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Jorge Bornhausen, ex-governador de Santa Catarina – Foto: André Dusek

Em passagem por Joinville na última quarta-feira, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, convidou o ex-governador de Santa Catarina Jorge Borhnausen a ingressar no PSB.

Ex-presidente do DEM e fundador do PSD, Bornhausen não esconde o desconforto dentro do partido desde que a principal liderança da sigla no Estado, o governador Raimundo Colombo, intensificou as articulações para compor com PT e PMDB e apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Este palanque isola Borhnausen. Político egresso da Arena, da Frente Liberal, ex-presidente do DEM e, finalmente, fundador do PSD, a sua trajetória e seus ideiais não admitem que ele divida o palanque com o PT. Tampouco que se filie a um partido que carrega o socialismo no nome.

Colombo aproximou-se de Dilma em meio a uma estratégia que vem sendo costurada há meses pelo senador Luiz Henrique (PMDB) e pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT). A injeção bilionária de recursos federais – como linhas de crédito do BNDES e socorro para as enchentes – estreitou os laços do Estado com o governo federal.

Essa articulação recaiu sobre Bornhausen como uma traição. Nos últimos anos, Borhnausen e Luiz Henrique firmaram-se como as maiores forças políticas no Estado e se alinharam, revezando-se no poder local. Em 2006, Borhnausen apoiou a reeleição do peemedebista ao governo, e a eleição de Colombo, então no DEM, para o Senado.

Em 2010, ambos se uniram para fazer de Colombo o sucessor de Luiz Henrique.

Nas campanhas presidenciais, a dupla garantiu o palanque – e a vitória – de José Serra e Geraldo Alckmin em Santa Catarina. Finalmente, em 2010, Borhausen comandou a fundação do PSD no Estado e trouxe o governador Raimundo Colombo para a sigla de Gilberto Kassab.

Agora, entretanto, na esteira da alta popularidade de Dilma, Henrique e Colombo costuram a tríplice aliança PSD, PT e PMDB.

Mas nem Borhnausen nem o PT querem aparecer no mesmo palanque. Há mágoas indeléveis. Em 2006, ele protagonizou um dos embates mais duros com o partido de Dilma na história política recente. Na campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e no auge do mensalão, Bornhausen propôs: “vamos acabar com essa raça”.

A frase está na memória dos petistas até hoje. “Estávamos em pleno reino do mensalão, na maior corrupção ética da história política”, justificou em uma entrevista ao Estado. Mais tarde, em resposta a Borhnausen, o ex-presidente Lula prometeu que o DEM seria extinto.

Nesse cenário, o ex-presidente do DEM aparece isolado em Santa Catarina. O isolamento aumenta quando se verifica que a maioria dos diretórios do PSD prefere marchar com o governo federal. O PSD é um partido híbrido, formado em sua maioria por oposicionistas insatisfeitos com os rumos do DEM.

Em contrapartida, aderir ao governo não eram exatamente os planos de todos os que migraram para o projeto de Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda.

Bornhausen não descarta o apoio a Eduardo Campos. São amigos e dividem a amizade com Kassab. Campos, inclusive, é um dos mentores intelectuais do PSD e ajudou a fundar o partido no Nordeste. No início, aliás, cogitava-se até a fusão da legenda com o PSB.

Descartada a adesão ao socialismo, o ex-presidente do DEM pode apoiar Eduardo Campos como dissidente, louvando suas bandeiras na área econômica, em que o pernambucano vem fazendo forte oposição ao governo Dilma.

Bornhausen seria um dissidente, assim como Luiz Henrique, que dentro do PMDB, sempre marchou com a oposição em Santa Catarina.

Em outra frente, Borhausen aguarda os movimentos do PSDB, que pode lançar o tucano Paulo Bauer ao governo, para garantir um palanque para Aécio Neves.

 

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No dia em que o plenário da Câmara dos Deputados prepara-se para votar o projeto de lei que barra a transferência do tempo de televisão e do fundo partidário aos novos partidos, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos – presidenciável do PSB – desembarcou em Brasília para comandar as articulações contra a proposta.  PMDB e PT tentam votar a toque de caixa o projeto ainda hoje.

A investida do governador contra o projeto é mais um passo que deve ser interpretado como um sinal de que não pretende recuar de sua candidatura à presidência em 2014. Seu principal interesse é ganhar tempo  para garantir a fusão do PPS com o PMN (Partido Municipalista Brasileiro) em um novo partido que deverá chamar-se Partido da Mobilização Democrática,  que deve ser formalizada amanhã, 17.  Campos já tem garantido o apoio da nova legenda à sua candidatura.

