A eleição de Rui Falcão para a presidência do PT remete ao que previra seu principal cabo eleitoral, José Dirceu: de que o governo Dilma Rousseff seria o verdadeiro governo do partido.
A frase, proferida ano passado a uma platéia de sindicalistas, embutia, a um só tempo, duas avaliações: que Lula governava com indesejável independência do partido e que este voltaria a exercer seus interesses de forma plena depois de sua saída do poder.
É o que se materializa agora, com a velocíssima manobra que tirou de cena o candidato de Lula e da presidente Dilma, o senador Humberto Costa (PE), ungido por ambos depois de um esforço vão pela permanência no cargo de José Eduardo Dutra (SE). O próprio Lula foi ao palácio da Alvorada ponderar a Dilma que era melhor não enfrentar a maioria produzida pela ação do ex-chefe da Casa Civil.
O desfecho agrava o malabarismo que a presidente já vem fazendo desde a posse para mediar o conflito entre os dois principais partidos de sua base – o próprio PT e o PMDB -, engalfinhados numa disputa por cargos de segundo e terceiro escalão.
O PT redobra o ânimo para “enquadrar” Dilma e consolidar sua hegemonia na aliança, o que a torna mais dependente de Lula, dos partidos satélites da base governista, além do próprio PMDB.
E estimula os adesistas vocacionais em direção ao PSD, que espertamente se coloca como opção nova aberta a todos, já que “ não é de centro, nem de esquerda e nem de direita”. É uma espécie de PMDB alternativo.
Mais que a agressão ao repórter pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), assusta o elogio que mereceu do presidente do senado, José Sarney (PMDB-AP) pelo feito. “Trata-se de um cavalheiro”.
De Requião nada surpreende – sua biografia não registra méritos políticos ou administrativos, só escândalos do gênero.
Sua gestão no governo do Paraná foi caracterizada por atos de nepotismo explícito, propaganda pessoal com estrutura pública e permanente clima de tensão com a imprensa.
Se vale do estilo do velho coronel da política, intimidatório e polêmico, uma estratégia para fugir aos questionamentos que recebe ao longo do exercício de mandatos.
Nesse momento, a fuga é ao tema de sua renda como ex-governador, uma aposentadoria precoce, que lhe garante uma dupla remuneração pelo erário – no que, diga-se a bem da verdade, não está só.
Por isso mesmo, o silêncio dos colegas em relação ao seu comportamento.
O senador furtou um gravador, não há outro termo para qualificar seu ato. Devolveu-o, mas não o chip do qual se apropriou com as gravações de um profissional.
Deu publicidade a seu ato afastando qualquer possibilidade de arrependimento.
Um cidadão sem mandato e sem proteção parlamentar estaria preso numa situação análoga.
É mais inacreditável a mensagem que postou no twitter, pela prova que representa do ato pensado e reafirmado, fruto não de um rompante emocional (o que não o justificaria), mas de uma soberba que o faz sentir-se acima do bem e do mal.
Requião reflete o conceito que a maioria de políticos e autoridades têm da missão pública: não a de servir ao país, mas dele servir-se.
Como recentemente fez o deputado Pedro Novaes, (PDB-MA), que repassou à Câmara suas despesas num motel. Foi premiado com o ministério do Turismo.
Pior que ao invés de perder o respeito de seus pares, terá deles um temor reverencial – e, não é exagero dizer, a julgar por ontem – também físico.
Mas o respeito do eleitor e cidadão ele perde, assim como o parlamento vem perdendo há muito tempo.
Renúncia de Maia a patrocínio oficial é confissão de culpa http://migre.me/4eZNu
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