Em passagem por Joinville na última quarta-feira, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, convidou o ex-governador de Santa Catarina Jorge Borhnausen a ingressar no PSB.
Ex-presidente do DEM e fundador do PSD, Bornhausen não esconde o desconforto dentro do partido desde que a principal liderança da sigla no Estado, o governador Raimundo Colombo, intensificou as articulações para compor com PT e PMDB e apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Este palanque isola Borhnausen. Político egresso da Arena, da Frente Liberal, ex-presidente do DEM e, finalmente, fundador do PSD, a sua trajetória e seus ideiais não admitem que ele divida o palanque com o PT. Tampouco que se filie a um partido que carrega o socialismo no nome.
Colombo aproximou-se de Dilma em meio a uma estratégia que vem sendo costurada há meses pelo senador Luiz Henrique (PMDB) e pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT). A injeção bilionária de recursos federais – como linhas de crédito do BNDES e socorro para as enchentes – estreitou os laços do Estado com o governo federal.
Essa articulação recaiu sobre Bornhausen como uma traição. Nos últimos anos, Borhnausen e Luiz Henrique firmaram-se como as maiores forças políticas no Estado e se alinharam, revezando-se no poder local. Em 2006, Borhnausen apoiou a reeleição do peemedebista ao governo, e a eleição de Colombo, então no DEM, para o Senado.
Em 2010, ambos se uniram para fazer de Colombo o sucessor de Luiz Henrique.
Nas campanhas presidenciais, a dupla garantiu o palanque – e a vitória – de José Serra e Geraldo Alckmin em Santa Catarina. Finalmente, em 2010, Borhausen comandou a fundação do PSD no Estado e trouxe o governador Raimundo Colombo para a sigla de Gilberto Kassab.
Agora, entretanto, na esteira da alta popularidade de Dilma, Henrique e Colombo costuram a tríplice aliança PSD, PT e PMDB.
Mas nem Borhnausen nem o PT querem aparecer no mesmo palanque. Há mágoas indeléveis. Em 2006, ele protagonizou um dos embates mais duros com o partido de Dilma na história política recente. Na campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e no auge do mensalão, Bornhausen propôs: “vamos acabar com essa raça”.
A frase está na memória dos petistas até hoje. “Estávamos em pleno reino do mensalão, na maior corrupção ética da história política”, justificou em uma entrevista ao Estado. Mais tarde, em resposta a Borhnausen, o ex-presidente Lula prometeu que o DEM seria extinto.
Nesse cenário, o ex-presidente do DEM aparece isolado em Santa Catarina. O isolamento aumenta quando se verifica que a maioria dos diretórios do PSD prefere marchar com o governo federal. O PSD é um partido híbrido, formado em sua maioria por oposicionistas insatisfeitos com os rumos do DEM.
Em contrapartida, aderir ao governo não eram exatamente os planos de todos os que migraram para o projeto de Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda.
Bornhausen não descarta o apoio a Eduardo Campos. São amigos e dividem a amizade com Kassab. Campos, inclusive, é um dos mentores intelectuais do PSD e ajudou a fundar o partido no Nordeste. No início, aliás, cogitava-se até a fusão da legenda com o PSB.
Descartada a adesão ao socialismo, o ex-presidente do DEM pode apoiar Eduardo Campos como dissidente, louvando suas bandeiras na área econômica, em que o pernambucano vem fazendo forte oposição ao governo Dilma.
Bornhausen seria um dissidente, assim como Luiz Henrique, que dentro do PMDB, sempre marchou com a oposição em Santa Catarina.
Em outra frente, Borhausen aguarda os movimentos do PSDB, que pode lançar o tucano Paulo Bauer ao governo, para garantir um palanque para Aécio Neves.
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No xadrez político, o mais recente movimento do governo é taticamente correto. Esgotadas as tentativas de manter a aliança com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na disputa presidencial de 2014, antecipou a campanha eleitoral, reforçou a parceria com o PMDB e, agora, providencia um “racha” no PSB insuflando a indefectível vocação dos irmãos Gomes (Ciro e Cid) para a intriga política.
