“Pois música é, antes de mais nada, movimento. E sentimento ou consciência do espaço-tempo. Ritmo; sons, silêncios e ruídos; estruturas que engendram formas vivas. Música é igualmente tensão e relaxamento, expectativa preenchida ou não, organização e liberdade de abolir a ordem escolhida; controle e acaso. Música: alturas, intensidades, timbres e durações – peculiar maneira de sentir e de pensar. A música que mais me interessa, por exemplo, é aquela que me propõe novas maneiras de sentir e de pensar. Algo assim como ouvir, ver, viver: ‘ouviver a música’, na expressão concentrada do poeta Décio Pignatari.”
J. Jota de Moraes, “O Que É Música” (Brasilense, 1983)
Morreu na madrugada de hoje o jornalista e crítico musical J. Jota de Moraes, vítima de insuficiência respiratória. De 1972 a 2003, foi crítico do “Jornal da Tarde”. Estava internado em um hospital de São Paulo; será velado e enterrado em Itapetininga, sua cidade natal. Ao longo de quase trinta anos de atividade crítica, deixou uma obra invejável e fundamental para que se entenda o cenário musical brasileiro. Convivemos pouco mais de três anos na redação do Grupo Estado. Lembro de algumas conversas no antigo fumódromo, sempre atentas ao que de mais novo se produzia mundo afora, sempre repletas de lembranças de grandes concertos que assistiu – e não sem uma dose de pessimismo com os rumos da música e do jornalismo musical. É possível discordar dele, jamais de sua importância como crítico e professor. Jota “ouviveu” a música como poucos.
Fiquei hospedado na casa do Jota, na Vila Madalena, faz quase 30 anos, quando vim a São Paulo para a fundação da Sociedade Brasileira de Musicologia. Que pessoa boa, inteligente, sagaz. Vai com Deus J
Jota.
João,
Eu assustei ao ver a notícia, já que outro dia mesmo ele estava na Sala São Paulo e o texto — excelente, aliás — do programa de um recente concerto do Cultura Artística foi escrito por ele. Mas agora que você falou no “fumódromo” e em insuficiência respiratória eu entendi… Que pena.
O JJ prestou servicos por anos para a Cultura Artistica. Programando e escrevendo notas de programa. Recusava-se a usar email portanto trazia um diskette com o material todo mes. Entre ranzinza e bem humorado, causava um estardalhaco quando vinha ao escritorio portando a sua bengala.
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