“O PSB é contra o projeto, por uma questão de justiça”, declarou Campos. “Se já foi possível a outros criarem partidos no passado (com tempo de televisão e fundo partidário), é importante que respeitem o direito dos outros”, desafiou. Campos fez uma crítica indireta ao ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que garantiu a transferência do tempo de televisão e dos recursos do fundo partidário ao PSD, por meio dos deputados que migraram para a nova legenda.

Se o projeto, respaldado pelas principais siglas governistas – PMDB e PT -, for aprovado, inviabiliza o funcionamento dos novos partidos em gestação, como a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, e o Partido Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).  O êxito da  criação dos novos partidos fortalece as candidaturas de Marina e Campos, projetando um segundo turno nas eleições do próximo ano.

Por isso, a proposta tem o apoio velado do Palácio do Planalto, e de outras siglas de médio porte, como PSD e DEM – o primeiro para não perder parlamentares e reduzir seu tamanho e força de barganha junto ao governo, para o qual já funciona como linha auxiliar.  O DEM , embora alinhado com o PSDB, teme desidratar ainda mais.

RESPOSTA A LULA

A reforçar que sua candidatura pode ter chegado a um ponto de não retorno, Campos investe na base aliada . Nesse momento, almoça com o bloco de apoio ao governo no Senado, formado por PTB, PR e PSC.

Também chamou a si o debate público com o ex-presidente Lula,  respondendo a este, que , ontem, em Minas Gerais, apoderou-se do slogan da pré-campanha do socialista para afirmar ser  “possível fazer mais”, poorém que essa missão caberá à presidente Dilma Rousseff.

“O Lula é um homem inteligente, conhece o povo brasileiro. Sabe que é sempre importante fazer mais”, reagiu Campos.

 

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No xadrez político, o mais recente movimento do governo é taticamente correto. Esgotadas as tentativas de manter a aliança com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na disputa presidencial de 2014, antecipou a campanha eleitoral, reforçou a parceria com o PMDB e, agora, providencia um “racha” no PSB insuflando a indefectível vocação dos irmãos Gomes (Ciro e Cid) para a intriga política.

A ideia é clara e repete a operação de 2010, quando Lula lançou Dilma Rousseff com um ano de antecedência para ocupar o vácuo deixado pelo PSDB, envolvido numa disputa interna entre José Serra e Aécio Neves, que agora parece não ter força para prosperar.

Com isso, o governo espera dar a largada na corrida sucessória apoiado por uma base ampla, da qual se excluiria apenas três legendas com densidade política entre as quase 30 que compõem o espectro partidário nacional. Cria a expectativa de poder essencial para consolidar alianças políticas e obriga os adversários e indecisos a tomarem posição.

Como em política não existe vácuo, a reação da concorrência foi imediata. O movimento do Planalto precipitou o lançamento, ainda que informal, de Aécio, ungido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o candidato do PSDB – e sem prévias. Empurra o governador Eduardo Campos também para uma posição mais formal de candidato.

Nesse estágio do processo, portanto, os concorrentes do governo foram levados a uma posição política reativa, que lhes tira a iniciativa das ações num momento em que se beneficiavam  da inconveniência da precipitação da campanha para o próprio governo, o que lhes daria amplo espaço para o exercício da crítica de viés eleitoral.

O lance tático do Planalto, porém, não afasta a principal condicionante ao êxito da presidente: a preservação de um bom cenário da economia em 2013, até aqui o pilar de seu alto índice de aprovação.  A ampla base de apoio em torno de Dilma, como qualquer outra na história política, consolida-se ou se dissolve a depender dos resultados do governo que a patrocina.

A consistência crítica de Ciro Gomes também não deve ser avaliada além do limite de seu alcance, hoje apenas o de produzir uma crise passageira nas hostes do PSB, sob  controle do governador pernambucano.

A Ciro falta a credibilidade da crítica coerente, que seu perfil verborrágico retira a cada lance que protagoniza, desde sua saída do governo Fernando Henrique até a campanha de Dilma em 2010, quando disse dela o mesmo que agora diz de Campos: que lhe faltava estrada. E mais: que Serra era candidato mais preparado, embora adversário.

Prestou-se aos interesses de Lula ao mudar seu título eleitoral para São Paulo, crédulo da possibilidade de candidatar-se ao governo estadual com apoio do ex-presidente. Entrou em período sabático mais recentemente, quando se ocupou como comentarista esportivo de uma emissora cearense.