A ideia é clara e repete a operação de 2010, quando Lula lançou Dilma Rousseff com um ano de antecedência para ocupar o vácuo deixado pelo PSDB, envolvido numa disputa interna entre José Serra e Aécio Neves, que agora parece não ter força para prosperar.
Com isso, o governo espera dar a largada na corrida sucessória apoiado por uma base ampla, da qual se excluiria apenas três legendas com densidade política entre as quase 30 que compõem o espectro partidário nacional. Cria a expectativa de poder essencial para consolidar alianças políticas e obriga os adversários e indecisos a tomarem posição.
Como em política não existe vácuo, a reação da concorrência foi imediata. O movimento do Planalto precipitou o lançamento, ainda que informal, de Aécio, ungido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o candidato do PSDB – e sem prévias. Empurra o governador Eduardo Campos também para uma posição mais formal de candidato.
Nesse estágio do processo, portanto, os concorrentes do governo foram levados a uma posição política reativa, que lhes tira a iniciativa das ações num momento em que se beneficiavam da inconveniência da precipitação da campanha para o próprio governo, o que lhes daria amplo espaço para o exercício da crítica de viés eleitoral.
O lance tático do Planalto, porém, não afasta a principal condicionante ao êxito da presidente: a preservação de um bom cenário da economia em 2013, até aqui o pilar de seu alto índice de aprovação. A ampla base de apoio em torno de Dilma, como qualquer outra na história política, consolida-se ou se dissolve a depender dos resultados do governo que a patrocina.
A consistência crítica de Ciro Gomes também não deve ser avaliada além do limite de seu alcance, hoje apenas o de produzir uma crise passageira nas hostes do PSB, sob controle do governador pernambucano.
A Ciro falta a credibilidade da crítica coerente, que seu perfil verborrágico retira a cada lance que protagoniza, desde sua saída do governo Fernando Henrique até a campanha de Dilma em 2010, quando disse dela o mesmo que agora diz de Campos: que lhe faltava estrada. E mais: que Serra era candidato mais preparado, embora adversário.
Prestou-se aos interesses de Lula ao mudar seu título eleitoral para São Paulo, crédulo da possibilidade de candidatar-se ao governo estadual com apoio do ex-presidente. Entrou em período sabático mais recentemente, quando se ocupou como comentarista esportivo de uma emissora cearense.
Seu irmão, Cid Gomes, é igualmente polêmico na gestão do governo do Ceará. Indiferente às críticas pelo uso familiar de avião fretado pelo governo em viagem internacional, anuncia agora a compra de um jato de autonomia continental, inteiramente dispensável para o exercício do cargo.
Há dias, ainda sob a polêmica de um show para inauguração de um hospital em Sobral, seu berço eleitoral, ao preço de R$ 650 mil, reagiu afirmando que fará outros. Quase como um castigo divino, o hospital desabou parcialmente.
Se faltava a Dilma a estrada que hoje também falta a Campos, ela parece cada vez mais distante dos irmãos cearenses, cujas mostras de provincianismo autorizam a previsão de que se manterão no plano da política paroquial, de lógica própria e, frequentemente, ditada por interesses distantes da vida nacional.
O governo também estará mais vigiado nos seus movimentos, uma vez assumida a candidatura de Dilma à reeleição. Embora a fiscalização da Justiça Eleitoral esteja muito aquém do rigor desejável para candidatos no exercício do cargo, o risco da propaganda dos atos oficiais, daqui em diante, ultrapassar os limites ético e legal, é grande e permanente.
Se, de um lado, está dando as cartas do jogo, de outro o governo ajuda a consolidar a candidatura do PSDB e, possivelmente, a formalizar a do PSB. Este precisará exibir fôlego e determinação: aquele, a unidade partidária jamais exibida. E programa para o País, que acusam faltar ao governo atual.
A situação mais difícil é a de Eduardo Campos. Não por algum “racha” no partido, mas porque precisará demonstrar determinação suficiente para que sua aspiração não se baseie apenas no eventual fracasso de Dilma. Não parece sustentável uma candidatura que se paute simplesmente pelo apoio ao governo que pretende suceder, sem oferecer alternativas que a tornem atraente pela fundamentação pública.
