Pela leitura dos especialistas, a queda do índice de aprovação da presidente Dilma Rousseff guarda mais relação com uma certa percepção de paralisia na gestão de governo do que com os escândalos de corrupção que se sucederam nos dias anteriores às pesquisas.
Faz sentido, até porque a visibilidade da presidente com os fatos nos ministérios dos Transportes e Agricultura (o do Turismo ocorreu após as consultas), foi positiva: ela assumiu o combate às irregularidades o que soma e não subtrai.
Mesmo não vinculada aos episódios a queda nos índices reforça o ânimo de resistência da base aliada ao padrão Dilma de governar e fragiliza mais a presidente no seu enfrentamento do sistema político.
Não obstante seus índices historicamente serem altíssimos tanto para os padrões nacionais quanto internacionais. Ela tem muito capital ainda, mas já se depara com a materialização das ameaças de sua base de sustentação.
A formação do bloco de 201 deputados de PMDB, PR, PTB e PP para efeito específico de obstrução da pauta da Câmara é, por ora, resultado do não preenchimento de cargos do segundo escalão e do represamento das verbas de emendas parlamentares do exercício anterior e do atual.
Mas pode evoluir para mais que isso a partir da operação da Polícia Federal no ministério do Turismo. Não pelo mérito da investigação e do cerco à quadrilha que desviava dinheiro público, mas pela forma, que indiscutivelmente ficou comprometida por uma motivação ainda pouco clara da PF.
A súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) é clara quanto ao uso de algemas em operações policiais e não o restringe com base em critérios sociais, de renda, cor, sexo ou qualquer outro. O STF estabelece que o uso de algemas deve ser exclusivamente associado à periculosidade do detido, use ele terno ou bermuda, represente este ou aquele segmento, esteja no morro ou no palácio.
A insubordinação policial à regra fica clara no episódio pelas declarações não só do diretor-geral da PF, Leandro Daiello, que deu interpretação pessoal à súmula ao dizer que o uso das algemas teve o objetivo de “dar segurança ao conduzido”.
Esse tipo de comportamento conspira contra a credibilidade da PF. Abre espaço à exploração política e multiplica o discurso populista do qual a atual direção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) parece refém.
São declarações oportunistas que pregam igualdade no uso das algemas para ricos e pobres como se a questão fosse essa. Uma autoridade do primeiro escalão de um governo, detida numa sala de aeroporto, sem oferecer resistência, não representa risco à integridade física de ninguém.
Basta conduzi-la ao carro e levá-la. Já um traficante em perseguição num morro ou em qualquer outro lugar, que oferece resistência armado, é risco grande para a comunidade. Uma vez preso, é natural que seja algemado e escoltado até a prisão. Um é elite e o outro povo. Devia-se, então, pela lógica da OAB, algemar o executivo e ser cordial com o traficante.
O ex-deputado Colbert Martins , além de algemado, foi fotografado para as primeiras páginas dos jornais baianos, seu domicílio eleitoral, o que elevou do grau de insatisfação para o da revolta o clima no PMDB. Ainda mais porque o responsável pelo ministério à época das fraudes era o PT.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sai mal do episódio, questionado pela presidente da República e pela base política quanto ao efetivo controle hierárquico sobre a Polícia Federal.
Seu desgaste não se deve à falta de aviso quanto a uma operação policial em curso, mas por ele próprio não estar informado sobre ela. A ponto de não fazer as recomendações de praxe quanto aos excessos que, afinal, aconteceram.
Só agora, depois de cobrado, Cardozo redigiu uma burocrática cobrança à PF que respondeu com outro ofício burocrático. Como quase metade dos detidos já foi solta por ordem judicial, fica claro que a operação foi marcada por uma ostensividade não justificável.
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“Pesquisa não é urna”. A frase, de Ulysses Guimarães, é daquelas que confirmam que o óbvio, às vezes, precisa ser dito.
E se aplica à presente eleição, na qual os institutos de pesquisa foram alçados à condição de vilões por errarem previsões defendidas com uma convicção, por vezes, até intimidatória.
O que se espera de um instituto de pesquisa, sobretudo dada a importância que adquiriu no processo eleitoral – em que passou de mero aferidor a indutor de tendências -, é que se posicione com neutralidade técnica perante candidatos e campanhas.
Nisso reside o que um instituto tem de mais caro – a credibilidade. Funciona como uma vacina que imuniza contra os efeitos de eventuais erros.
Ibope e Vox Populi , este mais que aquele, comprometeram essa credibilidade em momentos distintos da campanha.
Por isso, os erros verificados no primeiro turno provocaram tantas reações de revolta por parte de candidatos – vitoriosos e derrotados.
