Como previsto, ficou insustentável a permanência da ministra Erenice Guerra no cargo. O governo acaba de anunciar sua demissão que, como sempre, será registrada “a pedido”.
Foi assim com José Dirceu e todos os que caíram por denúncias indefensáveis. Erenice foi avisada que não seria possível preservá-la, mas que o ideal era que entregasse o pedido de demissão. Assim o fez.
A nota de Erenice em reação às denúncias foi a gota d’água, por anular o esforço do Planalto em desvincular o episódio da campanha eleitoral.
Ao atribuir a denúncia a José Serra e chamá-lo de “aético e candidato derrotado”, Erenice fez exatamente o contrário do que o governo desejava.
Erenice diz que sai para se defender fora do cargo. Dificílmente conseguirá fazê-lo sem afetar a campanha, a menos que o faça após as eleições. Seus algozes – os empresários extorquidos -, vincularam a cobrança a campanha de Dilma.
De toda forma, o governo tomou a unica providência possível, porque Erenice ficaria sangrando no posto e comprometendo a campanha de sua ex-chefe que, depois de prestigiá-la a ponto de fazê-la sua sucessora, diz que não se responsabiliza pelos seus atos.
Erenice sai, portanto, antes que a Casa Civil volte a ser identificada como uma central de arrecadação de campanha.
Mas isso foi só a gota d’água.
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Os especialistas sempre terão explicações para a flutuação das pesquisas como a que agora ocorre na disputa presidencial.
Mas o fato é que o resultado do Datafolha, na sequência de duas pesquisas imediatamente anteriores, que registraram queda de Serra, comprova que o País está dividido eleitoralmente, clima que deverá prevalecer na campanha.

Ascensão de Dilma e a permanência de Marina na casa dos 10% eram previstos. Fotos: Dida Sampaio
Os 39% de José Serra registrados pelo Datafolha indicam que o candidato do PSDB tem uma votação sólida e um eleitorado fiel, que o mantém nesse patamar desde antes de seu lançamento formal.
O que reforça a solidez da candidatura é também o fato de a pesquisa ter sido feita em momento negativo da campanha do PSDB, de que a crise do vice foi o melhor retrato.
A ascensão da candidata Dilma Rousseff e a permanência de Marina Silva na casa dos 10% eram previstos. O que deixou de ser dúvida é a capacidade do presidente Lula de transferir votos em proporção suficiente para consolidar uma candidata sem qualquer recall político.
Lula levou Dilma ao patamar de Serra e agora a disputa é pelo eleitor que não se decidiu ainda. É quando ganham importância os debates que a candidata do PT/PMDB tem evitado por estratégia de seus marqueteiros.
As pesquisas no contexto da atual disputa serão importantes como termômetro para que os partidos avaliem as situações regionais, façam ajustes naturais de campanha, porém não servirão para sustentar teses sobre definição de tendência, como se tem observado em algumas avaliações.
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O programa do PTB cumpriu o objetivo de manter a visibilidade do candidato José Serra numa fase em que a sua campanha tenta encontrar o caminho que justifique ao eleitor sua proposta de mudança.
E é só. Tecnicamente, o programa é de uma pobreza básica, com o formato de um locutor que usa o vínculo histórico do partido com a causa trabalhista para justificar o apoio a Serra. Tudo entremeado com personagens da rua, previamente selecionados.
Nada de novo – e nada que o adversário real de Serra, o presidente Lula, não possa exibir. Exceção para Roberto Jefferson, cuja aparição mais subtrai que soma.
O ponto que pode permitir a Serra avançar na campanha, o combate à criminalidade, sintetizado na proposta de criação do Ministério da Segurança, tem abordagem convenientemente rápida, já que nem Serra o desenvolveu até agora.
Serra terá que reaparecer nos programas gratuitos com algo mais palpável para convencer o eleitor de que a pujança da economia – que maquia as deficiências de gestão do governo – convive com mazelas que precisam ser enfrentadas e colocar-se como o melhor perfil para tanto.
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Assista abaixo comentário feito para a TV Estadão sobre a campanha após as convenções partidárias e os próximos passos dos candidatos:
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Missão de Grossi é estancar a sangria de infrações e multas que Lula começa a colecionar. Foto: Divulgação
Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, de onde se afastou há dois anos, o advogado José Gerardo Grossi será o guardião do presidente Lula na fase oficial da campanha.
