O PT realiza prévias amanhã (20) para definir o candidato à prefeitura de Recife, na tentativa de colocar fim às disputas internas no partido. De um lado, o atual prefeito, João da Costa, que busca a reeleição e tem a máquina administrativa a seu favor. De outro, o deputado Maurício Rands, secretário de governo, que tem o apoio do ex-presidente Lula e do governador Eduardo Campos (PSB).
O resultado das prévias, contudo, coloca em xeque a aliança do PT com o PSB de Eduardo Campos na capital pernambucana. Pelo acordo, o governador apoia o candidato petista em Recife, em troca do apoio do PT ao PSB no plano estadual.
No entanto, nem Eduardo Campos nem a corrente majoritária do PT (Construindo um Novo Brasil) querem a reeleição de João da Costa, apontado como centralizador. Costa se afastou do partido depois de romper com o ex-prefeito João Paulo Lima, que o antecedeu no cargo e apoiou sua eleição em 2008.
Se Costa vencer Rands e se habilitar para a reeleição, Eduardo Campos ameaça desfazer a aliança com os petistas. O plano B do governador seria lançar a candidatura do ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho.
No plano nacional, o governador Eduardo Campos – presidente nacional do PSB – é um aliado estratégico de Lula e do PT. Em troca do apoio do PSB à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Lula garantiu o apoio do PT à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), numa reedição da polêmica tríplice aliança na capital mineira, que também inclui o PSDB.
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A cúpula do PT orientou seus diretórios a garantir a cabeça de chapa, nas eleições de outubro, em pelo menos 100 municípios com mais de 150 mil habitantes, a fim de aprofundar sua participação nas médias e grandes cidades brasileiras. No entanto, as disputas internas estão levando o partido a perder espaço nas capitais, na atual fase de escolha das candidaturas e formação das chapas.
O vice-presidente do PT José Guimarães (CE) afirmou, em entrevista ao blog, que o se o partido eleger o prefeito de 4 capitais, “será ótimo”. Por ora, ele aponta como principais apostas – além de São Paulo – Recife, Fortaleza e Salvador.
Em 2008, o PT elegeu prefeitos em 6 capitais e 28 cidades com mais de 150 mil habitantes. Em 2010, também passou a administrar Goiânia, capital de Goiás, com a renúncia do prefeito Iris Rezende (PMDB) para concorrer ao governo estadual.
Guimarães lamenta que o partido não tenha nomes fortes para concorrer nas capitais das Regiões Sul e Sudeste. “Ninguém quer se lançar”, dispara. Mas não é bem assim. Em Curitiba (PR), a corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), trabalha pela aliança com o PDT do ex-deputado Gustavo Fruet, foi um dos mais ferrenhos adversários do partido na CPI que investigou o “mensalão”. Para isso, contudo, pressiona os deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni a recuarem das pré-candidaturas.
Em Porto Alegre (RS), o PT se divide entre a pré-candidatura do deputado Adão Villaverde, presidente da Assembleia Legislativa, e o apoio à reeleição do prefeito José Fortunati (PDT). Em Florianópolis (SC), a sigla não tem nomes expressivos para a prefeitura, mas o partido investe as fichas na reeleição de Carlito Merss, prefeito de Joinville (SC), município com mais de 300 mil eleitores.
Em Vitória (ES), o prefeito João Coser (PT), que se reelegeu em 2008, apoia a candidatura do ex-governador Paulo Hartung, do PMDB, contra sua correligionária, a deputada e ex-ministra Iriny Lopes (PT), que colocou sua pré-candidatura em campo.
O cenário não está menos conturbado nas capitais apontadas por Guimarães como favoritas do partido. Em Fortaleza, cinco petistas disputam a vaga de candidato à sucessão de Luizianne Lins (PT). Em Recife, um petista, Maurício Rands, lançou-se contra outro petista, o atual prefeito João da Costa, que pretende se reeleger.
Dessas quatro capitais, o PT só está menos desunido em Salvador, onde o governador Jaques Wagner (PT) e o vice Otto Alencar (PSD) costuram uma ampla aliança para eleger o deputado Nelson Pellegrino (PT). Por enquanto, na Bahia, os principais adversários do PT não estão no PT, mas no PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima e no DEM do deputado ACM Neto.
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