Seu irmão, Cid Gomes, é igualmente polêmico na gestão do governo do Ceará. Indiferente às críticas pelo uso familiar de avião fretado pelo governo em viagem internacional, anuncia agora a compra de um jato de autonomia continental, inteiramente dispensável para o exercício do cargo.

Há dias, ainda sob a polêmica de um show para inauguração de um hospital em Sobral, seu berço eleitoral, ao preço de R$ 650 mil, reagiu afirmando que fará outros. Quase como um castigo divino, o hospital desabou parcialmente.

Se faltava a Dilma a estrada que hoje também falta a Campos, ela parece cada vez mais distante dos irmãos cearenses, cujas mostras de provincianismo autorizam a previsão de que se manterão no plano da política paroquial, de lógica própria e, frequentemente, ditada por interesses distantes da vida nacional.

O governo também estará mais vigiado nos seus movimentos, uma vez assumida a candidatura de Dilma à reeleição. Embora a fiscalização da Justiça Eleitoral esteja muito aquém do rigor desejável para candidatos no exercício do cargo, o risco da propaganda dos atos oficiais, daqui em diante, ultrapassar os limites ético e legal, é grande e permanente.

Se, de um lado, está dando as cartas do jogo, de outro o governo ajuda a consolidar a candidatura do PSDB e, possivelmente, a formalizar a do PSB. Este precisará exibir fôlego e determinação: aquele, a unidade partidária jamais exibida. E programa para o País, que acusam faltar ao governo atual.

A situação mais difícil é a de Eduardo Campos. Não por algum “racha” no partido, mas porque precisará demonstrar determinação suficiente para que sua aspiração não se baseie apenas no eventual fracasso de Dilma. Não parece sustentável uma candidatura  que se paute simplesmente pelo apoio ao governo que pretende suceder, sem oferecer alternativas que a tornem atraente pela fundamentação pública.

 

 

 

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Não obstante a postura evasiva adotada mais recentemente, a chave para eventual candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) continua sendo o desempenho do governo Dilma no primeiro semestre de 2013. A senha dada por Campos desde o início falava em 90 dias, mas é provável que precise mais para uma avaliação sem riscos.

A rendição do PT ao modelo econômico deixado por Fernando Henrique Cardoso, essencial para a eleição e reeleição de Lula, não foi total e, na fase Dilma, esteve mais vulnerável a experimentações e pressões partidárias, do que é exemplo mais cabal a crítica às privatizações como mote de sua campanha vitoriosa.

Esgotado o modelo de consumo adotado para enfrentar a crise econômica mundial de 2009, a presidente precisa desesperadamente de investimentos para viabilizar a retomada do crescimento, cuja receita impõe uma relação fluida com o capital privado, hoje o principal obstáculo a desafiar a ideologia estatizante do governo petista.

O governo passou a conviver com a realidade dos apagões, desconfiança do empresariado, ao qual acena com margens de lucros rejeitadas, má gestão (que desmistifica a presidente–gerente) e perda de capital político do partido majoritário na aliança.

Não é pouco e, se superar seus próprios demônios nesse campo, a presidente Dilma terá de conquistar um grau mais impositivo junto ao seu partido para melhorar o desempenho do seu governo e preservar os patamares de aprovação que hoje ainda a mantêm como favorita em 2014.

Seu capital está preservado, pois apesar do baixo crescimento, o nível de emprego é bom. Mas se a economia não decolar, o que vai bem tende a piorar com a estagnação. Seu principal problema é político, pois os resultados ruins são produção própria e pouco vinculados à crise externa.

E é a capacidade da presidente de superar os desafios políticos que aparecem aos candidatos visíveis, Aécio Neves e Eduardo Campos, como incógnita em 2013. O que explica a cautela e o ritmo que imprimem aos seus projetos.

No caso do governador de Pernambuco, o pragmatismo que o caracteriza indica um compasso de espera, em que mantenha acesa a chama da candidatura, sem queimar as pontes com o governo cuja base integra.

Campos sabe que o acenado apoio do PT à sua candidatura em 2018 tem porcentual zero de chance. O que pode adiar seus planos até lá é somente o êxito de Dilma em 2013, com a consequente preservação de suas invejáveis condições de reeleição registradas hoje.

Não torce contra, apenas aguarda os acontecimentos para definir seu rumo. Aécio faz o mesmo com a diferença de que será candidato em qualquer circunstância, mas o cenário econômico instável recomenda avaliação diária do melhor momento para estabelecer o tom de sua campanha  E montar suas propostas em cima dos erros da adversária.

