
Lula ficou maior que o partido e a ele se impôs produzindo o Lulismo. Foto: Paulo Liebert/AE
A se materializar em vitória de Dilma Rousseff o que os números das últimas pesquisas registram, a presente eleição projeta um cenário partidário com realinhamentos importantes, tanto sob o prisma histórico quanto em termos futuros.
Mesmo com a humildade estratégica que impede comemorações antecipadas, o PMDB já vive a euforia de um renascimento. Desde a eleição de Tancredo Neves o partido não se apresentava unido em torno de um projeto de governo, como acontece agora.
Para o PT, a vitória representará a continuidade de uma experiência que amoldou o partido ao seu principal líder, Lula, cujo exercício do Poder conteve os radicalismos da agremiação.
Lula ficou maior que o partido e a ele se impôs produzindo o Lulismo – uma espécie de liderança que recusa o rótulo de esquerda, amplia a classe média, viabiliza ganhos para a elite empresarial e econômica e ascende a patamares inéditos na história política do país.
Depois dele, o PT jamais será o mesmo e dividirá o governo com o PMDB, sob a presidência de uma personagem sem biografia partidária e sem vínculo histórico com o partido.

PMDB de Temer chega ao Executivo exibindo unidade interna. Foto: Wilton Junior/AE
Pouco muda para o PT, portanto. Mas para o PMDB é o fim de um ciclo que estigmatizou (justamente) o partido como uma frente fisiológica tão voltada para seus próprios interesses que se caracterizou por não querer chegar ao governo. A antítese de qualquer partido político.
Agora o partido chega ao Executivo exibindo unidade interna, participando da formulação do programa de governo, comprometido com os rumos da futura gestão, da qual será parte. Pela primeira vez correu o risco ao apostar numa candidata quando esta não registrava 5% de intenções de voto e o adversário, hoje inferiorizado na disputa, mantinha-se na casa dos 40%.
Nas avaliações internas, feitas ainda de forma descompromissada, o PMDB se identifica como o partido de centro, num cenário em que se prevêem três partidos fortes e representativos: além dele, PMDB, o PT e o PSDB possivelmente inflado por adesões do DEM defensoras de uma fusão.
O PT seria a esquerda e o PSDB, se mesclado ao DEM, um centro-direita. Sem o DEM, um partido social-democrata mais reduzido nos seus quadros e na estrutura nacional. Continuará a ser um partido paulista, caso o senador Aécio Neves não consiga eleger seu candidato ao governo de Minas, Antonio Anastasia.
Se vitorioso, Aécio chega forte ao Senado transformando-se na principal liderança tucana e terá alcançado a meta que anunciou ainda presidente da Câmara, de combater a hegemonia paulista no partido. Meta, aliás, que provavelmente o moveu a recusar a vice na chapa de Serra e que também é comum a correntes do PT em relação ao partido.
O arco de alianças que configurará a base aliada de um eventual governo Dilma Roussef será a mesma de agora, com o retorno do PTB que, na disputa eleitoral assumiu a candidatura Serra apenas na figura de seu presidente, Roberto Jefferson. O resto do partido está de malas prontas para embarcar na candidatura patrocinada por Lula.
Em tal contexto, não é exagero afirmar que essa é uma eleição do PMDB, pelo que ela representa para o momento vivido pelo partido e pela perspectiva que oferece de voltar a ser protagonista da cena política e não mais um coadjuvante com invencível poder de chantagem sobre os governos.
Não será surpresa de o PMDB vier a ter candidato próprio em eleições futuras. Do que não se tem mais qualquer dúvida é quanto à sua decisiva influência no governo que disputa em aliança com o PT.
Tags: Aécio Neves, alianças, Dilma Rousseff, Lula, Lulismo, PMDB, PSDB, PT, Roberto Jefferson, Tancredo Neves
Ao fim uma definicao para explicar o “Lulismo” ao mundo la fora: “Recusa rotulo esquerda – amplia classe media – viabiliza ganhos para elite empresarial e economica – ascende patamares ineditos na historia politica do pais -” – Obrigado!
Bom dia!
Muitos criticam, mas penso ser positiva a aliança com o PMDB. Tal aliança é visível tanto em âmbito federal, quanto na esfera distrital. No DF, tomara que vigore com a vitória do Agnelo para Governador.
Como é notório o jogo de interesses em alianças, mais notório ainda é a feita no DF, onde o Roriz foi praticamente expulso do PMDB, partido que está aliado ao candidato Agnelo. O Roriz deve ter feito muita besteira para sair de um partido com grande relevância.
O PMDB é conhecido como o partido mais “Maria vai com as outras” da história, porém demonstrou fator positivo no DF ao se “livrar” do Coronel Roriz.
Hoje no Brasil não há maior partido que Lula. Inclusive que o mito ganhou do homem.
É impressionante o carisma e magnetismo pessoal de Lula.
O PSDB, vive hoje sua pior fase na politica brasileira. Seus lideres, na oposição Camara e Senado morreram faz tempo.
Aécio Neves, para varia jogou contra e, tornou mais amarga a atual situação do PSDB.
è uma pena mas, José Serra não levará essa disputa com a Dilma não. Até porque Dilma se elegerá já no primeiro turno.
Ao mexer com Lula o PSDB, mexeu na casa de marimbondo errada.
Infelizmente.
Serra está D.E.S.E.S.P.E.R.A.D.O.
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