Ao que tudo indica, um fato consumado, a presidência do PSDB é estratégica para o senador Aécio Neves (MG), menos pelo que representa como fator de consolidação de sua candidatura no partido, e mais pela autoridade que lhe transfere para a condução dos acordos regionais essenciais à aliança para 2014.
Tivesse o PSDB hoje unidade interna, ao candidato não seria indispensável a presidência da legenda. Mas até mesmo a corrente que preferia outro nome para a disputa, e por conseqüência, refratária ao seu comando, parece rendida à constatação de que prolongar o conflito os levará, em médio prazo, de partido a movimento.
O PSDB enfrenta dificuldades grandes para reproduzir o arco de alianças que, em 2010, garantiu 7 minutos e 18 segundos de de propaganda no rádio e na televisão para o candidato José Serra. Na última eleição, o tucano reuniu DEM, PPS, PMN, PTB e PTdoB em torno do projeto do partido de retorno ao poder: “O Brasil pode mais”, foi o batismo da coligação (alias, o mesmo slogan de Eduardo Campos agora).
Desta vez a concorrência é ainda mais acirrada: o pré-candidato não só enfrenta a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff, que consolidou em torno de si uma ampla coalizão de apoio no Congresso, como o encolhimento das bancadas de oposição.
Em 2006, DEM, PPS e PMN juntos somavam 90 deputados, sendo 65 do antigo PFL, 22 do partido socialista e 3 do PMN. As bancadas encolheram no pleito de 2010. O DEM elegeu 43, mas ainda sofreu novas perdas com a criação do PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e acabou reduzido a 31 deputados e, hoje, tem menos de 30. O PPS elegeu 12 deputados e tenta atrair a bancada de 4 parlamentares do PMN, num projeto de fusão com o partido.
Apesar da sintonia fina dos principais dirigentes do DEM com Aécio Neves, o partido é um pote de mágoas. O diretório de Pernambuco, por exemplo, cobiça a aliança com o presidenciável do PSB, o governador Eduardo Campos.
Os democratas se ressentem dos tucanos por não terem apoiado, ano passado, a candidatura do deputado federal Mendonça Filho à Prefeitura do Recife.
O PSDB lançou candidato próprio, o líder da oposição na Assembleia Legislativa, Daniel Coelho, que chegou em segundo lugar na disputa. Mendoncinha acabou em quarto lugar, atrás do candidato do PT. O candidato de Campos, Geraldo Júlio, venceu no primeiro turno.
Em Minas Gerais, o DEM considera inexpressiva a participação no governo de Antonio Anastasia (PSDB). O partido indicou o secretário de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles, mas reivindica espaço maior na administração. E em Goiás, o presidente do DEM, deputado Ronaldo Caiado, rompeu com o governador Marconi Perillo (PSDB), candidato à reeleição. A aliança nacional obrigaria reunir Perillo e Caiado no mesmo palanque.
Apesar desses problemas, a tendência é a reedição da aliança do DEM com o PSDB. A relação entre Aécio e dirigentes democratas – como o presidente do partido, senador José Agripino (RN), e o prefeito de Salvador, ACM Neto -, é a melhor possível. “O DEM deve seguir com PSDB, até por uma questão de sobrevivência partidária”, diz um dirigente tucano.
O PPS também não se decidiu ainda, e tenta uma fusão com o PMN para se fortalecer e valorizar o passe. A se confirmar o projeto, ficaria com 16 deputados e poderia atrair novos parlamentares. A fusão permite a troca de legenda sem a perda do mandato.
Parceiro do PSDB e DEM nas últimas corridas presidenciais, o PPS estreitou os laços com o PSB de Eduardo Campos. Em 2010, seu presidente nacional, deputado Roberto Freire, natural do Recife, transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, a pedido de José Serra, para compor o seu palanque.
Agora, entretanto, Freire sem perspectivas de reeleição por São Paulo, buscou o apoio de Eduardo Campos, que lhe sugeriu retornar o domicílio eleitoral para Pernambuco, onde tem força para garantir sua permanência na Câmara Federal.
O PTB, com uma bancada de 22 deputados, é requisitado pelos tucanos e por Eduardo Campos, que já enviou emissários para conversarem com o presidente licenciado da sigla, Roberto Jefferson.
Mas o partido espera um chamado do governo, ao qual mantém fidelidade, votando nos projetos de interesse do Planalto. Assim faz na expectativa de materializar esse apoio em cargo no primeiro escalão. Cobra uma vaga na Esplanada, mas pode se contentar com uma vice-presidência do Banco do Brasil, que entrou no balcão de ofertas, vaga com a ida de César Borges (PR-BA) para o ministério dos Transportes.
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O gabinete do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), exonerado do ministério dos Transportes na “faxina” da presidente Dilma Rousseff, distribuiu nota oficial desmentindo informação do dia 27/3, deste blog, de que o ex-governador da Bahia, César Borges, que ocupa uma das vice-presidências do Banco do Brasil, seria o novo ministro dos Transportes.
O post , que pode ser encontrado mais abaixo, informava que Nascimento transmitira a seus pares, no café do Senado, que a presidente, com quem estivera dias antes, decidira-se por Borges, a despeito da insatisfação da bancada da Câmara que defendia um deputado para o cargo.
Pois o ex-governador baiano foi confirmado como novo ministro dos Transportes ontem, pondo fim a uma novela cuja longevidade se devia à resistência da presidente em tirar do cargo o técnico Paulo Sérgio Passos.
A nota de Nascimento é exemplar pelo que nega e pelo que não nega: nela, diz nunca ter tratado com Dilma do assunto e que não indicou nomes.
Cuidadosamente não nega a informação do post, de que partilhara com colegas a decisão de Dilma antes do anúncio oficial, pelo risco de ser desmentido.
A posse de Borges será na próxima terça-feira. Espera-se que Nascimento não se diga surpreendido com ela.
Segue a nota do senador, desmentida pelos fatos.
Brasília, 28 de março de 2013.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Em resposta a nota publicada, nesta quinta-feira, 28, pelo colunista João Bosco Rabello, do Jornal O Estado de São Paulo, o senador Alfredo Nascimento afirma que não tratou de cargos, tampouco fez indicações de nomes à Presidenta da República, Dilma Rousseff.
O senador jamais faria tal manifestação por entender que a equipe de governo é uma decisão única e exclusiva da presidenta Dilma.
Alfredo Nascimento, presidente do partido, ressalta ainda que qualquer nome pertencente ao quadro do Partido da República, indicado pela presidenta Dilma terá seu o aval.
Assessoria de imprensa Gabinete do Senador Alfredo Nascimento (PR/AM)
Tags: Alfredo Nascimento, César Borges, Dilma Rousseff, Ministério dos Transportes
O presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), afirmou ontem a dois colegas do Senado que “fez o novo ministro do partido”. Relatou que sera o ex-senador e atual vice-presidente do Banco Brasil, César Borges, o novo ministro dos Transportes. Não há confirmação oficial, ainda, por parte do PR nem do Planalto, mas informalmente até adversarios da nomeação de Borges confirmaram.
A comemoração de Nascimento surpreendeu – e irritou – a bancada da Câmara, que quer um dos seus à frente da pasta. Os deputados sabiam que o nome de César Borges tinha a simpatia do Planalto, mesmo sem o respaldo da bancada. O que não sabiam é que o presidente da sigla, Alfredo Nascimento, defenestrado do cargo na “faxina” feita pela presidente Dilma Rousseff, trabalhava para emplacá-lo.
A celebração com senadores repercutiu negativamente entre os deputados, que se sentiram traídos.
A movimentação de Nascimento pró-César Borges irritou, principalmente, o líder da bancada, Anthony Garotinho (RJ), que foi alijado das discussões. Dois nomes de deputados federais haviam sido oferecidos e recusados pelo Planalto: o do ex-líder Luciano Castro (RR) e o de Jaime Martins (MG), ligado ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Os deputados achavam que Nascimento ainda trabalhava por um deles.
O nome de Borges teria sido selado em uma reunião que não constou da agenda da presidente na semana passada. Participaram da conversa, além de Dilma, Alfredo Nascimento, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP) e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que tem participado das articulações em torno da reforma ministerial. A reunião com o PR estava agendada para ontem (26), mas Dilma não quis embarcar para a África do Sul deixando essa pendência.
O PR tem uma bancada de 37 deputados e seis senadores. Uma liderança da bancada federal afirma que a nomeação de César Borges deixará os deputados insatisfeitos da mesma forma, como se continuassem sem ministério. “É um nome que não representa o partido. Se não é para ter um dos nossos, é melhor continuar com o Paulo Sérgio (Passos), que é um técnico e já o conhecemos”, reclamou.
Durante as negociações, uma das justificativas do Planalto para rejeitar os nomes dos deputados foi de que a presidente não queria um “político” no comando da pasta. Mas os rejeitados não engoliram essa explicação.
É fato que César Borges é engenheiro civil formado, e chegou a dar aulas na Universidade Federal da Bahia, o que lhe dá também perfil técnico para o cargo. Está sem mandato, já que chegou em terceiro lugar na disputa ao Senado em 2010.
Entretanto, é um político forjado pelas mãos de Antônio Carlos Magalhães. Com a ajuda do ex-presidente do Senado, elegeu-se governador da Bahia e senador. Borges deixou o PFL (hoje DEM) em 2007, para se tornar o presidente regional do PR.
A condição para que o PR retome o comando do Ministério dos Transportes é de manter a atual estrutura da pasta. Além disso, o Planalto não sente insegurança em reabilitar o partido no ministério, porque já teve parte de suas funções trasnferidas para a Empresa de Planejamento Logístico (EPL), estatal de logística de infraestrutura onde Dilma acomodou Bernardo Figueiredo, um técnico de sua confiança.
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Mudança de ministros não resulta necessariamente em gestão mais eficiente, embora no caso de alguns a inércia seja menos nociva que a ação. Por isso, talvez seja um erro especular sobre a reforma ministerial esperada após as eleições das Mesas Diretoras da Câmara e Senado, exclusivamente por esse viés.
Melhorar a gestão do governo, ou dar-lhe alguma, é providência indispensável para a presidente Dilma Rousseff, acuada pelos efeitos da crise internacional e o esgotamento do modelo de consumo como fator de crescimento. É preciso uma “virada”, como se diz no meio político.
Mas outro aspecto determinante de mudanças ministeriais é a necessidade de reacomodar as forças aliadas após as eleições municipais que produziram novas dívidas políticas.
Os dois fatores não são excludentes, mas é bem provável que o segundo prevaleça sobre o primeiro, apesar do baixo desempenho do governo, do qual a política econômica de varejo e o passivo acumulado na infraestrutura são exemplos mais notórios.
Feito o preâmbulo, como todo o período que antecede esse tipo de reforma, é legítimo especular. Ou melhor, dar voz às especulações que excitam partidos, políticos e potenciais candidatos ao primeiro escalão governamental. E jornalistas, claro.
Nesse contexto, fontes do governo indicam que a reforma será “enxuta” e não alcançará pastas mais estratégicas como Fazenda, Desenvolvimento, Justiça, Relações Exteriores, entre outras. Para os parlamentares, por desejo ou sabujice política, ela deverá ser mais ampla um pouco.
A dívida eleitoral começaria a ser paga com a nomeação de Gabriel Chalita (PMDB) para a Ciência e Tecnologia, ocupado atualmente pelo técnico Marco Antônio Raupp, cuja posse ocorrida após a ida de Aloísio Mercadante para a Educação, foi saudada pelo mundo acadêmico como um raro gesto de prestígio de governos à ciência.
Mas o governo tem que saldar o débito com o peemedebista pelo apoio decisivo ao candidato vitorioso do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Como o fez antecipadamente com Marta Suplicy contemplada com o Ministério da Cultura por um apoio que não passou de burocrático.
A opção Chalita, aliás, gera atritos na bancada do partido na Câmara, apesar do aval à sua nomeação pela cúpula do partido. A bancada mineira, Leonardo Quintão à frente, espera algum gesto do Palácio pela sua retirada da disputa eleitoral de Belo Horizonte em favor do candidato derrotado do PT, Patrus Ananias.
Há reserva feita também em nome do PSD pelo ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Esse caso provavelmente será resolvido com o novo ministério da Micro e Pequena Empresa, cujo projeto que o cria já foi aprovado na Câmara e aguarda votação no Senado a um simples sinal de Dilma.
Um dos nomes cotados para a pasta é o do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Simão, que comanda o PSD de Minas, aproximado de Dilma pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que ajudou a elaborar. Outro cotado é o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.
Se o PMDB do Senado ganhar um ministério, o nome de consenso da bancada seria o do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que desde sua chegada a Brasília, pleiteia o ministério dos Transportes, mas foi preterido pelo PR, alvo da faxina na pasta após os escândalos envolvendo o Dnit.
À época, chegou a lhe ser oferecido o ministério da Previdência Social, cadeira do PMDB, que acabou com o senador Garibaldi Alves (RN), pela recusa de Braga.
Reforça a ideia de mudança na Pasta a avaliação negativa do desempenho do técnico de carreira, Paulo Sérgio Passos, que substituiu o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), defenestrado pelas denúncias de corrupção que atingiram a pasta.
Nos bastidores, os relatos são de que Paulo Sérgio Passos tem necessitado do socorro da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para o mínimo de realizações que tem registrado.
Outras especulações dão conta da saída de Gastão Vieira (PMDB-MA, apadrinhado do senador José Sarney, do Ministério do Turismo, que poderia ficar com o PR, agendado para reunião com a presidente Dilma no final deste mês..
Muito se fala ainda na conquista pelo governo da senadora Kátia Abreu (PSDD-TO) para o ministério da Agricultura. Aqui o desejo maior é da presidente, pois a senadora tem sua força política na presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), de onde exerce forte e capilar liderança sobre os produtores rurais, além do mandato político – dois trunfos que a mantêm em confortável situação política. Nesse caso, a especulação de hoje seria mais sólida se pensada para um eventual segundo mandato de Dilma.
Por fim, mesmo o enfático desmentido da presidente Dilma, em recente café da manhã com jornalistas, sobre a saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi suficiente para sustar a especulação.
Como o diabo mora nos detalhes, não se deve desprezar que o desmentido da presidente foi quanto a uma iniciativa do governo em dispensar os serviços do ministro. Com a sutil ressalva de que ele sai, “se quiser”.
Como se trata de um governo em que até os agentes flagrados em falcatruas são demitidos “a pedido”, qualquer um que não interessar mais pode ser convidado a pedir para sair.
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O desempenho do candidato Fernando Haddad no recente debate promovido pelo Estadão/Google/ TV Cultura, foi uma síntese infeliz das declarações emitidas ao longo da campanha pelo ex-ministro da Educação de Lula, e provável fator de sua estagnação nas pesquisas.
Haddad não consegue responder de forma minimamente eficiente as principais questões que envolvem a sua candidatura – e quando o faz, sai pior a emenda que o soneto.
A começar pela tentativa de desfazer semelhanças entre a ida de Marta Suplicy para o ministério da Cultura e a renúncia de seu principal adversário, José Serra (PSDB) ao governo estadual para concorrer à presidência da República.
Instado a explicar como faz do caso tucano mote de sua campanha, levando ao eleitor a mensagem de que pode elegê-lo e não tê-lo , como da primeira vez, e não aplica o mesmo princípio a Marta, simplesmente disse que ao Senado ela pode voltar. Sabe-se que não voltará, a menos que seja demitida e, para isso, é preciso surgir o imponderável, temor secreto de todo político.
Ainda nessa hipótese, trata-se da mesma coisa: eleito para um cargo, o político interrompe o mandato para assumir outro. Vale para Serra, Marta, Manoel ou Felisberto. É rigorosamente o mesmo caso. Mas o apoio de Marta ainda encurralou Haddad no debate: impossível desdenhar a relação de causa e efeito entre o apoio antes negado por ela com requintes de ironia dirigidas ao candidato, e o aval entusiasmado logo após a nomeação para ministra.
Outros apoios constrangidos, como o de Paulo Maluf, mereceram de Haddad resposta defensiva, como a de que, se eleito, ao ex-adversário nada dará. É dizer, mais ou menos: “Ele está comigo, mas eu não o terei por perto”. Mas, escárnio mesmo com o eleitor, é dizer que a aliança com Maluf só produzirá benesses ao PP, base aliada do governo, como se o ex-prefeito e o seu partido não estivessem na mesma cruzada.
E o mais estapafúrdio tiro no pé: rejeitar José Dirceu, dizendo que a associação dele ao ex-ministro e réu no mensalão, “é degradante”. Quanto mais conserta essa declaração, mais Haddad perde votos entre os eleitores petistas e não petistas. Afinal, a frase não teria pior efeito se proferida pelo adversário.
O problema de Haddad é que Marta, Maluf, Zé Dirceu, Lula e outros aliados e padrinhos, são a antítese diária do “novo”, carro-chefe de uma campanha que tenta passar a ideia de que o ex-ministro de Lula salvará São Paulo da “velha política”.
Afinal, a juventude do PT há muito se foi, porque o tempo é inexorável para todos, mesmo que essa realidade incontornável faça parte do rol de negações do partido, que recusa a terceira idade – em que chega com todos os vícios que atribui apenas aos outros.
Se negar diariamente o mensalão por quase uma década não o tornou a ficção pretendida e nem gerou as absolvições impossíveis, o que dirá negar o tempo e os vínculos políticos consolidados no seu curso.
Não se arrisca prognósticos em eleição, ainda mais uma tão complexa como a de São Paulo, mas o fôlego de Haddad diminui em momento decisivo porque o conceito de “novo” não pode ser etário, mas de transformação.
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Lideranças do PT e do PMDB tentam transformar a convocação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara em convite, a fim de amenizar o desgaste político. Ideli enfrenta denúncias relacionadas à sua gestão no Ministério da Pesca.
Ainda como resquícios da substituição de Candido Vacarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP), deputados ouvidos pelo blog tentam imputar a convocação a uma alegada incompetência do novo líder do governo na Câmara. Chinaglia assumiu o cargo há um mês, em meio a uma atribulada mudança de comando nas duas Casas.
O fato é que Ideli terá de comparecer à Câmara, convocada ou não, a fim de explicar as denúncias feitas pelo Estado sobre desvios no Ministério da Pesca.
O Estado revelou que a pasta comprou 28 lanchas-patrulha por R$ 31 milhões, mesmo sem atribuição para fiscalizar a pesca ilegal. Parte da conta, R$ 5,2 milhões, foi paga na gestão de Ideli. O Estado também revelou que o dono da Intech Boating, fabricante das lanchas, doou, a pedido do ministério, R$ 150 mil ao comitê financeiro do PT-SC, que bancou 80% da campanha de Ideli ao governo de Santa Catarina.
Para transformar a convocação em convite, a comissão terá de votar – e aprovar – um novo requerimento nesse sentido. Os líderes do PT, Jilmar Tatto (SP), e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), tentam construir um acordo para que essa votação ocorra na semana que vem. Por meio de um convite, o comparecimento da ministra ao Congresso se daria de forma espontânea, e não compulsória. “É deselegante ela vir assim”, diz Tatto. “Ela não se recusa a vir, mas não precisa ser nesses termos”, argumenta.