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A desmoralização da CPI do Cachoeira, cujo desfecho confirma ter sido concebida pelo ex-presidente Lula para atingir um alvo específico – o governador de Goiás, Marconi Perilo (PSDB) -, reflete a motivação política que passou a determinar investigações no âmbito do parlamento. E que banaliza o recurso a esse instrumento de investigação.

Outras CPIs, algumas em dose dupla (no Senado e na Câmara simultaneamente) confirmam essa utilização de instrumento parlamentar em causa própria. A CPI do Ecad, no Senado, passou despercebida pelo distinto público, e orientou-se pelo interesse de parlamentares proprietários de emissoras de rádio e TV e representantes de provedores empenhados em reduzir o ganho dos autores.

Outra CPI do Ecad aguarda vez na Câmara, esta pedida pelo Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), curiosamente representante de um dos setores – a Igreja – que já tem na música uma de suas fontes de receita, sempre isenta de impostos.  Há outros 10 pedidos de CPI na fila da Câmara, algumas superpostas ao Senado, como a da exploração do tráfico de pessoas.

O final melancólico da CPI do Cachoeira, com o parecer do relator na terceira versão, foi uma disputa entre governo e oposição sobre o controle das informações produzidas pela Polícia Federal, que receberam de bandeja ,com apenas um ponto em comum – o de que nem a um e nem a outro interessou avançar sobre a empreiteira Delta, a investigação que poderia render algum fruto. Ali todos perderiam.

Dois outros alvos dessa disputa – o jornalista Policarpo Junior, diretor de Veja em Brasília, e o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel – acabaram excluídos de um texto final imposto pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), à revelia da comissão, que já negara voto a esse fim.

Nos dois casos se uniram personagens historicamente antagônicos para sentar o Ministério Público e a imprensa no banco dos réus: o senador Fernando Collor (PTB-AL) e seu principal algoz quando presidente da República, o PT. Vinte anos depois, o ex-presidente resolveu eleger a mídia como responsável pelo seu impeachment.

É um revisionismo histórico, já que sempre elegeu como principal fator de sua queda a falta de relações com o Congresso Nacional que, no início de seu governo, chegou a hostilizar. Tem o direito de repensar sua queda, mas não sem expor-se à crítica pertinente de que investe contra o Procurador-geral em decorrência de um processo de improbidade a que ainda responde, assinado pela esposa de Gurgel, a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques.

Collor voltou à carga nos últimos dias, da tribuna do Senado, contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Num discurso duro, em que chama Gurgel de “prevaricador-geral”, se diz revoltado com a exclusão do relatório final do pedido de investigação do chefe do Ministério Público Federal.

Desde o início da CPI, Collor assinou pedido de convocação do procurador e apresentou seis representações contra ele nos órgãos de controle do Ministério Público. Sob o pretexto de questionar um favorecimento de Gurgel ao ex-senador Demóstenes Torres, já explicada de forma convincente pelo Procurador.

Collor não torna públicas, entretanto, suas diferenças pessoais com Roberto Gurgel e seus familiares, ou seja, o duro parecer de Cláudia Sampaio contra ele, na ação penal 465, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em parecer, assinado em 21 de maio de 2008 – e endossado pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza -, Cláudia Marques recomenda a condenação do ex-presidente da República pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), corrupção passiva e falsidade ideológica.

A denúncia do Ministério Público Federal, oferecida em agosto de 2000, revela um esquema de fraude em licitações, no governo de Collor, quando supostamente empresários do setor de publicidade pagariam propina em troca de contratos com o governo federal.

Segundo o MP, o esquema permitia a transferência de dinheiro público às agências contratadas. Até o pagamento de pensão alimentícia de um dos filhos do ex-presidente era viabilizado com esses recursos, afirma o Ministério Público.

A referida ação penal chegou ao STF em outubro de 2007, depois que Collor se elegeu senador por Alagoas. O primeiro relator do caso foi o ministro Menezes Direito, que se aposentou.

A ação foi redistribuída à ministra Cármen Lúcia, em outubro de 2009. Desde então, passados três anos, o processo está parado no gabinete dela, aguardando o voto e inclusão em pauta para julgamento.

Apenas para ilustrar – e mostrar o tamanho das acusações contra o ex-presidente – se os ministros do STF acolhessem as razões do Ministério Público, e na dosimetria, condenassem Collor às penalidades máximas dos crimes a ele imputados, a pena poderia alcançar 29 anos de reclusão – superior a algumas do mensalão.

Trechos do parecer descrevem a rede acusada, dando visibilidade a personagens desconhecidos mesmo à época da presidência de Collor. Alguns deles:

“Assim, tem-se o pagamento de propina por empresários do ramo de publicidade à equipe do então Presidente da República em troca da intervenção para que os primeiros saíssem vencedores em licitações governamentais.