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O PSDB e o DEM apresentaram peças de defesa idênticas contra o PSD na ação em que a sigla do prefeito Gilberto Kassab reivindica uma parcela maior do Fundo Partidário junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A sintonia fina entre tucanos e democratas na corte eleitoral deve servir de alerta ao PSD, sigla do prefeito Gilberto Kassab, que disputa com o DEM a vaga de vice de José Serra, em eventual chapa liderada por ele à Prefeitura de São Paulo.
Serra já afirmou a interlocutores que a escolha do candidato a vice depende da decisão do TSE sobre a participação do PSD no Fundo Partidário. Essa mesma decisão valerá para o tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito.
A identidade das peças do PSDB e DEM na corte eleitoral não é mera coincidência. Mostra que as duas siglas agem como parceiras no TSE, a fim de liquidar os interesses do PSD, que busca garantir uma fatia maior dos recursos do Fundo Partidário – fixados em R$ 286 milhões neste ano – e do tempo de propaganda eleitoral.
Kassab está tão confiante de que indicará o vice de Serra que já selecionou cinco secretários municipais e pediu-lhes que coloquem os cargos à disposição, a fim de oferecer seus nomes ao tucano. Contudo, sem os minutos garantidos no horário eleitoral gratuito, o PSD perde a chance de indicar o vice na eventual chapa encabeçada por Serra, abrindo caminho para o DEM.
“Legendas partidárias que ainda não participaram de eleições gerais para a Câmara dos Deputados não fazem jus ao rateio dos 95% dos recursos do Fundo Partidário”, alegam DEM e PSDB – com as mesmas palavras – na petição protocolada no TSE.
As defesas de tucanos e democratas contra o PSD são idênticas do começo ao fim, inclusive os precedentes jurídicos invocados para justificar os argumentos. Até mesmo os trechos sublinhados e em negrito são coincidentes!
Para fazer jus a uma fatia maior do bolo, o PSD alega que tem a quarta maior bancada da Câmara (52 deputados) e, como tal, tem direito à divisão do fundo e ao “direito de antena” na mesma proporção que as maiores bancadas (PT, PMDB e PSDB).
Mesmo ainda uma possibilidade, a disposição do ex-governador José Serra de reconsiderar sua posição de não concorrer à prefeitura de São Paulo foi comemorada pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra:
“Um alívio”! – exclamou ao saber da notícia.
Guerra evidentemente vibra porque vê aí o caminho aberto para que o senador Aécio Neves (MG) consolide-se como o candidato do partido à presidência em 2014.
Segundo dirigentes tucanos, se finalmente decidir se candidatar, o próximo passo de Serra será investir todas as fichas na formação de uma ampla aliança, que reúna PSD, DEM, PDT, PSB e PTB, garantindo razoável tempo de TV.
O envolvimento do governador Geraldo Alckmin para viabilizar essa e outras exigências de Serra não é garantia, porém, de êxito pleno.
O tempo perdido até aqui gerou quatro candidaturas tucanas, uma pré-aliança do prefeito Gilberto Kassab com o ex-presidente Lula e o ingresso do PDT no governo tucano.
Além das feridas internas num eventual desmonte das pré-candidaturas do PSDB, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, reafirmou a candidatura à Prefeitura de São Paulo.
“Continuo pré-candidato”, disse ao blog. Ele alega que a secretaria que o governador Geraldo Alckmin deve confiar ao PDT não passa por sua desistência.
Já o líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP) – que renunciou à candidatura em favor de Fernando Haddad – minimizou a possibilidade de perder o apoio do PSD. “Sempre trabalhamos com a possibilidade da candidatura de Serra. O PT assiste de camarote à briga dos adversários”, provocou.
Resta saber como agirá Kassab, que sempre condicionou a candidatura própria do PSD, ou alianças, à decisão de Serra. Se o ex-governador for candidato – disse sempre o prefeito -, estarei com ele.
