O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), tomou a frente das articulações para tentar livrar o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) da cassação no Conselho de Ética. O parlamentar foi flagrado em interceptações telefônicas da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em conversas com o ex-sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos integrantes do esquema do contraventor Carlos Cachoeira.
Alves está em linha direta com a líder do PCdoB, Luciana Santos (PE), a quem garantiu os votos contrários do PMDB à condenação do comunista. O relator, deputado Amauri Ribeiro (PT-BA), apresentou na última quarta-feira um relatório preliminar, recomendando a abertura de processo contra o deputado e o aprofundamento das investigações. Protógenes afirma que suas conversas com Dadá não têm envolvimento com o esquema de Cachoeira. A votação do parecer acabou adiada para 4 de julho.
Henrique, que age motivado pela pré-campanha à presidência da Câmara, acabou ganhando o apoio do líder do PT, Jilmar Tatto (SP). O voto desfavorável do petista Amauri Teixeira irritou caciques da legenda, que saíram em defesa do comunista. Jilmar Tatto, que não faz parte do Conselho de Ética, compareceu à reunião do colegiado na última semana para dizer que a opinião de Teixeira não representa a do PT, que defende a absolvição de Protógenes.
O pedido de vista do relatório de Teixeira partiu do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que pediu mais tempo para analisá-lo, alegando sobrecarga de trabalho com a CPI do Cachoeira. Sampaio surpreendeu, já que a representação contra Protógenes partiu do PSDB. O gesto do tucano irritou Amauri Teixeira, que atribuiu o atraso no processo ao “jogo político”.
Teixeira, na verdade, manifesta um sentimento compartilhado pelos deputados do chamado “baixo clero”, ao qual ele pertence. Este segmento não exerce funções de liderança, mas forma a maioria da Câmara. E essa maioria não nutre nenhuma simpatia por Protógenes. Consideram-no um “arrogante”, que chegou ao parlamento “com ares de superioridade”, nas palavras de um deputado desse grupo.
Se pudessem, votariam pela cassação de Protógenes, afirma este representante do “baixo clero”. Mas como essa maioria deve fidelidade aos líderes da bancada e, na maior parte do tempo, vota conforme a orientação deles, as chances são de que o ex-delegado seja absolvido, apesar da antipatia que inspira aos colegas de parlamento.
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Após a reação negativa da presidente Dilma Rousseff à CPI do Cachoeira, ganham visibilidade iniciativas parlamentares para, ao menos, ganhar tempo e tentar exercer algum controle sobre o processo. Um desses movimentos será tentado amanhã pelo presidente do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que vai insistir junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que envie cópia da investigação da Polícia Federal – a Monte Carlo – ao colegiado.
O relator do caso, ministro Ricardo Lewandovski, já rejeitou pedido idêntico feito pelo corregedor do Senado, Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB). A rejeição foi interpretada pelo líder do PT, Walter Pinheiro (BA), como motivo primordial para criação da CPI.
A ideia de Vital, Valadares e do relator do processo contra o senador Demóstenes Torres (GO) no Conselho de Ética, Humberto Costa (PT-PE), é invocar um precedente no caso do ex-senador Luiz Otávio (PMDB-PA) para que Lewandowski reconsidere a negativa de envio dos documentos ao Senado. Segundo Vital, naquele episódio, o Supremo autorizou o envio de cópia do processo contra o ex-senador ao Conselho de Ética da Casa.
O afastamento de Sarney
Há ainda a leitura de que a súbita internação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o prazo necessário para seu restabelecimento contribuam para retardar a criação da CPI. Sarney se recupera de uma cirurgia cardíaca no Hospital Sírio Libanês em São Paulo.
Pelo regimento interno, cabe a ele, na qualidade de presidente do Congresso, convocar uma sessão conjunta das duas Casas para fazer a leitura do requerimento de criação da CPI. Tecnicamente, a sessão conjunta pode ser convocada pela vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES). Mas politicamente é uma hipótese remota.
Desde as primeiras costuras para instalação da CPI, Sarney se impôs como principal articulador do processo. Ele comandou de seu gabinete, na semana passada, as primeiras reuniões sobre o assunto, após pressão do líder do PT, Walter Pinheiro. Depois acertou a instalação da comissão com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).
Na última terça-feira (10), a pressão pela CPI foi tamanha que Sarney chegou a se sentir mal. Seu estado febril impediu que comparecesse ao jantar de aniversário do PMDB, programado para aquela noite. A criação da CPI foi o principal assunto da comemoração, deixando peemedebistas em estado de alerta.
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