“Os recursos arrecadados por meio de propina eram depositados em contas fantasmas e utilizados para pagamentos de despesas pessoais de FERNANDO COLLOR, OSVALDO MERO SALES e CLAUDIO VIEIRA.

“Os depoimentos de JUCINEIDE BRAZ DA SILVA (fls. 1408/1409 e 4821) atestam que o pagamento de pensão alimentícia de seu filho com o denunciado FERNANDO COLLOR era realizado por OSVALDO MERO SALES e CLÁUDIO VIEIRA, em nome do ex-Presidente.

(…) “O que se convencionou chamar de “contas correntes fantasmas” foi um mecanismo idealizado pelo grupo para dissimular a origem ilícita e a movimentação dos ativos financeiros, emprestando-lhes a titularidade de pessoas inexistentes.

“Quanto à autoria do fato, os depoimentos acima citados e os laudos grafotécnicos e contábeis realizados conferem a certeza da efetiva conduta do réu na prática do ato delituoso, ou seja, que o então Presidente da República, FERNANDO COLLOR, comandava as operações por meio do “testa-de-ferro” OSVALDO MERO SALES.

“Com efeito, é inadmissível acreditar que um esquema que movimentou vultosas quantias, beneficiando diretamente o denunciado, não tenha participação do mesmo. Todos os depoimentos creditam a atuação do grupo à figura do ex-Presidente.

“O Secretário Particular da Presidência e o Adjunto, em nome do Presidente, por meio de contratos de publicidade governamental fraudulentos promoveram desvio de verbas públicas em favor de empresas de publicidade, mediante o pagamento de propina, fazendo uso de contas bancárias e cheques com titularidade de pessoas inexistentes, para beneficiar o então Presidente da República.

“É certo que a ligação do ex-Chefe de Estado com os delitos aqui narrados não se limita à autorização para contactar o empresariado em busca de dinheiro e à ciência do que era conseguido, uma vez que o saldo das contas ideologicamente falsas custeava as despesas de Collor e de pessoas próximas, inclusive o pagamento da pensão alimentícia a seu filho, por exemplo.

“A conduta do denunciado amoldou-se perfeitamente aos tipos penais descritos nos arts. 312, 317 e 299, todos do Código Penal, uma vez que, em seu benefício foram desviados recursos públicos por meio de licitações direcionadas a determinadas empresas do ramo de publicidade, em troca de vantagem indevida – propina – que era administrada e movimentada em contas-correntes abertas em nome de pessoas fictícias ou inexistentes.“Por fim, vale destacar que o presente caso é absolutamente diverso de outros procedimentos já arquivados perante esta Corte, sob o argumento de que não havia indícios de participação de FERNANDO COLLOR.

“Na Ação Penal nº 307, por exemplo, o ex-Presidente foi denunciado por fatos relacionados à cobrança de propina para nomeação do Secretário Nacional dos Transportes e para concessão de empréstimo à VASP, bem como ao financiamento de campanha eleitoral pela multinacional Mercedes-Benz”.

 

 

 

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Podem ser absolutamente inverídicas as acusações do publicitário Marcos Valério ao ex-presidente Lula, assim como as demais constantes do depoimento prestado ao Ministério Público e reveladas pelo Estadão nos seus detalhes. Pode o depoimento ser parcialmente verdadeiro, excluindo-se o que diz respeito ao líder maior do PT.

Pode ter uma verdade, duas mentiras, pode ser integralmente mentiroso, pode misturar, à conveniência do depoente, fatos pinçados de um contexto e inseridos em outro, enfim, pode tudo. E a tudo se some ainda a falta de credibilidade de um delinquente, como diz o PT, dando os anéis para preservar os dedos, reconhecendo com a definição a existência sempre negada do mensalão.

São muitas as desvantagens de Valério como acusador, mas tantas possibilidades e dúvidas levantadas pelo seu depoimento, ao invés de razões para desconsiderá-lo, se afirmam como determinantes de investigação.

Afinal, se o evidente objetivo de livrar-se da pena ou de conquistar condições de cumpri-la em segurança, contaminam as acusações, também as justificam plenamente. O horror já vivido na cadeia numa recente prisão, a mesma que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse trocar pela morte, pode levar qualquer um a contar aquilo que ainda não revelara.

E aqui entra a pergunta que o PT repete diariamente desde a publicação do depoimento pelo Estadão: por que só agora Valério resolveu contar tudo isso?