Logo no início, Augusto Montenegro, do Ibope, repetiu como um mantra que Dilma Rousseff não tinha a menor chance de vencer a disputa.
Quando ela alcançou os 20%, ele decretou o fim da capacidade de transferência de votos de Lula para a sua candidata.
Mais na frente, quando se admitia como tendência a vitória de Dilma no primeiro turno, ele desculpou-se publicamente e ficou tudo por isso mesmo.
Porém, mais grave foi Marcos Coimbra, do Vox Populi. Não só garantiu a vitória de Dilma, em cima de números de seu instituto, que mais tarde se mostraram errados, como tripudiou dos jornalistas que ousaram questionar suas previsões.
Em artigo na revista Carta Capital, chamou-os de “jornalistas tucanos, ineptos, autores de uma sucessão de análises erradas, hipóteses furadas, teses sem pé nem cabeça. Todas inventadas para justificar o favoritismo de Serra, que só existia no desejo de quem as elaborava”.
Coimbra distorceu os fatos: ninguém achava Serra favorito, mas questionava o favoritismo de Dilma para vencer já no primeiro turno, algo que seu instituto garantiu ao seu cliente, o PT, e não aconteceu.
Coimbra foi além: “Se não fossem tão ineptas, essas pessoas poderiam, talvez, ter impulsionado as oposições na direção de projetos menos equivocados. Se não fossem tão arrogantes, teriam, quem sabe, poupado seus amigos políticos do fracasso inevitável que os espera”.
A semelhança entre o texto de Coimbra e o ataque do presidente Lula à imprensa, exatamente nos mesmos termos, não é mera coincidência: o dono do Vox Populi, que previu a vitória de Dilma no primeiro turno com 57% dos votos, reproduzia o pensamento de seu cliente.
Coimbra também condenou candidatos e imprensa por revelarem escândalos administrativos no âmbito do governo. Estranho seria se, diante de tais fatos, nada se dissesse, como se as urnas lhe impusessem uma cortina de silêncio.
Não lhe cabe tal papel, como titular de uma instituição cuja tarefa equivale à de um termômetro: medir a temperatura da campanha, sem pretender influir sobre ela.
O fato se agrava quando se sabe que seu instituto mantém contrato com o comitê de campanha do PT, o que o coloca em situação no mínimo ambígua: de um lado, promove pesquisas independentes, de divulgação pública, registradas na Justiça Eleitoral, que lhes dá o selo de isenção; de outro, presta serviços a um dos partidos e o defende em artigos de jornal e revista.
Por essa razão, o ministro Gilmar Mendes, do STF, considera fundamental que, passadas as eleições, se reavalie o funcionamento dos institutos de pesquisas. Ou bem eles prestam serviços aos partidos ou ao público. A ambos, parece-lhe impossível. Considera inconstitucional, por ferir o princípio da isonomia, que ajam em ambas as frentes.
A iniciativa já está na agenda de políticos e partidos. O PPS vai pedir investigação das relações entre os institutos de pesquisa e os candidatos.
O deputado Rubens Bueno (PR) já anunciou essa decisão. Ele mesmo, vítima de um erro do Ibope em 2004, pelo qual processa o instituto, registra os erros cometidos agora no Paraná.
No Ibope da véspera da eleição o instituto dava a Roberto Requião 47% das intenções de voto e ao seu concorrente, Gustavo Fruet, 27%. Requião teve 24,8% e Fruet , 23,1%.
Em São Paulo, as pesquisas indicaram empate entre Marta Suplicy e Netinho e excluiram Aloysio Nunes Ferreira da disputa – logo ele que teve nada mais, nada menos, que 11 milhões de votos e elegeu-se em primeiro lugar. Já Netinho, vai continuar cantando.
Na Paraíba, José Maranhão (PMDB) foi dado como vencedor por larga margem, mas terminou a eleição atrás de seu oponente, Ricardo Coutinho (PSB). Houve mais, bem mais, mas esses exemplos são suficientes para ilustrar o problema.
A vitória de Dilma ou Serra não altera a necessidade de se repensar as pesquisas.
Não necessariamente nos termos do deputado do PPS, que as criminaliza, mas levando em conta que uma etapa já foi vencida: os erros indicam que o eleitor não se deixou influenciar por elas.
Tags: Dilma, Ibope, Pesquisas, Serra, Ulysses Guimarães, Vox Populi
Duas novas pesquisas com divulgações previstas para o próximo fim de semana, estão mexendo com os nervos dos candidatos.
O Datafolha fez o registro da sua no TSE, em 16 de julho e a realizará entre amanhã e sexta-feira, com aplicação de 10.730 questionários.