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Oposição e governo convivem numa espécie de trégua informal com suas crises intestinas – um com falta de programas e preso a um varejo que o torna refém da sede de sua base aliada por cargos e verbas.
Outro, precipitadamente envolvido numa disputa pela candidatura oficial à presidência em 2014. Com a pressa que faltou para definir-se em 2010, José Serra faz discurso solitário contra o governo dentro do PSDB.
Seu rival Aécio, puxa o freio de mão na expectativa de que a própria aliança governamental produza uma auto-combustão, enquanto ele sedimenta as bases para sair vitorioso na disputa interna. Serra agora quer prévias, Aécio tangencia o tema.
No caminho de ambos – governo e oposição – uma eleição municipal com provável protagonista novo, o PSD, que catalisa toda a energia de outro figurante oposicionista, o DEM, concentrado em inviabilizá-lo.
Como o governo é de continuidade, a oposição também o é, dando ao cenário a sensação de nova sessão do mesmo filme. O desgaste precoce do governo não favorece a oposição que também não parece ter programa alternativo para o país.
Neste cenário, a única previsão com risco mínimo de erro é a de que o PSD deverá participar das eleições municipais e tirar dela algum lucro, já que funcionará como sublegenda de muitos governadores.
Nem a Copa escapa: dificlmente o Brasil fracassará no desafio de sediá-la, mas a qualidade dos serviços do anfitrião já é posta em dúvida pelos mais realistas.
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A estratégia de Aécio na tentativa de consolidar-se como candidato do partido em 2014 à sucessão de Dilma Rousseff considera que a candidatura de Gilberto Kassab ao governo paulista “amarrou” o governador Geraldo Alckmin à cadeira, impondo-lhe a reeleição.
Tese reforçada pelo ingresso de seu vice, Afif Domingos no recém-fundado PSD, onde é alternativa à sucessão do atual prefeito de São Paulo.
O ostensivo empenho do ex-presidente Lula em quebrar uma hegemonia tucana de 16 anos no Estado completa a conveniência de Alckmin ficar onde está e de Serra conformar-se em voltar à prefeitura paulista.
Sem perder o foco nas articulações internas, Aécio iniciou uma ponte com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, principal liderança do PSB e passaporte nordestino indispensável a qualquer candidato presidencial.
Campos trabalha para conquistar visibilidade nacional e estabelecer uma autonomia política que o capacite a vôo mais alto ainda em 2014, se as circunstâncias autorizarem. É hoje o vice dos sonhos de qualquer pretendente à Presidência.
Ao mesmo tempo, o senador mineiro quer transformar o Instituto Teotônio Vilela (ITV) no instrumento de uma política de comunicação que lhe dê mais visibilidade nacional e dissemine as idéias e projetos tucanos.
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Não obstante o risco inerente às previsões judiciais, vai parecendo cada vez mais improvável o êxito das ações que visam a impedir a consolidação do novo partido, o PSD, nos tribunais.
É notória a consistência política do movimento iniciado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deflagrado no contexto de uma crise do sistema político que desenha claramente um rearranjo partidário.
A crise do DEM que lhe deu origem, não responde unicamente pelo veloz e robusto índice de adesões ao PSD.
Como mostram as contas, há gente de todo lado chegando, sob protestos de dirigentes das legendas mais desidratadas, como o próprio DEM e, mais ostensivamente, o PPS.
Impondo-se como realidade política, o partido liderado por Kassab dificilmente terá revés jurídico. No que diz respeito aos dissidentes do DEM, as chances de perda dos mandatos é quase zero.
O prefeito e os ex-demistas têm a materialização da prova de perseguição, que retira de um julgamento sério a dose de subjetividade que geralmente acompanha esses processos de desfiliação partidária.
Sob a presidência do deputado Rodrigo Maia (RJ), o DEM fraudou documento da Executiva Nacional que dava ao Conselho Político a exclusividade para decidir sobre coligações e lançamento de candidaturas em todos os níveis.
