 2′ de hoje, Lauro Machado Coelho publica a crítica do concerto de quinta-feira de Yan Pascal Tortelier à frente da Osesp. “O final de Nimrod, um crescendo nas cordas que se desfaz, de repente, num impalpável pianíssimo, exige do maestro precisão e sutileza. Yan-Pascal Tortelier sabe o que faz. Para o seu primeiro contato com a plateia paulista, num momento particularmente delicado da história da Orquestra Estadual, escolheu as Variações Enigma, porque essa peça de Edward Elgar – série de 14 retratos de seus amigos e dele mesmo – oferece ao regente as mais variadas oportunidades de mostrar o que sabe fazer”, escreve ele. A íntegra você lê aqui.

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Nas leituras dos jornais agora de manhã não dá para passar batido pelas notícias sobre o caso da menina de 9 anos que estava grávida do padrasto, por quem foi estuprada. D. José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, decidiu excomungar a mãe e os médicos responsáveis pelo aborto da menina, afirmando estar seguindo a “lei de Deus” e que mesmo o estupro não é crime tão grave quanto o aborto. Vivemos em mundo de quebra de valores, é verdade; é um mundo que se transforma rapidamente, gerando sensação de insegurança advinda da ausência de normas preestabelecidas que dêem conta dos desafios da sociedade moderna, algo que a sociologia denominou de estado de anomia, a sensação de se estar à deriva perante os processos coletivos e sociais. A conseqüência mais cruel de um quadro assim aparece quando a quebra de valores deixa de significar a possibilidade de nos reinventarmos como sociedade e justifica uma volta radical ao que há de mais asqueroso no ser humano: a intolerância e o conservadorismo barato. Quando fala em “lei de Deus” (interpretada por ele de maneira muito pobre, como mostra o colega Marcos Guterman em seu blog), d. José se exime de qualquer responsabilidade sobre sua atitude e apela a uma ideia de respeito às instituições que reduz o ser humano a nada, a uma fórmula maniqueísta e medieval de certo e errado. Deixo mais para os especialistas no tema e, para voltar ao assunto do blog, apenas aproveito para relembrar uma carta em que Beethoven fala a um conhecido advogado. “Sobre os nossos monarcas e seus impérios não lhe direi nada – os jornais contam tudo. A mim é mais querido o mundo do espírito e este está acima de todos os impérios terrestres e eclesiásticos”, escreve ele.

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Acabou agora há pouco o primeiro concerto do maestro francês Yan Pascal Tortelier como regente titular da Osesp. Primeiras impressões? Arrisco, no calor da hora. Na primeira parte, as “Variações Enigma”, de Elgar, pareceram pensadas para levantar – e ganhar – a platéia, com o maestro explorando toda a força sonora da Osesp, sem grandes sutilezas. Deu certo: o público ovacionou a execução e aplaudiu o maestro de pé. Já na segunda parte, sutileza não faltou na interpretação inteligente e expressiva da “Sinfonia nº 2″ de Rachmaninoff. O maestro foi chamado ao palco quatro vezes pelos aplausos do público.

Tortelier chegou.

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