A margem de erro é de mais ou menos dois pontos percentuais. Na última pesquisa, o instituto registrou empate técnico com Serra 1 ponto à frente de Dilma (39% a 38%). Marina Silva permaneceu na casa dos 10%.
O instituto Vox Populi registrou a sua no TSE um dia depois, por encomenda da Rede Bandeirantes. O trabalho de campo está sendo feito desde sábado e se estende até amanhã, com a aplicação de três mil.
A margem de erro é de 1,8 ponto. A pesquisa pode ser divulgada na quinta-feira, 22. Na rodada anterior, realizada em junho, a Vox atribuiu vantagem de cinco pontos percentuais de Dilma Rousseff sobre José Serra: 40% a 35%.
As duas consultas se diferenciam das anteriores por ocorrerem após a chamada pré-campanha – onde tudo era proibido e desobedecido.
Desde o dia 6, começou oficialmente a campanha com a liberação de comícios, caminhadas, enfim a abordagem direta ao eleitor. Os novos números deverão refletir esse momento.
Mas as pesquisas que trarão os efeitos dos programas gratuitos, só na segunda quinzena de agosto.
Tags: Datafolha, Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva, Pesquisas, Vox Populi

Foto: José Cruz/Agência Brasil
As pesquisas de maio e junho sobre as eleições em Brasília indicam que a candidatura Joaquim Roriz estacionou no patamar dos 35%.
O que é comemorado pela oposição histórica ao ex-governador como possível sinal do início da decadência de um mito eleitoral que parecia imbatível.
Podem ser muitos os fatores desse processo, mas com certeza a percepção de que o esquema que varreu Arruda do mapa tem seu DNA foi mais abrangente do que esperava o velho cacique.
Outra leitura é a de que sua liderança nas cidades-satélites já não é tão esmagadora. Ela ainda é absoluta na periferia mais desassistida, que o vê como seu benfeitor.
Mas, satélites como Taguatinga e Guará abrigam hoje uma população que subiu na escala social e tornou-se mais informada e participativa.
Assim como Águas Claras abriga uma classe média oriunda do Plano Piloto, tradicional reduto da oposição.
Há também a chamada fadiga de material: Roriz tenta ser governador pela quinta vez, depois de cassado pelo Senado.
O Instituto Dados, de Brasília, registra uma queda de um ponto percentual de Roriz de maio para junho. Mas desde fevereiro ele está entre 32 e 35%.
Abaixo os números do instituto nos dois meses mencionados.
ESTIMULADA JUNHO
RORIZ…………………..34,2
AGNELO QUEIROZ….22,6
ROGÉRIO ROSSO…..5,6
FRAGA…………………3,9
GIM……………………..2,4
TONINHO PSOL……..2,1
NENHUM………………18
NÃO SABE……………11,2
ESTIMULADA ABRIL
RORIZ………………….35,4
AGNELO………………27,3
FRAGA………………..5,1
TONINHO PSOL…….2,6
MESSIAS DE SOUZA.. 0,5
NENHUM………………16,6
NÃO SABE……………12,4
Segundo o Instituto, a pesquisa foi realizada no período de 29 de maio a 03 de junho de 2010 e ouviu, face a face, 2.500 eleitores de todo o Distrito Federal.
A amostra foi distribuída por cotas de sexo, faixa etária e renda da população, obedecendo dados secundários do IBGE e da PNAD.
Também foi distribuída proporcionalmente à população eleitora das Regiões Administrativas, segundo dados do IBGE e das próprias regiões.
Os dados coletados neste estudo sofreram crítica de consistência de 100% e foram tabulados em software específico para este fim.
A margem de erro é de 2% e o intervalo de confiança de 95%.
Os resultados são apresentados em tabelas analíticas, com cruzamentos segundo sexo, faixa etária, faixa de renda e região de moradia dos entrevistados.
Tags: Corrupção, Decadência, Distrito Federal, Joaquim Roriz, Mito Eleitoral, Pesquisas
Realizadas na sequência do programa partidário do PT, as recentes pesquisas registrando crescimento significativo da candidata Dilma Rousseff atestam a capacidade de transferência de votos do presidente Lula para sua candidata e apontam para um ajuste na estratégia de campanha de José Serra.


Após a Copa, Serra, Dilma e Lula sobem o tom e esquentam campanha
Fotos: Divulgação, AE e Fábio Motta/AE
Nada que o candidato do PSDB já não tivesse em mente, como preservar o presidente da República de ataques diretos, porém imprimindo um tom mais crítico aos erros de governo na esteira das afirmações sucessivas de Lula e Dilma que a colocam como uma co-governante.
“Não há programa neste governo que não tenha a minha mão”, disse a candidata, avalizada por Lula: “Meu governo não teria chegado aonde chegou não fosse a Dilma”.
