Os especialistas sempre terão explicações para a flutuação das pesquisas como a que agora ocorre na disputa presidencial.
Mas o fato é que o resultado do Datafolha, na sequência de duas pesquisas imediatamente anteriores, que registraram queda de Serra, comprova que o País está dividido eleitoralmente, clima que deverá prevalecer na campanha.

Ascensão de Dilma e a permanência de Marina na casa dos 10% eram previstos. Fotos: Dida Sampaio
Os 39% de José Serra registrados pelo Datafolha indicam que o candidato do PSDB tem uma votação sólida e um eleitorado fiel, que o mantém nesse patamar desde antes de seu lançamento formal.
O que reforça a solidez da candidatura é também o fato de a pesquisa ter sido feita em momento negativo da campanha do PSDB, de que a crise do vice foi o melhor retrato.
A ascensão da candidata Dilma Rousseff e a permanência de Marina Silva na casa dos 10% eram previstos. O que deixou de ser dúvida é a capacidade do presidente Lula de transferir votos em proporção suficiente para consolidar uma candidata sem qualquer recall político.
Lula levou Dilma ao patamar de Serra e agora a disputa é pelo eleitor que não se decidiu ainda. É quando ganham importância os debates que a candidata do PT/PMDB tem evitado por estratégia de seus marqueteiros.
As pesquisas no contexto da atual disputa serão importantes como termômetro para que os partidos avaliem as situações regionais, façam ajustes naturais de campanha, porém não servirão para sustentar teses sobre definição de tendência, como se tem observado em algumas avaliações.
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Desabafo de um senador tucano, antes do vazamento do nome de Dias para vice de Serra. “A campanha está mambembe, tudo é improvisado, há amigos fazendo tarefas por favor, no lugar de profissionais contratados”. Um exemplo, segundo ele, é a agenda do candidato cuja definição depende da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). Reclamou também da concentração das decisões e das informações, e que jamais recebeu um briefing da campanha, que deveria ser diário.

Twitter de Jefferson conseguiu o DEM, que não conseguira oferecer um nome e Serra.
Foto: Wilton Junior/Arquivo AE
O fato de o nome do senador Álvaro Dias vazar, ao invés de ser anunciado, é emblemático do amadorismo com que o PSDB conduz sua campanha eleitoral.
A escolha (?) de Dias não é de José Serra, mas do partido, sem consulta aos aliados, reproduzindo máxima corrente nos meios políticos de que o PSDB é um clube de notáveis e não um partido político.
E, nesse momento, com apenas um notável a bordo, o candidato, considerando que Aécio Neves reduziu se internou em Minas (e anunciou a volta ao surfe) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cansou de ser evitado pelo partido – assim como o DEM – e foi cuidar da vida.
A campanha ficou centralizada no candidato, a estrutura é precária, cada um é porta-voz de si mesmo e, nesse contexto, o principal aliado, o DEM, soube pelo twitter de Roberto Jefferson, do PTB, que havia sido preterido em favor de uma chapa puro-sangue com Álvaro Dias no lugar de Aécio Neves.
Serra já decidira que, sem Aécio, o melhor seria um vice figurativo, o que o levou a se fixar em nomes sem qualquer expressão política, como a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. Desconsiderou o acordo com o DEM (de que fora Aécio, a vaga seria sua) e brindou o eleitor com um festival de hesitações.
Esse processo humilhou o DEM que percebeu o constrangimento do PSDB em tê-lo como parceiro, submisso ao patrulhamento ideológico exercido pelo PT, sustentado num conceito anacrônico de direita e esquerda que ainda sobrevive no Brasil.
O twitter de Jefferson uniu o DEM que não conseguira oferecer um nome a Serra durante todo esse tempo. As próximas horas definirão se a aliança terá a solidez de uma parceria ou se ficará limitada a acordos regionais sem envolvimento da militância.