A missão de Grossi é estancar a sangria de infrações e multas que Lula começa a colecionar, no ímpeto de eleger sua candidata, Dilma Rousseff, a qualquer custo.
A providência foi do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, preocupado em blindar o Presidente e tranquilizar a candidata do PT, – a cada dia mais assustada com a hipótese de uma reação mais dura da justiça eleitoral contra as transgressões de Lula.
Se na fase chamada de pré-campanha, Lula já acumula cinco multas, o que dirá quando a campanha começar de verdade e ele arregaçar as mangas em favor de sua candidata.
Essa é a premissa que levou Márcio Thomaz a acionar o experiente Gerardo Grossi.
Por trás do convite a um profissional sem vínculo qualquer com o Estado, existe o consenso de que é melhor deixar de fora do conflito a Advocacia Geral da União (AGU).
Grossi advogou para José Roberto Arruda, com quem rompeu por ocasião da tentativa de suborno de testemunhas que levou o ex-governador à prisão.
Arruda agiu à revelia dos advogados – e, mais que isso -, negou o crime com uma ênfase patológica quando confrontado pelos profissionais que o defendiam.
E que hoje consideram a situação judicial do ex-cliente grave, principalmente pelo perfil de Arruda, que passaram a considerar um caso psiquiátrico.
Tags: AGU, campanha, Dilma Rousseff, Jose´Gerardo Grossi, Lula, Márcio Thomaz Bastos
Realizadas na sequência do programa partidário do PT, as recentes pesquisas registrando crescimento significativo da candidata Dilma Rousseff atestam a capacidade de transferência de votos do presidente Lula para sua candidata e apontam para um ajuste na estratégia de campanha de José Serra.


Após a Copa, Serra, Dilma e Lula sobem o tom e esquentam campanha
Fotos: Divulgação, AE e Fábio Motta/AE
Nada que o candidato do PSDB já não tivesse em mente, como preservar o presidente da República de ataques diretos, porém imprimindo um tom mais crítico aos erros de governo na esteira das afirmações sucessivas de Lula e Dilma que a colocam como uma co-governante.
“Não há programa neste governo que não tenha a minha mão”, disse a candidata, avalizada por Lula: “Meu governo não teria chegado aonde chegou não fosse a Dilma”.
O estilo light de Serra não muda, mas há o que explorar sem pôr em risco a determinação de não polarizar a eleição com Lula.
Do Plano Nacional dos Direitos humanos a obras inconclusas do PAC , passando pela segurança pública, saúde e educação, o PSDB acha que há munição suficiente para contestar a capacidade gestora de Dilma.
Serra considera esta fase da campanha mais voltada ao jogo de bastidores, hora de selar os palanques estaduais, desafio em que tem se saído melhor que o PT.
Em agosto, a campanha tucana inicia uma fase mais “quente”, conjugando críticas com um discurso propositivo e com o nome do seu vice já definido.
Mas é em agosto também que o presidente Lula materializará o que chama de trabalhar “fora do expediente” arregaçando as mangas em favor de sua candidata.
Lula promete empenho dia e noite, fins de semana e feriados, conjugando os papéis de presidente da república e cabo eleitoral como “nunca antes nesse país”.
Polarizada como já está a eleição, a fase da campanha pós Copa do Mundo indica dificuldades para os dois candidatos e um clima passionalizado entre os eleitores.
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Desde ontem está no ar uma propaganda do PT em que a ministra Dilma Rousseff é apresentada como a continuidade do governo atual. Até aí, tudo bem, é essa a legítima mensagem eleitoral do partido.
Depois de identificar o PT como agente das transformações no País nas duas últimas décadas, mostra Lula e Dilma, lado a lado, pregando a continuidade.
Ao lado do presidente, ela faz um convite ao telespectador (eleitor): “Venha com a gente, vamos continuar mudando o Brasil”.
Não há outra tradução para esse “convite” senão a de um pedido de voto. A peça pretendeu passar uma mensagem subliminar, mas acabou explícita.
O que torna a legislação que proíbe a campanha antecipada uma mera peça de ficção.