O estilo light de Serra não muda, mas há o que explorar sem pôr em risco a determinação de não polarizar a eleição com Lula.
Do Plano Nacional dos Direitos humanos a obras inconclusas do PAC , passando pela segurança pública, saúde e educação, o PSDB acha que há munição suficiente para contestar a capacidade gestora de Dilma.
Serra considera esta fase da campanha mais voltada ao jogo de bastidores, hora de selar os palanques estaduais, desafio em que tem se saído melhor que o PT.
Em agosto, a campanha tucana inicia uma fase mais “quente”, conjugando críticas com um discurso propositivo e com o nome do seu vice já definido.
Mas é em agosto também que o presidente Lula materializará o que chama de trabalhar “fora do expediente” arregaçando as mangas em favor de sua candidata.
Lula promete empenho dia e noite, fins de semana e feriados, conjugando os papéis de presidente da república e cabo eleitoral como “nunca antes nesse país”.
Polarizada como já está a eleição, a fase da campanha pós Copa do Mundo indica dificuldades para os dois candidatos e um clima passionalizado entre os eleitores.
Tags: campanha, Dilma Rousseff, José Serra, Lula, Pesquisas
Por trás da crítica da candidata Dilma Rousseff ao MST, há pesquisas mostrando que parcela expressiva da população rejeita as invasões de terras.
Uma dessas pesquisas, encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), indica que mais de 70% defendem a reforma agrária; 78% são contra as invasões; e 56% consideram que as invasões inviabilizam a reforma agrária.
“Não é, portanto, uma profissão de fé na Lei, mas uma declaração técnica”, diz a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (TO).
“De qualquer forma, que seja bem vinda ao clube da legalidade, ainda que tenha levado oito anos para se associar”, ironiza.
Tags: CNA, Dilma Rousseff, Kátia Abreu, MST, Pesquisas
O empate técnico entre José Serra e Dilma Rousseff, no Rio, divulgado no final de semana pela TV Bandeirantes, causa uma euforia compreensível no PT. Mas, considerando algumas circunstâncias, é um número até animador para o PSDB.
A pesquisa, do Vox Populi, indica 27 a 26 para Serra e Dilma, respectivamente, e incluiu o candidato Ciro Gomes, que obteve 14% das intenções de votos.
Mas analistas do instituto Vox Populi atribuem o empate técnico à alta popularidade do presidente Lula no Rio de Janeiro, que alcançou 70% de conceitos ótimo e bom – acima da média nacional.
A se confirmar essa tese, Lula estaria demonstrando sua capacidade de traduzir prestígio em votos para Dilma, contestada pela oposição.
Mas não se deve desconsiderar que o Rio, na gestão Cabral, experimentou os benefícios de uma administração aliada ao governo federal e sintonizada nos planos estadual e municipal.
Cabral associou seus êxitos a Lula, o que rendeu dividendos políticos a ambos. O eleitor é sensível aos efeitos positivos desse pragmatismo.
Por isso mesmo, esse resultado acelera a consolidação da aliança PSDB, PV, PPS e DEM, em torno de Fernando Gabeira, cujas negociações devem estar concluídas até o carnaval.
É o palanque que pode fazer de Serra uma alternativa eleitoral num cenário polarizado entre Garotinho e Cabral.
Portanto, embora sirvam para testar estratégias e orientar movimentos táticos em uma campanha que ainda não começou para valer, essas pesquisas são ainda insuficientes como instrumento de previsão.
Os 50% que o ex-governador Geraldo Alckmin registra nas pesquisas eleitorais em São Paulo, vai empurrando para o arquivo das teses pré-eleitorais o cenário em que o governador José Serra desiste da candidatura à presidência da República. Alckmin se consolida como potencial vencedor numa prospecção que põe Marta Suplicy, ex-prefeita e uma indiscutível liderança paulista, no mesmo patamar do forasteiro Ciro Gomes – ambos com menos de 20%.

É de se imaginar que Alckmin não abriria mão de patrimônio eleitoral tão precioso sem alguma resistência. Foto: Sérgio Castro/AE
Cenário tão favorável a Alckmin, e a desistência de Aécio Neves, autorizam a conclusão de que a hipótese de renúncia à candidatura presidencial não deve mais ser inserida na esfera da estrita vontade pessoal do governador. Ainda que a liderança de Serra no partido lhe permita quase tudo, é de se imaginar que Alckmin não abriria mão de patrimônio eleitoral tão precioso sem alguma resistência.
E que o PSDB prefira buscar duas vitórias, com uma praticamente garantida.
Tags: Alckmin, Ciro Gomes, Martha Suplicy, Pesquisas, PSDB, Serra
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