Um dado importante nesse ponto é o de que Valério fez a proposta de delação premiada já condenado, mas antes de definida a sentença, embora já fosse possível prevê-la alta. Guardar revelações importantes para momento estratégico é sempre a conduta do integrante de quadrilhas, caso do publicitário.

Valério perdeu o timing. Acreditou na rede de proteção que lhe fora garantida, até viver a primeira experiência do cárcere. Está apavorado. Mas tanto pode estar mentindo para salvar a própria pele, quanto decidido a ir além do que já contou uma vez constatado que a única rede que lhe apareceu foi a que o pescou para a cela.

A investigação existe para separar verdade e mentira, fato e suposição, e a ninguém é dado o poder divino de fazer tais distinções sem apurar as informações prestadas formalmente a autoridades constituídas.

Insistir no arquivamento puro e simples do depoimento custará a Lula e ao PT a desconfiança permanente sobre ambos e não evitará, provavelmente, que o Ministério Público decida ir adiante. No momento é notória a relação entre a cautela do Procurador-Geral Roberto Gurgel com  o assunto e a conveniência de não permitir que atrapalhe a reta final do julgamento do mensalão.

Portanto, incluir patrimônio político como bem suscetível de tombamento, como pretende o PT em relação a Lula, ao alegar serviços prestados ao País, é mais uma das tolices que o partido acrescenta à já farta coleção fornecida pelos seus dirigentes à nação.

Tombam-se obras, não autores, porque as primeiras permanecem e, ao contrário de seus humanos criadores não têm, por inanimadas, a possibilidade de errar. Suas imperfeições derivam da condição humana de seus autores.

 

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Se comparadas as informações da Polícia Federal sobre a ex-chefe de Gabinete da Presidência da República, Rosemary Noronha, e seus cúmplices na máquina pública, com as declarações dos porta-vozes do governo e do PT, conclui-se que o país desconhecia um novo tipo de “aloprado” – aquele com DAS, cargo estratégico e  intimidade com o Poder.

O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o presidente do PT, Rui Falcão, concordam na tese de que as ações de Rosemary, do ex-diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Vieira, e do segundo homem da Advocacia Geral da União (AGU), José Weber Holanda, são isoladas e não comprometem nem governo e nem partido.

Falcão chegou a classificá-los de “militantes” sem importância e sem respaldo do PT. Cardozo sustentou em depoimentos no Congresso que não havia motivos para indiciar a ex-chefe de Gabinete de Lula e Dilma por formação de quadrilha, ainda que àquela altura a operação já tivesse produzido 23 indiciamentos e 40 mandados de busca e apreensão.

Por mais boa vontade, não há como atribuir à fala do ministro simples precipitação. A dimensão do cargo e a experiência política de seu ocupante conspiram contra o benefício da dúvida e apontam mais para uma postura partidária de blindagem de Lula, Dilma e governo. De Falcão não se esperaria nada diferente do que disse. Foi até moderado, parecia mesmo enfastiado com coisa tão menos importante que o mensalão.

Rosemary foi indiciada por formação de quadrilha menos de 24 horas após o depoimento do ministro, quase ao mesmo tempo em que seu cúmplice, José Weber de Holanda afirmava ao jornal O Globo, que há mais procuradores do Estado envolvidos na rede criminosa de venda de pareceres. Primeira declaração típica de quem não se mostra disposto a pagar o pato sozinho.

Afora a confissão que a declaração de Falcão encerra de que o governo adota o critério da militância para preenchimento de cargos estratégicos, a tentativa de desqualificar os três principais indiciados como “mequetrefes”, acrescenta ao episódio o pouco caso com que partido e governo tratam a esfera pública.

Os “aloprados” de ontem – violadores de sigilos, autores de dossiês falsos, operadores de caixa-dois e outros “malfeitos” -, eram ilustres desconhecidos, personagens do submundo do crime, das quais o partido lança mão historicamente para o chamado trabalho sujo.

Mas, agora, não. Mequetrefes ou militantes de vôo próprio, batem as asas no céu do poder, embalados pelo prestígio da funcionária fisicamente mais próxima da presidente e de seu antecessor, ainda que no escritório de representação em São Paulo.

Considerado o contexto, é legítima a conclusão de que o PT traduz aloprado por todo aquele militante cujo mal não está em fazer a coisa errada, mas fazê-la de forma errada. Ou seja, o que vacila e é apanhado com a boca na botija.

Tanto faz se opera no submundo ou em cargos estratégicos de governo. Com relação a esses últimos, porém, a velha saída de abandoná-los à própria sorte, exige mais que frases de efeito: é preciso blindá-los  para sustentar o discurso da negação – o de sempre.

