A entrevista do ministro Antonio Palocci ao Jornal Nacional produziu um consenso nos meios políticos: tratou-se de um ritual de saída a autorizar a versão de que o governo já procura um substituto para a Casa Civil.
A forma e o conteúdo da entrevista cumpriram o objetivo de dissociar os negócios do ministro do governo e do PT.
Palocci admitiu não ter contado à presidente Dilma Rousseff tudo sobre a sua próspera consultoria, limitando-se a informar que cessara as atividades da empresa antes da posse para evitar conflito de interesses.
Assumiu como decisão pessoal não revelar sequer sua carteira de clientes incluindo fraudulentamente essa informação no rol daquelas protegidas pela cláusula de confidencialidade comercial.
Ao dizer singelamente que “não quis aborrecer a presidente com esse tipo de detalhe”, como mencionou à Folha de S.Paulo, livrou Dilma do peso de explicar porque admitiu sua posse se estava informada de seus negócios – um obstáculo concreto à sua demissão.
Isolada dessa razão estratégica, a entrevista não faria qualquer sentido por não esclarecer simplesmente nada que possa afastar a suspeita de tráfico de influência por parte de uma eminência parda de um governo de continuidade.
Depois da entrevista, o diamante de R$ 20 milhões da metáfora cínica do ex-governador do Rio de Janeiro, deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), continua em exposição, mas a presidente Dilma já está liberada para retirá-lo da vitrine.
E devolver ao governo alguma articulação política.
Tags: Anthony Garotinho, Antonio Palocci, Dilma Rousseff, Folha de S.Paulo, Jornal Nacional
APOSTA NA AMNÉSIA E A ESCOLA DE PÔNCIO PILATOS. O oficial romano, Pôncio Pilatos, fez escola, quando há dois mil anos, lavou as mãos e deixou o povo decidir entre sacrificar o ladrão Barrabás, ou crucificar o Messias, Jesus Cristo. Assim, a Presidente – que anda caminhando sobre cristais, nesse momento, lidando com forças políticas conflitantes, pressões internas e externas, além da preocupação de dar dinâmica ao Governo, e com peso da sua própria consciência – ao “delegar” a tarefa de decidir o futuro ao Procurador Geral da República, acerta e erra. Acerta, “aparentemente”, por não parecer ter uma decisão açodada. E erra, ao “delegar” para o chefe do MPU, porquanto a decisão me parece de ordem política e não jurídica. Explico: é que o direito brasileiro, por vezes, “permite” que práticas nada recomendáveis, muito lucrativas ou não, não sofram quaisquer sanções. E de qualquer forma, falam por si, os fatos fartamente divulgados na imprensa, sem respostas, o que alimenta o vazio das oposições. Porém, é sabido que todos temos memória fraca. Esta aí a óbvia lição que aprendi: Toda vez que tiver de dar uma explicação, o faça na sexta-feira. Na segunda, ninguém lembrará mais!
De “Lulinha paz e amor” para “Dilminha tô nem aí”
Assim não dá!!!
http://maisumbloginteligente.blogspot.com/2011/06/dilminha-to-nem-ai.html
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