Some-se à propaganda as imagens levadas ao ar, diariamente, pelos jornais televisivos, com Lula e Dilma em palanques de inauguração de obras, fazendo discursos eleitorais, e fica impossível dar outro nome a isso senão o de campanha eleitoral.
Não fosse pelo uso da estrutura do Estado para essa óbvia campanha antecipada, indiscutívelmente cara e patrocinada pelo contribuinte, até seria admissível considerar essa discussão uma bobagem.
Afinal, é hipocrisia disfarçar o que todos sabem: que Dilma é a candidata do PT apoiada pelo presidente da República e que terá por adversário principal o governador José Serra.
E que todos, de uma forma ou de outra, tentam dar visibilidade a seus feitos e comparam suas gestões.
Mas nada disso dá ao Presidente o direito de revogar a Lei na marra.
Para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, os 30% da ministra Dilma Rousseff registrados na recente pesquisa Sensus/CNT, esgotam o poder de transferência de votos do Presidente Lula para sua candidata.
Montenegro tem repetido a platéias de políticos de Brasília, como um mantra, que o PT não vence a eleição presidencial.

Carlos Augusto Montenegro, do Ibope: PT não vence
Depois do PMDB, ele voltou à carga em um encontro com o DEM, ontem, sustentando que o eleitor sabe que Dilma é o PT no poder mais quatro anos, só que dessa vez, sem Lula.
“Não é a mesma coisa e faz toda a diferença”, explica. Pelo seu raciocínio, o PT deixou o governo no mensalão e Lula deixou o PT antes disso. Esse quadro ficará claro quando Dilma trocar o governo pela campanha.
Ele minimiza a vantagem de Dilma no Nordeste, que representa 28% do eleitorado nacional: a vitória do PT lá não será de 100%, ao contrário, passa apertada, e não compensará a derrota no resto do País, diz convicto.
Ele também afirma que Dilma começará a perder a corrida na medida em que a campanha chegar à fase dos palanques, programas gratuitos e debates.
Seus ouvintes acham cedo para tantas certezas, mas ficam impressionados com a decisão de Montenegro em expô-las. Afinal, para um dirigente do mais tradicional instituto de pesquisas soa, no mínimo, temerário.
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Com todo o respeito – e os melhores e mais sinceros votos de pleno restabelecimento ao presidente Lula – o diagnóstico médico de excesso de trabalho como causa de sua hipertensão, se traduz por uma estafa decorrente da combinação de agenda oficial e campanha eleitoral.
Trocando em miúdos, a agenda do presidente da República está sendo cumprida dentro de um avião, que se desloca pelos quatro cantos do país, levando o chefe da Nação a lançamentos, inaugurações e eventos diversos, de indisfarçável cunho eleitoral, sempre em companhia de sua candidata, a ministra Dilma Rousseff.
Do alto de uma popularidade que em algumas regiões chega aos 100%, Lula revela um sentido de realidade próprio, desvinculado das regras e do senso comum em vários momentos. A transgressão à legislação eleitoral é ostensiva e, muitas vezes, a negação disso vem pontuada de ironias.
Desse nicho de glória, o presidente manifesta opiniões contraditórias com os princípios que diz respeitar, entre os quais, o da liberdade de expressão. É o que se depreende de sua recente declaração sobre a Venezuela, convulsionada por protestos de rua: “Por falta de democracia, não é”, disse sobre o fato.
Como Hugo Chávez acaba de fechar seis emissoras de TV, uma delas por não transmitir seus discursos na íntegra, fica a suspeita de que Lula cumpre uma mera formalidade ao assumir compromisso público pela liberdade de expressão.
E de que não diverge, como sugere, das propostas restritivas aprovadas nas inúmeras conferências patrocinadas pelo seu governo. Entre as quais a que institucionaliza a censura aos meios de comunicação sob o pretexto de regulamentar a mídia.
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Em busca de energia para o ano eleitoral, conforme definiu suas férias antes de embarcar, o presidente Lula vive momentos de total descontração em Salvador. Na foto, feita hoje, ele próprio carrega o isopor de bebidas, seguido por dona Marisa.
A imagem fala por si. Foto: Márcio Fernandes/AE
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