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Ainda em meio aos escombros do terremoto de Brasília, o DEM não parou para fazer as contas do que sobrou. Sabe que enquanto administra a crise interna, o partido acabou em Brasília, Rio e Bahia, por enquanto. Mesmo no nordeste, não tem mais capacidade de somar contra o PT numa eleição presidencial. A força regional servirá ao partido de forma paroquial, em eleições bem pontuais, restritas aos estados.

O partido se reconhece inferiorizado na parceria histórica com o PSDB, sem condições de se impor na escolha do vice ou da estratégia de campanha. “Não produzimos nada nesses anos todos, estamos como aquela dona-de-casa que se deu conta tarde demais de que podia ter vôo próprio. Agora, resta ficar passivo no casamento”. O diagnóstico é de uma das mais experientes lideranças do partido e reflete o estado de espírito geral.

Há pouco, no plenário, o líder do partido no Senado, José Agripino (RN), sintetizava esse quadro ao responder sobre a chapa ideal para a aliança com o PSDB. “Nós queremos a vitória”, tangenciou.

A conversa foi motivada pelas declarações do governador de Minas, Aécio Neves, de que ele e o governador paulista, José Serra, podem se entender após uma conversa que têm agendada para sexta-feira. Agripino – ele próprio cotado para vice – defendeu a chapa puro-sangue tucana e apelou para que Serra e Aécio façam uma escolha lúcida.

Trocando em miúdos, se já não tinha muita força na parceria, depois do escândalo Arruda o partido entrou em crise. O papel de oposição foi fatal aos democratas, que sucumbem à ausência do poder.

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Só os paranóicos, segundo Bill Gates, sobrevivem no mundo tecnológico em que vivemos. A advertência não chegou aos políticos brasileiros, especialmente aos da geração passada, cujos sistemas políticos anacrônicos dependem do controle e manipulação da informação. Assim como nas ditaduras, esse controle é essencial ao êxito dos objetivos de partidos e governos.

Desde o início da década de 90, a informática sinaliza para o fim dessa possibilidade inugurando um novo ciclo, fatal aos  feudos instalados em todas as organizações,  privadas e públicas.  É o fim  do segredo funcional e administrativo, era da sinergia como instrumento indispensável ao sucesso empresarial e profissional. O mundo funciona em rede.

O político brasileiro, porém, manteve-se indiferente a essas mudanças, sem perceber que a correção na condução do interesse público terá de ser absorvida, senão  por virtude, por necessidade. As digitais se perpetuam como no caso da violação do painel do Senado, que expôs pela primeira vez o governador José Roberto Arruda.

As formas que permitiam ocultar a prática do nepotismo, por exemplo, não resistem ao cruzamento de informações facilmente executado em poucos minutos. Transferências de dinheiro ilegal ficaram ultrapassadas pela tecnologia a serviço dos õrgãos de investigação e controle. Mesmo as transferências em espécie deixaram de ser seguras, como já comprovaram ações da Polícia Federal e, agora, em Brasília, com a briga da quadrilha instalada no governo e no legislativo.

Não por outra razão, o Senado optou pela estratégia dos chamados “atos secretos”, aqueles que entravam em vigor sem entrar no sistema. Nomeações e decisões que seus mentores não queriam compartilhar, simplesmente ficavam nas gavetas. Não foi o suficiente: e-mails tratando de alguns desses atos deixaram o rastro virtual suficiente para o desmonte do esquema.

O “coronelismo” político, do qual são símbolos mais conhecidos o já falecido senador Antônio Carlos Magalhães, e o presidente do Senado, José Sarney, não sobrevive a uma tecnologia capaz de desmentí-los a cada justificativa de ocasião. Aconteceu com ACM, que renunciou, e com Sarney, que conseguiu se manter no cargo às custas do governo e da censura.

Com Arruda, equipamentos de última geração, microcâmeras de alta precisão, transformaram seu sistema de corrupção em longa-metragem, exibido em séries demolidoras. Com o que já se viu é possível cruzar dados de despesas de governo e identificar cada desvio feito e os destinatários de recursos ilegais. Não é mais possível patrimônio invísivel.

Como muitos sistemas obsoletos não são passíveis de adaptação e constituem acervo de falcatruas, é de se esperar que muito ainda venha à tona para escandalizar ainda mais o mundo político. Não obstante o strip-tease ainda em curso no DF.

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José Serra (PSDB-SP) e Dilma Rousseff (PT-RS) subiram três e dois pontos, respectivamente, na mais recente pesquisa do Ibope. Os índices indicam que Serra se elegeria no primeiro turno, pois a soma dos demais candidatos dá 36% dos votos. A questão que volta a se impor é a incógnita sobre o poder de Lula, com mais de 80% de aprovação ao seu governo, de transferir votos à sua candidata.

Serra consegue ter total maior que a soma dos concorrentes sem confirmar sua candidatura. De qualquer forma, a ascensão de Dilma autoriza a afirmação de que Lula consegue, sim, transferir votos para a sua candidata. Só não se sabe em que proporção. Resta ao eleitor a sua dimensão.

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04.dezembro.2009 06:53:43

Caixa Dois

Uma planilha com registro de 41 empresas abordadas pelos operadores da campanha de José Roberto Arruda (DEM-DF), com valor total de R$ 11 milhões, é o primeiro documento fora do inquérito da Polícia Federal indicando caixa dois na eleição passada. O documento foi elaborado pelo ex-secretário de Obras, Márcio Machado, que reconheceu sua autoria ao jornal O Estado de S.Paulo.

Mantida em sigilo até hoje, a planilha tem indicações de pagamento de altas quantias doadas que não aparecem na prestação de contas do governador. Ao lado de 12 empresas aparece a sigla PG, indicativa de pagamento feito. De um total de 20 construtoras, pelo menos nove delas fecharam contrato com o governo que tomou posse em 2007. Na edição de hoje do Estadão, o repórter Leandro Colon, detalha esses valores e conta essa história ainda desconhecida da campanha de Arruda.

Reprodução

Planilha indica altas quantias doadas que não aparecem na prestação de contas de Arruda. Foto: Reprodução

Machado, nome do PSDB no governo local do DEM, construiu uma versão improvável para explicar o documento: disse que os valores ainda seriam solicitados às empresas por ele listadas. O problema é que os valores são quebrados, o que desacredita sua explicação. O Grupo Olival, por exemplo, aparece como doador de R$ 277 mil. A Unifarma, tem ao lado de seu nome, a cifra de R$ 1,7 milhão.

Além disso, Machado anotava ao lado de alguns valores o quanto tinha realmente recebido. Por exemplo, a Delta Engenharia aparece como doadora de R$ 250 mil, mas teria pago apenas R$ 200, pois ao lado o autor da planilha escreve “-R$ 50″. O valor acertado e o recebido.

Das 41 empresas listadas na planilha, conta Leandro, apenas duas aparecem na prestação de contas de Arruda, mas com valores divergentes. Na planilha, ela teria doado R$ 650 mil, mas na Justiça Eleitoral aparecem R$ 260 mil.

Depois dos nomes de empresas e respectivos valores aparecem um quadro de Receita e Despesa e uma relação de nomes destinatários desse dinheiro, cada qual com a parte que lhe cabe ao lado. Esses nomes podem ser de fornecedores que efetivamente produziram para a campanha, mas a forma de arrecadação e de pagamento é notoriamente informal.

O mais interessante da história: Machado esqueceu esse documento em janeiro de 2007, dois meses após a campanha, numa emissora de TV, onde dera entrevista para falar dos planos de sua secretaria.

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02.dezembro.2009 20:16:03

O roto e o esfarrapado

O deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) era chefe de José Adalberto Vieira, flagrado pela Polícia Federal,  em 2006, com dólares na cueca.  Ontem, na porta do plenário da Câmara, Nobre esbravejava indignado contra o comportamento do presidente da Câmara Distrital de Brasília, Leonardo Prudente (DEM), filmado escondendo dinheiro nas meias,  no longa-metragem da corrupção no governo Arruda. 

Foi interrompido pelo deputado Antônio Feijão (PTC-AP), que lhe cobrou autoridade moral para condenar Prudente.  “Qual a diferença entre os dólares de seu assessor e os do deputado de Brasília? Ambos fedem”, disparou Feijão, encerrando o discurso do colega.

Uma prévia da campanha de 2010.

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02.dezembro.2009 12:00:44

Hoje como ontem

A estratégia política do governador José Roberto Arruda, exposta na edição do Correio Braziliense de hoje, é uma tentativa desesperada de uma saída direta com o eleitor. Como fez em 2002, ao visitar casa por casa as cidades-satélites, num total superior a cinco mil residências. Em algumas, chegou a tomar banho, almoçar e dormir.

Arruda, isolado, procura diretamente o eleitor. Foto: Celso Junior/AE

Arruda, isolado, procura diretamente o eleitor. Foto: Celso Junior/AE

A peregrinação aconteceu depois de um longo mergulho para distanciar no tempo o episódio da violação do painel do Senado. A cada eleitor pediu perdão e se disse arrependido. Deu certo: elegeu-se com 324 mil votos num universo pouco superior a 1,5 milhão de eleitores. Teve 27% dos votos válidos. Foi o campeão proporcional, batendo o então recordista  Leonel Brizola, eleito deputado em 62, com 300 mil votos (18% dos válidos).

À época, Arruda explicou ao jornalista Rui Nogueira, (chefe de redação do Estadão em Brasília) que sua estratégia considerou sobretudo o que chamou de “mínima influência da mídia nas classes C, D e E”. Nessas faixas da população fez um corpo-a-corpo admitindo o erro e fazendo penitência. Obteve perdão falando diretamente com o eleitorado mais numeroso, menos informado e, por índole, crédulo e generoso.

Faz o mesmo agora, desqualificando seu denunciante, acusando seu adversário Joaquim Roriz de estar por trás de tudo e de querer vencê-lo no “tapetão”. Acerta nas duas coisas, mas Durval e Roriz são secundários no processo, porque ao contrário do que diz o presidente Lula, os vídeos falam por si. E fazem a diferença nesse episódio tanto jurídica quanto politicamente.

