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24.agosto.2010 16:11:50

PMDB revive unidade que elegeu Tancredo e nova expectativa de Poder

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Lula ficou maior que o partido e a ele se impôs produzindo o Lulismo. Foto: Paulo Liebert/AE

A se materializar em vitória de Dilma Rousseff o que os números das últimas pesquisas registram, a presente eleição projeta um cenário partidário com realinhamentos importantes, tanto sob o prisma histórico quanto em termos futuros.

Mesmo com a humildade estratégica que impede comemorações antecipadas, o PMDB já vive a euforia de um renascimento. Desde a eleição de Tancredo Neves o partido não se apresentava unido em torno de um projeto de governo, como acontece agora.

Para o PT, a vitória representará a continuidade de uma experiência que amoldou o partido ao seu principal líder, Lula, cujo exercício do Poder conteve os radicalismos da agremiação.

Lula ficou maior que o partido e a ele se impôs produzindo o Lulismo – uma espécie de liderança que recusa o rótulo de esquerda, amplia a classe média, viabiliza ganhos para a elite empresarial e econômica e ascende a patamares inéditos na história política do país.

Depois dele, o PT jamais será o mesmo e dividirá o governo com o PMDB,  sob a presidência de uma personagem sem biografia partidária e sem vínculo histórico com o partido.

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PMDB de Temer chega ao Executivo exibindo unidade interna. Foto: Wilton Junior/AE

Pouco muda para o PT, portanto. Mas para o PMDB é o fim de um ciclo que estigmatizou (justamente) o partido como uma frente fisiológica tão voltada para seus próprios interesses que se caracterizou por não querer chegar ao governo. A antítese de qualquer partido político.

Agora o partido chega ao Executivo exibindo unidade interna, participando da formulação do programa de governo, comprometido com os rumos da futura gestão, da qual será parte. Pela primeira vez correu o risco ao apostar numa candidata quando esta não registrava 5% de intenções de voto  e o adversário, hoje inferiorizado na disputa, mantinha-se na casa dos 40%.

Nas avaliações internas, feitas ainda de forma descompromissada, o PMDB se identifica como o partido de centro, num cenário em que se prevêem três partidos fortes e representativos: além dele, PMDB, o PT e o PSDB possivelmente inflado por adesões do DEM defensoras de uma fusão.

O PT seria a esquerda e o PSDB, se mesclado ao DEM, um centro-direita. Sem o DEM, um partido social-democrata mais reduzido nos seus quadros e na estrutura nacional. Continuará a ser um partido paulista, caso o senador Aécio Neves não consiga eleger seu candidato ao governo de Minas, Antonio Anastasia.

Se vitorioso, Aécio chega forte ao Senado transformando-se na principal liderança tucana e terá alcançado a meta que anunciou ainda presidente da Câmara, de combater a hegemonia paulista no partido. Meta, aliás, que provavelmente o moveu a recusar a vice na chapa de Serra e que também é comum a correntes do PT em relação ao partido.

O arco de alianças que configurará a base aliada de um eventual governo Dilma Roussef será a mesma de agora, com o retorno do PTB que, na disputa eleitoral assumiu a candidatura Serra apenas na figura de seu presidente, Roberto Jefferson. O resto do partido está de malas prontas para embarcar na candidatura patrocinada por Lula.

Em tal contexto, não é exagero afirmar que essa é uma eleição do PMDB, pelo que ela representa para o momento vivido pelo partido e pela perspectiva que oferece de voltar a ser protagonista da cena política e não mais um coadjuvante com invencível poder de chantagem sobre os governos.

Não será surpresa de o PMDB vier a ter candidato próprio em eleições futuras. Do que não se tem mais qualquer dúvida é quanto à sua decisiva influência no governo que disputa em aliança com o PT.

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Comentários (6) | comente

6 Comentários Comente também
  • 24/08/2010 - 17:05
    Enviado por: jan z. volens

    Ao fim uma definicao para explicar o “Lulismo” ao mundo la fora: “Recusa rotulo esquerda – amplia classe media – viabiliza ganhos para elite empresarial e economica – ascende patamares ineditos na historia politica do pais -” – Obrigado!

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  • 25/08/2010 - 06:48
    Enviado por: Renato

    Bom dia!
    Muitos criticam, mas penso ser positiva a aliança com o PMDB. Tal aliança é visível tanto em âmbito federal, quanto na esfera distrital. No DF, tomara que vigore com a vitória do Agnelo para Governador.

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  • 25/08/2010 - 06:59
    Enviado por: Patrícia

    Como é notório o jogo de interesses em alianças, mais notório ainda é a feita no DF, onde o Roriz foi praticamente expulso do PMDB, partido que está aliado ao candidato Agnelo. O Roriz deve ter feito muita besteira para sair de um partido com grande relevância.

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  • 25/08/2010 - 07:05
    Enviado por: Júlio

    O PMDB é conhecido como o partido mais “Maria vai com as outras” da história, porém demonstrou fator positivo no DF ao se “livrar” do Coronel Roriz.

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  • 25/08/2010 - 21:35
    Enviado por: Gianone Carlos Custodio

    Hoje no Brasil não há maior partido que Lula. Inclusive que o mito ganhou do homem.
    É impressionante o carisma e magnetismo pessoal de Lula.
    O PSDB, vive hoje sua pior fase na politica brasileira. Seus lideres, na oposição Camara e Senado morreram faz tempo.
    Aécio Neves, para varia jogou contra e, tornou mais amarga a atual situação do PSDB.
    è uma pena mas, José Serra não levará essa disputa com a Dilma não. Até porque Dilma se elegerá já no primeiro turno.
    Ao mexer com Lula o PSDB, mexeu na casa de marimbondo errada.
    Infelizmente.

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  • 27/08/2010 - 09:45
    Enviado por: Deus

    Serra está D.E.S.E.S.P.E.R.A.D.O.

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