A cúpula do PT orientou seus diretórios a garantir a cabeça de chapa, nas eleições de outubro, em pelo menos 100 municípios com mais de 150 mil habitantes, a fim de aprofundar sua participação nas médias e grandes cidades brasileiras. No entanto, as disputas internas estão levando o partido a perder espaço nas capitais, na atual fase de escolha das candidaturas e formação das chapas.
O vice-presidente do PT José Guimarães (CE) afirmou, em entrevista ao blog, que o se o partido eleger o prefeito de 4 capitais, “será ótimo”. Por ora, ele aponta como principais apostas – além de São Paulo – Recife, Fortaleza e Salvador.
Em 2008, o PT elegeu prefeitos em 6 capitais e 28 cidades com mais de 150 mil habitantes. Em 2010, também passou a administrar Goiânia, capital de Goiás, com a renúncia do prefeito Iris Rezende (PMDB) para concorrer ao governo estadual.
Guimarães lamenta que o partido não tenha nomes fortes para concorrer nas capitais das Regiões Sul e Sudeste. “Ninguém quer se lançar”, dispara. Mas não é bem assim. Em Curitiba (PR), a corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), trabalha pela aliança com o PDT do ex-deputado Gustavo Fruet, foi um dos mais ferrenhos adversários do partido na CPI que investigou o “mensalão”. Para isso, contudo, pressiona os deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni a recuarem das pré-candidaturas.
Em Porto Alegre (RS), o PT se divide entre a pré-candidatura do deputado Adão Villaverde, presidente da Assembleia Legislativa, e o apoio à reeleição do prefeito José Fortunati (PDT). Em Florianópolis (SC), a sigla não tem nomes expressivos para a prefeitura, mas o partido investe as fichas na reeleição de Carlito Merss, prefeito de Joinville (SC), município com mais de 300 mil eleitores.
Em Vitória (ES), o prefeito João Coser (PT), que se reelegeu em 2008, apoia a candidatura do ex-governador Paulo Hartung, do PMDB, contra sua correligionária, a deputada e ex-ministra Iriny Lopes (PT), que colocou sua pré-candidatura em campo.
O cenário não está menos conturbado nas capitais apontadas por Guimarães como favoritas do partido. Em Fortaleza, cinco petistas disputam a vaga de candidato à sucessão de Luizianne Lins (PT). Em Recife, um petista, Maurício Rands, lançou-se contra outro petista, o atual prefeito João da Costa, que pretende se reeleger.
Dessas quatro capitais, o PT só está menos desunido em Salvador, onde o governador Jaques Wagner (PT) e o vice Otto Alencar (PSD) costuram uma ampla aliança para eleger o deputado Nelson Pellegrino (PT). Por enquanto, na Bahia, os principais adversários do PT não estão no PT, mas no PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima e no DEM do deputado ACM Neto.
Tags: capitais, Eleições 2012, PT, Recife, Salvador
Nossos colunistas políticos, tão acostumados a apontar o dedo para as divisões no PSDB, deviam olhar um pouco para o próprio quintal. O PT está profundamento dividido no Recife, onde a turma de Rands esmera-se em criar boatos e dossiês contra o prefeito João da Costa, enquanto em Fortaleza os petistas debatem-se longamente para saber quem levará adiante a gestão falida e impopular de Luizianne Lins.
O fato é que o PT não é um partido muito bom para administrar cidades. Pode até se sair bem no plano federal, copiando os programas da tucanada, mas não sabe criar gestões inovadoras. Raul Filho, de Palmas, é tido como o pior prefeito da história da cidade; honraria semelhante é conferida a Roberto Sobrinho, de Porto Velho, uma cidade que vive perto de uma convulsão social severa. Em Vitória, Coser não entregou o tão prometido metrô e amarga índices recordes de má avaliação depois de um escândalo envolvendo a desapropriação de imóveis na cidade. E, por fim, há Carlito Merrs, o sabujo prefeito de Joinville tão detestado pela população. (Aliás, o fato de o PT depositar tanta esperança na reeleição de Merrs diz um bocado sobre o quão grandes são os estrategistas do partido.)
Meu palpite é que, neste ano, a curva se inverterá, e o PSDB elegerá mais prefeitos de capital do que o PT. No caso do PSDB, a meu ver, serão eleitos José Serra (São Paulo), Rui Palmeira (Maceió), Firmino Filho (Teresina), Luiz Paulo Vellozo Lucas (Vitória) e Tião Bocalom (Rio Branco). Sem contar que, tendo lançado candidatos novos e nunca testados, a tucanada pode muito bem surpreender em Campo Grande, com Reinaldo Azambuja, em Cuiabá, com Guilherme Maluf, e em Natal, com Rogério Marinho.
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