Esse foi o ponto de combustão de uma crise que chegou ao auge na campanha presidencial. A fraude retirou da corrente liderada por Jorge Bornhausen, da qual fazia parte o prefeito, o poder exclusivo que respaldou a decisão de apoiar a candidatura Serra, numa coligação com o PSDB, permitindo assim uma parcial cristianização da candidatura oficial.
Como até as pedras sabem, a ala de Maia marchou com o então governador de Minas, Aécio Neves, cuja rivalidade com o ex-governador paulista vem de muito antes da campanha presidencial, nela se tornou mais difícil de administrar e, hoje, é um filme exibido em 3D.
Por mais que recuse a fusão com o PSDB não parece restar ao DEM alternativa. Possivelmente a rejeição à idéia é estratégica, vinculada à conveniência de ganhar tempo para operá-la em melhores condições de tempo e visibilidade.
Por isso, entre os que se declaram contra a idéia há aqueles que têm, dificuldades regionais para a fusão – e, nesses casos, o PMDB é o plano B – e os que a preferem para após as eleições de 2012. Estes defendem um regime de coligação congressual enquanto preparam suas bases para aquilo que parece inevitável.
A oportunidade do lançamento do partido deu a Kassab a dianteira sempre importante no contexto político e deixou aos rivais, embora parceiros, como o governador Geraldo Alckmin, o ônus de gerenciar a crise aberta pela entrada em cena do PSD.
Mesmo o ex-governador José Serra está em dificuldades para situar-se no cenário pós-PSD. Na luta pelo comando do PSDB, tem no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a alternativa para um equilíbrio na disputa, da qual participa sem mandato ou cargo, em desvantagem com Aécio.
O mineiro é, hoje, quem produz perspectiva de poder dentro do partido ( desde que renove a carteira de habilitação e se submeta aos próximos bafômetros) e que está na iminência de arrastar consigo a dissidência do DEM, o que colocaria o PSDB numericamente próximo a PT e PMDB, restituindo-lhe a força congressual.
Não é um xadrez simples, mas é o que será jogado até 30 de setembro, três dias antes do prazo final para filiações e outras providências legais com vistas às eleições de 2012.
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Com as pesquisas na berlinda, um clima de suspense em relação ao comportamento do eleitorado de Minas e São Paulo, a incógnita dos indecisos e o risco de abstenções altas em todas as regiões, a eleição chega hoje ao seu final com cenários especulativos sobre o futuro quadro político.
Como a política nem sempre tem leitura linear é o DEM – curiosamente o partido dado como extinto (ou “extirpado”como prefere o presidente Lula) – que centraliza a contabilidade dos especialistas partidários.
Subtraído em mais da metade no Senado e reduzido a 43 deputados na Câmara – o que não lhe dá a possibilidade sequer de pedir verificação de quórum -, o Democratas fez as contas e se dará por extinto em caso de vitória de Dilma Rousseff, para fundir-se ao PMDB.
Uns preferem o termo “incorporação”, o que pouco importa para o objetivo estratégico, que é tornar o partido do vice de Dilma majoritário na aliança com o PT.
Nesse caso, avaliações preliminares internas indicam que 30 dos 43 deputados eleitos migrariam para o PMDB invertendo a supremacia na Câmara, hoje do PT. Os 13 restantes, por razões regionais, tenderiam a juntar-se ao PSDB.
No Senado, os seis Democratas não teriam maiores dificuldades em engordar o PMDB, uma vez aprovada uma decisão majoritária nessa direção.
Em caso de vitória de José Serra, tudo fica como está, na convicção geral de que o PMDB não teria o menor constrangimento em mudar de lado. “Uma metade viria logo, a outra seria só uma questão de tempo”, sintetiza um tucano.
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As repercussões negativas da agressão de militantes ao candidato José Serra, no Rio, e da reação do presidente Lula ao episódio, centralizaram as preocupações do PT nas últimas 48 horas.
Desde a comprovação pelo Jornal Nacional, da TV Globo, de que o candidato do PSDB foi efetivamente atingido na cabeça por um artefato com poder de causar ferimento, caiu por terra a versão jocosa que Lula assumiu publicamente para atacar Serra.