A declaração de Dias de que desiste para pacificar o DEM e a atitude de Serra de lavar as mãos, dizendo-se alheio à decisão, são sintomas de que tudo pode voltar a ser como antes no quartel de Abrantes.
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Para complicar mais um pouco a crise com o DEM, o próximo Datafolha já vem com Álvaro Dias como vice de Serra.
O instituto protocolou ontem no TSE a pesquisa, cujo resultado deve sair no próximo final de semana. Na rede Twitter, o veneno é de que o Datafolha soube antes do DEM que o vice seria Álvaro Dias.
A novidade é que a pesquisa indaga ao eleitor se ele sabe quem é o vice de seu candidato e se ele influi no voto.
O instituto também introduz perguntas sobre mudança de voto. Quer saber do eleitor se ele está totalmente decidido em relação ao voto no primeiro turno ou se ainda pode mudar. Neste caso, pergunta para quem o voto seria redirecionado.
O questionário aborda ainda a performance dos candidatos na televisão e se o eleitor viu propagandas de Serra, Dilma ou Marina Silva (PV), ou entrevistas de cada um, desde o início do ano.
Por fim, o Datafolha vai sondar o eleitorado sobre o desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África do Sul e do técnico Dunga. A pesquisa terá 2.650 entrevistas com eleitores de 163 municípios de quase todos os Estados.
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Aécio ficou maior do que Serra, roubando-lhe a cena. Foto: Wilton Júnior/AE – 19.04.2010
O prolongamento excessivo da novela do vice de José Serra começa a fazer mal à sua campanha. Estratégia ou indecisão mineira, o suspense em torno de Aécio Neves já passou do limite razoável e faz do ex-governador personagem concorrente na cena política.
Se for estratégia, é hora de concluí-la. Se for conflito – o mais provável - também já produz um desgaste político ao PSDB.
Aécio ficou maior do que o candidato, roubando-lhe a cena; ora admitindo a possibilidade de ser vice, ora negando-a; desvalorizando a função e fazendo do candidato do seu partido um refém de sua decisão.
Um candidato com chances de vitória não pode exibir uma liderança política que luta para não ser vice. Ao contrário, o normal seria haver uma disputa pelo lugar.
A perspectiva de Serra sair da convenção do próximo dia 12 ainda sem vice (o prazo para essa definição vai até 30 de junho), começa a incomodar tucanos e também o DEM – este, já questionando sua exclusão do processo por conta do mensalão de Brasília.
Embora suprapartidário, o esquema de propina do governo Arruda ficou rotulado como o “mensalão do DEM” e no âmbito interno da aliança justificou o exílio dos Democratas.
A alternativa Francisco Dornelles (PP-RJ), desceu ladeira abaixo com a infeliz emenda de redação que patrocinou no texto do projeto da ficha limpa no Senado.
Por mais que explique, Dornelles não se livra mais da acusação de ter agido em favor de seu correligionário Paulo Maluf, na contramão de toda a sua experiência política.
Serra, segundo alguns de seus aliados, já dá sinais de irritação com o comportamento dúbio de Aécio, e recebe pressão para não deixar que o assunto vá além da convenção.
Na leitura de experientes políticos mineiros, Aécio Neves não abandonará a campanha ao Senado. Tem garantidos oito anos de mandato que, na hipótese de derrota de Serra o mantém no palco das decisões políticas.
Na hipótese de vitória de Serra, não perde poder: antes, será um cardeal mineiro no Congresso Nacional.
O único cenário em que perde é se decidir ser vice e a chapa tucana perder as eleições. Fica de mãos abanando.
Considerado esse contexto, os acenos dúbios de Aécio teriam o único propósito de influir no tabuleiro do xadrez mineiro, onde tenta emplacar seu sucessor ou, na pior das hipóteses, manter algum poder regional.
