A assembléia constituinte exclusiva proposta pelo PSD é uma polêmica travada no país desde que a revisão constitucional de 93, prevista pelos constituintes de 88, deixou de ser feita.
De lá para cá, os sucessivos governos têm convivido com crises anunciadas.
Estabeleceu-se quase um consenso em torno da avaliação de que a Constituição de 88, com todos os seus méritos (e não são poucos), padecia de um mal compreensível: foi feita com o olho no retrovisor.
Com isso se quis mostrar que ela sofreu a influência da repressão de duas décadas de ditadura militar e tornou-se uma peça altamente reguladora da vida do país, chegando ao grau das minúcias.
O que uma constituinte exclusiva nos moldes propostos pelo PSD tenta é resgatar essa oportunidade de uma revisão constitucional – e não uma revogação do texto em vigor.
A iniciativa nasce com uma reação contaminada pela desconfiança por aparentemente respaldar proposta idêntica do PT, diversas vezes defendida pelo ex-presidente Lula.
Cabe ressalvar que as motivações são diversas. O PT quer reformas que agravam o poder regulador do Estado, enquanto o PSD vai no sentido contrário, reduzindo essa interferência.
Com o reequilíbrio numérico que a formalização do PSD representa no quadro partidário, e considerada a diversidade ideológica entre os dois partidos, o temor de uma hegemonia petista no contexto de uma Constituinte exclusiva deixa de ter razão de ser.
Tomando por base a Constituinte de 88, o PSD cria as condições para reproduzí-la, em caráter revisional, com a garantia de influência de um “centrão” – o contraponto que as correntes ideológicas de centro e direita impuseram ao figurino de esquerda que ganhava força na ocasião, nos ventos de uma aspiração nacional pela revogação do que se concebeu chamar de “entulho autoritário”.
Na verdade, o País vive em constante processo revisional, sempre precedido de debates longevos que tornam as reformas de Estado um processo lento demais para acompanhar a realidade das transformações sociais, cenário agravado pelo quorum qualificado exigido para cada mudança.
A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que coordena a iniciativa da Constituinte pelo seu partido, tem levantamento consistente para comprovar o processo de permanente revisão a que o país se submete desde a opção por não realizar a revisão de 93, com quorum de maioria simples.
Diz ela que de 1992 até hoje, já foram aprovadas 73 emendas constitucionais.
Desde 1989, apenas um ano após a promulgação da Carta, foram propostos ao Congresso 4.666 projetos de novas emendas para reformá-la, dos quais 2.210 ainda estão em tramitação.
Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal deu provimento a 757 Ações Diretas de Inconstitucionalidade, tendo ainda provido, em parte, outras 203.
Hoje , 1.116 Adins aguardam julgamento. Ou seja, às dificuldades de reforma do texto, tem-se a judicialização do processo a partir de demandas específicas que levam partes em conflito ao tribunal.
Este, à revelia do processo político, acaba exercendo o papel legislador, sem a legitimação dos mandatos inerentes a essa função.
Ainda que possa não prosperar, a iniciativa do PSD pode gerar – ou, pelo menos, deveria, algum tipo de pacto pelas reformas de Estado.
Se obtiver tal efeito, já terá sido uma contribuição inestimável.
Tags: Constitutinte de 88, Kátia Abreu, PSD, PT, reformas de Estado, Revisão Constitucional, STF
Quem já tentou administrar alguma coisa , uma empresa , um negócio ou um país inteiro , sabe que o problema é o PROCESSO.
Imagine um fabricante de salsichas . Se a cada dia ele altera a receita e o modo de fazer as salsichas , ele perderá freguezes pela falta de padronizacao. E se tiver empregados , estes nao saberao como fazer , embalar , guardar as salsichas . Isto se chama PROCESSO.
A constituicao é o PROCESSO de um país. Um PROCESSO de origem ruim nao impede que as salsichas sejam feitas , mas um PROCESSO bom ajuda , e muito , a fazer salsichas. O mesmo raciocínio vale para conduzir um país.
Está claro que um bom processo nao interessa a muitos poderosos destes país.
Do jeito que está , qualquer pendencia , é só contratar algumas empresas de advogados muito boas no que se propoem ,e baseados na lei , o preto passa a ser branco e o branco passa a ser preto.
Um bom PROCESSO , se necessário for , acaba dizendo o que é preto e o que é branco.
A falta de uma constituicao prá valer ( ou PROCESSO ) é muito conviniente para muitos e vai ficar assim por muito tempo.
Se vier o clamor popular por mudancas , faz-se uma nova lei que nao diz nada , mas usando muitas palavras para serem massageadas e torcidas conforme necessidades de alguns.
Enquanto isto , nosso poder Judiciário só está preocupado com seus próprios salários.
Excente artigo e comentário do Serjão.
Assino embaixo!
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