Chega a ser desrespeitosa a proposta do governador José Roberto Arruda, de manter até o último dia do seu mandato a licença que tirou a caminho da prisão, em troca da liberdade.
Não faz sentido, em primeiro lugar, porque sua licença o Judiciário já tem. O resto é promessa, que não é uma moeda de troca plausível.
Em segundo lugar, porque continuaria dono do mandato, ao qual poderia voltar quando bem o desejasse. Para quem já teve duas chances na vida e jogou fora, uma terceira seria demais.
Arruda só tem chance de ser posto em liberdade caso se disponha a negociar em termos respeitosos o seu alvará de soltura. No mínimo, a renúncia.
No máximo, a colaboração com a Justiça , que tentou obstruir subornando testemunhas.
É o que propõe, inclusive, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), para quem Arruda poderia prestar um serviço ao País se contar o que sabe.
Miro acha que um gesto nessa direção resgataria parte dos erros cometidos pelo governador e mereceria até uma espécie de anistia política pela via popular.
Desde que contasse o esquema em toda a sua extensão, incluindo as cúpulas partidárias que dele teriam se beneficiado.
“Há uma enorme cumplicidade em torno dele, mas quem está na cadeia é ele. Por isso, ele deveria refletir e prestar esse serviço ao país”, diz Miro.
Tags: Anitia, Arruda, Licença, Miro Teixeira, renúncia
_________________
Papo de políticos
_________________
- Qual será o destino do governador do DF?
- Acho que ele deve colaborar com a Justiça.
- E o que ocorreria com o Arruda se ele contasse o que sabe?
- Para quem já teve duas chances de vida e jogou fora, uma terceira seria demais, né?
____________________________________________________
Se ele resolvesse falar, mesmo que para aliviar a própria pena, teríamos prováveis (ou presumíveis) surpresas. Pouco antes do advento da derrocada, Arruda aparecia como a estrela vitrine do DEM, inclusive sendo cogitado para figurar de vice na chapa Tucana, com José Serra ( basta ver isso no youtube, onde, em reunião, o candidato tucano chega a sugerir que seriam eleitos os dois carecas, ele e o Arruda). O DF era a menina dos olhos dos DEM, depois que César Maia terminou sua gestão na prefeitura Carioca, juntamente com Kassab na gestão do terceiro maior orçamento nacional, a cidade de São Paulo. Ocorre que, justamente por isso, há especulações de que as contribuições milionárias apuradas nas investigações pró o DEM, poderia dar nomes aos bois, enxovalhando outras reputações partidárias, com inevitáveis respingos na legenda prima-irmã tucana. Isso em ano eleitoral seria nitroglicerina pura, incêndio de dimensões imprevistas para a oposição, prato cheio para os adversários petistas e aliados. Mas, cobrar esse “dever” cívico é exigir demais dada a desfaçatez do meio político e os muitos interesses em jogo. Sob pressão, unicamente assim, temos informações inusitadas, com a chamada M…no ventilador. Há quem idolatre Roberto Jefferson pelas denúncias, esquecendo-se, todavia, que o mesmo foi denunciado involuntariamente pelo gatuno dos correios recebendo a propina. Vendo-se só, em abraço de afogado, abriu o bico. Virou réu confesso, está no rol dos culpados e foi expurgado por quebra do decoro pelos seus pares. A situação de Arruda inspira cuidados, afinal, a prisão o estigmatizou, além da exigência pela desfiliação do seu partido, o mesmo acontecendo com o vice renunciante, Paulo Otávio. Esperar gestos nobres, mesmo com abrandamento de pena por delação premiada é o mesmo que acreditar em papai-noel, neste caso.
Miro Teixeira está coberto de razão quando pede que Arruda abra a boca para dizer o que sabe. Mas, como em Brasília não há um futebol apaixonante, toda paixão é canalizada para a política. Parece que aqui não eleitores, mas sim torcedores. Com isso, a delação premiada, para esse tipo de eleitor-torcedor fica parecendo vitória no tapetão. Arruda dizendo o que sabe passaria de vilão a herói da noite para o dia.
Convém observar, no entanto, que o STJ tem muita prova e até agora prendeu pouca gente. Tá faltando aprofundar mais…
2012
2011
2010
2009
Deixe um comentário: