O dia da eleição chega com uma dúvida sobre a possibilidade de segundo turno em face do crescimento da candidata Marina Silva, do PV, nos últimos 10 dias.
O PT reconhece a ascensão da ex-companheira, atribui-a ao escândalo na Casa Civil que levou à exoneração de Erenice Guerra, mas não a considera suficiente para evitar a vitória de Dilma Rousseff amanhã.
É uma posição formal que esconde uma preocupação maior da campanha. O partido teme, ainda que por margem mínima, possa escorregar pelos dedos a vitória dada como certa no primeiro turno. Sabe que a chamada “onda verde”, na verdade, não tem qualquer relação com uma súbita conscientização ecológica de parcela do eleitorado que migrou para Marina.
Marina se beneficia dos votos perdidos por Dilma por causa das denúncias recentes e do eleitor historicamente antipetista que desistiu de José Serra, insatisfeito com a campanha considerada excessivamente amistosa do tucano.
De qualquer forma, mesmo um segundo turno não tira ao PT a perspectiva de eleger sua candidata, no que é inteiramente respaldado pelas pesquisas. Assim, o partido continua com um olho na campanha e outro na disputa paralela travada com o PMDB, em torno da composição do futuro governo.
Nesse contexto, são dados como certos num futuro ministério Dilma: o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o candidato ao Senado por Minas, Fernando Pimentel, e Gilberto Carvalho,o atual chefe de gabinete do presidente Lula.
Muito bem avaliado, pelo menos por Lula, está o ministro da Justiça, Luis Paulo Barreto, secretário-executivo na gestão de Tarso Genro, que hoje lidera a corrida para o governo do Rio Grande do Sul.
PT e PMDB travam uma disputa paralela também pelas presidências da Câmara e do Senado: o atual líder do PT, Cândido Vacarezza diz não abrir mão do cargo, até porque avalia que o partido vem maior que o PMDB na Câmara.
Michel Temer, vice de Dilma, e liderança maior do PMDB, defende que o cargo seja ocupado por Henrique Eduardo Alves (RN), hoje o deputado com maior número de mandatos: eleito desde os 29 anos de idade, cumprirá em 2011 o seu 11º mandato consecutivo.
E, além da possibilidade de reeleição de Sarney para a presidência do Senado, a aliança de sustentação de Dilma terá de administrar a vontade já manifestada por Renan Calheiros (PMDB-AL), de voltar a posto, de onde foi apeado em 2007 depois de uma sucessão de escândalos.
Renan lidera a eleição para o Senado em Alagoas e construiu pacientemente o caminho de volta à Presidência, depois de um “mergulho” estratégico do qual emergiu líder do PMDB.
Sem nenhuma dúvida, caso eleita, Dilma terá nessas duas disputas seu batismo de fogo político, administrando duas forças partidárias de sustentação ao governo, que estarão permanentemente em disputa por fatia maior do poder.
Se vitoriosa, seu governo não começa, mas continua no dia seguinte à eleição.
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Depois do cancelamento da candidata do PT, Dilma Rousseff, agora é a candidata do PV, Marina Silva, que comunica à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que não vai comparecer a sabatina no próximo dia 1º de julho.
Marina, que já havia confirmado presença, exigiu ter conhecimento prévio das perguntas que lhe serão feitas pelos convidados. A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), informou ao coordenador de campanha de Marina, João Paulo Capobianco, que não pode fazer essa exigência dos empresários convidados para evento. A CNA entende a recusa de Marina como uma forma de evitar o debate em torno da questão ambiental.
“A CNA está fazendo o esforço possível para que haja uma discussão objetiva entre ambientalistas e produtores rurais. Lamento que a falta de confiança nessa proposta leve a candidata a condicionar a sua presença ao conhecimento prévio de perguntas sobre tema que é de seu domínio”, disse a senadora Kátia Abreu.
A senadora afirmou a este blog que, assim como na sabatina da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a CNA distribuiu aos candidatos material com as expectativas dos produtores em relação ao futuro governo.
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