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03.dezembro.2013 18:49:07

Economia ruim, campanha também

E a má notícia econômica, antecipada com índice mais ameno pela presidente Dilma Rousseff, não surpreendeu: como é inerente à matemática, a conta é exata e impermeável às manobras contábeis exercidas fartamente pelo governo. Elas, porém, podem apenas maquiar e adiar o inevitável, mas ao final exibirá sempre a nudez do discurso protelatório.

O resultado apresentado hoje pelo IBGE aumenta a percepção externa – a interna já está consolidada -, da piora gradativa da economia brasileira e, segundo especialistas do mercado, amplia a possibilidade de rebaixamento do país pelas agências de risco. Não é mais de se esperar que, em ano eleitoral, o governo reverta esse cenário.

Porque é aí que reside a questão – o projeto de reeleição posto acima do interesse público de gestão responsável. Esta deixa de ser quando o Executivo sabe o que precisa mudar , mas adia as medidas necessárias à correção de rumos por conveniência eleitoral. É exatamente o caso brasileiro, dissimulado por uma discussão acadêmica que o governo estimula, enquanto sustenta seus índices de aprovação nas estatísticas que ainda mantêm baixo o desemprego.

De há muito aqui nesse espaço essa administração de números pelo governo é dada como uma corrida contra o tempo, na esperança de que sua consequência só se materialize após as eleições de outubro do ano que vem. Com os índices divulgados hoje cedo pelo IBGE, esse tempo se estreita mais e o cenário do quarto trimestre não deve atenuar esse quadro, embora essa seja a nova promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A simultaneidade entre a divulgação do IBGE e o aumento controlado da gasolina funcionam como uma síntese de causa e efeito entre essa gestão política da economia e seus maus resultados. O governo intervencionista, que pôs a Petrobrás a serviço do controle da inflação, levou o país ao último lugar em crescimento, entre todos os demais.

“Somos o país que menos cresceu entre todos os países do mundo nesse terceiro trimestre – reconhece o ministro da Fazenda.

O cenário projeta o ano de 2014 como dos mais difíceis para o governo e sugere que os efeitos políticos indesejados poderão se consumar antes dos cálculos do Planalto. O contrário seria a vitória de um mecanismo protelatório permanente no governo Dilma, cuja eleição já impunha a necessidade de ajustes na economia no primeiro dia de governo, mas que foi adiado para preservar sua popularidade.

A bola de neve aumenta, com novos adiamentos, aumentos subsidiados, desonerações, e toda sorte de truques, agora para não comprometer a reeleição. Os números ruins, porém, estão velozes , consolidando o quadro de fuga de investidores e, mais que isso, explicando-a didaticamente. O ue o governo tem para oferecer como atenuante são os leilões de aeroportos e de Libra, cujos resultados concretos são futuros.

A perspectiva de continuidade desse processo está consolidada nos mercados interno e externo, em que pese o esforço do ex-ministro Delfim Neto para conciliar suas críticas nesse sentido com o sentimento de dever para com a estabilidade que transparece de seu otimismo profissional. Apesar de seu empenho e de outros economistas, o “espírito animal” que cunhou para ilustrar o ânimo empresarial, continua adormecido.

A confiança do empreendedor não foi restabelecida como a do eleitor, que andou amenizando a ira de junho com a presidente, devolvendo-lhe parte do crédito de que dispunha antes das manifestações de rua. O investidor trabalha com a realidade, é refratário a promessas, é frio e calculista – a antítese do eleitor.

Como a resposta positiva deste último ao governo depende diretamente dos benefícios gerados pelo primeiro, a equação política não fecha . No momento, o governo trabalha com o capital político de sua reserva, já escassa, da qual faz uso com a angústia de quem sabe dispor de pouco tempo, menos que o necessário, para tentar garantir a vitória no primeiro turno.

Meta para a qual o índice maior alcançado até agora, na fase de resgate do patrimônio de votos confiscado em junho pelo eleitor, é insuficiente. Menos de 45% chega a ser dramático para quem, no exercício pleno dos poderes do cargo, tenta a reeleição.

A chance do governo hoje reside mais na incapacidade oposicionista de ocupar o espaço de insatisfação dos 2/3 do eleitorado que pede mudanças, do que na sua capacidade de reverter o que vai mal – da gestão à credibilidade, duas coisas que andam juntas – para o mal ou para o bem. Pioram juntas ou melhoram juntas, mas não andam separadas.

 



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