ir para o conteúdo
 • 

João Luiz Sampaio

21.julho.2009 15:47:42

Música é vida

Estou lendo “A Música Desperta o Tempo”, livro de Daniel Barenboim que a Martins está lançando no Brasil. O texto é fascinante. Trata-se de uma coletânea de ensaios sobre diversos temas – interpretação, autores como Bach, Mozart e Boulez, a relação com Edward Said. O fio-condutor é a preocupação, prática e teórica, de pensar vida e música como um todo – aliás, marca do pensamento de Barenboim. Separei um pequeno trecho do capítulo “Som e Pensamento” que explica bem essa ideia.

“Na música, a alegria e a tristeza existem simultaneamente e, por isso, permitem que se tenha o sentimento da harmonia. A música é continuamente contrapontística no sentido filosófico da palavra e, mesmo quando é linear, há sempre elementos opostos coexistindo, às vezes até em conflito uns com os outros. A música sempre aceita comentários tanto de uma voz como de outra e suporta acompanhamentos subversivos como uma oposição necessária às vozes principais. Na música, o conflito, a rejeição e o compromisso coexistem continuamente. (…) A música não é separada do mundo; ela pode nos ajudar a esquecer e, ao mesmo tempo, a compreender nós mesmos. No diálogo entre duas pessoas, cada uma espera até que a outra tenha terminado de falar, antes de responder ou fazer um comentário. Na música, duas vozes dialogam simultaneamente; cada uma expressa a si mesma de forma completa ao mesmo tempo em que ouve a outra. Com isso, pode-se observar a possibilidade de aprender não só sobre a música, mas através dela – um processo que dura uma vida inteira. Os jovens que experimentam o sentimento da paixão pela primeira vez e perdem todo o senso de disciplina podem observar, por intermédio da música, como paixão e disciplina podem coexistir – mesmo a mais apaixonada frase musical tem de ter, subjacente, um sentido de ordem. Afinal, o que talvez seja a lição mais difícil para o ser humano – aprender a viver com disciplina ainda que com paixão, e viver com liberdade ainda que com ordem – transparece claramente em cada frase musical.”

comentários (2) | comente

2 Comentários Comente também
  • 22/07/2009 - 03:43
    Enviado por: Bento Moura

    João, suas palavras e o trecho acima me fez recordar a Sifonia #3, Opus 36, do Górecki: Ainda que aparentemente por antítese, ela reforça indescritívelmente o senso do viver … em oposição aquilo que fenece; mas que no íntimo, só deseja o mais simples orvalho do dia.
    Obrigado pela indicação de leitura.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 28/07/2009 - 12:06
    Enviado por: alkuerghqaldnm

    paixao com disciplina…. fala serio!!! que chato!!!!!!!!!!

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivo

Blogs do Estadão