 

 

 

 

 

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A presidente Dilma Rousseff reuniu as cúpulas do PT e PSB num jantar no Palácio da Alvorada, na última quarta-feira, a fim de pacificar os dois partidos. Orientada pelo ex-presidente Lula, ela se empenha em manter o PSB na base do governo e neutralizar estímulos a uma eventual candidatura do seu presidente nacional, o governador Eduardo Campos, em 2014.

Menos por considerar provável a candidatura de Campos e mais pelo temor de que uma crise entre os dois partidos possa gerar apoios à candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governo montou uma operação pela unidade de uma ampla frente à reeleição de Dilma, isolando o PSDB na disputa presidencial.

Um dia depois do jantar em que acertou os ponteiros com o PMDB, com esse propósito de unidade, Dilma jantou com o presidente da sigla e governador de Pernambuco, Eduardo Campos e  o vice-presidente, Roberto Amaral, em companhia do presidente do PT, Rui Falcão, e da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

As vitórias em redutos do PT no Nordeste, as alianças com PSDB e o crescimento do PSB ampliaram a visibilidade de Eduardo Campos e inflaram o ego do partido, apesar de sua projeção nacional ainda não configurar um cacife para enfrentar uma eleição contra uma presidente com privilegiado índice de popularidade.

Em entrevista ao blog, Roberto Amaral relatou que a presidente Dilma reafirmou a satisfação em ter o PSB na base aliada, desejando que o partido siga na base governista. Segundo ele, este desejo é recíproco, porque o PSB não quer deixar o governo.

Amaral desautorizou o governador do Ceará, Cid Gomes, que sugeriu o nome de Eduardo Campos para vice na chapa de Dilma em 2014, no lugar do atual Michel Temer, presidente, de fato, do PMDB. Em entrevistas, Gomes também reclamou do ex-presidente Lula, que criticou o candidato do PSB na campanha em Fortaleza. “Eu fiquei magoado”, desabafou.

O vice-presidente do PSB considera que a questão sucessória está posta fora de hora e conspira contra a gestão de Dilma, porque ao antecipar o calendário tira o foco da administração, o que equivaleria a suprimir parte do mandato.  “É uma deselegância”, diz. Quanto aos ressentidos com os resultados das eleições, ele sugere remédio amargo:  “Vão lamber as feridas” e “desçam do palanque”. Aqui um trecho da conversa com Amaral.

Como foi o jantar com a presidente?

Ela abriu o jantar afirmando que nos convidou para deixar claro que não tinha nenhum envolvimento com esses comentários (sobre as relações estremecidas entre PT e PSB). Ela afirmou que está muito satisfeita com o PSB na base aliada e com o nosso crescimento nas eleições. Ela queria desmentir esses rumores de crise do governo com o PSB.

Não ficaram sequelas dessas disputas?

Não há ambiente de briga entre nós. Estão criando esse clima e vocês (jornalistas) estão acreditando nele.

O PSB derrotou o PT em cidades onde eram aliados, como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, em embates muito acirrados. Sobraram ataques para os ambos os lados. Isso será superado?

Não estamos preocupados com isso. A eleição municipal tem uma lógica própria, a estadual e a federal têm outra. São lógicas totalmente diferentes que as separam. Tem coisas que unem e separam nos municípios. Tem alianças possíveis no plano municipal e outras que não funcionam. Ora, quem estiver ferido, que trate de lamber a ferida. Quem ainda está no palanque, trate de descer. A preocupação do PSB agora é com a administração das 443 prefeituras que conquistamos.

O governador do Ceará, Cid Gomes, sugeriu o nome de Eduardo Campos para vice de Dilma em 2014. O que o senhor acha disso?

Qualquer discussão hoje sobre a sucessão da presidente Dilma, com nome ou sem nome, é uma deselegância. Quem fala em sucessão é a oposição, porque quer reduzir o mandato dela. Eu é que pergunto: interessa a alguém da base do governo discutir agora a sucessão da Dilma? A direção do partido não quer discutir isso, por respeito à República e por quem vai comandar este processo em 2014, a própria Dilma. É ela quem tem que decidir, não os partidos que estão com ela.

 

 

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Depois de PMDB e PT, anteontem, a presidente Dilma Rousseff sentou à mesa com o PSB – este, em dose dupla. Ontem jantou com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e hoje, almoçou com o governador do Ceará, Cid Gomes. 

Tudo no Palácio Alvorada, onde antecedeu a todos, o ex-presidente Lula – a um tempo mentor, roteirista e autoexcluído da temporada de engorda oficialmente promovida pela presidente.