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Aceno de Aécio chega num momento especialmente importante para Serra. Foto: Wilton Júnior/AE
Não é a primeira vez que se anuncia uma revisão de planos do ex-governador Aécio Neves, que o levaria a vice de Serra. Mas a veemência do desmentido desapareceu a ponto de torná-lo quase burocrático, uma mera formalidade. E, mesmo assim, sem descartar a possibilidade.
Ou seja, é um desmentido para o momento, após a imprensa noticiar, em dias sucessivos, que Aécio emitiu sinais de desistir do Senado. O que mais chama a atenção, considerando-se a matreirice que caracteriza o político mineiro, é que essa fraca negativa não vem direto de Aécio, mas por intermediários.
Lembra muito uma conhecida história do encontro entre dois políticos mineiros no aeroporto, um chegando, outro saindo. “Para onde vai?” – pergunta o que desembarcou. “Para o Rio”, responde o outro. Despediram-se e o que ficou comentou com um interlocutor: “Ele disse que está indo pro Rio para eu pensar que ele vai prá Minas, mas ele vai pro Rio mesmo”.
São mentiras cor-de-rosa, como diz o poeta popular, que não chegam a configurar deslealdade política, mas simples administração do tempo. É o que continua a fazer Aécio, com um olho em Minas e outro na sucessão presidencial – necessariamente nessa ordem.
A este jornalista chegou o recado: “não é exatamente assim, não houve nada de novo que justificasse uma mudança de posição; ser vice não é novidade para Minas, no Senado ele acha que pode ser mais útil”, etc, etc, etc.
Mas, ao final, a volta da dubiedade: “Mas, também não estou dizendo que não possa acontecer mais na frente”, diz o intermediário de Aécio sobre a vice.
Pode ser que ele tenha dito um dia que disputaria o Senado para todos pensarem que ele queria ser vice, mas ele quer mesmo o Senado. E que agora esteja dizendo que pode ser Vice, sim, para que se pense que ele quer o Senado, que ele pode já não querer mais.
Ou seja, sobre político mineiro não se arrisca prognósticos definitivos. Eles exercem a arte da política com base naquilo que ela tem de mais eficiente: o tempo.
Mas este já começa a ficar pouco e as “inconfidências” de interlocutores de Aécio podem merecer aquelas aspas que lhes tiram a casualidade.
O aceno de Aécio chega num momento especialmente importante para Serra, agora empatado nas pesquisas e precisando de iniciar um ciclo mais crítico em relação ao governo Lula.
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Aécio e Serra no lançamento. Foto: André Dusek/AE
A grande vedete – até mais do que Fernando Henrique – do evento de lançamento da candidatura de José Serra, foi o ex-governador Aécio Neves.
A importância estratégica de Minas fez isso. Uma platéia duas vezes maior do que a esperada pelos organizadores interrompia a fala de Aécio com os gritos de “Vice, Vice”.
Uma chama que os tucanos ainda mantêm acesa e que o discurso de Aécio ajudou a reforçar.
Frases de dupla interpretação permearam a fala do ex-governador mineiro estimulando mais o sonho do PSDB de uma chapa puro-sangue.
“Estarei ao seu lado onde quer que eu seja convocado”, por exemplo, sugere uma lealdade política que induz à leitura de que uma convocação para Vice será aceita. Ou não.
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Meirelles: fim do sonho da vice pode até mantê-lo no BC. Foto: Dida Sampaio/AE
Foram duas as consultas de Henrique Meirelles ontem para decidir se fica ou se sai do governo, o que anunciará nas próximas horas. Antes de ir ao presidente Lula, ele esteve com o presidente do PMDB, Michel Temer.
De ambos ouviu que não é realista continuar sonhando com o lugar de vice na chapa de Dilma Rousseff.
De Lula ouviu uma avaliação reveladora de que o presidente já se conforma com a idéia de Temer como vice de Dilma.
“A realidade política caminha para isso”, disse o presidente, segundo um interlocutor a quem Meirelles relatou o encontro.