Deputados da base, insatisfeitos com a demora na execução das emendas de parlamentares, votaram contra o governo. Mas um dos líderes governistas ouvidos pelo blog atribui ao “excesso de autonomia” de Chinaglia a convocação de Ideli. Segundo ele, Vaccarezza não hesitaria em pedir ajuda para garantir o quorum nas comissões e impedir a aprovação de requerimentos da oposição. “Vaccarezza teria telefonado logo cedo pedindo ajuda”, compara. O requerimento de convocação de Ideli constava da pauta da comissão, divulgada na véspera.
O vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-SP), que representava Chinaglia na comissão, tentou reforçar o quorum na última hora, mas não conseguiu. Dos 8 votos necessários para convocar a ministra, 5 vieram da própria base aliada. Os deputados Aline Corrêa (SP) e Carlos Magno (RO), do PP, Paulo Feijó (RJ), Wellington Roberto (PB), do PR, e Hugo Motta (PB), do PMDB, votaram a favor da convocação de Ideli.
Meia hora antes, o líder do PMDB, Henrique Alves, interveio para evitar a convocação de mais um ministro, Alexandre Padilha, da Saúde. Henrique convenceu o deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ), a retirar o requerimento de pauta. Em troca, transmitiu o recado de que Padilha comparecerá à comissão no dia 8 de maio. A comissão quer ouvi-lo sobre as denúncias de desvio de recursos públicos em hospitais públicos do Rio de Janeiro.
Tags: Arlindo Chinaglia, convocação, Ideli Salvatti, lanchas, líder do governo, Ministério da Pesca
O ministro Afonso Florence, demitido da pasta do Desenvolvimento Agrário, foi vítima de fogo amigo do PT. Desde o início do ano, sua cadeira era alvo da bancada da Câmara, que se ressente de não ter um representante de peso na Esplanada. Essa insatisfação só aumentou com a destituição do ex-líder da bancada Luiz Sérgio (RJ) do Ministério da Pesca para acomodar o PRB.
Deputado federal em primeiro mandato, Florence não era considerado um representante da bancada no ministério. Seus verdadeiros padrinhos eram o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e o senador Walter Pinheiro (PT-BA). Por isso, e sabedores de seu desempenho pífio à frente da pasta, deputados petistas passaram a fritá-lo, alimentando especulações sobre quem, entre os colegas de bancada, poderia sucedê-lo.
Um dos nomes que despontou na bolsa de apostas foi o do ex-líder da bancada Paulo Teixeira (SP), que deixou o cargo em fevereiro. Contudo, Dilma preferiu manter na pasta um deputado da corrente Democracia Socialista (DS), que controla o Ministério do Desenvolvimento Agrário desde o governo Lula. Chegou ao nome de Pepe Vargas (PT-RS). A diferença entre Vargas e Florence é que o gaúcho tem projeção política. Ele desponta entre os cem deputados mais influentes, é presidente da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa e relatou matérias importantes, como o projeto que extingue o fator previdenciário.
Insatisfação
Mesmo emplacando um nome de mais peso político no MDA, uma liderança petista afirma que a bancada continua insatisfeita, porque o contemplado vem de uma ala minoritária do partido. Lembra que no início do governo, a ala majoritária tinha um representante no núcleo duro do Planalto, o deputado Luiz Sérgio, que foi o primeiro titular da Secretaria das Relações Institucionais. Meses depois, ele acabaria exilado na Pesca, até a degola final.
Outras derrotas da bancada junto ao Planalto foram as tentativas frustradas de emplacar os deputados Newton Lima (SP) na pasta da Ciência e Tecnologia, e José de Filippi Júnior (SP) no Ministério das Cidades. Em contrapartida, o PT do Senado contabiliza duas representantes no núcleo próximo a Dilma, as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
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