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12.maio.2011 12:10:35

Rompimento do acordo do Código Florestal expõe vulnerabilidade do governo no Congresso

A campanha do chamado “fogo amigo” contra a ministra da Cultura, Ana de Holanda e o adiamento da votação do Código Florestal, repõem na cena política a relação do PT com o governo ao qual dá sustentação há oito anos.

Nos anos Lula, a relação do PT com o governo foi de submissão a uma liderança maior que o partido e com a popularidade em alta permanente.

 O ex-presidente tinha tanta segurança de sua liderança que impôs aos petistas uma candidata sem vínculo histórico com o partido.

Que esperou, desde então, o momento de tentar impor-se à presidente Dilma Rousseff, meta anunciada pelo ex-ministro José Dirceu ainda durante a campanha presidencial.

“O governo Dilma será o verdadeiro governo do PT”, disse ele, ao pregar a um só tempo a hegemonia do partido na aliança governista e a tese de que Lula não foi o governo do partido.

Recentemente eleito por obra e graça do mesmo José Dirceu, o novo presidente do PT, Rui Falcão, disse ter chegado o momento anunciado pelo seu cabo eleitoral: “Até aqui foi por Dilma; daqui em diante será pelo PT”, sentenciou.

Foi a senha para despertar as diversas correntes em que se divide o partido, que Lula, em entrevista ao Estadão, em 2010, chamou de “feira ideológica”. Que não deveria ser levada a sério.

Para Lula, o PT que chegou ao poder com sua primeira eleição, em 2002, foi o “PT maduro” e que, sob sua liderança e mediação, se imporia aos “aloprados”, outro termo que ele encontrou para (des) qualificar os militantes capazes de tudo.

Indagado na mesma entrevista se sua sucessora teria condições de exercer o mesmo poder moderador, ele deu duas respostas: 1) Com certeza, porque ninguém vai achar que pode governar com o PSTU e jogar tudo o que foi conquistado fora; 2) E eu não morri.

Não morreu e está mais presente do que possam supor os que investem na suposta deterioração de suas relações com Dilma. Ele entra em ação quando é necessário controlar  a “feira ideológica”.

Não por acaso foi o Secretário-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho – o assessor mais próximo de Lula em sua gestão e seu canal dentro do governo atual -, o porta-voz do “enquadramento” da militância que tenta desestabilizar a ministra da Cultura.


O líder do PMDB, Henrique Alves, o relator do projeto, Aldo Rebelo, e o líder do governo, Cândido Vaccarezza, após acordo para votar o Código

Já na madrugada de hoje, o governo jogou fora o acordo pela aprovação do texto do relator do Código Florestal, Aldo Rebelo (PC do B-SP), sacrificou a credibilidade de seu líder, deputado Cândido Vaccarezza (SP) e ainda assim provavelmente será derrotado na votação dessa questão.

Encerrada a sessão, lideranças do PMDB e PDT, da base aliada, identificaram imediatamente os reflexos de uma disputa interna do PT no impasse que levou à obstrução da votação para livrar o governo de uma derrota acachapante por mais de 400 votos.

Quem deu a senha a uma base desorientada com o repentino rompimento do acordo foi o experiente deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) que alertou o líder do PMDB, Henrique Alves (RN): “Se não obstruir, vocês vão para a caçapa”.

O impasse começa no Planalto com a idas e vindas de um  processo de hesitação que ignora uma maioria suprapartidária pelo texto de Rebelo.

E se conecta com a crise reprimida desde a destituição de Vaccarezza do posto de candidato à presidência da Câmara em favor de Marco Maia (SP), com apoio do ex-presidente da Casa , Arlindo Chinaglia (SP), entre outros.

Vaccarezza era o candidato de Dilma à presidência da Câmara, assim como o deputado Humberto Costa (PE), à presidência do PT. Nenhum deles vingou.

Ana de Hollanda é a ministra da Cultura escolhida pessoalmente por Dilma, mas não é a dos sonhos do PT.

Está, pois, aberta a temporada de queda de braço entre o partido e o governo, que testará a liderança política da presidente em momento especialmente estratégico.

Por ora, está exposta a vulnerabilidade do governo no Congresso – e não por obra da oposição, que parece em estado de coma, mas pela tentativa do PT de consolidar sua hegemonia na aliança e, conseqüentemente, impor-se ao governo.

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