De Temer, a quem disse que jamais disputaria o lugar de vice, Meirelles teve o apoio para se candidatar ao Senado, por Goiás.
Temer acha que ele somaria na campanha de Íris Resende contra Marconi Perillo – este também um desafeto político de Lula.
A última pesquisa Datafolha, que deu a Serra uma dianteira de nove pontos sobre a candidata do governo, desenhou o cenário esperado por Temer: Dilma precisa de um vice que traga votos.
Meirelles traz segurança para a estabilidade econômica, mas não é do que mais necessita o governo. Temer, com o PMDB, dá substância eleitoral, que é do que a candidata de Lula mais precisa agora.
A reflexão a que Meirelles se dedica desde ontem, após o encontro com Lula, só considera portanto duas possibilidades: Senado ou BC.
A primeira não lhe encanta tanto quanto a vice-presidência.
Ao pedido de Lula para que fique no BC, soma-se a perspectiva nada desprezível de vir a ser uma das principais autoridades monetárias do mundo, caso se mantenha na carreira técnica.
Meirelles tem posição privilegiada no BIS, o órgão que reúne os bancos centrais de todo o mundo, o que o projeta seguramente para um cargo internacional de grande poder e visibilidade.
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DEM acredita que senadora pode alcançar 15% numa campanha nacional.
Foto: Pablo Valadares/AE
Convencido de que Aécio Neves não blefa quando afirma que concorrerá ao Senado, o DEM vai dar um ultimato a José Serra e cobrar a vaga de vice na chapa do PSDB à Presidência.
A candidata do partido é a senadora Kátia Abreu (TO), que deixará a presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) no dia 3 de junho, prazo limite para a sua desincompatibilização como dirigente patronal.
Oficialmente a senadora sai para concorrer ao governo do Tocantins, mas o partido a preserva para vôo mais alto: se não conseguir emplacá-la na chapa do PSDB a lança candidata à presidência já em 2010.
O pano de fundo da operação é a sobrevivência da legenda que sofre uma desidratação eleitoral acelerada desde que virou oposição, após o governo FHC.
Nos cálculos do DEM a senadora pode alcançar um percentual de 15% numa campanha nacional, acima de Ciro Gomes e Marina Silva.
A conta localiza no interior do país 60% do eleitorado brasileiro e, desse percentual, 80% são ligados direta ou indiretamente ao agronegócio.
O carisma de Kátia Abreu junto a esse público seria indiscutível e, por isso, o partido sustenta que ela pode ser de grande valia para Serra.
Com mais quatro anos de mandato parlamentar, a pior hipótese não existe para a senadora. Se vice de Serra, ótimo; se candidata em vôo solo, faz um recall para 2014.
Em qualquer das duas circunstâncias, dá sobrevida ao DEM que sonha com a incorporação ao PSDB numa eventual vitória de Serra.
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Tudo indica que é mais um factóide produzido na primeira instância o pedido de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Meirelles, alvo de PMDB e PT. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Cheira a filme velho reapresentado com o provável propósito de mantê-lo no Banco Central até o final do governo.
Mas cumpre o objetivo de dar trabalho, desgaste político e munição para ser usada contra ele em palanques, sejam eles estaduais ou nacionais.
Com inquérito eventualmente aceito, será muito mais desconfortável para o presidente do BC responder sem o foro privilegiado em plena campanha eleitoral.
Meirelles foi amplamente investigado em período recente e absolvido de todas as acusações, entre as quais, a de sonegação.
A menos que um improvável fato novo nessa área tenha sido registrado, o movimento tem conotação política.
Meirelles tem dois adversários visíveis: PT e PMDB. Ambos o querem fora do cenário eleitoral por ser uma alternativa de vice na chapa da ministra Dilma Rousseff.
Ele ainda balança entre a permanência no BC e a carreira política, projeto alimentado por muito tempo.
A idéia do fogo amigo é “ajudá-lo” a optar pelo banco.
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