O foco compreensível na crise do ministério dos Transportes encobre, por ora, os problemas em outras áreas do governo de igual importância estratégica para a Copa do Mundo.
Nos ministérios do Turismo e da Justiça não se percebe qualquer sinal de ação mais efetiva, ou mesmo programas objetivos, que autorizem otimismo maior com relação a estrutura e segurança para receber torcedores de todo o mundo em 2014.
Do Turismo sabe-se apenas o que já se sabia quando assumiu a Pasta o octogenário Pedro Novaes: que ele gosta de cobrar conta de motel ao Estado e que tem aversão assumida à tecnologia. Ou seja, que não há nada acontecendo ali.
Do ministério da Justiça, teoricamente o fomentador de uma política de segurança pública em âmbito nacional,sabe-se um pouco mais depois da entrevista do ministro José Eduardo Cardozo ao repórter Raymundo Costa, do Valor, na última segunda-feira.
Porém, é mais do mesmo, ou seja, pouco além do diagnóstico da segurança no País, que começa na histórica crítica à rivalidade entre as polícias civil e militar, à dificuldade de um trabalho integrado nas fronteiras e segue pela falta do mais elementar sistema nacional integrado de cadastros de criminosos e registros de ocorrências.
O que significa que o PT continua eficiente no diagnóstico, característica adquirida em anos de oposição, mas ineficiente na ação executiva, algo que a experiência de oito anos no Poder ainda não corrigiu.
Ao contrário, é surpreendente como no poder apossou-se do discurso de oposição como se do governo não fizesse parte.
Saudada como a chance de o país produzir uma revolução na infraestrutura e na segurança, a Copa rendeu até aqui um questionado regime diferenciado de licitação. Nada mais.
Atribui-se nos meios políticos ao método centralizador da presidente Dilma Rousseff parte dessa paralisia, o que fica de certa forma confirmado no trecho da entrevista que Cardozo justifica um silêncio constrangedor sobre o programa do marco regulatório para a Internet como imposição da presidente.
Mas, independentemente do estilo centralizador de Dilma, o fato é que ela mesma parece não ter o que apresentar à nação que se pudesse chamar de um programa ou de metas de governo.
O que significa que por falta de autonomia ou por insuficiência (mais provavelmente por ambos), não é produzido no ministério nada que se possa transformar em uma reclamada agenda positiva que resgate o governo do varejo que é obrigado a operar diariamente.
Trocando em miúdos, não se tem a percepção de um governo com um rumo estabelecido, que saiba onde está e aonde quer chegar. Ele é percebido mais como uma gerência do que como um governo, que se ocupa de administrar um espólio que ajudou a produzir.
Não se pode produzir uma agenda positiva da noite para o dia, a menos que esta seja entendida como um factóide de objetivo diversionista.
O governo hoje é o governo do ministério dos Transportes., que lhe deu uma bandeira importante, porém única: a do combate à corrupção. Ainda que seja louvável, não deveria ser impeditivo de outras ações que estão na expectativa geral.
Tags: Agenda Positiva., Copa do Mundo, Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, Ministério do Turismo, Ministério dos Transportes, Ministperio da Justiça, Pedro Novaes, Segurança Pública
No final das contas só vão afastar as raposas ? Quem vai arcar com os erarios desviados? Ladrão de uma galinha vai preso, e o ldrão que rouba a granja inteira não vai????????????
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