Mas, para o governador isso não é problema porque ele chega quase a dizer que as imagens mentem. Segue fielmente, portanto, o conselho chulo que lhe deu Durval Barbosa nos “bons tempos”:

“Quem elege o governante não é quem lê jornal, é quem limpa a bunda com ele. Não esqueça isso!”

Arruda não esqueceu.

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Parece já ter sido maior o ânimo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com a idéia de voltar à política. Pelo menos essa é a percepção no PMDB, que lhe cedeu a vaga para o Senado.  Meirelles quer esticar ao máximo sua permanência à frente do BC,  mas desde que admitiu a possibilidade de concorrer parece ter ressuscitado velhos fantasmas que sempre o assustaram em relação à política, onde a exposição é maior, o jogo de interesses mais complexos e as práticas quase sempre questionáveis.

Uma avaliação corrente no partido acha que ele se sente mais preservado onde está e que já raciocina com a hipótese de ficar mesmo até o final do mandato de Lula no BC.  Muitos acham que ele se sentiria mais à vontade para exercer o contraponto à política econômica dentro do governo – onde é um conselheiro valioso para Lula – se estiver livre da candidatura.

A decisão do presidente do BC de ficar o máximo possível no cargo, mantendo suspense em relação à candidatura, já produziu no PMDB a comparação com o comportamento do governador de São Paulo. “Ele parece o nosso Serra”, brinca um dirigente do partido.

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30.novembro.2009 11:32:47

Indefinição

O governador José Serra mantém-se determinado a cumprir o prazo estratégico para decidir oficialmente sobre sua candidatura à Presidência da República, mas faz movimentos de candidato para reduzir a pressão dos que querem antecipar esse prazo. Serra não cederá: seu debate, está convencido, tem que ser com Dilma Rousseff e não com Lula.

O problema é que muitos temem que essa candidatura  não se materialize. Não há discurso uniforme em relação a isso. No DEM, por exemplo, Jorge Bornhausen aposta que ela acontece, mas essa fé não é consensual no partido.

No PMDB, que assiste atento aos movimentos do PSDB, há quem acredite que Serra ainda decidirá se concorre ou não, de acordo com as pesquisas de março de 2010. Se houver risco de derrota, a reeleição ao governo de São Paulo lhe manteria mais quatro anos em plena atividade política. Já uma derrota na eleição presidencial o aposentaria, porque quatro anos depois, em 2014, a idade inviabiliza nova tentativa, independentemente de uma boa condição de saúde.

Aécio Neves passa a fazer parte, então, do imaginario desses políticos: tem idade para arriscar e poderia sair pelo PSDB. Tudo isso pode ser mais desejo que realidade, mais pressa que reflexão, mas são raciocínios que prosperam não pelo prazo imposto por Serra, mas pela incerteza quanto à sua condição de candidato.

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Não é a candidatura própria à presidência defendida pelo governador do Paraná, Roberto Requião (a ser lançada amanhã em Brasília), que mais preocupa a direção do PMDB, empenhada em consolidar a aliança pela eleição de Dilma Rousseff.  A mosca na sopa do presidente Michel Temer é a candidatura própria do partido ao governo de São Paulo que atende pelo nome de Francisco Rossi, deputado com base em Osasco, com histórico de expressivas votações.

Rossi lançou-se à revelia do partido e sua candidatura ameaça o acordo de Temer com o PSDB paulista, que garante ao  ex-governador Orestes Quércia a vaga ao Senado.

Requião incomoda mais pela sustentação da tese dentro do partido do que pela possibilidade de concretizar alguma coisa. Um cálculo de Requião indica que 24 diretórios estaduais defendem a candidatura própria, mas a indiferença das lideranças mais expressivas do partido à causa, desautoriza a conta do governador paranaense.

Dos nove governadores do partido, apenas Luiz Henrique da Silveira, de Santa Catarina, aderiu e, dos 19 senadores, só Pedro Simon (RS) e Neuto de Couto (SC), apóiam Requião. Nas contas da direção do PMDB, os acordos com o PT nos estados mais dificeis estão avançando. Se consolidados esses acordos no Pará, Minas, Mato Grosso do Sul e Bahia, a margem de aprovação da aliança com Lula na Convenção Nacional pode ficar segura.

No Pará, a saída pode ser a de dois palanques, como foi acertado na Bahia.  Jader Barbalho e a governadora Ana Julia Carepa topariam essa alternativa à falta de um acordo melhor. Ainda persiste a esperança de que o PT reconheça a liderança de Jader nas pesquisas. Mas Ana Julia sonha com Jader para o Senado, com apoio incondicional do PT e com o seu caminho livre para a reeleição.

Em Minas Gerais, a proposta de Hélio Costa de aliança em torno daquele que estiver melhor nas pesquisas na hora da decisão, parece se consolidar. Mas a negociação anda junto com a indefinição da candidatura presidencial do PSDB, já que o governador Aécio Neves é que vai liderar o processo estadual.

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