O mau humor do presidente durante todo o dia de ontem é resultado das críticas de parte do PT e da campanha às suas declarações contra o candidato do PSDB.
Alheio à impropriedade da declaração pelo cargo máximo que ocupa, e do mau gosto e deselegância de acusar o adversário de farsante, Lula se sentiu injustiçado pelo partido.
Ele achou que ajudava a sua candidata por ter comprado como verdadeira a versão que lhe foi trazida pelo PT com base na edição do jornal do SBT. Falou com aquela certeza que sua experiência política deveria reservar a casos comprovados, mas sentiu-se depois vítima de um erro de informação.
O partido, por sua vez, considerou que independentemente da versão que lhe chegou, Lula deveria ter observado os cuidados que o cargo exige e, pela primeira vez na campanha, ter invertido os papéis, virando o boneco e não o ventríloquo da candidata. Nobal, teve entanto, produziu uma segunda agressão ao candidato adversário que, embora verbal, teve muito mais peso e repercussão do que a física, no Rio.
Dilma repudiara a violência e estava de bom tamanho para a campanha. No episódio, ambos têm razão – Lula e o partido. Ambos fizeram tudo errado: a questão não é a consistência do que foi atirado em Serra, mas a operação de guerra armada para impedir que o candidato do PSDB fizesse sua campanha.
Passada a ressaca, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, telefonou para 16 presidentes de diretórios estaduais, com orientação enfática para controlar os militantes. A calma solicitada por Dutra tem sentido exclusivamente pragmático: ele teme que novos embates de rua ofusquem as manifestações pró-Dilma que o partido programa em todo o país para o próximo dia 27, em comemoração ao aniversário de Lula, que também será usado politicamente.
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Marina continuará liderando a causa, mas com um PV que terá o mesmo tamanho com que entrou na eleição. Foto: Tiago Queiroz/AE – 06.10.2010
Parece cada vez mais claro que Marina Silva tem de seus os votos correspondentes aos 10% que carregou até um pouco mais da metade da campanha.
A outra metade é um mix de eleitores insatisfeitos com os dois candidatos mais bem posicionados na disputa, indecisos, e, possivelmente, gente que ia votar em Dilma e recuou para pensar melhor depois que o aborto entrou na pauta.
Já disse aqui que a abordagem plebiscitária do tema favorece o obscurantismo. Por isso, tudo o que o envolve como parte de uma política pública precisa entrar no debate sob pena de a campanha se render ao fundamentalismo religioso.
Falo da espiritualidade, mas também da saúde, educação, planejamento familiar, aspectos historicamente negligenciados por candidatos, governos e instituições religiosas.
Mas voltando à Marina, se for correta a interpretação dessa outra metade de sua votação, que a transformou em fator decisivo para a realização de um segundo turno, melhor será se Serra e Dilma não superestimarem sua liderança sobre os eleitores de última hora.
Os votos que podem ser considerados “verdes”, ou seja, que têm relação com a causa ambiental capitaneada por Marina, migrarão para quem ela ou o PV decidirem.
Os 10% finais têm de ser perseguidos pelos candidatos que disputam o segundo turno, entre indecisos e insatisfeitos com as campanhas de um e de outro.
Passada a eleição, Marina continuará liderando a causa, mas com um PV que terá o mesmo tamanho com que entrou na eleição e precisará de alianças para multiplicar o capital político obtido agora.
Marina teve os votos cativos do eleitor sintonizado com a questão ambiental, mas teve também os votos que não buscou, numa proporção igual. É inútil, pois, assediá-la com uma preocupação ecológica artificial.
O que tem de bom nesse contexto é que o tema ambiental está inserido definitivamente no calendário eleitoral brasileiro e, por extensão, na pauta política dos governos vindouros.
O que reforça a idéia de que a negociação com a candidata do PV deve passar pela absorção da “causa verde” naquilo que ela tem de consistente e equilibrado, sem ceder aos fundamentalismos que também aí inviabilizam conciliações indispensáveis como a explicitada na síntese “desenvolvimento sustentado”.
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