O roteiro é, até certo ponto, óbvio, e chancelador da avaliação de que as eleições, pelo equilíbrio de forças que estabeleceu, teve muitos vencedores, a depender do ângulo analisado. Um fez mais prefeitos no total geral, outro nas capitais, outro cresceu a partir de cidades estratégicas, outro se consolidou como terceira força e por aí vai.

Não obstante, deixou mágoas que Lula consegue administrar no PT, mas não no PSB, ainda.

Por isso, a interlocutora junto a Eduardo Campos e Cid Gomes foi a presidente. De início, Dilma quis aplicar uma certa dose de diversionismo na abordagem do tema com o líder nacional do PSB, propondo um encontro reservado durante a reunião da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste ) que congrega todos os governadores do Nordeste e que acontece amanhã. Mas precisou ser mais solene.

A conversa com Campos ficou entre os dois, pelo menos por ora. A Cid Gomes, segundo sua versão, Dilma pediu ajuda para acabar “com os ruídos na relação com o PT”.  Após a conversa, Cid ainda se mostrava irritado com Lula. “Eu fiquei magoado com o ex-presidente Lula”,  disse ao blog.

Segundo ele, seria até compreensível Lula fazer campanha para o candidato do PT em Fortaleza, mas sem as críticas pesadas contra o candidato do PSB, já que são aliados no plano nacional. 

Cid, porém, defende que o PSB permaneça na base aliada ao governo Dilma Rousseff e apoie a sua reeleição em 2014. “Defendo que Dilma e o PT liderem esse projeto nacional em 2014 e que estejamos com eles”, afirmou.

Para ele, Eduardo Campos pode esperar por 2018. “Ele é jovem, precisa andar mais, conhecer melhor o Brasil. Ninguém vai morrer por causa de quatro anos”, afirmou. E ainda arrematou: “se 20 vezes eu tiver de escolher entre PT e PSDB, 20 vezes eu escolherei o PT”. 

 

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Em troca do apoio do PDT nacional a Fernando Haddad em São Paulo, o ex-presidente Lula gravou uma declaração de apoio ao prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), candidato à reeleição. Preso na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, em 2010, Góes passou dois meses na Penitenciária da Papuda em Brasília.

No primeiro turno, Lula não se manifestou sobre a campanha no Amapá. Agora, entretanto, ofereceu-se para uma missão espinhosa, que até o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) – antigo aliado de Roberto – tratou de recusar.

Há dois anos, em discurso inflamado, Lula usou a ação da Polícia Federal no Amapá, que resultou na prisão de Góes, como exemplo do combate implacável de seu governo à corrupção. Quando a Mãos Limpas chegou ao noticiário nacional, Lula elogiou publicamente a PF e bradou que bandidos não ficariam impunes em seu governo.

No mesmo descompromisso de sempre com os fatos, o ex-presidente diz agora que Góes, a quem chama carinhosamente de Roberto – e que faz campanha sob restrição judicial – é depositário da confiança e dos sonhos dos cidadãos de Macapá.

É preciso votar em Roberto, diz ele, para ajudar a construir “um Brasil forte, cheio de vida, onde as pessoas caminham com confiança cada vez maior na realização de seus sonhos”.

 

A plena confiança na falta de memória do eleitor – que um juiz de Macapá recentemente achou por bem manter desinformado -, leva o ex-presidente a um flagrante daqueles que provoca a chamada “vergonha alheia”.

“Quando tem roubo a gente pega, vocês viram o que aconteceu agora no Amapá. Só tem um jeito de um bandido não ser preso neste país, é ele não ser bandido”, disse ele em 2010, três dias após as prisões do então governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), do ex-governador Waldez de Góes (PDT), do presidente do Tribunal de Contas José Júlio de Miranda Coelho e do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB).

Roberto Góes, primo do ex-governador, seria preso três meses depois, pela mesma razão: desvio de R$ 1 bilhão em recursos federais, segundo a PF. O inquérito ainda está em tramitação no Superior Tribunal de Justiça e no Tribunal Regional Federal da 1a Região.

Há um mês o blog foi alvo de censura depois de revelar que Roberto Góes fazia campanha sob restrição judicial, já que não podia frequentar bares nem restaurantes à noite, nem se ausentar do município por mais de um mês sem autorização judicial.
O juiz Adão Joel Gomes de Carvalho determinou, em liminar, a retirada da matéria do ar. Após um veemente parecer contrário do Ministério Público, voltou atrás e revogou a própria decisão.

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