Estou devendo a vocês comentários sobre o concerto da Ospa e a récita do “Guarani” do Municipal do Rio. Quero postar algo com calma sobre eles, mas a semana foi corrida, com o fechamento do “Sabático” e a confecção do guia do Estadão para o Festival de Inverno de Campos do Jordão, que começa amanhã. De qualquer forma, aproveito para adiantar que encontrei uma Ospa com uma sonoridade em construção, mas capaz de momentos bonitos tanto no Beethoven quanto no Dvorak; e, no “Guarani”, fiquei encantado com a interpretação de alguns dos principais solistas: Gabriella Pace é uma Ceci apaixonante, a voz está ganhando corpo e ela passeia pela tessitura do papel com desenvoltura e presença cênica cativante – fui dormir no domingo com a lembrança de seus pianíssimos. Temos uma soprano cada vez mais interessante em construção perante nossos olhos e ouvidos. E isso é sempre uma boa notícia. Aliás, abrindo um parênteses, relembrando atuações de Rodolfo Giuliani e Manuela Freua no “Schiavo” apresentado em Manaus há cerca de um mês, a sensação é de que não vão faltar bons cantores gomesianos nos próximos tempos. Mas, de volta ao “Guarani”, o tenor Marcelo Vanucci tem tentado reinventar sua arte nos últimos tempos, buscando leituras mais cheias de nuances e coloridos, o que ficou ainda mais evidente em seu Peri; e me surpreendeu particularmente bem a leitura lírica dada por Lício Bruno ao papel do Cacico. Uma boa noite para a ópera brasileira, com regência segura e fluente de Luiz Fernando Malheiro. Bom, agora tenho que ir. Amanhã parto para Campos para o fim de semana de abertura do festival -além da Osesp, tem Fábio Zanon tocando Castelnuovo Tedesco e a Sinfônica de Sergipe, estou curioso para ouvir como soa a orquestra. Antes, porém, tem o jogo da Argentina e, no começo da tarde, abro o mês de julho da série Ópera Comentada do Centro Brasileiro Britânico, falando um pouco sobre “O Ouro do Reno”, de Wagner, primeira parte da tetralogia que vamos mostrar nos próximos sábados em DVD. A montagem é uma coprodução da Ópera Estatal de Berlim com o Liceo de Barcelona, assinada por Harry Kupfer e Bertrand de Billy. Estão todos convidados – o início é às 14 horas e a entrada é franca. Ah, ia me esquecendo: não deixem de ouvir a nova vencedora do projeto “Musique”, do “Caderno 2 + Música”, que convida jovens compositores a musicar uma letra de algum grande nome da música brasileira, desta vez Tom Zé. Gostei da música (agora não tenho como achar o nome do compositor, mas depois coloco aqui) e, principalmente, da voz da intérprete, Dandara, que tem apenas 20 anos, de quem, ao que tudo indica, vamos ouvir muito ainda.

Nova temporada
A Sinfônica da USP enviou hoje à imprensa a sua programação para 2010, a primeira sob o comando da maestrina Lígia Amadio. Gostei da agenda, bem balanceada, com Schumann e Chopin (efemérides do ano), Sibelius, Shostakovich; o “Kindertotenlieder” de Mahler com a mezzo Denise de Freitas; a abertura da temporada do Teatro São Pedro, com a ópera “Tosca”; uma boa seleção de autores brasileiros(Almeida Prado, Rodolfo Coelho de Souza, Alexandre Levy, Silvio Ferraz, Aylton Escobar, Carlos Gomes); bons artistas convidados (Jamil Maluf, Ricardo Kanji, Eduardo Monteiro, Adélia Issa, Fanny Solter). Aqui, a programação completa .
Mais Lígia Amadio
A maestrina, que deixou no final do ano a direção da Sinfônica de Campinas, assume em 2010, além da Osusp, a direção da Filarmônica de Mendoza, na Argentina. Segundo a Revista Concerto, ela comanda o grupo a partir de abril, mas já trabalha na temporada deste ano da orquestra.
Resolvendo pendências (1)
A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo será dirigida, segundo noticiou hoje a Concerto, pelo maestro Marcos Sadao Shirakawa, assistente do ex-diretor Abel Rocha. Em nota oficial, ele fala da “responsabilidade de manter o nível técnico, justificando, assim, a continuidade de ações pioneiras como a programação em forma de assinaturas, o que também demonstra a seriedade e compromisso do trabalho”. Diretor da Banda Sinfônica de Cubatão, ele será empossado no mês que vem.
Resolvendo pendências (2)
Em Belo Horizonte, já está na presidência do Palácio das Artes Eliane Parreiras, que substitui Lúcia Camargo. A mudança, segundo o governo, se deu “por uma questão de dinâmica do processo de gestão”.
2013
2012
2011
2010
2009